Notes
Escolas Literárias
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Quinhentismo
// CONTEXTO HISTÓRICO
- Século XVI;
- Expansão marítima;
- Chegada dos portugueses ao Brasil;
- Colonialismo;
- Expansão da Igreja Católica -> missões jesuítas (catequização indígena)
O Brasil do século XVI: Para compreender a literatura produzida nesse momento, precisamos visualizar o cenário do inicio da colonização.
Um território vasto e intocado, habitado apenas pelos índios e pelas pequenas povoações que se formavam.
Depois da "descoberta", os Portugueses levaram um longo período de tempo para ocupar, de fato, o Brasil. O país, à primeira vista, não apresenta os atrativos comerciais que as outras colônias apresentavam. A ocupação do Brasil começa efetivamente a partir de 1530, após a expedição de Martin Afonso de Souza.
As produções literárias do Quinhentismo dizem respeito ás literaturas de viagens do Renascimento Português, uma ramificação literária causada pelo grande movimento de expansão marítima a partir do século XV.
Logo, essa produções ainda não podem ser consideradas literatura brasileira, mas uma literatura que fala sobre o Brasil. E nessas manifestações nós encontramos a literatura informativa e a literatura catequética.
Literatura Informativa: documentos, cartas e relatórios de navegantes, de administradores e de missionários e autoridades eclesiásticas. Sendo as de maior destaque:
- Carta de Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Cabral, relatando o descobrimento da nova terra (1500);
- O diário de navegação de Pero Lopez de Souza, escrivão da frota de Martin Afonso de Souza (1530);
As obras que se ocupam da descrição da Nova Terra e de seus Habitantes, traduzindo sempre a perplexidade diante da natureza tropical e dos costumes exóticos do índio. Em destaque:
- Diálogo sobre a conversão do gentio (índio), de Pe. Manuel de Nóbrega.
- Tratado da terra Brasil e História da Província de Santa Cruz a que vulgarmente, chamamos Brasil, de Pero de Magalhães de Gândavo (1576);
- Tratado da Terra e de gente do Brasil, de Pe. Fernão Cardim;
- Tratado descritivo do Brasil, de Gabriel Soares de Souza (1587);
- Diálogo das grandezas dos Brasil, de Ambrósio Fernandes Brandão (1618);
- História do Brasil, de Frei Vicente de do Salvador (1627);
As obras que englobam a literatura no Brasil são de grande importância histórica, e documental do primeiro século de colonização, mas seu caráter não é propriamente literário. Elas foram posteriormente utilizadas por alguns autores brasileiros como José de Alencar e Oswald de Andrade.
"As águas são muitas; infinitas. De tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-a-á nela tudo, por causa das águas que tem!"
(Trecho da carta de Pero Vaz de Caminha)
Literatura Catequética (P. José de Anchieta): A literatura produzida por José de Anchieta diferencia-se do restante produzido neste período, pois além de cartas informativas, o padre escrevia poesia e teatro. Como missionário e catequizador, Anchieta escreveu obras de caráter didático e de conteúdo simples.
Sua poesia e teatro estão inseridos na tradição medieval:
- Concepção teocêntrica do mundo;
- Utilização de versos redondilhos (5 ou 7);
- Temática religiosa e moral;
- Teatro Alegórico (Ao modo de Gil Vicente);
- Anchieta escreveu nas línguas da colônia: português, espanhol, tupi e latim.
Santa Inês
"Cordeirinha linda,
como folga o povo
porque vossa vinda
lhe dá lume de novo!"
(José de Anchieta)
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BARROCO
BARROCO EUROPEU
// 1. CONTEXTO HISTÓRICO
- Século XVII (auge);
- Reforma Protestante X Contra-reforma
// 2. CARACTERÍSTICAS GERAIS
- Arte da Contrarreforma -> Reforça os valores católicos
A arte barroca vai representar os ideias da igreja Católica. Nesse momento a arte ainda funciona pelo sistema de mecenato (arte por encomenda) e isso ajuda a igreja ser influente.
- Rebuscamento -> Intensa elaboração formal
- Imagens sinuosas e assimétricas;
- Riqueza de detalhes;
- Exagero e extravagância.
As igrejas barrocas são muito enfeitadas e adornadas pois os protestantes se colocavam contra o uso de imagens de santos e a igreja não concordava que esse dogma fosse questionado, logo a presença de muitos adornos é justamente para reforçar um dogma que estava sendo contestado.
// RENASCIMENTO X BARROCO
O barroco se opõe ao classicismo pois é um momento de maior razão, muito preso a matemática, equilíbrio e proporção.
