Notas
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Como é ser um filósofo?
O que significa a palavra Filosofia?
Qual a relação da Filosofia com a atitude crítica?
Filosofia: admiração ou espanto?
Por que a Filosofia começaria pela admiração ou pelo espanto? O que queriam enfatizar?
Qual a finalidade prática da Filosofia?
Podemos dizer que a Filosofia possui uma finalidade prática? Uma utilidade imediata como em outros saberes? Ou seria a Filosofia um questionar sem sentido, ao sabor de cada pessoa?
Qual a contribuição da Filosofia?
É possível uma definição para o termo Filosofia?
Quais as características da filosofia?
O que você entende por “Saber Radical”?
O que significa dizer que a Filosofia é um saber rigoroso ou sistemático?
A Filosofia é um saber interdisciplinar, um saber de conjunto. Mas o que isso significa?
O que diferencia a Filosofia de outras disciplinas?
Existe um tipo de “filosofar” que podemos considerar como espontâneo, uma filosofia de vida. E existe, também, uma reflexão mais rigorosa, com critérios bem diferentes para análises profundas sobre a vida e o ser humano (cf. ARANHA e MARTINS, 2009; MARCONDES e FRANCO, 2011).
Como área do conhecimento, Filosofia nasce da nossa condição de seres racionais e livres, bem como da consequente necessidade de atribuirmos significados a todos os acontecimentos da vida (cf. ARANHA e MARTINS, 2009).
E, neste ponto, considerando um sentido específico, o termo Filosofia nos remete à cultura grega antiga. Esse termo foi constituído por duas palavras philos e sophia, para designar a busca pelo saber, pois philos é um termo grego que significa “amigo de” e sophia, “sabedoria” (cf. ARANHA e MARTINS, 2009).
Nesse caminho de busca pelo conhecimento, o filósofo, “amigo do saber”, não deve ser entendido como aquele que adquire um saber pronto e acabado, como uma aquisição contínua, ou um saber espontâneo no mundo da vida, mas como o que busca a sabedoria, por meio de um espírito indagador, com “exigências de rigor que o bom senso [sozinho] não preenche” (ARANHA e MARTINS, 2009, p. 88).
O que importa em Filosofia é a problematização do real, ou seja, a indagação, a busca, o caminho, não o seu resultado, porque este poderá não ser alcançado facilmente e apresentar possibilidades de respostas não conclusivas (cf. MARCONDES e FRANCO, 2011).
Deve-se destacar, portanto, que a Filosofia representa um conhecimento específico que a torna diferente das outras áreas de saber e que vai além do sentido de possuir bom senso. Mas é preciso observar que ela também se afasta do mito, ou seja, crenças, considerado como primeira manifestação de cultura. Neste ponto, observa-se que não se confunde com religião, nem como sabedoria de vida.
De qualquer modo, pode-se usar a palavra Filosofia de várias maneiras no dia a dia, mas, aqui, estamos trabalhando o termo no sentido específico.
Para uma melhor compreensão do termo Filosofia, vamos revisar o que foi dito até agora: a palavra pode ser analisada sob o ponto de vista do senso comum como sabedoria de vida ou poderá ser compreendida como um tipo de conhecimento desenvolvido pela cultura grega no mundo antigo que valoriza o pensamento racional e crítico.
Ao compreendermos a Filosofia como um saber mais rigoroso, percebemos que está vinculada a um modo de pensar que denominamos racional, e a atividade, racionalizar. O que podemos entender por esse termo? (cf. ARANHA e MARTINS, 2009)
Compreendemos a palavra racional como algo que poderá ser argumentado, ser submetido a um debate, poderá ser compreendido, analisado em seus fundamentos ou pressupostos.
No dicionário Caudas Aulete Digital, podemos encontrar a seguinte definição para a palavra racional: “capaz de usar a razão, de raciocinar (...) 2. Que se baseia na razão, no raciocínio lógico, e não na emoção (decisão racional, medida racional). Racionalizar como “tornar mais racional ou reflexivo, buscar compreender, expor ou tratar (algo) de maneira racional, lógica”.
Reflexão
Trata-se, portanto de um saber que se orienta segundo regras para que o pensamento mantenha certa coerência ou sentido (cf. ARANHA e MARTINS, 2009). Aliás, todos gostamos de situações que se apresentem minimamente coerentes e sentimos desconforto em outras que nos parecem confusas. Por isso, a Filosofia é uma área do conhecimento que nos ajudar a raciocinar, a compreender os acontecimentos da vida e a nós mesmos.
Assim, podemos compreender a filosofia como atitude crítica, ou seja, a postura de alguém que investiga as ideias, sem aceitá-las de maneira passiva, mas antes procura examinar as concepções com rigor – “Quem disse? ”, “Por que disse? ”, “Como disse? ”, “Vivenciou a situação ou ouviu de um terceiro? ”, “E esse terceiro, como ficou sabendo?”...
Os termos admiração e espanto ligam-se ao sentido de algo visto pela primeira vez. A atitude filosófica procede assim, olha para o mundo com olhar indagador, interroga o próprio ser humano, como compreendeu Sócrates ao estudar a célebre frase no oráculo de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo” (cf. ARANHA e MARTINS, 2009).
