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Módulo 23 de 30 · Texto

Conjunções

Luiz Cláudio

11 CONJUNÇÕES

11.1. TEORIA E EXEMPLOS COMENTADOS

11.1.1. Conjunções coordenativas

A s conjunções coordenativas são aquelas que ligam orações de sentido completo, independente, que não exercem função sintática entre si: uma não é sujeito, objeto direto... da outra.

Essa é a principal diferença entre as conjunções coordenativas e as subordinativas: a relação sintática que não existe entre as primeiras ocorre com as últimas. Mas você deve estar se perguntando: vou ter de pensar nisso tudo na hora de classificar as conjunções? Fique tranquilo, a resposta é não. Para identificar as conjunções, não será preciso pensar em análise sintática. Basta entender o que cada conjunção indica: o que é adicionar, opor, o que é causa, concessão, efeito etc.

Assim, comecemos pelas coordenativas, que integram o primeiro bloco, entendendo cada ideia que elas iniciam, aproveitando também para conhecer as conjunções e, se possível, memorizar, ao menos, meia dúzia de cada uma delas, para poupar futuramente seu tempo de resolução de prova.

As conjunções coordenativas podem ser: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas ou explicativas.

 

As conjunções aditivas são aquelas que ligam orações ou palavras, expressando ideia de acrescentamento ou adição. São elas: e, nem (= e não), além das expressões correlativas, que vêm em pares e também somam: não só... mas também, não só... como também, bem como, não só... mas ainda. Veja a frase:

A sua pesquisa é clara e objetiva.

Aqui, a conjunção aditiva liga termos (adjetivos) e não orações (sim, porque não se engane achando que a conjunção só pode ligar orações). Tais informações se adicionam, acrescentam.

Observe ainda:

Ele não só entrou na sala como também dirigiu-se aos pais.

Nesse caso, temos as expressões correlativas, que ligam duas orações, indicando ações que se somam.

 

As conjunções adversativas são aquelas que ligam duas orações ou palavras, expressando ideia de contraste ou compensação. São elas: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto, não obstante. Em relação às conjunções adversativas, é interessante frisar que elas nem sempre opõem, mas podem também compensam, ressalvam.

Veja:

Tentei chegar mais cedo, porém não consegui.

Aqui, a conjunção adversativa opõe, o que podemos observar pelas expressões “tentei chegar” e “não consegui”. Logo, esse exemplo nos traz uma conjunção adversativa com valor de oposição, contraste.

Agora, observe:

Seu discurso foi breve, mas violento.

Nesse caso, temos palavras que não se contrastam: breve não é contrário de violento, mas é sua compensação. Logo, temos aqui conjunção adversativa com valor de ressalva, compensação.

 

As conjunções alternativas são aquelas que ligam orações ou palavras, expressando ideia de alternância ou escolha, indicando fatos que se realizam separadamente. São elas: ou, ou... ou, ora...ora, já... já, quer... quer, seja... seja. O que é interessante evidenciar nesse conceito é que elas podem, então, indicar, basicamente, duas ideias:

Ou saio eu, ou sai ele desta sala. (exclusão, escolha)

O cavalo avançava ora para a esquerda, ora para a direita. (alternância)

Você deve estar se perguntando: por que é preciso saber que a conjunção alternativa indica duas ideias (alternância ou exclusão)? Por dois motivos: primeiro, porque assim você não se engana achando que, se a conjunção é alternativa, só pode indicar alternância. Depois porque, em algumas questões, o examinador pode exigir um conhecimento mais específico: não que se diga apenas o

nome da conjunção, mas que se explique o valor semântico que ela traz.

 

As conjunções conclusivas são aquelas que ligam à anterior uma oração que expressa ideia de conclusão ou consequência. São elas: logo, pois (dica importante: quando deslocado na oração, depois do verbo), portanto, por conseguinte, por isso, assim.

Veja um exemplo:

Ele estava bem preparado para o teste, portanto, não ficou nervoso.

Aqui, o fato de não ficar nervoso é o resultado de ele ter se preparado bem para o teste. É a sua conclusão.

As conjunções explicativas são aquelas que justificam a ideia da oração a que se referem. São elas: que, porque, pois (dica importante: quando iniciar a oração, antes do verbo), porquanto.

