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A Didática no Brasil

Giltemir Tavares Portuguese 1 page

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A história da Didática no Brasil revela que sua trajetória procurou atender às necessidades educacionais de cada época e contexto social.

O termo Didática foi instituído pelo teórico João Amós Comênius, na obra Didática Magna e significa a "A Arte de Ensinar".

Libâneo (1994, p. 25) a denomina como "teoria de ensino" porque a Didática investiga os fundamentos

e as condições adequadas para essa atividade.

Houve necessidade de romper a Didática com seu caráter prescritivo, instrumental e tentar sua remodelação para que houvesse uma evolução junto às mudanças ocorridas.

Nos últimos dois decênios do século XX, vários movimentos mobilizaram a sociedade na busca de soluções para seus conflitos econômicos, sociais e, também, educacionais. Desses movimentos resultaram produções científicas, debates e discussões em torno da Didática.

Para Damis, (1988) a produção que possibilita a sobrevivência humana se concretiza por meio da relação social determinada pelas instituições sociais. Essas instituições, tais como a escola, a igreja, a família, dentre outras, possuem funções específicas que contribuem para o estabelecimento, desenvolvimento e sustentação de uma sociedade. A educação é, portanto, uma instituição que tem contribuído para os processos formadores da sociedade.

Na sociedade antiga e medieval “a escola como instituição pública de responsabilidade do Estado praticamente não existiu.” a Educação como finalidade social era uma prática praticamente inexistente e “o pouco de educação escolar que existia aliado ao incipiente desenvolvimento científico e tecnológico do momento, dificultava a comunicação, veiculação e expansão de novas ideias e concepções produzidas” (DAMIS, 1988, p. 14).Diante desse contexto, nessa função e nessa lentidão até o século XVI, a educação sistemática tinha uma função reprodutivista.

A partir do advento do capitalismo a escola, que antes era privilégio e necessidade de determinada classe social, passou a ser institucionalizada como um direito de todos. Foi a partir do capitalismo, em que transformações da produção da sobrevivência da população ocorreram de forma mais intensa, é que a democratização do ensino tornou-e uma bandeira levantada como responsabilidade do Estado.

De acordo com Damis (1988), a educação sempre esteve a serviço da produção da sobrevivência humana. Os contextos foram e são formados conforme as necessidades de desenvolvimento e das ações humanas para essa

transformação. No caso específico da Didática, que é uma disciplina pedagógica fundamentalmente criada para elaborar um método universal que possibilitasse ensinar tudo a todos, sua contribuição não está no fato da análise dos seus conteúdos técnicos e sim na sua relação com a prática social e a necessidade de cada momento histórico.

Nos últimos dois decênios do século XX, surgiram vários movimentos das classes operárias em busca de melhorias sociais. E nesse cenário os professores sentiram-se também no direito de reivindicar participação junto às políticas públicas educacionais. Esses movimentos foram uma “tentativa de superar a cultura tecnicista instalada no meio educativo e politizar o pensamento pedagógico.”

O capitalismo e seus modos de produção constroem a sociedade com reflexos junto às suas instituições, dentre as quais, a Educação.

Silva (2008) afirma que a Pedagogia Histórico Crítica é ideal como proposta de ação concreta para a escola pública, pois preconiza a democratização dos conteúdos socioculturais, científicos e artísticos para as classes populares.

Para Libâneo (1994, p. 40), de acordo com o contexto do movimento da década de oitenta, os "métodos de uma pedagogia crítico-social dos conteúdos não partem, então, de um saber artificial, depositado a partir de fora, nem do saber espontâneo", mas de uma relação direta com a experiência do aluno, confrontada com o saber trazido de fora, em que o professor valoriza os conhecimentos adquiridos anteriormente e parte desses conhecimentos para novas aprendizagens.

O movimento, a problematização sobre a natureza técnica da Didática, e a necessidade de situá-la historicamente,

contextualizando a prática pedagógica mediadora entre a sociedade e a escola, devem ser valorizadas.

Da Pedagogia Histórico Crítica até os dias atuais, a Didática desfragmentou o seu fundamento, primeiro com a ruptura da sua função prescritiva e instrumental, depois com a variação entre as didáticas, criando várias didáticas e metodologias, principalmente nos cursos de Pedagogia e de Magistério.

O conhecimento pedagógico representa a mistura entre a matéria e o ensino. o conhecimento do conteúdo pedagógico é a categoria mais susceptível à distinção entre o entendimento de um especialista e de um professor. Há que se concordar com Schulman (2005) quando o autor afirma que o professor com base nos conhecimentos explicitados, precisa conhecer o território de ensino.

No início dos anos 80, no Brasil, o país passava “por um movimento de luta pelo restabelecimento da democracia, e os educadores se sentiam desafiados a colaborar com a redemocratização da sociedade.”

André (2000) afirma que ao examinar as produções existentes observou que há predomínio nas discussões em torno da formação do professor reflexivo, que há um consenso em torno da concepção do ensino enquanto prática reflexiva.

No século XXI, e com um cenário altamente tecnológico e conhecimento amplamente divulgado a sociedade se encontra com seu campo educacional sendo revisto novamente. O que vem sendo questionado na atualidade

é a formação dos professores de ensino superior e seu conhecimento sobre a didática e como utilizá-la ou que finalidade tem numa sociedade em que se prioriza o conhecimento.

A educação superior ganhou relevância porque a sociedade, cada vez mais, tende a sustentar-se no conhecimento, dado o tipo, o alcance e o ritmo das transformações ocorridas na atualidade, segundo os autores ora citados. Segundo Aquino e Puentes (2011), a sociedade atual tem vislumbrado na ciência o alcance de melhores condições de vida, razão pelo qual busca no ensino superior e na pesquisa o desenvolvimento cultural, socioeconômico e ecologicamente sustentável da humanidade. Analisando o texto e as propostas de Shulman (2005) verifica-se que a formação docente tornou-se o elemento de ligação entre o conhecimento e as formas de produzir a sobrevivência humana.

É importante que haja responsabilidade e compromisso social dos profissionais do ensino superior em pesquisar, gerir e difundir conhecimentos necessários para a melhoria da educação e da qualidade de vida da população.

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Note on A Didática no Brasil, created by Giltemir Tavares on 17/03/2022.
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