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Capítulo 23 - Saúde mental

Flávia Faria PSICOLOGIA Portugiesisch 42 Karten

Karten in diesem Stapel (42)

  1. 1Saúde ou doença mental: a questão da normalidade➨O sofrimento psíquico
    É necessário ter muito cuidado para não
    patologizar o sofrimento.
    Além do apoio do grupo (amigos, familiares, trabalho), o indivíduo pode necessitar de uma ajuda psicoterápica, no sentido de suporte e facilitação da compreensão dos conteúdos internos que lhe causam o transtorno, o que poderá levá-lo a uma reorganização pessoal quanto a valores, projetos de vida, a aprender a conviver com perdas,
    frustrações e a descobrir outras fontes
    de gratificação na sua relação com o
    mundo.
  2. 2O indivíduo que sofreEsse indivíduo que sofre pode estar perfeitamente adaptado, continuar respondendo a todas as expectativas sociais e cumprir todas as suas responsabilidades.
    O indivíduo consegue lidar com suas aflições intensas encontrando modos de produção que canalizam este mal-estar de forma produtiva e criativa.
  3. 3Abordar a doença mentalAbordar a questão da doença mental, neste enfoque psicológico, significa considerá-la como produto da interação das condições de vida social com a trajetória específica do indivíduo (sua família, os demais grupos e as experiências significativas) e sua estrutura psíquica.
  4. 4A DIVERSIDADE DE TEORIAS SOBRE A LOUCURA História da loucuraNa periodização histórica que utiliza, Foucault inicia seu trabalho pelo Renascimento (século XVI), período no qual o louco vivia “solto, errante, expulso das cidades, entregue aos peregrinos e navegantes”.
    O louco era visto como “tendo um saber esotérico sobre os homens e o mundo,
    um saber cósmico que revela verdades secretas”.
  5. 5Significado da loucura nessa épocaSignificava “ignorância, ilusão, desregramento de conduta, desvio moral, pois o louco toma o erro como verdade, a mentira como realidade”.
    Na Idade Média e no Renascimento, eram raros os casos de internação de loucos em hospitais e, quando isso ocorria, recebiam o mesmo tratamento dispensado aos demais doentes, com
    sangrias, purgações, ventosas, banhos.
  6. 6Designação de louco nos séculos XVII e XVIII ÉPOCA CLÁSSICAOs critérios para definir a loucura ainda não eram médicos — a designação de louco não dependia de uma ciência médica. Esta designação era atribuída à percepção que instituições como a igreja, a justiça e a família tinham do indivíduo e os critérios referiam-se à transgressão da lei e da moralidade.
  7. 7Criou-se o HOSPITAL GERALNo final do século 17 (1656), foi criado, em Paris, o Hospital Geral. Neste hospital, iniciou-se “a grande internação”. A população internada era heterogênea, embora pudesse ser agrupada em quatro grandes categorias:
    os devassos (doentes venéreos),
    os feiticeiros (profanadores),
    os libertinos e os loucos.
  8. 8HOSPITAL GERAL Instituição assistencialO Hospital Geral não era uma instituição médica, mas assistencial. Não havia tratamento. Os loucos não eram vistos como doentes e, por isso, integravam um conjunto composto por todos os segregados da sociedade.
    O critério de exclusão baseava-se na inadequação do louco à vida social.
  9. 9Loucura no interior do homemNa segunda metade do século XVIII, iniciaram-se reflexões médicas e filosóficas que situavam a loucura como algo que ocorria no interior do próprio homem, como perda da natureza própria do homem, como alienação.
  10. 10Final do século XVIII e início do IX MODERNIDADECriou-se, então, a primeira instituição destinada exclusivamente à reclusão dos loucos: o asilo. A mentalidade da época considerava injusto para com os demais presos a convivência com os loucos.
  11. 11Métodos terapêuticos utilizados no asiloA religião, o medo, a culpa, o trabalho, a vigilância, o julgamento.
    O médico passou a assumir o papel de autoridade máxima. A ação da Psiquiatria era moral e social; isto é, sua função estava voltada para a normatização do louco, agora concebido como capaz de se recuperar.
  12. 12Início da medicalizaçãoInicia-se a medicalização.
    A cura da doença mental — o novo estatuto da loucura — ocorreria a partir de uma liberdade vigiada e no isolamento.
    Estava preparado o caminho para o surgimento da
    Psiquiatria.
  13. 13PSIQUIATRIA CLÁSSICAA Psiquiatria clássica considera os sintomas como sinal de um
    DISTÚRBIO ORGÂNICO.
    Isto é, doença mental é igual a doença cerebral.
    Sua origem é ENDÓGENA, dentro do organismo, e refere-se a alguma lesão de
    natureza anatômica ou distúrbio fisiológico cerebral.
    Nessa abordagem, algum distúrbio ou anomalia da estrutura ou funcionamento cerebral leva a distúrbios do comportamento, da afetividade, do pensamento etc.
    O sintoma apóia-se e tem sua
    origem no orgânico.
