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INTOXICAÇÕES EXÓGENAS

marcus vinicius CLÍNICA MÉDICA - REVALIDA MEDICINA English

INTOXICAÇÕES EXÓGENAS

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INTOXICAÇÕES EXÓGENAS

  1. Definição:

    • Toxíndrome é um conjunto de sinais e sintomas que pode ser produzido por uma ou mais substâncias que causam um quadro clínico em comum
  2. Medidas gerais:

    • Descontaminação de superfícies: muitos tóxicos podem ser absorvidos por meio do contato com a pele e mucosas, o paciente deve ter suas roupas removidas e a pele deve ser lavada com água ou soro fisiológico, substâncias corrosivas devem ser cuidadosamente retiradas. Em casos de contato com os olhos deve ser feita lavagem com 1 litro de soro fisiológico ou aguá corrente em cada olho, se necessário adm colírio anéstesico antes do procedimento e avaliação com oftalmologista
    • Descontaminação gastrointestinal: é um método que visa retirar do organismo o agente tóxico que foi ingerido antes que aconteça sua absorção sistêmica, sua aplicação é limitada até 2h após a ingestão, mas preferencialmente deve acontecer antes dos 60min. Pode ser feita por meio de indução ao vômito, lavagem gástrica e carvão ativado
      • Indução de vômitos: pode ser realizada em situações pré-hospitalares, quando os cuidados médicos ainda podem demorar para acontecer. Xarope de ipeca (propiedades emetogênicas) seu uso pode provocar broncoaspirações e piorar o quadro clínico.
        • Contraindicações: pacientes sedados ou convulsivos e ingestão de agentes corrosivos
      • Lavagem gástrica: procedimento que consiste em inserir uma sonda nasogástrica para infundir soro fisiológico no estômago e aspirar seu conteúdo, sua utilização implica em riscos de perfuração do trato digestivo e broncoaspiração
        • Contraindicações: ingestão de agentes corrosivos, hematêmese ou varizes esofagianas, pacientes sedados ou convulsivos e a via aérea deve estar protegida
      • Carvão ativado: pó capaz de adsorver e neutralizar toxinas, reduzindo sua absorção sistêmica, é considerado o método de descontaminação gástrica mais seguro e eficaz. Para pacientes que precisarem de uma endoscopia de emergência, seu uso pode prejudicar a visibilidade do exame
        • Contraindicações: pacientes sedados ou convulsivos e a via aérea deve estar protegida
        • Apesar de ser o método mais eficaz algumas substâncias pouco são adsorvidas pelo carvão ativado como lítio, etanol, cianeto, ácidos, álcalis e metais pesados
  3. Síndrome adrenérgica

    • Definição:
      • É desencadeada pelo aumento intenso do tonus simpático por meio da ação de catecolaminas como a adrenalina, noradrenalinda e a dopamina e normalmente é causada por drogas como cocaína, crak e anfetaminas. Portanto se considera uma síndrome simpaticomimética ou seja ocorre uma mimetização dos efeitos do sistema nervoso autônomo simpatico, causado pela hiperestimulação catecolaminérgica
      • A cocaína e o crack ainda bloqueiam os canais de sódio nas fibras nervosas, essa ação produz efeitos cardiotóxicos, podendo causar depressão na condução cardíaca, prolongamento do QRS e provocar arritmias potencialmente graves
    • Quadro Clínico:
      • Os principais sintomas são causados pela estimulação excessiva do SNC e sistema nervoso simpático como agitação psicomotora, euforia, taquicardia, hipertensão, hipertermia, sudorese excessiva, hiperrflexia, midríase, caefaleia, náuseas e vômitos. Em casos mais graves pode ocorrer arritmia cardíacas, infarto agudo do miocárdio, rebaixamento do nível de consciência, sintomas psicóticos, convulsões, rabdomiólise, insuficiência renal aguda e acidente vascular encefálico
    • Diagnóstico:
      • É clínico baseado em história e nos sintomas observados, paciente vai estar midriático, ficar atento a pacientes jovens com IAM ou dor torácica sem histórico prévio de cardiopatia
    • Tratamento:
      • Medidas de suporte a vida e benzodiazepínicos, caso haja alargamento do QRS, hipotensão grave ou arrtimias ventriculares está indicado o usado de bicarbonato de sódio, o uso de betabloqueadores deve ser evitado pois pode agravar a hipertensão paradoxal
        • Não tem antídoto
  4. Síndrome colinérgica