// Pietà, Michelangelo

// Êxtase de Santa Teresa, Bernini.


// David, Michelangelo.

// David, Bernini.


// 3. PINTURA BARROCA
- Emotividade e dramaticidade;
- Religiosidade;
- Contraste entre claro e escuro (luz e sombra);
- Composição assimétrica.
- Pintores importantes: Caravaggio, Diego Velázquez e Rembrandt.
// 3. PINTURA BARROCA


// 4. A escrita barroca
- Intensa elaboração formal (escrita rebuscada);
- Uso de diversas figuras de linguagem;
- Expressa conflitos e dualidades;
- Características: Cultismo e Conceptismo.
// CONCEPTISMO (QUEVEDISMO)
- Jogo de ideias;
- Dá-se destaque para as técnicas de retórica a fim de defender uma tese.
// CULTISMO (GONGORISMO)
- Jogo de palavras;
- Esse estilo utiliza a descrição, termos cultos (preciosismo vocabular), linguagem rebuscada e ornamental para expressar as ideias
BARROCO BRASILEIRO
ARTE E CONTEXTO
Brasil - Colônia portuguesa
- Fase do açúcar (séc. XVI e XVII)
- Salvador -> Capital
// 2. CARACTERÍSTICAS GERAIS
- Arte da Contrarreforma -> Reforça os valores católicos
- Rebuscamento -> Intensa elaboração formal
- Imagens sinuosas e assimétricas;
- Riqueza de detalhes;
- Exagero e extravagância;
- Dualidade e emotividade.
// REBUSCAMENTO NA ESCRITA, NA ESCULTURA E NA ARQUITETURA


Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro .

Teto da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro .

// 3. AUTORES IMPORTANTES PARA O BARROCO BRASILEIRO
• Gregório de Matos: poeta; famoso por escrever sátiras (“Boca do inferno”).
• Antonio Vieira: jesuíta; excelente orador; autor de diversos sermões.

// 4. A escrita barroca (RESUMO)
- Intensa elaboração formal (escrita rebuscada);
- Uso de diversas figuras de linguagem;
- Expressa conflitos e dualidades;
- Características: Cultismo e Conceptismo.
// Conceptismo (Quevedismo)
- Jogo de ideias; textos que defendem um ponto de vista, argumentam.
Ex.: A formosura - diz ele - é um bem frágil; e quanto mais se vai chegando aos anos, tanto vai diminuindo e desfazendo em si, e fazendo-se menor. - Seja exemplo desta lastimosa fragilidade Helena, aquela famosa e formosa grega, filha de Tíndaro, rei de Lacônia, por cujo roubo foi destruída Tróia. Durou a guerra dez anos, e, ao passo que ia durando e crescendo a guerra, se ia juntamente com os anos diminuindo a causa dela. Era a causa a formosura de Helena, flor enfim da terra, e cada ano cortada com o arado do tempo; estava já tão murcha, e a mesma Helena tão outra, que, vendo-se ao espelho, pelos olhos, que já não tinham a antiga viveza, lhe corriam as lágrimas, e não achando a causa por que duas vezes fora roubada, ao mesmo espelho, e a si perguntava por ela (...)
// Cultismo (Gongorismo)
- Jogo de palavras;
- Esse estilo utiliza a descrição, termos cultos (preciosismo vocabular), linguagem rebuscada e ornamental para expressar as ideias.
Ex.: O alegre do dia entristecido, O silêncio da noite perturbado O resplandor do sol todo eclipsado, E o luzente da lua desmentido!
// 5. TEMAS COMUNS NOS TEXTOS BARROCOS
• Efemeridade do tempo
Ex.: A formosura - diz ele - é um bem frágil; e quanto mais se vai chegando aos anos, tanto vai diminuindo e desfazendo em si, e fazendo-se menor. - Seja exemplo desta lastimosa fragilidade Helena, aquela famosa e formosa grega, filha de Tíndaro, rei de Lacônia, por cujo roubo foi destruída Tróia. Durou a guerra dez anos, e, ao passo que ia durando e crescendo a guerra, se ia juntamente com os anos diminuindo a causa dela. Era a causa a formosura de Helena, flor enfim da terra, e cada ano cortada com o arado do tempo; estava já tão murcha, e a mesma Helena tão outra, que, vendo-se ao espelho, pelos olhos, que já não tinham a antiga viveza, lhe corriam as lágrimas, e não achando a causa por que duas vezes fora roubada, ao mesmo espelho, e a si perguntava por ela (...)
