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Morfologia Distribuída

Andrea Malheiros Letras Portuguese

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Morfologia Distribuída

  1. Descrição: Vertente da gramática gerativa, que surgiu nos anos 90 como proposta contrária ao lexicalismo.

  2. Objetivo do trabalho: Apresentar as diferenças da morfologia distribuída em relação à visão lexicalista

  3. Hipóteses sobre a estruturação de palavras e sentenças.

    • Abordagem lexicalista.
      • A estruturação de palavras e sentenças são processos distintos.
        • Formação de palavras
          • Formação de um léxico mental, em constante expansão, composto por vocábulos que têm traços formais, semânticos e fonológicos.
        • Formação de sentenças
          • A sintaxe se forma pela seleção de palavras e traços formais já existente no léxico. Essa seleção mental é denominada Numeration.
            • As palavras selecionadas pela Numeration formam um subconjunto lexical.
              • Os elementos desse subconjunto sofrem operações sintáticas, e a estrutura, ou derivação, que se forma é então "lida" pelas interfaces da Forma Fonológica e da Forma Lógica.
                • Se forem interpretáveis, a estrutura (a sentença construída) converge.
                • Se não forem interpretáveis, a sentença formada fracassa.
    • Abordagem da morfologia distribuída
      • O mecanismo gerador de palavras e sentenças é o mesmo. Não há um léxico separado da sintaxe.
        • Módulos ou listas de elementos geradores de vocábulos.
          • Lista 1 - Traços abstratos, sintáticos-semânticos, sem substância fônica. Ex.: Nominalizador, verbalizador, adjetivador, tempo, número, pessoa, etc...
          • Lista 2 - Itens de vocabulário. Ex.: Prefixos, sufixos, marcas de concordância. Apresentam informação fonológica. Há dois tipos de itens de vocabulários:
            • Raízes - morfemas lexicais - classe aberta.
              • São implementadas na posição oca da lista 1.
            • Peças funcionais - morfemas funcionais - classe fechada.
              • São inseridas nos traços abstratos.
          • Lista 3 - Enciclopédia - Armazena o conhecimento não linguístico do falante, o significado que a palavra recebe por convenção.. Aqui estão os significados arbitrários da estrutura "raiz + 1º categorizador", e também de expressões idiomáticas (como "chutar o balde".
        • Fases da derivação
          • Seleção de traços abstratos da lista 1.
            • A união de traços dá origem a uma estrutura sintática.
              • Cada fase se inicia com a junção de um novo traço à estrutura formada na fase anterior. A estrutura sintática resultante recebe substância fônica e interpretação semântica.
                • São inseridos itens de vocabulário (lista 2) à estrutura sintática. Operação chamada Inserção Lexical, que na morfologia distribuída é tardia, pois a ocorrência é pós sintática.
                  • Após a Inserção Lexical ocorrem operações morfológicas e fonológicas sobre os itens de vocabulário inseridos na estrutura sintática.
                  • Após a Inserção Lexical ocorre também o envio dos traços unidos para o módulo semântico, onde serão interpretados por duas leituras distintas, que se completam.
                    • Leitura idiossincrática fornecida pela Enciclopédia (lista 3), sobre a junção da raiz com o primeiro traço categorizador. É nessa junção que se dá a negociação do significado, a arbitrariedade saussiriana.
                    • Leitura composicional, após a junção dos demais traços categorizadores, fase a fase. Feita pela Forma Lógica através da parte regular do vocábulo.
        • Propriedades que a diferenciam de outras teorias morfológicas:
          • Inserção tardia: Os itens entram na computação sem traços fonológicos. São abstratos. Somente após as operações sintáticas eles recebem substância fônica, pelos itens de vocabulário.
          • Subespecificação: As expressões fonológicas não precisam ser plenamente especificadas para serem inseridas nos nós terminais da derivação sintática. Os itens de vocabulário possuem algum tipo de especificação ( traços sintáticos, morfológicos e semânticos).
          • Estrutura sintática hierarquizada all the way down: Os itens de vocabulário são inseridos em nós terminais que se arranjam em estruturas hierárquicas estabelecidas pela sintaxe.
  4. Metodologia: Comparação entre as duas hipóteses.

  5. Conclusões:

    • A morfologia distribuída opera com listas que armazenam informações diferentes.
    • Não há um léxico de onde as palavras são geradas
    • Há uma única computação geradora de palavras e sentenças.
    • A palavra não é a unidade mínima. há unidades abstratas menores, desprovidas de substância fônica.
    • A modularidade é mais diminuta, com submódulos altamente específicos
    • A subespecificação apresenta explicações para o fenômeno de inserção de um mesmo item de vocabulário em estruturas sintáticas distintas.
    • A subespecificação também possibilita explicar a reanálise de palavras ao longo de sucessivas gerações de falantes.
    • A sintaxe passa a ter um papel ainda mais importante, sendo a única computação geradora de elementos linguísticos.
  6. Fonte: LOURENÇO DA SILVA, Everton. O advento da morfologia distribuída. ReVel, vol. 8, nº 14, 2010. (www.revel.inf.br)

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Letras Mind Map on Morfologia Distribuída, created by Andrea Malheiros on 03/05/2017.
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  • Created by Andrea Malheiros · May 3, 2017
  • Copied by Andrea Malheiros · May 3, 2017
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