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Lógica

Raphael Vaz Monteiro Lógica Portuguese

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Lógica

  • Leciona o professor José Antonio Tobias¹: “A Lógica, contrariamente ao que alguns pensam, não é Filosofia, porque não é estudo de causas supremas, isto é, não é estudo das coisas mais profundas de nada; simplesmente é um instrumento da Filosofia e de todas as ciências, cujo papel é pôr ordem nas operações da inteligência para que o homem consiga com facilidade e de modo certo a verdade. Como a Lógica é a ciência que ensina a pôr ordem nas operações da razão e como, além disso, é natural à inteligência humana ir  do mundo material ao imaterial, é a seguinte a ordem das partes da Filosofia, verificada aliás através dos séculos e seguida por isso nesse livro: Lógica, Filosofia da Natureza (Cosmologia, Psicologia), Metafísica (Crítica, Ontologia e Teodicéia); estas partes da Filosofia constituem a filosofia especulativa, fundamento necessário da filosofia prática, que é formada primeiro pelo estudo do fim último pelo homem: é a Filosofia Moral, e em segundo lugar pelo estudo das causas supremas das obras de arte: a Filosofia da Arte.” [...] “De um lado existe a Lógica natural, empírica e espontânea, própria de toda pessoa, adquirida através da vida de modo inconsciente e, de outro lado, a Lógica científica, obtida através da crítica, dos livros e das aulas dos professores, própria só de quem estudou e usou a reflexão. A Lógica, natural ou científica, põe ordem nas operações da razão. É útil notar-se que a razão é a própria inteligência enquanto, de uma verdade conhecida passa para outra desconhecida; a inteligência de modo intuitivo apanha as idéias, enquanto que a razão raciocina sobre elas. A inteligência por assim dizer é um ponto; a razão é o movimento de um ponto a outro. Na realidade é uma só faculdade com duas operações e com dois nomes distintos. A operação pela qual a inteligência - que então se chama razão - passa de uma verdade para outra recebe o nome de raciocínio. Exemplo:Todo paulista é brasileiro.Ora, Mário é paulista.Logo, Mário é brasileiro.As duas primeiras frases, chamadas premissas, constituem o antecedente; a conclusão, a terceira frase, é o consequente. A conseqüência está no nexo entre o antecedente e o conseqüente. No raciocínio acima, de uma verdade: ‘Todo paulista é brasileiro’, mediante a engrenagem do mesmo raciocínio, passou a razão a esta outra verdade: ‘Logo, Mário é brasileiro’.O coração, o centro da Lógica, é a operação própria da razão pela qual o homem de uma coisa conhecida passa a outra desconhecida. E como esta operação se chama raciocínio, este é propriamente o centro de toda a Lógica. O raciocínio, como mostra o exemplo acima, compõe-se de pelo menos três juízos (frases) que, por sua vez, são formados cada um, de pelo menos duas idéias (sujeito e predicado), unidas pelo verbo. Em qualquer raciocínio existe o que chamam de matéria: é o antecedente e o conseqüente. A forma está no nexo que une o antecedente ao conseqüente: é a conseqüência. Assim, no seguinte exemplo:Todo homem é criminoso.Ora, Rui Barbosa é homem.Logo, Rui Barbosa é criminoso.Pela forma este raciocínio é correto; há perfeitamente o devido nexo entre o antecedente e o conseqüente. Todavia, a conclusão é errada, porque parte de sua matéria, a primeira premissa é errada. Concluindo: apesar de correto, este raciocínio é falso.Divide-se, pois, a Lógica, como o raciocínio, em duas partes, conforme se refira à forma ou à matéria do raciocínio. A primeira parte, chamada Lógica Formal, ou Pequena Lógica, ou Lógica Menor, refere-se à forma do raciocínio. Só olha se existe ou não o necessário nexo entre o antecedente e o conseqüente, se é correto o