(VIEIRA, Antonio. “O sermão do demônio mudo”)
// Carpe diem barroco
(...) amem, desejem e procurem com todo o afeto conservar e aumentar a formosura, mas não a frágil, senão a constante; não a que descompõe a enfermidade, senão a de que se compõe a saúde; não a que diminuem os anos, senão a que dura mais que os séculos; não a que é despojo do tempo, senão a que há de triunfar na eternidade. E há ou pode haver espelhos a que se veja e componha esta formosura? Sim, também. Mas não aquele que os pontífices procuram tirar das celas, senão o que eles canonizam, e nos faz bem-aventurados no céu. É um espelho de tão diferente artifício que, olhando para ele, não nos veremos semelhantes a nós, mas ele só com a sua vista nos fará semelhantes a si. Isto é o que já nos referiu com autoridade de fé o gloriosíssimo pai desta sagrada comunidade, São Bernardo: Similes ei erimus, quoniam videbimus eum sicuti est: Seremos semelhantes a Deus, porque veremos a Deus como ele é. - Fiquem agora considerando os olhos mais cegos, se se deve deixar um espelho, que é o demônio, por um espelho que é Deus.
// 6. A POESIA DE GREGÓRIO DE MATOS


// 7. A arte barroca em Minas Gerais
- A arte plástica do período colonial brasileiro ganha novo significado a partir do trabalho de Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa) e Mestre Ataíde (Manoel da Costa Ataíde).
- Aleijadinho usava pedra-sabão e madeira na confecção de suas esculturas.
- Ambos os artistas faziam arte sacra.
Profeta Oséias, no Santuário Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas.

A contra-reforma foi a saída encontrada pelo clero, marcada pelo concílio de Trento (1545-1563), que deveria restabelecer a disciplina do clero e reafirmar os dogmas católicos. A partir disso, a igreja cria o Index, instrumento de censura para conter livros contraditórios à doutrina católica.
Em 1517, na Alemanha, Martin Lutero provocou uma cisão no seio da igreja Católica apresentando suas teses sobre os abusos desta. Ele, que era monge, foi excomungado e fundou uma nova corrente religiosa, o protestantismo.
Em 1532, João Calvino, na França, seguiu os passos de Martin Lutero, criando uma ramificação protestante, o calvinismo. Todos os dogmas católicos foram colocados em questão nesse momento, provocando um grande abalo na Igreja Católica, que prontamente contra-atacou.
A inquisição é reorganizada e passa a perseguir cristãos, hereges e judeus que não conseguissem a doutrina católica, estabelecendo a tortura ou pena de morte.
O barroco surge nesse contexto conflituoso, em que o humanismo coloca o homem e a razão no centro, mas a igreja Católica persegue aquele que não seguisse seus dogmas. O estilo que partiu das artes plásticas, atingiu seu apogeu literário no século XVII, prolongando-se até meados do século XVIII.
Característica da Literatura:
- Contrastes: o dualismo barroco coloca em contraste o corpo e o espirito, o bem e o mal, Deus e o Diabo, o céu e o inferno, a pureza e o pecado, a claridade e a escuridão etc;
- Consciência da transitoriedade da vida: a ideia de que o tempo destrói tudo, conduzindo o homem à morte;
- Gosto pela grandiosidade: Característica expressa através de hipérboles, engrandecendo exageradamente algo;
- Frases interrogativas: Refletindo incertezas;
- Cultismo: Jogo de palavras com estilo bem trabalhado, utilizando hipérboles, metáforas, hipérbatos e sinestesias.
*Hipérbato: Alteração da ordem natural das palavras nas orações.
Ex: "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas".
- Conceptismo: É o jogo de ideias ou conceitos, sendo comum o uso de antíteses, paradoxos ou juízos contrários ao senso comum.
Barroco Brasileiro: Seu principal representante é Gregório de Matos Guerra ou (boca do inferno). O poeta Baiano era a personificação do Barroco, tendo escrito desde poesia sacra até poesia satírica.
- Poesia Sacra: Esse lado de Gregório de Matos engloba desde poemas comemorativos a festas de santos até os de contrição e reflexão moral.
- Lírica Amorosa: Também de forma abrangente, Matos escreveu desde poemas que idealizam o amor de forma ingênua até os que tratam de sofrimentos amorosos.
- Poesia satírica: O boca do inferno atacava a todos com seus poemas satíricos, de pobres a ricos. Crítica social através do humor.
- Poesia Burlesca: Poemas de tom humorístico e obsceno, falava de prostitutas e mulheres com quem se relacionava.
