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Toxoplasmose

Letícia Mariano Lagemann Portuguese

Mapa mental sobre toxoplasmose: morfologia e habitat, ciclo biológico, patogenia e profilaxia e tratamento

Mapa mental: Toxoplasmose

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Toxoplasmose

  1. É um protozoário de distribuição geográfica mundial, com alta prevalência sorológica, podendo atingir mais de 60% da população em determinados países.

    • A forma mais grave é encontrada em crianças recém-nascidas, sendo caracterizada por encefalite, icterícia, urticária e hepatomegalia, geralmente associada a coriorretinete, hidrocefalia e microcefalia, com altas taxas de morbidade e mortalidade. A toxoplasmose pode apresentar graves quadros indivíduos imunodeprimidos encefalite, retinite ou doença disseminativa.
    • A toxoplasmose é uma zoonose e a infecção é muito frequente em várias espécies de animais: mamíferos e aves. O gato e alguns outros felídeos são os hospedeiros definitivos, já o homem e os outros animais são os hospedeiros intermediários.
  2. Morfologia e Habitat

    • Pode ser encontrado em vários tecidos e células (exceto hemácias) e líquidos orgânicos (saliva, leite, esperma, liquido peritoneal)
    • Nos felídeos não-imunes podem ser encontradas as formas do ciclo sexuado nas células do epitélio intestinal, formas do ciclo assexuado em outros locais do hospedeiro e também for- mas de resistência no meio exterior junto com as fezes desses animais, após completar a fase intestinal.
      • Assim sendo, o parasito apresenta uma morfologia múltipla, dependendo do hábitat e do estágio evolutivo.
        • As formas infectantes que o parasito apresenta durante o ciclo biológico são: taquizoítos, bradizoítos e esporozoítos
          • Taquizoito: é a forma encontrada durante a fase aguda da infecção, sendo também denominada forma proliferativa, forma livre ou trofozoíto. Tem forma de arco, com a forma grosseira de banana ou meia-lua, medindo cerca de 2 x 6ym, com o núcleo em posição mais ou menos central.
            • Bradizoíto: é a forma encontrada em vários tecidos (musculares esqueléticos e cardíacos, nervoso, retina), geralmente durante a fase crônica da infecção, sendo também denominada cistozoíto. Os bradizoítos são encontrados dentro do vacúolo parasitóforo de uma célula, pode atingir até 200um. Os bradizoitos são muito mais resistentes a tripsina e à pepsina do que os taquizoítos e podem permanecer viáveis nos tecidos por vários anos.
              • Esporozoítos ou oocistos: e a forma de resistência que possui uma parede dupla bastante resistente às condições do meio ambiente. Os oocistos são produzidos nas células intestinais de felídeos não-imunes e eliminados imaturos junto com as fezes. Os oocistos são esféricos, medindo cerca de 12,5 x 11 Oym e após esporulação no meio ambiente contêm dois esporocistos, com quatro esporozoítos cada.
  3. Ciclo Biológico

    • Desenvolve-se em duas fases distintas: * Fase Assexuada: nos linfonodos e nos tecidos de vá- rios hospedeiros (inclusive gatos e outros felideos); * Fase Coccidiana ou Sexuada: nas células do epitélio intestinal de gatos jovens (e outros felídeos) não-imunes.
      • Fase Assexuada
        • Um hospedeiro suscetível, ingerindo oocistos maduros contendo esporozoítos, encontrados em alimentos ou água contaminada, cistos contendo bradizoítos encontrados na carne crua, ou, mais raramente, taquizoítos eliminados no leite, podera adquirir o parasito e desenvolver a fase assexuada. As formas de taquizoítos que chegam ao estômago serão destruídas, mas as que penetram na mucosa oral ou inaladas poderão evoluir do mesmo modo que os cistos e oocistos. A disseminação do parasito no organismo ocorre através de taquizoítos livres na linfa ou no sangue circulante, que poderão provocar um quadro polissintomático, cuja gravidade dependera da quantidade de formas infectantes adquiridas, cepa do parasito e da suscetibilidade do hospedeiro. A fase inicial da infecção - fase proliferativa - caracteriza a fase aguda da doença. Neste ponto, a evolução podera ir até a morte do hospedeiro, o que podera ocorrer em fetos ou em indivíduos imunocomprometidos.
      • Fase Coccidiana
        • Ocorre somente nas células epiteliais, principalmente do intestino delgado de gato e de outros felídeos jovens. Durante o desenvolvimento desse ciclo ocorre uma fase assexuada (merogonia) e outra sexuada (garnogonia) do parasito. Por esse motivo, esses animais são considerados hospedeiros definitivos. Deste modo, um gato jovem e não-imune, infectando-se oralmente por oocistos, cistos ou taquizoítos, desenvolverá o ciclo sexuado.Os esporozoítos, bradizoítos ou taquizoítos ao pentrarem nas células do epitélio intestinal do gato sofrerão um processo de multiplicação por endodiogenia e merogonia (esquizogonia), dando origem a vários merozoítos. O tempo decorrido entre a infecção e o aparecimento de novos oocistos nas fezes dos felídeos (período pré-patente) dependerá da forma ingerida. Este período será de três dias, quando a infecção ocorrer por cistos, 19 dias ou mais, por taquizoitos e 20 ou mais dias, por oocistos
  4. Imunidade

