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Defesa do Estado e das Instituições Democráticas

Ana Beatriz Moraes Direito Constitucional Analista Judiciário Portugiesisch

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Defesa do Estado e das Instituições Democráticas

  • Em um Estado democrático de direito, a Constituição protege valores dos mais diferentes grupos da sociedade - de forma que haja equilíbrio de forças, para que nenhum desses grupos possa dominar os demais e romper o equilíbrio constitucionalmente desejado
  1. Quando a competição entre os grupos sociais extrapola os parâmetros jurídicos , surge a CRISE CONSTITUCIONALl que se não for bem administrada - poderá fragilizar as instituições democráticas

    • A guerra externa ou agressão armada estrangeira ou calamidade de grandes proporções também podem afetar o equilíbrio constitucional.
    • Equilíbrio de forças entre os diferentes grupos da sociedade -> Preserva a ordem jurídica constitucional
  2. Constatada situação de crise constitucional - a CRFB/88 autoriza a adoção de certas MEDIDAS DE EXCEÇÃO, com o fim de fazer frente à normalidade manifestada e restabelecer a ordem

    • Imposição de restrições e suspensões de certas garantias fundamentais
    • Cuidado! Durante as medidas excepcionais, não impera o arbítrio do Estado, pois este deve agir conforme os limites constitucionais - sob pena de nulidade ou responsabilização
    • REQUISITOS:
      • NECESSIDADE
        • Diante situações fáticas cuja gravidade torne imprescindível a sua adoção
      • TEMPORALIDADE
        • Deverão vigorar pelo prazo necessário ao restabelecimento da normalidade, sob pena de se converterem em arbítrio ou ditadura
      • OBEDIÊNCIA IRRESTRITA AOS COMANDOS DA CRFB/88
        • A atuação do Estado deve observar os limites constitucionais
  3. ESTADO DE DEFESA

    • Artigo 136 CF
    • PRESSUPOSTOS:
      • - Pareceres não vinculantes dos Conselhos Decreto do Presidente da República
      • Existência de grave e iminente instabilidade institucional que ameace a ordem pública ou a paz social
      • Manifestação de calamidade de grandes proporções na natureza, que atinjam a ordem pública ou a paz social
        • O estado de calamidade deve ser de grande proporção e gerar situação de grave perturbação à ordem pública ou paz social
    • Mais branda que o Estado de Sítio. Corresponde às antigas Medidas de Emergência
      • Não exige autorização prévia do Congresso Nacional para a sua decretação.
        • O Presidente da República a decreta, e dentro de 24hrs, submete à apreciação do Congresso Nacional, que decidirá por maioria absoluta
    • Objetivo: restabelecer ordem pública ou paz social
    • Exige a prévia audiência do Conselho da República e do Conselho de Defesa Nacional
      • A manifestação desses dois Conselhos é obrigatória sob pena da inconstitucionalidade da decretação do estado de defesa.
      • Manifestação dos dois Conselhos é obrigatória. Porém, tem caráter meramente opinativo, não vinculante
        • Ou seja, mesmo que tais Conselhos opinem contra a decretação da medida, o Presidente da República poderá decretá-la, se assim entender conveniente.
    • DURAÇÃO: Até 30 dias, admitida uma prorrogação, por igual período ou menor
      • ... se persistirem as razões que justifiquem a sua decretação
      • Caso o prazo expire, incluída a prorrogação, sem o restabelecimento da ordem pública ou da paz social -> o remédio será a decretação do estado de sítio
        • Artigo 137,I
    • Abrangência: Locais restritos e determinados no decreto. Não pode ter amplitude nacional
    • Medidas Coercitivas:
      • Restrições aos direitos de reunião
        • Ainda que exercida o seio das associações, de sigilo de correspondência e de sigilo de comunicação telegráfica e telefônica
      • Ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos
        • Somente poderão ser adotados quando houver CALAMIDADE PÚBLICA de grandes proporções
      • Vedação a incomunicabilidade do preso, para que ele possa provocar o judiciário
        • Vide artigo 136, p3
        • Prisão por crime contra o Estado - será comunicada imediatamente ao juiz
        • Prisão por outro motivo - prisão ou detenção não poderá ser superior a 10 dias, SALVO quando autorizado pelo Poder Judiciário
    • CONTROLE: político e jurisdicional
      • POLÍTICO: Realizado pelo Congresso N. ao apreciar o decreto em 10 dias (podendo aprovar ou rejeitar); Mesa do CN, que designará comissão com 5 membros para acompanhar e fiscalizar a execução da medida; Controle posterior - Presidente relatará ao CN aos providências adotadas
        • Controle político posterior Aplica-se ao Estado de Sítio
      • JUDICIAL: Poderá ser provocado para reprimir eventuais abusos e ilegalidade; Apurar a responsabilidade pelo ilícitos cometidos
        • O Poder Judiciário não dispõe de competência para o exame do juízo de conveniência e oportunidade do Presidente da República para a decretação do estado de defesa
  4. ESTADO DE SÍTIO