    • Definição:
      • Também conhecida como síndrome anticolinesterásica é causada pela inibição da acetilcolinesterase, enzima responsável pela degradação da acetilcolina, esse acúmulo de acetilcolina há aumento do tonus colinérgico no sistema nervoso central, periférico e autônomo, devido a hiperestimulação dos receptores muscarínicos e nicotínicos. Os principais agentes envolvidos são pesticidas do tipo carbamato e organofosforado que estão presentes em agrotóxicos, inseticidas, domésticos, rodenticidas e algumas medicações
      • Efeitos muscarínicos: espasmo brônquico com hipersecreção brônquica, sialorreia, lacrimejamento, sudorese, vômitos, diarreia, poliúria, miose e bradicardia
      • Efeitos nicotínicos: fasiculações ou tremores e fraqueza muscular
      • Carbamatos: inibem de maneira temporária e reversível a ação da acetilcolinesterase, com efeitos geralmente inferiores a 24h, atravessam intensamente a barreira hematoencefálica portanto causam menos efeitos centrais
      • Organofosforados: estabelecem uma ligação forte e duradoura com a acetilcolinesterase, são lipossolúveis o que permite uma passagem rápida pela barreira hematoencefálica, causando efeitos mais proeminentes sobre o sistema nervoso central, causa uma intoxicação prolongada (síndrome intermediária)
    • Quadro Clínico:
      • Miose, sudorese, sialorreia, urinando, lacrimejamento, diarriea e broncorreia
    • Diagnóstico:
      • Clínico, muitas vezes são pacientes de origem rural ou um trabalhador do ramo agrícola. Paciente estará miótico e molhado
    • Tratamento:
      • Antídoto específico ATROPINA EV que evitará que o pacientte entre em insuficiência respiratória, outro antídoto que pode ser utilizado é a PRALIDOXIMA que melhora os efeitos muscarínicos e nicotínicos
  5. Síndrome anticolinérgica

    • Definição:
      • É resultado da intensa ação anticolinérgica muscarínica em diversos sitemas orgânicos, especialmente no sistema digestório e no sistema cardiovascular. É causada por inúmeros fármacos e toxinas com destaque nos antidepressivos tricíclicos, antialérgicos anti-histamínicos, antiespasmódicos, relaxantes musculares e antipsicóticos de baixa potência (clorpromazina)
    • Quadro Clínico:
      • Taquicardia, alargamento do QRS, boca seca, pele seca, hipertermia, constipação intestinal, retenção urinária e midríase. Em casos graves ocorrem alucionações, delirium, alteração do nível de consciência, convulsões, arritmias cardíacas, acidose metabólica, choque e parada respiratória
    • Diagnóstico:
      • Clínico, paciente estará midriático e seco
    • Tratamento:
      • Caso haja alargamento do QRS, hipotensão, arritmias ventriculares ou acidose metabólica o uso de bicarbonato de sódio está inddicado, convulsões podem ser tratadas com benzodiazepínicos
      • Fisostigmina é um carbamato que pode ser utilizado em casos graves, especialmente em pacientes com sintomas de delirium e psicose. Contudo essa droga deve ser evitada quando a intoxicação for causada predominantemente por antidepressivos tricíclicos pelo risco de causar arrtimias graves
  6. Síndrome narcótica opioide

    • Definição:
      • Causados por sedativos, hipnóticos e depressores do sistema nervoso central
    • Quadro Clínico:
      • Letargia, sonolência, bradicardia, hipotensão, hipotermia e miose. Em casos mais graves ocorre depressão respiratória, arritmias cardíacas e coma
    • Diagnóstico:
      • Clínico, com suspeita maior naqueles que apresentam depressão respiratória, sedação (coma) e miose
    • Tratamento:
      • Antídoto específico NALOXONA EV
  7. Síndrome Hipnossedativa

    • Definição:
      • Caracterizada por sintomas da depressão das funções neurológicas, causados por drogas sedativas, ansiolíticas ou hipnóticas com ação comum no sistema gabaérgico. As principais drogas envolvidas nessa síndrome são benzodiazepínicos, barbitúricos e as drogas Z (zolpidem)
    • Quadro Clínico:
      • Sedação, fala arrastada, nistagmo, hipotensão e ataxia cerebelar. Em casos graves ocorre hiporreflexia, hipotermia, parada respiratória e coma. NÃO OCORRE MIOSE OU MIDRÍASE
    • Diagnóstico:
      • É clínico e história de ter ingerido medicamentos dessas classes
    • Tratamento:
      • Medidas de suporte e antídoto FLUMAZENIL para benzodiazepínicos e drogas Z (barbitúricos não tem antídoto)
  8. Intoxicação por paracetamol

    • Os principais sintomas são gastrointestinais como náuseas, vômitos e diarreia, em casos graves pode ocorrer hepatite fulminante, acidose lática, miocardiopatia, distúrbios de coagulação, icterícia, rebaixamento do nível de consciência, encefalopatia, convulsões e morte. Raramente ocorre insuficiência renal aguda
    • Tratamento: N-acetilcisteína demonstram maior benefício iniciadas até 12h após a ingestão da droga
    • A dose potencialmente tóxica p/ crianças é acima de 200mg/kg e para adultos >6-7g por dia
  9. Intoxicação por Lítio

    • O lítio é um metal alcalino utilizado como um estabilizador do humor, que possui propriedades antimaníacas, antidepressivas e antissuicidas. A intoxicação pode causar tremores, ataxia, rigidez muscular, distúrbios gastrointestinais como vômitos, diarreia e náuseas com um gosto ''metálico na boca''. Em casos graves pode haver rebaixamento do sensório, convulsões, insuficiência renal aguda, arritimias cardíacas e depressão respiratória
    • Tratamento: suporte clínico e não há antídoto específico, em casos de ingestão do agente tóxico a menos de 1h a lavagem gástrica pode ser indicada, em casos extremos a hemodiálise poderá ser indicada

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MEDICINA CLÍNICA MÉDICA - REVALIDA Mind Map on INTOXICAÇÕES EXÓGENAS, created by marcus vinicius on 22/02/2024.
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marcus vinicius · Feb 2024
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Feb 22, 2024
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