raciocínio. Tratará ela do raciocínio e de sua expressão verbal, a argumentação, em suas duas formas: indução e dedução. Também estudará como conseqüencia do raciocínio, de que é subdivisão, tanto o juízo (frase) e sua expressão verbal, a proposição, quanto a raiz do raciocínio, a idéia e sua manifestação exterior, o termo.A segunda parte, a Lógica Material, ou Grande Lógica, ou Lógica Maior, estuda a matéria do raciocínio, isto é, o conteúdo, a verdade do antecedente e do conseqüente. A Lógica Material aplicará a Lógica Formal para saber se o raciocínio é correto; mas seu objeto específico é ver se o raciocínio é verdadeiro ou não. A verdade, que obtém pela demonstração propriamente dita, gera a certeza, a demonstração em sentido estrito, é o raciocínio produtor  da verdade. O provável, que se consegue pela demonstração imperfeita, dá a opinião. O raciocínio falso, chamado sofisma, causa o erro. O caminho, constituído por várias demonstrações concatenadas entre si, forma o método. O resultado ordenado do método demonstrativo é a ciência. Após tratar do método e da ciência em geral, a Lógica Material considera o método das diversas ciências. Uma analogia para exemplificar as relações da Lógica Formal com a Lógica Material: a Lógica Formal está para a Lógica Material como um liquidificador vazio está para o mesmo liquidificador com frutas. Se por hipótese não houver frutas (verdade), o liquidificador, isto é, a razão humana funcionará corretamente apesar disso, porque haverá nexo entre o antecedente e o conseqüente: é a Lógica Formal. Contudo, suposto o liquidificador funcionando bem (Lógica Formal), se houver fruta pura (matéria verdadeira), o liquidificador, isto é, a razão humana não só funcionará corretamente mas ainda produzirá vitamina pura, isto é, verdade: é parte do objeto da Lógica Material. Se houver vitamina inferior (premissas não bem sólidas), o liquidificador funcionará corretamente, como antes, mas a produção será inferior (demonstração imperfeita) e a vitamina também será inferior (opinião): outra parte da Lógica Material. A analogia também mostra que a Lógica Formal considera a forma do raciocínio, isto é, o nexo entre o antecedente e o conseqüente; mostra se o raciocínio é correto e só. A Lógica Material considera a matéria do raciocínio, isto é, se as premissas e a conclusão são verdadeiras ou falsas; se a razão raciocina de modo verdadeiro ou falso. Naturalmente, para ser verdadeiro, tem que ser antes correto. Por isso, a Lógica Material aplica a Lógica Formal, tendo contudo formalidade própria: verdadeiro ou falso. Tanto assim é que, em vez de Lógica Material, ‘alguns tratados modernos preferem o nome de Lógica Aplicada, mas este nome poderia trazer equívoco e dar a entender que a parte da Lógica assim designada não faz senão aplicar as verdades estabelecidas na Pequena Lógica (Lógica Formal), enquanto que, na realidade, ela é disciplina particular, considerando um aspecto das coisas que a Pequena Lógica não considera’ Eis, pois, em resumo a (...)”  ¹Tobias, José Antonio. Iniciação à Filosofia/José Antonio Tobias. 7ª ed. revista e ampliada. Presidente Prudente: Editora da UNOESTE, 1986. Páginas 20, 21, 27, 28 e 29.
  1. Formal (forma de raciocínio)

    • Ideia
      • Termo
    • Juízo
      • Proposição
    • Raciocínio
      • Argumentação
  2. Material (matéria de raciocínio)

    • Demonstração
      • Perfeita
        • Verdade
      • Imperfeita
        • Opinião
      • Falsa
        • Erro
    • Método em geral
    • Ciência
    • Método das ciências

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Lógica Mind Map on Lógica, created by Raphael Vaz Monteiro on 12/10/2017.
Created by
Raphael Vaz Monteiro · Oct 2017
Updated
Oct 12, 2017
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