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Iuri Lotman (Escola de Tártu-Moscou): Semiótica da Cultura _aulas 19 e 20
Escola de Tártu-Moscou - Semiótica da Cultura
IURI LOTMAN
A Escola de Tártu-Moscou tem como precursores Saussure (nas definições e estudo do signo linguístico) e Jakobson (funções da linguagem).
Iuri Lotman (1922-93) foi um semioticista e historiador cultural que estruturou a Escola de Tártu-Moscou de Semiótica Cultural. Ele foi um judeu que contribuiu muito com a teoria semiótica dessa linha de pensamento. A Semiótica da Cultura propõe a compreensão da semiosfera. Para entendermos esse estudo, é necessário conhecer alguns conceitos:
- Semiosfera: conjunto de informações num coletivo. É dentro da semiosfera que os sistemas de signo se relacionam;
- Sistemas de Signos: são conjuntos de signos;
- Texto: unidade de sentido;
- Linguagem: é o elo que une domínios diferentes da vida no planeta;
- Dialogismo: é a relação e a construção da experiência a partir da interação com o outro. É um conceito de Bahktin, um filósofo russo;
- Cultura: é um grande texto (vários sistemas de signos), uma memória coletiva não-genética; inteligência coletiva.
Os semioticistas dessa escola questionaram o conceito de totalidade e se apoiaram nos recortes, nos traços. Então, entende-se que a semiótica da cultura faz a tradução da tradição (que é a sincronia dentro da diacronia). Ela faz um estudo semiótico aplicado, ou seja, do seu objeto se originam as explicações. Não há aplicação de uma teoria sobre o objeto.
Esse estudo propõe um modelo para compreensão da cultura no qual a língua tem ordem primária. "É a partir da língua que se dá a culturalização do mundo, que a natureza e seus fenômenos e fatos se humanizam; que o pensamento se constrói e que a cultura se descreve em textos. 'A língua modeliza a realidade. Em cima dela se constroem os sistemas secundários que modelam aspectos parciais dessa realidade' " * Esses sistemas são os sistemas de signo. Dentro da cultura há vários deles, como se cada um fosse uma caixa que guardasse significados irmãos, que fazem parte de um conjunto. Esses sistemas podem se interrelacionar e é aí que visualizamos a semiosfera, na conversa, na interação, no dialogismo de um sistema com outro.
Os sistemas de signo são únicos em seu conteúdo e quando dialogam com outros eles não perdem sua identidade, mas somam em informação, se fortalecendo.