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Sociolinguística

Bruna Capristrano Braga Letras Portuguese

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Sociolinguística

  1. Breve histórico

    • Os estudos da linguagem no século XX
      • Ferdinand de Saussure: atribuição de estatuto científico à linguística.
        • Estruturalismo: língua separada de fatores externos; estrutura autônoma, relações de natureza linguística que se estabelecem entre seus elementos.
          • Em comum, a língua como uma realidade abstrata, desvinculada de fatores históricos sociais.
            • Construto homogêneo, não se consideram eventuais variações, ou influências típicas da fala.
      • Noam Chomsky
        • Gerativismo: sistema de princípios universais; conhecimento mental que um falante tem de sua língua a partir do estado inicial da faculdade da linguagem.
      • Sociolinguística: década de 1960, William Labov
        • Presença do componente social na análise linguística.
          • Relação entre língua e sociedade, estrutura e evolução da linguagem dentro do contexto social da comunidade de fala.
  2. Teoria da variação e mudança linguística

    • Concepção de língua como sistema heterogêneo, variação inerente às línguas que pode ser sistematizada.
      • Variação: palavras ou construções em variação, ricas em significado social, que têm poder de comunicar aos interlocutores mais do que o significado representacional pelo qual "disputam".
        • Variável: o lugar na gramática em que se localiza a variação, de forma mais abstrata.
          • Variantes: as formas individuais que "disputam" pela expressão da variável.
    • Dimensão interna, níveis de variação da língua: além da gramática, encontra-se variação nos níveis fonológico, morfológico, sintático, lexical e discursivo.
    • Condicionadores linguísticos e sociais: em um caso de variação, são os fatores que regulam, que condicionam a escolha entre uma ou outra variante.
      • Podem ser internos ou externos ao sistema linguístico.
    • Dimensão externa da variação linguística
      • Variação diafásica: a língua varia de acordo com o contexto comunicativo.
        • Variação geográfica/diatópica: envolve variações regionais.
          • Variação social/diastrática/sociocultural: as quais podem determinar traços originais dentro da linguagem individual.
  3. Variação e mudança

    • A mudança linguística não afeta a estrutura da língua.
      • Ela é um fenômeno que resulta do cenário heterogêneo que caracteriza o funcionamento da linguagem em seu contexto social.
        • Labov: só se pode dizer que a língua mudou quando um grupo de falantes usa um padrão diferente para se comunicar entre si.
    • Weinreich, Labov e Herzog
      • Nem toda variabilidade e heterogeneidade na estrutura linguística implica mudança; mas toda mudança implica variabilidade e heterogeneidade.
        • A língua, que é um sistema estruturado, muda sem que as pessoas tenham problemas de comunicação.
          • A mudança não envolve uma troca direta e abrupta de um elemento por outro, mas envolve sempre uma fase de concorrência, a variação.
            • A língua é heterogênea e essa heterogeneidade deve ser buscada na comunidade de fala.
      • Deve-se romper a dicotomia saussuriana que separa sincronia e diacronia, pois essa concepção desconsidera fatores sociais e impede que se incorpore as mudanças ao sistema da língua.
        • Segundo Saussure, sincrônico é aquilo que trata das características da língua vista como um sistema estável num espaço de tempo aparentemente fixo; e diacrônico são as mudanças por que passam as formas de uma língua no tempo.
    • Norma culta x norma padrão
      • Faraco
        • Norma culta: conjunto de fenômenos linguísticos que ocorrem habitualmente no uso dos falantes letrados em situações mais monitoradas de fala e escrita.
        • Norma padrão: construto histórico que serve de referência para estimular um processo de uniformização.
          • Se limita à vertente formal escrita e obedece à regras encontradas em manuais reguladores.
  4. Documentos oficiais

    • PCN's (Parâmetros Curriculares Nacionais)
      • Valorização das variedades linguísticas que caracterizam a comunidade dos falantes da Língua Portuguesa nas diferentes regiões do país.
        • Reconhecimento de que o domínio dos usos sociais da linguagem oral e escrita pode possibilitar a participação política e cidadã do sujeito.
          • Reconhecimento de que o domínio da linguagem oral e escrita pode oferecer ao sujeito melhores possibilidades de acesso ao trabalho.
      • A escola, ao considerar a diversidade, tem como valor o respeito às diferenças e não o elogio à desigualdade.
    • BNCC (Bases Nacionais Comuns Curriculares)
      • Compreender que a variação linguística é um fenômeno que constitui a linguagem, reconhecendo as relações de poder e as formas de dominação e preconceito que se fazem na e pela linguagem.
        • Refletir sobre o endereçamento dos textos e sobre as escolhas linguísticas adequadas à interlocução proposta.
    • A escola não pode tratar as variedades linguísticas que mais se afastam dos padrões estabelecidos pela gramática tradicional e das formas diferentes daquelas que se fixaram na escrita como se fossem desvios ou incorreções.
  5. O papel do professor

    • Assumir uma concepção de língua como sistema heterogêneo, historicamente situado.
      • Reconhecer que as variantes linguísticas portam significado social e que a avaliação dos falantes acerca das formas interfere nos rumos de uma mudança.
        • Reconhecer o papel da língua na identidade sociocultural de um grupo/comunidade.
          • Ter noção de normas linguísticas e da motivação política da escolha de uma "norma padrão".

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Mapa mental que descreve a sociolinguística.
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