Alguns estudantes se questionam por que precisam conhecer Filosofia, embora não o façam para outros tipos de conhecimentos. Observaremos que o trabalho do cientista pressupõe conhecimentos filosóficos, por exemplo. E nos ajuda a compreender um papel muito importante para a Filosofia na construção do autoconhecimento e do conhecimento científico.
O maior desafio de nossa época está em construirmos uma postura diante da vida que apresente senso crítico e permita o diálogo com nossos contemporâneos, pois estamos vivendo em um mundo novo que está redefinindo papéis sociais, novas áreas de saber e uma multiplicação infinita de informações que precisam ser selecionadas e ordenadas criticamente.
A Filosofia nos ajuda a organizar as ideias, ensina-nos a questionar, ou seja, a refletir de maneira mais organizada e cuidadosa sobre os desafios da vida cotidiana. Ela nos auxilia quanto aos inúmeros dilemas morais e éticos, permitindo-nos repensar nossa própria capacidade racional para construção ou redefinição de saberes. Poderá, ainda, aliviar nossas angústias pessoais e nos ensinar a viver um pouco melhor, mais conscientes de nossa época e papel social.
Segundo Maria Lúcia Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins (2009, p. 91), a Filosofia possui um papel importantíssimo para uma vida citadina, revela a “transcendência humana”, pois:
por meio da reflexão, a Filosofia nos permite ter mais de uma dimensão, além da que é dada pelo agir imediato no qual o ‘indivíduo prático’ se encontra mergulhado. É a filosofia que dá o distanciamento para a avaliação dos fundamentos dos atos humanos e dos fins a que eles se destinam (...). Portanto, a filosofia é a possibilidade de transcendência humana, ou seja, a capacidade de superar a situação dada e não escolhida. (...) A filosofia impede a estagnação (grifos das autoras).
A filosofia é um modo de pensar que acompanha o ser humano na tarefa de compreender o mundo e agir sobre ele. Mais que postura teórica, é uma atitude diante da vida, tanto nas condições corriqueiras como nas situações-limite que exigem decisões cruciais” (ARANHA e MARTINS, 2009, p. 91).
Uma reflexão própria dos seres pensantes que sentem necessidades de autoconhecimento, ou seja, indagar por que pensamos certas ideias, qual a nossa intencionalidade em certas ações, e tantas outras. Pode ser compreendida, antes de tudo, como uma postura diante da vida. Assim, a Filosofia pode ser compreendida como uma reflexão radical, que utiliza um método rigoroso, numa perspectiva de abordagem interdisciplinar (SAVIANI, apud ARANHA e MARTINS, 2009)
Saber Radical
Podemos pensar num amigo que pratica esportes radicais; podemos imaginar como é angustiante conversar com uma pessoa radical. Mas o sentido de radical que estamos a usar é outro. O termo radical assume o sentido latino de radix, radicis que significa raiz, origem, fundamento, base (ARANHA e MARTINS, 2014).
A filosofia é radical porque busca explicitar os conceitos que estão na base do pensar e do agir. Investiga as raízes, os princípios que orientam nossa existência (ARANHA e MARTINS, 2009).
Estudo Rigoroso
Significa afirmar que o filósofo deve dispor de um método (caminho a ser seguido) a fim de proceder com rigor em sua análise. São vários métodos para proceder a investigações e desenvolver um pensamento rigoroso, fundamentado, coerente e expresso numa linguagem também rigorosa. Os conceitos devem ser claramente definidos (ARANHA e MARTINS, 2009)
Interdisciplinar
Significa afirmar que a Filosofia se desenvolve sob uma perspectiva segundo a qual relaciona diferentes aspectos de um fenômeno a ser investigado. Ao proceder às análises, observa as diversas nuances de um problema, por isso interdisciplinar, relaciona diferentes enfoques que estão presentes no objeto a ser investigado (ARANHA e MARTINS, 2009).
á vimos que a Filosofia, antes de tudo, é uma postura diante da vida. E, nesse horizonte, oferece-nos um modo de proceder especial para suas indagações. Uma das suas contribuições mais relevantes não é o que se estuda, propriamente, mas como se estuda, ou seja, o método. Ela nos empresta a dimensão radical, o método sistemático que visa coerência no raciocínio e o olhar crítico que é sempre indagador.
Nesse modo de proceder, aprendemos a pensar com rigor e examinamos o que está por trás de nossos modos de ser e agir internalizados na experiência cotidiana mais comum. Muitas ideias que reproduzimos em razão do processo de socialização e que não percebemos.
Nesta aula, você:
Verificou que a Filosofia é um tipo de conhecimento racional que não se confunde com sabedoria de vida;
Analisou algumas definições para Filosofia;
Identificou que a Filosofia desvela uma atitude crítica, um saber radical e possui uma perspectiva interdisciplinar.
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- Administração Notas sobre aula , criado por Digo Ferreira em 06-03-2018.
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- Digo Ferreira
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