  14. 14Doença mental como doença orgânicaE, finalmente, se a doença mental é simplesmente uma doença orgânica, ela será tratada cora medicamentos e produtos químicos.
    Ao lado da MEDICAÇÃO, devemos lembrar que ainda são usados os ELETROCHOQUE, os CHOQUES INSULÍNICOS e, em casos mais graves, o internamento psiquiátrico, para uma administração controlada e intensiva de medicamentos.
  15. 15A CONTRIBUIÇÃO DA PSICANÁLISEPara a Psicanálise, o que distingue o normal do anormal é uma questão de grau e não de natureza, isto é, nos indivíduos “normais” e nos “anormais” existem as mesmas estruturas de personalidade e de conteúdos, que, se mais, ou menos, “ativadas”, são responsáveis pelos distúrbios no
    indivíduo.
    Essas são as estruturas
    NEURÓTICAS e PSICÓTICAS.
  16. 16NEUROSE“Os sintomas (distúrbios do comportamento, das ideias ou dos sentimentos) são a expressão simbólica de um conflito psíquico que tem suas raízes na história infantil do indivíduo”.
  17. 17As neuroses podem ser subdivididas em: ✽ Neurose obsessiva✽ Neurose obsessiva: esse tipo de conflito psíquico leva a comportamentos compulsivos (por exemplo, lavar a mão com frequência não usual); ter idéias obsedantes, por exemplo, de que alguém pode estar perseguindo-o e, ao mesmo tempo, ocorre uma luta contra esses
    pensamentos e dúvidas quanto ao que faz ou fez.
  18. 18As neuroses podem ser subdivididas em: ✽Neurose fóbica ou histeria de angústia✽Neurose fóbica ou histeria de angústia: a angústia é fixada, de modo mais ou menos estável, num objeto exterior, isto é, o sintoma central é a fobia, o medo. Medo de altura, medo de animais, medo de
    ficar sozinho etc
  19. 19As neuroses podem ser subdivididas em: ✽Neurose histérica ou histeria de conversão✽Neurose histérica ou histeria de conversão: o conflito psíquico simboliza-se nos sintomas corporais de modo ocasional, isto é, como crises. Por exemplo, crise de choro com teatralidade, ou sintomas que se apresentam de modo duradouro, como a paralisia de um membro, a úlcera etc.
  20. 20Manifestação da neuroseTodas as formas de manifestação da neurose têm sua origem na vida infantil, mesmo quando se manifestam mais tarde, desencadeadas por vivências, situações conflitivas etc. Nos dois últimos tipos apresentados, a neurose está associada a conflitos infantis de ordem
    sexual.
  21. 21Outro tipo de neurose: ✽ Neurose traumáticaOs sintomas — pensar obsessivamente no acontecimento traumatizante, ter perturbações do sono etc. — aparecem
    após um choque emotivo do indivíduo, ligado a uma experiência em que
    ele correu risco de vida. Mas, mesmo nesse caso, existiria, segundo
    Freud, uma predisposição, isto é, o traumatismo desencadeou uma
    estrutura neurótica preexistente.
  22. 22PSICOSEÉ o termo usado até meados do século 19 para se referir, de modo geral, à doença mental.
    Para a Psicanálise, refere-se a
    uma perturbação intensa do indivíduo na relação com a realidade.
  23. 23Na PsicoseNa psicose, acontece uma ruptura entre o ego e a realidade, ficando o ego sob domínio do id, isto é, dos impulsos.
    Posteriormente, na evolução da doença, o ego reconstrói a realidade de acordo com os desejos do id.
  24. 24As psicoses subdividem-se em ➜Paranoia• Paranoia — é uma psicose que se caracteriza por um delírio mais ou menos sistematizado, articulado sobre um ou vários temas. Não existe deterioração da capacidade intelectual. Aqui se incluem os delírios de perseguição, de grandeza.
  25. 25As psicoses subdividem-se em ➜Esquizofrenia• Esquizofrenia — caracteriza-se por: afastamento da realidade — o indivíduo entra num processo de centramento em si mesmo, no seu mundo interior, ficando, progressivamente, entregue às
    próprias fantasias. Manifesta incoerência ou desagregação do pensamento, das ações e da afetividade. Os delírios são
    acentuados e mal sistematizados. A característica fundamental da esquizofrenia é ser um quadro progressivo, que leva a uma
    deterioração intelectual e afetiva.
  26. 26As psicoses subdividem-se em ➜Mania e melancolia ou psicose maníaco depressiva• Mania e melancolia ou psicose maníaco
    depressiva — caracteriza-se pela oscilação entre o estado de extrema euforia (mania) e estados depressivos (melancolia).
    Na depressão, o indivíduo pode negar-se ao contato com o outro, não se
    preocupa com cuidados pessoais (higiene, apresentação pessoal) e pode mesmo, em casos mais graves, buscar o suicídio.
  27. 27Abordagem psicológica e a doença mentalA abordagem psicológica encara os sintomas e, portanto, a doença
    mental, como desorganização da personalidade.