    • Quando um hospedeiro se infecta com o parasito, ocorre a multiplicação na porta de entrada e logo em seguida ocorre a sua disseminação por todo o organismo através das vias linfática e sangiiínea. Durante este período, inicia- se a formação de anticorpos específicos e o desenvolvimento de mecanismos imunes celulares que são responsáveis pela destruição dos taquizoitos extracelulares. Como consequencia, durante a fase crônica da toxoplasmose, somente os bradizoítos persistem e são responsáveis pela manutenção de títulos sorológicos que podem durar toda a vida do hospedeiro.
      • A produção de imunoglobulinas da classe IgM aparece inicialmente seguida de IgG, após a infecção do hospedeiro. As imunoglobulinas da classe IgG podem ser detectadas pelas reações sorológicas dentro de oito a 12dias após a infecção pelo T gondii. A produção de IgM geralmente é de curta duração.
  5. Patogenia

    • Segundo os especialistas, o número de pesssoas com sorologia positiva para t. gondii é enorme, sendo talvez o protozoário mais difundido entre a população huma- na e animal (incluindo as aves e excetuando-se os animais de sangue frio).
      • Alguns experimentos realizados com T gondii oriundos de casos humanos e inoculados em animais de laboratório comprovam este fato: há cepas que matam os animais (camundongos, hamsters, ratos, coelhos, cobaias) em poucos dias; outras apenas provocam ema- grecimento, anemia, queda de pêlo com posterior estabelecimento do animal. Com o uso de quimioterapia para transplante de órgãos e da medula óssea e, com o surgimento de sindrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), a incidência de infecção oportunística por t. gondii tem aumentado, principalmen- te nas duas últimas décadas, apresentando quadros muito graves desta doença, especialmente no sistema nervoso central.
    • Toxoplasmose congênita
      • A mãe precisa estar na fase aguda da doença ou tenha havido uma reagudiqão da mesma durante a gravidez. As consequencias da toxoplasmose matema para o feto dependerão do grau de exposição do feto aos toxoplasmas, da virulência da cepa, da capacidade dos anticorpos matemos protegerem o feto e do pe nodo da gestação. Assim sendo, as gestantes na fase aguda (ou reagudizada) da doença podem abortar o feto, produzir partos precoces ou a termo, dando origem a crianças sadias ou apresen-tando anomalias graves e até mesmo levar a morte. Cerca de 10% de infecção pré-natal resulta em aborto ou morte. Outros 10% a 23% de fetos infectados durante a gravidez podem mostrar si- nais de toxoplasmose clínica ao nascimento.
        • Primeiro trimestre da gestação: aborto (indicam que a frequência de aborto é dez vezes maior em gestantes com sorologia positiva do que nas normais). Segundo trimestre da gestação: aborto ou nascimento prematuro, podendo a criança apresentar-se normal ou já com anomalias graves, típicas (descritas por Sabin). Terceiro trimestre da gestação: a criança pode nascer normal e apresentar evidências da doença alguns dias, semanas ou meses após o parto. Nesta situação, em geral há um comprometimento ganglionar generalizado, hepatoesplenomegalia, edema, miocardite, anemia, trombocitopenia e lesões oculares, as quais são patognomônicas. Taquizoítos atingem a coróide e a retina (uni ou bila- teralmente).
    • Podem ser também: Glanglionar ou Febril Aguda; Ocular; Cutânea ou Exantemática; Generalizada; Cerebroespinhal ou Meningoencefalica
  6. Diagnosticos

    • Em geral, é obtida durante a fase aguda, em líquido arnmiótico, sangue etc. A forma encontrada é o taquizoíto, mais bem evidenciado após a centrifugação. Faz-se então um esfregaço do material centrifugado e corase pelo método de Giemsa. Pode-se também fazer inoculação intraperitoneal da amostra obtida em camundongos albinos jovens ou pesquisa de DNA do parasito pela reação em cadeia da polimerase (PCR). Na fase crônica, a biópsia de diversos tecidos poderá acusar a presença de cistos. Este material poderá ser inoculado em camundongos ou usado para o diagnóstico histopatológico. Este método, raramente utilizado, quando realizado pode apresentar dificuldades frequentes para a di- ferenciação com outros parasitos formadores de cistos, semelhantes aos do T gondii (Sarcocystis, Histoplasma, Cryptococcus, T cruzi e Encephalitozoon, este último em tecidos de roedores).
  7. Epidemiologia

    • Os gatos têm importância fundamental na toxoplasmose. Quando a doença ocorre em gatos jovens não-imunes (primoinfecção), pode haver a produção de cerca de 100 milhões de oocistos eliminados nas fezes.
  8. Profilaxia e Tratamento

    • "Vivendo o homem num mar de toxoplasma" torna-se dificil a aplicação de medidas profiláticas,
    • Ainda não existe um medicamento eficaz contra a toxoplasmose, na fase crônica da infecção. As drogas utilizadas atuam contra taquizoítos, mas não contra os cistos. Como a maioria das pessoas com sorologia positiva não apresen- ta a doença, e pelo fato de as drogas empregadas serem tóxicas em usos prolongados, recomenda-se o tratamento apenas dos casos agudos, da toxoplasmose ocular e dos indivíduos imunodeficientes com toxoplasmose de qualquer tipo ou fase.
      • Espiramicina, sulfadiazina e meticorten (alcança 65% de cura), sendo usada quando não se pode usar as associações anteriores. Azitromicina apresenta um bom resultado sem causar efeitos colaterais, uma alternativa para aqueles que não toleram terapêutica convencional.

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Mind Map on Toxoplasmose, created by Letícia Mariano Lagemann on 24/08/2019.
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