Assim, temos:

Venha para casa, pois está começando a chover.

Não demore, que o filme vai começar.

Interessante observar que as conjunções explicativas normalmente vêm ligadas a orações com verbos no imperativo – ordem, pedido, conselho (“venha para casa”, “não demore”). Isso ocorre porque é uma questão de educação dar a ordem e, na sequência, explicar, justificar o porquê daquele comando. Essa é uma boa dica para reconhecer as conjunções explicativas com mais rapidez nas frases. Eis uma notícia boa: ao ver uma oração com verbo no imperativo, ligada a um porque, pois, porquanto, normalmente a conjunção será explicativa. A notícia ruim é que a conjunção explicativa pode vir também ligada a oração sem verbo no imperativo. Mas aí, para

identificá-la facilmente, é só se lembrar do seu conceito: ela indica a explicação, a justificativa para o que foi dito anteriormente. Assim,

“Fazia tudo para ser agradável, pois não deixava uma pergunta sem respostas.” (E. Bechara)

Aqui, a segunda oração explica, justifica aquilo que se disse na primeira. A conjunção é, então, explicativa.

 

Uma prova que tratou da conjunção explicativa ligada a verbo no imperativo foi a de Perito

Criminal da Polícia Civil, Fundação Getulio Vargas, realizada em 2009. Veja:

Quase Nada

1. No quarto quadrinho, a palavra que introduz uma:

a) causa.

b) consequência.

c) explicação.

d) condição.

e) concessão.

Comentários:

A conjunção que aparece ligada a verbo no imperativo – acorda – indicando uma explicação para o que se disse na outra oração. Poderíamos até trocar o que por outra conjunção explicativa – porque, pois. Observe que a banca não se preocupa tanto se a conjunção é coordenativa ou subordinativa, e sim com o valor semântico que ela indica – explicação. É uma tendência das bancas atuais: não cobrar do aluno memorização da nomenclatura, mas compreensão das ideias expressas pelos conectores.

Resposta: C.

Antes de partirmos à análise de outras questões de concursos, vamos fixar os conceitos por meio de frases curtas, para verificar se você entendeu a teoria.

 

Classifique as conjunções coordenativas das frases abaixo.

1. Fale baixo, porque todos estão dormindo.

Comentários: Ordem seguida da explicação.

Resposta: conjunção explicativa.

 

2. Não só passeia, mas ainda cumpre a obrigação.

Comentários: As duas ações se somam, ele passeia e cumpre a obrigação: “não só, mas ainda”.

Resposta: conjunções aditivas.

 

3. Estudou muito e não foi aprovado.

Comentários: Apesar de a conjunção “e” ser normalmente aditiva, aqui ela contrasta, não segue o esperado: o que se esperava seria estudar e ser aprovado.

Resposta: conjunção adversativa.

 

4. Estudou muito e foi aprovado.

Comentários: Nesse caso, a conjunção não soma nem opõe, ela indica o resultado, a conclusão.

Resposta: conjunção conclusiva.

 

5. Você leu as cláusulas do contrato; não reclame, pois, das dificuldades que surgirem.

Comentários: Observe bem: a conjunção pois veio após o verbo, entre vírgulas, o que indica o seu deslocamento; além do mais, traz ideia de resultado.

Resposta: conjunção conclusiva.

 

6. Nem estuda nem deixa os outros estudarem.

Comentários: Dizer que nem estuda nem deixa os outros estudarem é o mesmo que dizer que não se fazem as duas coisas: não estuda e não deixa os outros estudarem.

Resposta: conjunção aditiva. Cuidado para não confundir com as alternativas: não são ações que se alternam e sim que se somam.

 

7. Analisamos o projeto com muita atenção, estamos, pois, aptos a executá-lo.

Comentários: Novamente, o pois deslocado. As vírgulas são uma preciosa dica. Ideia de resultado, conclusão.

Resposta: conjunção conclusiva.

 

8. O regulamento era bastante claro a esse respeito; no entanto, muitas pessoas teimavam em fingir que não sabiam de nada.