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Arcadismo
O arcadismo ou Neoclassicismo surge no contexto denominado séculos das luzes XVIII, em que a Europa passou por grandes transformações, como a decadência das monarquias absolutistas e da aristocracia feudal, o crescimento do poder da burguesia, a Revolução Industrial (inglesa) e a Revolução Francesa.
Dentre as transformações política, há também as grandes transformações ideológicas como;
- Laicisismo: Conceito que separa a Igreja e Estado;
- Liberalismo: Defende direitos civis e a igualdade de oportunidade para os cidadãos. Economicamente propõe livre iniciativa e concorrência.
- Empirismo: Corrente filosófica que atribui a experiência sensível a origem de todo conhecimento humano. (Lock, Hume)
- Iluminismo: O mais importante movimento do século XVIII, propõe a razão como forma de satisfazer os desejos do homem.
Em Portugal, entretanto, ainda vigorava a monarquia absolutista de Dom João VI, que mantinha sua opulência com o ouro que retirava de Minas Gerais. Foi apenas na segunda metade do século XVIII (1750-1777), que marquês de Pombal tentou alinhar Portugal ao Iluminismo.
O Arcadismo surgiu na Itália com o intuito de renegar o estilo Barroco. Em 1690, fundou-se em Roma uma sociedade literária chamada Arcádia, com finalidade de combater o barroquismo e cultivar uma poesia delicada, graciosa e bucólica.
Em Portugal, o Neoclassicismo teve início apenas em 1756, quando alguns escritores, liderados por Antônio Dinis da Costa fundaram a Arcádia Lusitana.
Arcádia: Região da Grécia Antiga habitada por fatores e transformadas por poetas antigos na representação da morada ideal, de vida simples, inocência e felicidade.
Característica da Poesia árcade
- Personagens mitológicos utilizadas alegoricamente, para representar formas elevadas de vida;
- Bucolismo e pastoralismo: a vida campestre idealizada e estilizada. O eu lírico é sempre caracterizado como pastor;
Termos em latim;
- Ambientação no Locus amoenus: lugar calmo
- Tem do fugere urbem (fugir da cidade): a cidade é vista como lugar de dor e corrupção dos homens;
- Elogio da aurea mediocritas (mediania de ouro): que afirma que o equilíbrio é melhor do que qualquer extremo;
- Carpe Diem: aproveite o dia
Arcadismo no Brasil
Com a descoberta do ouro em Minas Gerais (final do século XVII), o centro econômico do Brasil deslocou-se do nordeste para o sudeste. Desse modo, o centro político e cultural também deslocou-se para lá, na metade de século XVIII e com isso a produção intelectual produzida em Minas Gerais passou a ter destaque.
Nesse momento, uma pequena burguesia letrada fazia ecoar na colônia portuguesa as ideias do iluminismo francês. Assim, como houve o declínio do ouro na região, já existia um embasamento ideológico para fomentar a revolta contra os impostos abusivos cobrado pela coroa. Foi nesse contexto que surgiu o Arcadismo no Brasil.
As característica do Arcadismo Europeu foram seguidas à risca pelos autores nacionais.
Os maiores representantes da poesia lírica desse período são: Claudio Manuel da Costa, um brasileiro que voltava dos estudos em Coimbra, onde formou-se advogado.
Era um poeta da transição, que ainda tinha características barrocas em sua obra, seu livro Obras Poéticas (1768) é um marco do início do Arcadismo Brasileiro. O autor também escreveu poesia épica.
- Tomaz Antônio Gonzaga é um português que passou parte da infância no Brasil, formou-se em Coimbra e retornou.
Seu livro Marília de Dirceu tornou-se a obra poética mais importantes do século XVII no Brasil. Composto por Liras, o livro explora todas as características do Arcadismo europeu e antecipa algumas características do amor romântico.
A poesia épica não obteve tanto estaque quanto a lírica, mas acredita-se que nela estava o embrião do que viria ser a primeira fase do Romantismo Brasileiro.
- Basílio da Gama: O Uruguai (1769);
- Frei José de Santa Rita Durão: Caramuru (1781);
- Claudio Manuel da Costa: Vila Rica (1773);
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Romantismo
O Romantismo Brasileiro estava repleto de nacionalismo. A independência do Brasil, conquistada em 1822, reforçou a necessidade de afirmação a identidade nacional. Tudo o que era considerado símbolo brasileiro passou a ganhar destaque, como o índio, a natureza e a linguagem.
A publicação de Suspiros Poéticos e saudades (1836), de Gonçalves de Magalhães, é um marco do início do Romantismo no Brasil e seu prefácio encontram-se algumas das diretrizes da nova estética.