    • Artigos 137 a 139 CF
    • PRESSUPOSTOS:
      • - Pareceres não vinculantes dos Conselhos -Autorização prévia do CN por maioria absoluta -Decreto do Presidente da Rep.
      • Comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa
        • DURAÇÃO: Até 30 dias. Admite sucessivas prorrogações, DESDE QUE cada uma das prorrogações não ultrapasse o prazo de 30 dias
          • Em cada prorrogação deverá ser fundamentada pelo Presidente, e previamente autorizada pelo CN por maioria absoluta
        • MEDIDAS COERCITIVAS:
          • Obrigação de permanência em localidade determinada
          • Detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por crimes comuns
          • Restrições relativas à inviolabilidade correspondência, sigilo ...
          • Suspensão da liberdade de reunião
          • Busca e apreensão em domíclio
          • Requisição de bens
          • Intervenção nas empresas de serviços públicos
          • Não se inclui nas restrições, a possibilidade de vedação à difusão de pronunciamentos de parlamentares em suas casas leg., desde que liberada pela respectiva casa
      • Declaração do estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira
        • DURAÇÃO: tempo que perdurar a guerra ou a agressão armada estrangeira
        • MEDIDAS COERCITIVAS:
          • Em tese todas as garantias constitucionais poderão ser restringidas, já que a CF não estabeleceu limites expressos
          • A CRFB/88 não estabeleceu limites.
            • Logo, as restrições poderão ser mais amplas
            • Todavia, deverá conter:
              • Justificação do Presidente da Rep.
              • Aprovação pelo CN, por maioria absoluta
              • Previsão expressa da adoção das medidas no decreto
    • Constitui medida mais grave do que o estado de defesa.Estabelece-se uma legalidade const. extraordinária
    • Exige prévia audiência do Conselho da República e do Conselho de Defesa Nacional
      • Manifestação obrigatória, mas com caráter meramente opinativo, não vinculante
    • Exige autorização prévia do Congresso Nacional para a sua decretação
      • Sob pena de absoluta inconstitucionalidade do ato
      • O Presidente da Rep. relatará os motivos, e o CN decidirá por maioria absoluta
    • ABRANGÊNCIA:
      • As áreas abrangidas não precisarão constar, especificamente, do decreto que o instituir - devendo ser ulteriormente designadas pelo Presidente da Rep.
      • As medidas coercitivas não necessariamente abrangerão todas as áreas do território nacional - mas podem ter tal abrangência, se necessário.
        • Diferentemente do que ocorre na decretação de estado de defesa
    • CONTROLE político e jurisdicional
      • Controle político prévio
      • Cabe ressaltar, que a fiscalização jurisdicional do estado de sítio e de defesa se restringem ao controle de legalidade
  5. FORÇAS ARMADAS

    • ARTIGO 142 CF Integradas pela Marinha, Exército e Aeronáutica
    • Vide artigo 61,p1,I e II,f CRFB/88
    • São instituições nacionais que destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos Poderes constitucionais. Estão sob a chefia do Presidente da Rep.
      • Não caberá HC em relação ao mérito das punições disciplinares militares, mas nada impede a análise pelo Poder Judiciário dos pressupostos de legalidade
      • O certificado de prestação alternativa ao serviço militar obrigatória, terá os mesmo efeitos jurídicos do certificado de reservista, conferido àqueles que cumprem o serviço militar propriamente dito
        • Vide artigo 15, IV CF
        • STF - o serviço militar obrigatório pode ser remunerado com valor inferior ao salário mínimo, pois os conscritos não se enquadram como trabalhadores na acepção do art. 7,IV, CF
          • Súmula Vinculante 6
    • Competência das forças armadas para garantir a lei e a ordem é meramente subsidiária
      • Uma vez que essas atribuições são ordinariamente desempenhadas pelas forças da segurança pública
      • A intervenção das forças armadas na defesa da lei e da ordem depende da iniciativa de um dos Poderes constitucionais (STF,CN ou Presidência da Rep.)
      • A EC 23/99 conferiu status de Ministro de Estado aos cargos de Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Além do Ministério da Defesa a ser ocupado exclusivamente por brasileiro nato
  6. SEGURANÇA PÚBLICA

    • Artigo 144 CF - Lista taxativa No tocante ao DF - vide artigo 21, XIV, 32,p4 ; Súmula 647 STF
    • Dever do Estado, direito e responsabilidade de todos
    • Lista taxativa dos órgãos responsáveis pela segurança pública
      • POLÍCIA FEDERAL POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL POLÍCIA FERROVIÁRIA FEDERAL POLICIAIS CIVIS POLICIAIS MILITARES CORPOS DE BOMBEIROS MILITARES
      • Guardas municipais e a estruturação da segurança viária - não integrarão a estrutura de segurança pública consti. estabelecida
      • Os serviços de segurança pública devem ser custeados mediante IMPOSTOS, sendo vedada criação de taxas para esse fim
        • Artigo 145, II, CF
        • Cuidado! Os crimes em detrimento de bens, serviços e interesses das sociedades de economia mista federal são apurados pelas polícias civis e não pela polícia federal.
          • Artigo 144, I, CF
          • STF- A simples circunstância de ter-se o envolvimento de policiais militares nas investigações de crimes comuns, estranhos à atividade militar, não retira a comp. da polícia civil para a investigação
          • STF - firmou entendimento negando o direito a greve aos policiais civis e aos policiais em geral
            • Em razão de constituírem expressão da soberania nacional
          • É vedada a outorga de foro especial por prerrogativa de função a delegado de polícia
      • Somente as policias militares e os corpos de bombeiros militarem são considerados auxiliares e reserva do Exército
        • Ou seja, em estado de emergência ou em decorrência de uma guerra, por exemplo, só as policias militares e os corpos de bombeiros militares poderiam ser requisitados pelo Exército
      • Compete à União organizar e manter polícia civil, militar e bombeiros do DF
        • Cuidado! Essa competência da União não exclui a subordinação desses órgãos ao Governador do DF
        • A competência da União não exclui a subordinação ao Governador do DF

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Analista Judiciário Direito Constitucional Mindmap am Defesa do Estado e das Instituições Democráticas, erstellt von Ana Beatriz Moraes am 03/12/2016.
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