Apesar da clareza do regulamento, pessoas fingiam não saber de nada: oposição, contraste.

Resposta: conjunção adversativa. Além do mais, as conjunções entretanto, porém, no entanto serão sempre adversativas!

 

9. Ou não entendeu, ou fingiu-se de tolo.

Comentários: Duas opções que se excluem.

Resposta: as conjunções são alternativas e o valor semântico é de exclusão, escolha: uma coisa ou outra.

 

10. As autoridades levantaram-se e aplaudiram o velho professor.

Comentários: Finalmente um e que soma: duas ações que se adicionam.

Resposta: conjunção aditiva.

 

11. Saia da varanda, que está muito frio.

Comentários: Aproveite a estruturação da frase: temos a ordem (verbo no imperativo), seguida da explicação.

Resposta: conjunção explicativa.

 

12. Ele agradeceu a mim bem como a todos os presentes pela ajuda recebida.

Comentários: Ele agradeceu a mim e a todos.

Resposta: conjunção aditiva.

 

Vamos resolver algumas questões? Mas antes uma dica importante: nas provas atuais de concursos públicos, podemos observar duas tendências de questões em relação ao assunto que estamos abordando. Entenda:

Existem as questões que retiram um trecho do texto e pedem que você classifique a conjunção destacada ou, simplesmente, indique o valor semântico que ela representa.

Há também as questões de reescritura, em que se retira um trecho de um texto, com determinada conjunção em destaque, para que o aluno julgue que outras conjunções seriam capazes de substituíla, mantendo-se o sentido original da frase.

Para resolver as questões do primeiro tipo, é preciso que você identifique a conjunção na frase em destaque, analisando a ideia que ela indica. Eis um exemplo:

 

1. (FCC/TRF – 2ª Região) No texto, o segmento “... podem ora ser consideradas como orientação geral, ora como disposição...” expressa ideias de ações:

a) opostas.

b) repetidas.

c) alternadas.

d) simultâneas.

e) concomitantes.

Comentários:

O que temos na frase são ações que se alternam. Os próprios conectivos ora, ora confirmam essa ideia. A letra A seria a resposta, caso se tratasse de conjunção adversativa. Quanto à letra B, imaginamos que a banca esteja tratando de ações que se somam (aditivas). Já as letras D e E referem-se às conjunções temporais, que podem indicar ações que ocorrem ao mesmo tempo (simultâneas, concomitantes).

Conclusão: para resolver uma questão como essa, basta que você leia a frase com cuidado para entender o valor semântico indicado pela conjunção.

Resposta: C.

 

2. (FCC/TRF-SP) O emprego do elemento sublinhado compromete a coerência da frase:

a) Cada época tem os adolescentes que merece, pois estes são influenciados pelos valores socialmente dominantes.

b) Os jovens perderam a capacidade de sonhar alto, por conseguinte alguns ainda resistem ao pragmatismo moderno.

c) Nos tempos modernos, sonhar faz muita falta ao adolescente, bem como alimentar a confiança em sua própria capacidade criativa.

d ) A menos que se mudem alguns paradigmas culturais, as gerações seguintes serão tão conformistas quanto a atual.

e) Há quem fique desanimado com os jovens de hoje, porquanto parece faltar-lhes a capacidade de sonhar mais alto.

Comentários:

O enunciado busca a alternativa que apresente uma conjunção mal escolhida, ou seja, que não expresse a ideia que ela deveria indicar.

A alternativa B traz o conectivo por conseguinte, cuja ideia é de conclusão. No entanto, esse conectivo está introduzindo uma oposição: os jovens perderam a capacidade de sonhar alto, mas alguns ainda resistem ao pragmatismo moderno. Assim, a conjunção que deveria unir essas duas orações deveria ser adversativa (mas, porém, contudo, todavia etc.), e não conclusiva. A letra A apresenta uma afirmativa seguida de sua explicação, confirmada pelo conectivo pois. A letra C apresenta duas informações que adicionam, o que se percebe pela conjunção aditiva bem como. A letra D introduz uma condição para que a outra oração ocorra, o que estudaremos nas conjunções

adverbiais condicionais. Finalmente, a letra E traz um porquanto, que estabelece uma explicação para a outra oração.