    A doença instala-se na personalidade e leva a uma alteração de sua estrutura ou a um desvio progressivo em seu desenvolvimento.
  28. 28Como as doenças mentais se definem?As doenças mentais definem-se a partir do grau de perturbação da personalidade, isto é, do grau de desvio do que é considerado como comportamento padrão ou como personalidade normal.
  29. 29As psicosesAs psicoses são consideradas como distúrbios da personalidade total, envolvendo o aspecto afetivo, de
    pensamento, de percepção de si e do mundo.
  30. 30As neurosesAs neuroses referem-se a distúrbios de aspectos da personalidade; por exemplo, permanecem íntegras a capacidade de pensamento, de estabelecer relações afetivas, mas a sua relação com o mundo encontra-se alterada.
  31. 31NORMAL E PATOLÓGICOResponder a isso significa dizer que determinadas áreas de conhecimento científico estabelecem padrões de comportamento ou de funcionamento do organismo sadio ou da personalidade adaptada. Esses padrões ou normas referem-se a médias estatísticas do que se deve esperar do organismo ou da personalidade, enquanto funcionamento e expressão.
  32. 32Critérios de avaliaçãoConstroem-se a partir do desenvolvimento científico de uma determinada área do conhecimento e,
    também, a partir de dados da cultura e do comportamento do próprio
    observador ou especialista, que nesse momento avalia este indivíduo e
    diagnostica que ele é doente.
  33. 33Conceito de normal e patológicoO conceito de normal e patológico
    é extremamente relativo.
    Do ponto de vista cultural, o que numa
    sociedade é considerado normal, adequado, aceito ou mesmo valorizado, em outra sociedade ou em outro momento histórico pode ser considerado anormal, desviante ou patológico.
  34. 34O saber científico e suas técnicasO saber científico e suas técnicas surgem, então, comprometidos com grupos que querem manter determinada
    ordem social. Tranca-se no hospital psiquiátrico ou retira-se a
    legitimidade do discurso do indivíduo que contesta esta ordem,
    transformando-o em louco.
  35. 35AS TEORIAS CRÍTICAS: ANTIPSIQUIATRIA, PSIQUIATRIA SOCIALSurge a antipsiquiatria, como uma negação radical da Psiquiatria
    tradicional ou clássica, afirmando que a doença mental é uma construção
    da sociedade, isto é, que a doença mental não existe em si, mas é uma
    idéia construída, uma representação para dar conta de diferenciar, isolar
    determinada ordem de fenômeno que questiona a universalidade da
    razão.
  36. 36Retoma o que Michel Foucault afirma:"a doença só tem realidade e valor de doença no interior de uma cultura que a reconhece como tal"
  37. 37Antipsiquiatria e Psiquiatria socialA antipsiquiatria, de modo mais radical, e a Psiquiatria social denunciaram a manipulação do saber científico, a retirada da humanidade e da dignidade do louco, as condições perversas de
    tratamento e reclusão dele e, principalmente, a concepção da loucura
    como fabricada pelo próprio indivíduo e no seu interior.
  38. 38Busca dos fatores desencadeadores ou determinantes do sofrimentoCom isso, levaram todos os que se dedicam a compreender e a trabalhar com os considerados loucos a buscar, fora do indivíduo, as causas ou
    desencadeadores do seu comportamento atual, isto é, buscar nas
    condições de trabalho, nas formas de lazer, no sistema educacional, competitivo ou mesmo na estrutura familiar ou na insegurança da
    violência urbana, os fatores desencadeadores ou determinantes do
    sofrimento imenso do indivíduo ou de sua doença.
  39. 39Franco Basaglia“Eu penso que a loucura, como todas as doenças, são expressões das contradições do nosso corpo, e dizendo corpo, digo corpo orgânico e social. É nesse sentido que direi que a doença, sendo uma contradição que se verifica no ambiente social, não é um produto apenas da sociedade, mas uma interação dos níveis nos quais nos compomos: biológico, sociológico, psicológico”.
  40. 40A PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTALFalar em doença implica pensar na cura. A cura, no caso da doença mental, varia conforme a teoria ou o modelo explicativo usado como referencial e, desta forma, pode ser centrada no medicamento (as drogas quimioterápicas), no eletrochoque, na hospitalização, na psicoterapia.
  41. 41PrevençãoFalar em doença implica pensar, também, em prevenção.
    A prevenção da doença mental significa criar estratégias para evitar o seu
    aparecimento.
    A prevenção implica sempre ações
    localizadas no meio social.
  42. 42Promoção da saúde mentalFalar em saúde significa pensar em promoção da saúde mental,
    que implica pensar o homem como totalidade, isto é, como ser biológico,
    psicológico e sociológico e, ao mesmo tempo, em todas as condições de
    vida que visam propiciar-lhe bem-estar físico, mental e social.

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PSICOLOGIA Karteikarten am Capítulo 23 - Saúde mental, erstellt von Flávia Faria am 12/07/2018.
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Flávia Faria
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