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INTERPRETANDO A ALEGORIA DA CAVERNA

Auã Leite Portuguese

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INTERPRETANDO A ALEGORIA DA CAVERNA

  1. Sócrates começou a fazer suas perguntas buscando conhecer o conceito de justiça, de bem, de belo. Perguntava ele: o quê faz uma ação ser justa? Um político ao aumentar o seu salário de 17 mil reais para 24 mil, dirá que o aumento foi justo. Mas o quê é a justiça para ele dizer que sua ação é justa? Alguém poderá dizer: a justiça não é nada, não existe justiça. No entanto, se admitirmos que não existe justiça, jamais poderemos reclamar que alguém agiu de maneira injusta conosco.

  2. A maioria das pessoas tem opiniões sobre vários temas, mas não tem conhecimento sobre eles. Falam da justiça, mas não sabem dizer o quê é a justiça, falam da bondade, mas não sabem dizer o quê é a bondade.

  3. OPINIÃO & CONCEITO

    • Para Sócrates há uma distinção entre opinião e conceito. A opinião é algo que a pessoa tem mais nunca parou para pensar por que ela pensa daquele jeito. A opinião varia o tempo todo de acordo com as circunstâncias, além de variar de pessoa para pessoa. Já o conceito é algo justificado, fundamentado. O conceito é resultado do pensamento, da reflexão, chegamos ao conceito não por acaso, mas por meio de uma investigação rigorosa.
  4. “Imagina uma caverna onde estão acorrentados os homens desde a infância, de tal forma que, não podendo se voltar para a entrada, apenas enxergam o fundo da caverna. Aí são projetadas as sombras das coisas que passam às suas costas, onde há uma fogueira. Se um desses homens conseguisse se soltar das correntes para contemplar à luz do dia os verdadeiros objetos, quando regressasse, relatando o que viu aos seus antigos companheiros, esses o tomariam por louco, não acreditando em suas palavras”.

    • Nessa história as sombras representam as opiniões equivocadas que adquirimos da realidade, isto porque a sombra é sempre algo inconstante que muda o tempo todo de acordo com a variação dos reflexos, de modo que podemos ser levados a enganos por causa delas, tal como na caricatura ao lado.
      • Deste modo, o fato de nossos sentidos nos enganarem faz com que estejamos sempre sujeitos a tomar o verdadeiro pelo falso, a aceitar as sombras como a verdadeira realidade. Na Antiguidade e na Idade Média, por exemplo, as pessoas acreditavam que a Terra ficava sempre parada, e o sol girava em torno dela. Esta opinião era fundamentada muito mais em uma percepção dos nossos sentidos do que em estudos astronômicos.
    • Vemos então que, para Sócrates muitas das opiniões falsas surgem porque nossos sentidos nos enganam. No entanto, há outra forma como adquirimos opiniões em vez de conceitos é quando nos deixamos influenciar somente pelo senso-comum.
      • O senso-comum é o conjunto de ideias e concepções ensinadas pela tradição e que a maioria das pessoas aceitam sem fazer a pergunta: por que tenho que aceitar isso? Até pouco tempo atrás, julgava-se que mulher decente não saía de casa para trabalhar, ficava em casa cuidando da casa e das crianças para o marido. As primeiras mulheres que questionaram essa opinião eram vistas com maus olhos.
      • O senso-comum pode ser reproduzido pela família, pela televisão, pelas escolas, pelo cinema, pela música, etc. Sócrates acreditava que aceitar as opiniões do senso-comum é se eximir da atividade de pensar, deixando então que outro pense por você.

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Mind Map on INTERPRETANDO A ALEGORIA DA CAVERNA, created by Auã Leite on 07/06/2021.
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