Resposta: B.

Atenção: não confunda a conjunção porquanto com portanto. Porquanto é o mesmo que porque.

 

Conclusão: nesse tipo de questão, além de entender a ideia que cada conjunção está veiculando, é necessário ter memorizado uma lista básica de conjunções para cada classificação. Isso agiliza o tempo de resolução da questão. De outra forma, além de ler cada frase e entender a sua mensagem, o aluno teria de fazer um certo esforço para lembrar o que cada uma das conjunções normalmente

indica. Aqui, então, você precisaria entender a ideia estabelecida por cada conjunção e memorizar uma lista mínima de conectores.

São duas questões que necessitam que detectemos em cada frase o valor semântico que a conjunção expressa (oposição, ressalva, explicação etc.).

Há também as questões que buscam reescritura de frases, ou seja substituições de conjunções por outras que expressem a mesma ideia, entendemos que a memorização da lista das conjunções seja mais importante do que a compreensão do que está escrito na frase.

Veja um item de uma prova para o Ministério das Relações Exteriores, da banca organizadora

Cespe/UnB, ocorrida no ano de 2009. Nela, esperava-se que o candidato julgasse a assertiva como certa ou errada.

 

1. “Essas disputas, contudo, podem ter mais relação com o perfil de potência regional do Brasil,

uma vez que suas empresas multinacionais competem de modo mais agressivo por negócios além das fronteiras brasileiras.”

a) A expressão “uma vez que” pode, sem prejuízo para a correção gramatical do período e sem alteração das informações originais, ser substituída por qualquer uma das seguintes: visto que, já que, pois, porque, porquanto.

Comentários:

Nesse caso, o mais importante não era entender a frase do texto, e sim ter memorizado as conjunções. Consulte a lista de conjunções explicativas que você possui e veja se não estão todas lá. Simples, não é? Já para o aluno que não memorizou...

Resposta: certa.

Mais uma questão do mesmo concurso: pedia-se o de sempre, ou seja, julgar a alternativa como certa ou errada.

 

2. “Com isso, a partir de janeiro de 2009, a produção terá redução total de 4,2 milhões de barris diários. A medida, que foi acompanhada por países fora do cartel, não conseguiu, no entanto, segurar o preço da commodity, que caiu abaixo dos US$ 40.” (O Globo, 18/12/2008.)

a) O termo “no entanto” pode, sem prejuízo para a correção gramatical do período e sem alteração das informações originais, ser substituído por qualquer um dos seguintes: porém, contudo, conquanto, contanto que.

Comentários: A conjunção no entanto é adversativa. Na lista das coordenativas adversativas só aparecem as duas primeiras: porém e contudo.

Conquanto é uma conjunção concessiva, que, apesar de indicar a mesma ideia de contrariedade, levaria o verbo para o subjuntivo. Logo, tal conjunção até manteria a ideia da adversativa “no entanto”, mas prejudicaria a correção gramatical do período.

Contanto que é conjunção condicional, que nada tem de semelhança com a conjunção adversativa do texto.

Resposta: errada.

Você deve estar se perguntando: então, para resolver as questões de conjunções, basta que eu decore a lista de cada uma delas? Infelizmente, não. Ainda que para algumas questões a memorização baste, entender as relações semânticas que as conjunções estabelecem nas frases é fundamental por alguns motivos:

1. Algumas conjunções estabelecem mais de uma ideia, aparecem em mais de uma lista. Você vai aprender que um porque pode ser causal, explicativo ou final. Um pois pode ser conclusivo, explicativo ou causal. Além dessas conjunções, há outras que podem ter mais de uma classificação (desde que, que, se...). Assim, só uma leitura cuidadosa da frase permitiria a classificação da conjunção. Nesse caso, ter memorizado as conjunções ajuda, mas não resolve a questão.

2. Há questões que pedem que se identifique o valor semântico da conjunção, e não simplesmente que dê a sua classificação. Vimos, por exemplo, que a conjunção adversativa mas pode indicar adversidade ou ressalva: haverá questões que vão buscar que você identifique qual das duas ideias a conjunção indica. Decorar a lista, aqui, resolveria o seu problema?

 

Bons estudos!

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