Como na Europa, o Romantismo buscou na figura do cavaleiro medieval o símbolo do herói, o Brasil, que não tinha um passado medieval, transferiu esta representação para o índio. Retratado sempre como um nobre guerreiro. A opulência tropical do país também era mais símbolo romântico.
A produção Literária do Romantismo é bastante variada e teve representantes na poesia, na narrativa e no teatro.
Romance: Entre os romancistas do período destacam-se Joaquim Manoel de Macedo, Manuel Antônio de Almeida, José de Alencar, Bernado Guimarães, Visconde de Taunay, Franklin Távora e Machado de Assis (em sua primeira fase)
Teatro: No teatro destacam-se Martin Pena, França Júnior, Arthur Azevedo.
Poesia: Na poesia destacam-se Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Junqueira Freire, Casemiro de Abreu, Fagundes Varela e Castro Alves
O romantismo Brasileiro é divido em três fases. Embora cada uma delas possua características próprias, é bastante evidente a interpenetração e a transferência de características de uma para outra.
Primeira fase:
- Nacionalismo ; (ufanismo)
- Indianismo;
- "Cor local";
- Aversão à influência Portuguesa;
- Misticismo;
- Religiosidade
Na primeira fase do Romantismo, diversas obras retrataram o índio como um herói de alma elevada, no qual as forças do caráter refletiam em sua força física. Obras de destaque:
- I-Juca Pirama (1851), Gonçalves Dias;
- O Guarani (1857), José de Alencar;
"Loredano desejava; Álvaro Amava; Peri Adorava. O aventureiro daria a vida para gozar; o cavalheiro arrostaria a morte para merecer um olhar; o selvagem se mataria, se preciso fosse, só para fazer cecília sorrir".
(O guaraní, José de Alencar)
Segunda Fase:
- Utra-romantismo;
- Mal do século;
- Excesso de Subjetivismo;
- Irracionalismo;
- Escapismo, fantasia, culto à morte;
- Pessimismo, obscurantismo;
- Amor idealizado e inatingível.
A segunda geração romântica é acometida pela crise existencial do ultra-romantismo português e pelo byronismo. O tédio, a melancolia (spleen), o sentimentalismo excessivo e o desespero são marcas dessa fase. Obra de destaque:
- Lira dos Vinte Anos, Álvares de Azevedo
[...]
Sou um doudo talvez de assim amar-te,
De murchar minha vida no delírio...
Se nos sonhos do amor nunca tremeste,
Sonhando meu amor e meu martírio...
Terceira Geração:
- Condoreirismo;
- Temas Sociais e Políticos;
- Abolicionismo;
- Liberdade;
- Tom retórico e exaltação.
Também conhecida como condoreira, a terceira geração romântica retorna à realidade de que a segunda desviou-se. Recorreu à retórica com o intuito de convencer o leitor e a sociedade da necessidade abolicionista. Obra de destaque:
Navio Negreiro (1868), Castro Alvares.
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da onda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se os gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
(Castro Alves)

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Realismo
O realismo é marcado por uma transição política, social e econômica no Brasil, que ainda era colônia, passando pelo Segundo Reinado. Nesse momento, o tráfico negreiro passa a ser proibido e o Brasil contrata mão-de-obra Europeia para dar início à modernização, baseada na indústria cafeeira e na industrialização. Em contra-partida, após a proclamação da República passa a ser comandado pela oligarquia cafeeira que se formava entre São Paulo e Minas Gerais (República Café com Leite), o que frustou a classe média, que já apresentava ideias republicanas e liberais, mas ainda sofria na mão dos poderosos.
É nesse momento que surgem o Realismo e o Naturalismo, baseados em doutrinas positivistas e determinadas, vindas da Europa.
O marco dessa escola literária no Brasil deu-se com a publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis. O autor é o maior representante do Realismo no Brasil. E sua obra é de suma importância para compreendermos as características da escola, desenvolvidas com excelência por Machado.
Características Literárias de Machado de Assis
- Enredo não-linear;
- Micro capítulos não digressivos;
- Metalinguagem;
- Estilo anti-retórico;
- Análise Psicológica/ psicanalítica das personagens;
- Humor sútil e permanente;
- Ironia Fina e Corrosiva;
- Visão Metafísica Relativista de todos os valores humanos (pessimismo);
Principais Obras de Machado de Assis
- Poesia (em que desenvolveu o estilo parnasiano): Crisálidas, Falenas, Americanas, Poesias Completas.
a) Fase Romântica: ressureição, A mão e a luva, Iaia Garcia, Helena.
a) Fase realista: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom casmurro, Esaú de Jacó, Memorial de Aires.
