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Notes

Heráclito

Mariah Cunha Sociologia 2º ano Portuguese 2 pages

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Heráclito de Éfeso - nasceu em Éfeso, considerado um dos filósofos pré-socráticos mais importante, e "pai da dialética" considerava a natureza em constante transformação (devir) e o fogo como primeiro elemento na composição da matéria , o elemento primordial para tudo. Conforme Heráclito, uma incessante luta de contrários guia o fluxo das coisas. Tudo aquilo que parece estático,esta na verdade em equilibrio pela ação das forças contrárias equivalentes. "Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou". "Tudo flui” “Nada é permanente, exceto a mudança”.

“Paremos de indagar o que o futuro nos reserva e recebamos como um presente o que quer que nos traga o dia de hoje.”

“Muito estudo não ensina compreensão.”

“A sabedoria é a meta da alma humana; mas a pessoa, à medida que em seus conhecimentos avança, vê o horizonte do desconhecido cada vez mais longe.”

“A guerra é mãe e rainha de todas as coisas; alguns transforma em deuses, outros, em homens; de alguns faz escravos, de outros, homens livres.”

“Sabedoria consiste em falar e agir da verdade. Aprendizagem muito não ensina compreensão. Todas as coisas vêm a seu tempo devido. O sol é novo a cada dia.”

Essas são as principais frases dele. Apesar de tudo, ele expressou com intensidade a questão da singularidade constante do Homem em vista da diversidade e da mutação dos objetos efêmeros. Ele comprovou a realidade do ‘Logos’, uma lei geral que governa todos os eventos de natureza privada e é o alicerce da ordem universal, de uma harmonia constituída por oposições internas. Seus ensinamentos são polêmicos até hoje. De sua produção filosófica restaram os aforismos - sentenças que em poucas palavras revelam uma regra ou um princípio de longo alcance -, reproduzidos ao longo dos séculos pelos mais variados escritores. Eles foram produzidos por Heráclito em um estilo próprio dos oráculos. Fogo - No tempo estão os momentos, ser e não-ser, postos apenas negativamente ou como momentos que imediatamente desaparecem . Este é o elemento verdadeiro de Heráclito e o verdadeiro conceito; por isso, logo compreendemos que Heráclito não podia dizer que a essência é o ar ou a água ou coisas semelhantes, pois eles mesmos não são (isto é o próximo) o processo. O fogo, porém, é o processo: assim afirmou o fogo como a primeira essência, alma e a substância do processo da natureza. Justamente no processo distinguem-se os momentos, como no movimento: 1. o puro momento negativo, 2. os momentos da oposição subsistente, água e ar, e 3. a totalidade em repouso, a terra. Tempo - disse que o tempo é o primeiro ser corpóreo material), o tempo é a primeira forma do devir. o tempo é o puro devir. É puro transformar-se, é o puro conceito, o simples, que é harmônico a partir de absolutamente opostos. Sua essência é ser e não-ser, sem outra determinação – ser puro e abstrato não-ser, postos imediatamente numa unidade e ao mesmo tempo separados. Não como se o tempo fosse e não fosse, mas o tempo é isto: no ser imediatamente não-ser e no não-ser imediatamente ser – esta mudança de ser para não-ser, este conceito abstrato, é, porém, visto de maneira objetiva, enquanto é para nós. No tempo não é o passado e o futuro, somente o agora; e este é, para não ser, está logo destruído, passado – e este não-ser passa, do mesmo modo, para o ser, pois ele é. É a abstrata contemplação desta mudança. Se tivéssemos de dizer como aquilo que Heráclito reconheceu como a essência existe para a consciência, nesta pura forma em que ele o reconheceu, não haveria outra que nomear a não ser o tempo; é, por conseguinte, absolutamente certo que a primeira forma do que devém é o tempo; assim isto se liga ao princípio do pensamento de Heráclito. Dentro do pensamento de Heráclito, Deus não tinha a aparência de um homem nem de outro animal qualquer. Em seu pensamento, Deus não era nem criador, nem onipotente. Heráclito limitava-se a identificá-lo com os opostos, os quais persistem apesar de suas mudanças e assim são capazes de compreender sua própria unidade.

