Estrutura externa e interna da obra "Os Lusíadas"
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- O Género Épico
- O género épico remonta à antiguidade grego e latina sendo os seus expoentes máximos Homero e Virgílio.
- A epopeia é um género narrativo em verso, em estilo elevado, que visa celebrar feitos grandiosos de heróis fora do comum reais ou lendários. Tem pois sempre um fundo histórico; de notar que o género épico é um género narrativo e que exige na sua estrutura a presença de uma ação, desempenhada por personagens num determinado tempo e espaço. O estilo é elevado e grandioso e possui uma estrutura própria, cujos principais aspetos são:
- Proposição - em que o autor apresenta a matéria do poema;
- Invocação - às musas ou outras divindades e entidades míticas protetoras das artes;
- Dedicatória - em que o autor dedica o poema a alguém, sendo esta facultativa;
- Narração - a ação é narrada por ordem cronológica dos acontecimentos, mas inicia-se já no decurso dos acontecimentos (“in medias res”), sendo a parte inicial narrada posteriormente num processo de retrospetiva, “flashback” ou “analepse.
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- Presença de mitologia greco-latina - contracenando heróis mitológicos e heróis humanos.
- Os Lusíadas (1572): EPOPEIA DE IMITAÇÃO
- Epopeia porque é uma narração em verso de um facto histórico grandioso, de interesse para toda a Humanidade.
- Imitação porque segue os modelos das epopeias primitivas (ex.: a Ilíada e a Odisseia de Homero); contem dramatização das ações dos heróis como reflexo do conflito dos deuses (maravilhoso pagão)
- Canta os feito do presente em comparação com feitos grandiosos do passado, e é ainda a voz dos que se opunham aos Descobrimentos (ex.: “Velho do Restelo”)
- Presença de mitologia greco-latina - contracenando heróis mitológicos e heróis humanos.
- Os Lusíadas (1572): EPOPEIA DE IMITAÇÃO

- Caption: deuses mitológicos
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- Caption: a primeira página
- A obra divide-se em dez partes, às quais se chamam cantos. Cada canto tem um número variável de estrofes (em média de 110). O canto mais longo é o X, com 156 estrofes.
- As estrofes são oitavas, portanto constituídas por oito versos. Cada verso é constituído por dez sílabas métricas; nas sua maioria, os versos são heróicos (acentuados nas sextas e décimas sílabas).
- O esquema rimático é o mesmo em todas as estrofes da obra, sendo portanto, rima cruzada nos seis primeiros versos e emparelhada nos dois últimos (ABABABCC).
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- Proposição
- Canto I, est. 1-3, em que Camões propõe-se cantar as grandes vitórias e os homens ilustres - “as armas e os barões assinalados”; as conquistas e navegações no Oriente (reinados de D. Manuel e de D. João III); as vitórias em África e na Ásia desde D. João a D. Manuel, que dilataram “a fé e o império”; e, por último, todos aqueles que pelas suas obras valorosas “se vão da lei da morte libertando”, todos aqueles que mereceram e merecem a “imortalidade” na memória dos homens.
- Invocação
- Canto I, est. 4-5, o poeta pede ajuda a entidades mitológicas, chamadas musas. Para além das estâncias 4 e 5, onde o poeta se dirige às Tágides, isso acontece várias vezes ao longo do poema, sempre que o autor precisa de inspiração:
- Dedicatória
- Canto I, est. 6-18, é a dedicatória do poema a D. Sebastião, que encara toda a esperança do poeta, que quer ver nele um monarca poderoso, capaz de retomar “a dilatação da fé e do império” e de ultrapassar a crise do momento.
- Termina com uma exortação ao rei para que também se torne digno de ser cantado, prosseguindo as lutas contra os Mouros.
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- A dedicatória tem uma estrutura tipicamente clássica:
- Exórdio (est. 6-8) - início do discurso;
- Exposição (est. 9-11) - corpo do discurso;
- Confirmação (est. 12-14) - onde são apresentados os exemplos;
- Peroração (est. 15-17) - espécie de recapitulação ou remate;
- Epílogo (est. 18) - conclusão.
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- Começa no Canto I, est. 19 e constitui a ação principal que, à maneira clássica, se inicia “in medias res”, isto é, quando a viagem já vai a meio, “Já no largo oceano navegavam” (C. I, est. 19) , encontrando-se já os portugueses em pleno Oceano Índico.
- Este começo da ação central, a viagem da descoberta do caminho marítimo para a Índia, quando os portugueses se encontram já a meio do percurso do canal de Moçambique vai permitir:
- A narração do percurso até Melinde;
- A narração da História de Portugal até à viagem (por Vasco da Gama);
- A inclusão da narração da primeira parte da viagem;
- A apresentação do último troço da viagem.
- A narrativa organiza-se em quatro planos:
- o da viagem, e o dos deuses, em alternância, ocupam uma posição importante. A História de Portugal está encaixada na viagem. As considerações pessoais aparecem normalmente nos finais de canto e constituem, de um modo geral, a visão crítica do poeta sobre o seu tempo.
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- Episódios Mitológicos:
- Concílio dos Deuses no Olimpo
- Concílio dos Deuses Marinhos
- Episódio Cavalheiresco:
- Os Doze de Inglaterra
- Episódios Bélicos:
- Batalha de Ourique
- Batalha do Salado
- Batalha de Aljubarrota
- Episódios Líricos:
- A Fermosíssima Maria
- Morte de Inês de Castro
- Despedida do Restelo
- Episódios Naturalistas:
- Fogo de Santelmo e Tromba Marítima
- Escorbuto
- Tempestade
- Episódios Simbólicos:
- Velho do Restelo
- Adamastor
- Ilha dos Amores
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- Elementos da estrutura externa e interna da obra de Camões
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- Deleted user · Jan 2021
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- Jan 4, 2021
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- Created by Maria Jacinto · Dec 16, 2020
- Copied by Maria Jacinto · Jan 4, 2021
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