- Conto: Contos fluminenses, Histórias da meia noite, Papéis Avulsos, Histórias sem data, Várias histórias, Páginas escolhidas, Relíquias da Casa Velha.
- Teatro: Queda que as mulheres têm pelos homens tolos, Desencanto, Quase Ministro, Os Deuses de Casaca, Tú, só tu, puro amor.
Recursos estilísticos de Machado de Assis:
- Narrador não confiável, que ilude, provoca, desconcentra o leitor e muitas vezes ironiza suas expectativas;
- As reticências ⎯ omissões, lacunas, digressões ⎯, que demonstram a capacidade de despistar o leitor ingênuo;
- As reflexões metalinguística, que fazem crítica da linguagem e da estrutura narrativa tradicional, e questionam o próprio processo de criação literária;
- As comparações insólitas, incongruentes;
- As citações, das mais diversas fontes;
"A minha idéia, depois de tantas cabriolas, constituirá-se idéia fixa. Deus te livre, leitor, de uma idéia fixa; antes um argueiro, antes um trave no olho. [...] Era fixa, a minha idéia, fixa como... Não me ocorre nada que seja assaz fixo nesse mundo: talvez a lua, talvez as pirâmides do Egito, talvez a finada dieta germânica. Veja o leitor a comparação que melhor lhe quadrar, veja-a e não esteja daí a torcer-me o nariz, só porque ainda não chegamos á parte narrativa destas memorias. Lá iremos. Creio que prefere a anedota á reflexão, como os outros leitores, seus confrades, e acho que faz muito bem. Pois lá iremos". (Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis)
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Naturalismo
O naturalismo surge no Brasil sob o mesmo contexto do Realismo, inclusive as duas vertentes foram desenvolvidas simultaneamente. O período é marcado por uma transição política, social e econômica no Brasil, que ainda era colônia, passando de Segundo Reinado.
Nesse momento o tráfico negreiro passa a ser proibido e o Brasil passa contratar a mão-de-obra europeia, para dar início a modernização, baseada na indústria cafeeira e na industrialização. Em contrapartida, após a proclamação da república em 1889, o Brasil passa a ser comandado pela oligarquia cafeeira que se formava entre São Paulo e Minas Gerais (República café-com-leite), o que frustou a classe média, que já apresentava ideias republicanas e liberais, mas ainda sofria nas mãos dos poderosos.
Diferente do Realismo, o Naturalismo estava mais ligados às ideias científicas anteriores ou que estavam em voga na Europa, tais como:
Determinismo (Hipollyte Taine, 1825 - 1893): Defende que o comportamento humano é o fruto da hereditariedade, do meio e da circunstância.
Evolucionismo ( Charles Darwin 1809-1882): Defende a tese de que o homem descende dos animais mais inferiores e que na vida animal há uma luta contínua pela existência, da qual resultaria a sobrevivência dos mais aptos, por um processo de seleção natural.
Positivismo (Augusto Comte 1789-1857): Aplicando o conceito de "evolução", ao pensamento humano, defendendo a tese de que a humanidade estaria entrando no terceiro ciclo de sua evolução. Defende, ainda, que os únicos meios de atingir conhecimento são a observação, a experimentação e a comparação.
Características do Naturalismo:
- Visão determinista e mecanicista do homem;
- Cientificismo;
- Personagens Patológicas
- Crística social e reformismo;
- Incorporação de termos científicos e profissionais;
As semelhanças entre Naturalismo e Realismo vão além de período em que surgiram, apesar de apresentarem abordagens diferentes, ambos estavam interessados em retratar o homem de maneira crua, mostrando seu lado sombrio, suas mazelas e seu carácter através da análise psicológica.
Os principais autores do Naturalismo no Brasil:
Aluísio de Azevedo - O autor Maranhense foi um dos grandes nomes de estilo e escreveu O mulato (1881), Casa de pensão (1884) e o cortiço 1890).
"Sempre em mangas de camisa, sem domingo nem dia santo, não perdendo nunca a ocasião de assenhorear-se do alheio, deixando de pagar todas as vezes que podia e nunca deixando de receber, enganando os fregueses, roubando nos pesos e nas medidas, comprando por dez réis de mel coado o que os escravos furtavam da casa dos seus senhores, apertando cada vez mais as próprias despesas, empilhando privações sobre privações, trabalhando e mais a amiga como uma junta de bois, João Romão veio afinal a comprar uma boa parte da bela pedreira, que ele, todos os dias, ao cair da tarde, assentado um instante à porta da venda, contemplava de longe com um resignado olhar de cobiça." (Aluísio de Azevedo - O cortiço)
Raul Pompéia - Escreveu o Ateneu (1888), em que se baseia-se em sua experiência como ex aluno de um internato carioca, fato que o traumatizou pela severidade com que fora tratada na época.