"O Deus é dia-noite, inverno-verão, guerra-paz, saciedade-fome; mas se alterna como o fogo, quando se mistura a incensos, e se denomina segundo o gosto de cada um."

Nesse argumento, podemos ver que Heráclito considerava as diversas divindades da mitologia grega, que eram adoradas pelos homens de seu tempo, como sendo apenas fogo misturado a diferentes tipos de incensos.

E a alma consiste apenas de mais uma rarefação do fogo e sofre as mesmas mudanças que todas as outras coisas também experimentam; e a morte traz a completa extinção da alma.

"Para almas é morte tornar-se água, e para água é morte tornar-se terra, e de terra nasce água, e de água alma." Proclama Heráclito: “É sábio escutar não a mim, mas a meu discurso (logos), e confessar que todas as coisas são Um”. O Logos seria a unidade nas mudanças e nas tensões, a reger todos os planos da realidade: o físico, o biológico, o psicológico, o político, o moral. É a unidade nas transformações: “Deus é dia-noite, inverno-verão, guerra-paz, superabundância-fome; mas ele assume formas variadas, do mesmo modo que o fogo, quando misturado a arômatas, é denominado segundo os perfumes de cada um deles”. Por isso Homero errara em pedir que cessasse a discórdia entre os deuses e os homens: “O que varia está de acordo consigo mesmo”. A harmonia não é aquela que Pitágoras propunha, de supremacia do Um, nem a verdadeira justiça é a que Anaximandro havia concebido, ou seja, a extinção dos conflitos e das tensões através da compensação dos excessos de cada qualidade-substância em relação a seu oposto. A justiça não significa apaziguamento; pelo contrário, “o conflito é o pai de todas as coisas: de alguns faz homens; de alguns, escravos; de alguns, homens livres”. Mas ver a realidade como fundamentalmente uma tensão de opostos não significa necessariamente optar pela guerra, no plano político; “guerra”, neste último sentido, é apenas um dos pólos de uma tensão permanente (“Deus é dia-noite, inverno-verão, guerra-paz...”). E essa tensão, que constitui a verdadeira harmonia, necessita, para perdurar, de ambos os opostos.

As teses dos primeiros pensadores que não foram aceitas por Platão ou foram descartadas por Aristóteles caíram no esquecimento ou sofreram contínuas perseguições. Os atomistas, desprezados por Platão, que contra eles moveu uma campanha de silêncio, só foram resgatados pelos Renascentistas. Os sofistas, contra os quais Platão moveu cerrada luta, passaram à posteridade – mesmo os de estatura de Górgias e Protágoras – como mestres falaciosos, criadores de raciocínios falsos com aparência de verdadeiros (sofismas). Desta má fama, somente o século XX começou a libertá-los...

Com relação a Heráclito a situação é a inda mais grave! Platão pensa conhecer-lhe o pensamento e chega mesmo a adotar o que julga serem algumas de suas teses. Desde jovem, teve como tutor um mestre chamado Crátilo, que se auto-proclamava heracliteano. Esse mau discípulo transmitiu a Platão um Heráclito distorcido e amputado de seu centro: as sentenças sobre o Logos, que falam sobre o pensamento, a palavra, o conhecimento, a sabedoria, a linguagem...

Crátilo ensinou a Platão que, segundo Heráclito, todos os objetos sensíveis estão em constante fluxo, em devenir perpétuo, transformando-se continuamente (o que confere com o pensamento original) mas que não é possível haver conhecimento de tais entes (o que é um absurdo!). Crátilo aceita de Heráclito o mobilismo mas, diante da sentença “ninguém se banha duas vezes no mesmo rio”, com que Heráclito aponta o constante fluir de todos os entes, Crátilo deduz ser impossível entrar no rio sequer uma única vez! E ainda acrescentava que, devido à rapidez com que tudo se transforma, o conhecimento era impossível, nada se podia saber, nada se podia afirmar... Se Crátilo fosse pouca coisa mais honesto intelectualmente e coerente com a sua concepção, teria permanecido calado e, com isso, proporcionado um grande bem à história da filosofia...

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2º ano Sociologia Note on Heráclito, created by Mariah Cunha on 06/03/2018.
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Mariah Cunha
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