"As impressões recentes derrogavam o meu Aristarco; mas a hipérbole essencial do primitivo transmitia-se ao sucessor por um mistério de hereditariedade renitente." (O Ateneu, Raul Pompeia)
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Parnasianismo
O Parnasianismo foi um movimento essencialmente poético, surgido na segunda metade do século XIX, reagindo contra o sentimentalismo e o subjetivo dos Românticos. Os Parnasianos buscavam uma poesia mais racional, em que o belo deveria ser alcançado através do trabalho árduo e meticuloso.
O nome da escola literária teve sua origem ligada à publicação de antologias poéticas, a partir de 1866, em Paris. Sob o titulo de Parnaso contemporâneo, a revista incluía poemas dos criadores do movimento, como Charles Baudelaire e outros poetas.
A inspiração para o nome vem do monte Parnassus, uma região lendária da Grécia habitada por poetas, o que já indica influência da Antiguidade Clássica no Parnasianismo.
Características Parnasianas:
- Impessoalidade e Objetividade;
- Visão Carnal da mulher;
- Arte pela Arte;
- Culto da forma;
- Só poesia;
- Preferência pela forma poética fixas;
- Rima rara:
"Que (ouço ao longe o oráculo de Elêusis)
E do teu ventre nasceriam deuses..."
- Busca pela perfeição;
- Referência à mitologia grega;
- Visão da obra como trabalho árduo
Principais autores do Parnasianismo no Brasil
Raimundo Correia: O autor questiona a vida e sua transitoriedade de maneira pessimista e melancólica em suas obras. Considerando um mestre da construção poética, muitas vezes seus poemas apresentavam questões filosóficas.
Mal Secreto
"Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!"
Olavo Bilac: Um dos poetas mais criticados pelos modernistas, o autor ainda demonstra certos traços românticos em alguns poemas. É caracterizado por utilizar a língua e a poética com maestria, e por ser extremamente preocupado com o refinamento formal.
Longe de ti
Longe de ti, se escuto, porventura,
Teu nome, que uma boca indiferente
Entre outros nomes de mulher murmura,
Sobe-me o pranto aos olhos, de repente...
Tal aquele, que, mísero, a tortura
Sofre de amargo exílio, e tristemente
A linguagem natal, maviosa e pura,
Ouve falada por estranha gente...
Porque teu nome é para mim o nome
De uma pátria distante e idolatrada,
Cuja saudade ardente me consome:
E ouvi-lo é ver a eterna primavera
E a eterna luz da terra abençoada,
Onde, entre flores, teu amor me espera.
Alberto de Oliveira: É o mais tipico representante Parnasiano, e demonstra excessiva preocupação formal e preferência pelos preciosismos e linguagem rebuscada. Sua poesia é caracterizada pelo exotismo, sentimento contido, imagens sugestivas, linguagem nobre e discrições da natureza e antiguidades.
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Simbolismo
O simbolismo surge num momento em que a Europa passava por uma decadência econômica , as últimas décadas do século XIX, em que todas as esperanças no positivismo e materialismo esfriam. A nova forma de encarar o mundo proposta pelos simbolistas, retoma o misticismo e o idealismo.
A frança, país onde originou-se a escola simbolista, virou palco de rivalidades políticas e ainda sentia o baque da derrota para a Alemanha na guerra (1870). Toda Europa vivia em estado de alerta, e os países aumentavam seu contingente militar e armamentos. Era o fantasma da Guerra.
O simbolismo acreditava na falência do racionalismo e na sua ineficácia para a compreensão do mundo exterior, por isso, recorreram ao espiritualismo. Suas primeiras manifestações deram-se através dos poemas de Baudelaire, Marllarmé e Verlaine, publicados na revista Parnasse conteporain.
Características Simbolistas
- Expressões indiretas de ideias e emoções;
- Utilização de palavras ambíguas;
- Amplo uso de metáforas e sinestesias;
- Hermetismo;
- Musicalidade;
- Subjetivismo profundo;
- Obsessão por cores claras;
- Misticismo e Espiritualismo;
- O emprego de iniciais maiúscula em substantivos comuns, afim de torná-los absolutos;
- Abstração e Preocupação formal;
- Explora o inconsciente;
- Considera o poeta como vidente de realidades transcendentais
- Oposição ao Naturalismo e Realismo
Simbolismo no Brasil
Considera-se o ano de 1893 como o marco inicial do simbolismo brasileiro, mesmo que anteriormente algumas produções já apresentassem características da escola.
O primeiro manifesto simbolista foi escrito em 1891 por Emiliano Perneta, Cruz e Souza, Bernadino Lopes e Oscar Rosas. O texto foi publicado na folha popular do Rio de Janeiro. Entretanto, o inicio do movimento é marcado pela publicação de Missal e Broquéis, de Cruz e Souza (1893).
Principais Poetas do simbolismo brasileiro
- Cruz e Souza: um dos maiores poetas do simbolismo mundial, conhecido como "cisne negro". Sua poesia teve certa influência do parnasianismo no aspecto formal, mas as temáticas abordadas pelo autor são transcendentais e referem-se ao corpo como a prisão do espírito.
- Alphonsus Guimarães: o autor retoma algumas temáticas do Romantismo em sua obra como evasão da vida, a morte, a natureza e o amor idealizado. Coloca-se em alguns poemas, como um cavaleiro medieval que suspira pela mulher amada e cultua a virgem maria.
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Pré Modernismo
O pré-modernismo não é propriamente uma escola literária, mas um período que alguns autores decidiram produzir uma literatura que refletia as questões políticas e sociais que abalavam o Brasil. Sem fundamentos estéticos e temáticos pré-estabelecidos.
O Brasil do início do século XX, mantém, basicamente, a mesma mentalidade do final do século XIX, pós-republicana, positivista e liberal. Há uma ascensão de uma burguesia industrial, com ideias progressistas, e que começa a confrontar as oligarquias rurais que ainda mantinham o tradicionalismo no Brasil.
Período marcado por grande agitação:
1896-7 — Guerra de Canudos, na Bahia.
1903 — Revolta da vacina, Rio de Janeiro,
1910 — Revolta da Chibata, Rio de Janeiro.
1912-6 — Guerra do contestado, Santa Catarina.
1917 - São Paulo é palco de inúmeras greves operárias.
O Pré-modernismo compreende o período de transição entre a produção literária do início do século XIX, até sua ruptura radical, em 1922, com a semana de arte moderna. Os autores que marcam este período anunciam a modernidade, mas de uma maneira disforme, cada qual com suas particularidades.
Na literatura:
- Linguagem não moderna;
- Marginalizados começaram a aparecer;
- Regionalismo;
- Arte como crítica social/denúncia;
Augusto dos Anjos (1884 - 1914)
O paraibano, embora fosse formado em advocacia, lecionou literatura a vida inteira. Mudou-se da Paraíba aos 24 anos, por causa da crise da lavoura açucareira que se abateu sobre o nordeste no início da República. Publicou seu único livro, Eu, em 1912.
O público e a crítica da época, acostumados à elegância parnasiana, consideraram seu livro grosseiro e de mau gosto. O vocabulário e os temas do autor causam estranheza pelo cientificismo, pessimismo e escatologia, Por produzir uma expressão única, Augusto dos Anjos é considerado um poeta inclassificável.
Versos íntimos
Vês?! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão esta pantera — Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável, Mora, entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo, Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Outros autores
A poesia produzida no período fica a encargo apenas de Augusto dos Anjos, mas destacamos alguns autores que marcaram a produção da prosa neste período.
• Euclides da Cunha (1866— 1909)
O autor carioca teve uma formação determinista e positivista, era engenheiro civil, mas sempre gostou de escrever, tornando-se jornalista. Foi enviado para o sertão da Bahia para cobrir a Campanha de canudos, onde presenciou um massacre do exército contra os sertanejos.
A constatação de que haviam dois Brasis, um da elite e um dos pobres, levou-o a escrever OS sertões (1902). A obra denuncia as contradições nacionais que protegiam os ricos e matavam os pobres, o que ainda não foi superado pelo país. Foi eleito para a Academia Brasileira de tetras pelo livro.
Lima Barreto (1881-1922)
O autor carioca buscou retratar, com simplicidade e ironia, a vida da pequena burguesia que se formava no Rio de Janeiro. Foi bastante criticado por utilizar uma linguagem despretensiosa. Escreveu, dentre outros títulos, O triste fim de Policarpo Quaresma (1915).
Monteiro Lobato (1882 — 1948)
Nascido em Taubaté, o autor sempre teve contato com a vida rural, mesmo após mudar-se pra São Paulo, onde cursou Direito. Cuidava das pequenas propriedades da família e de lá tirou a inspiração para suas obras, como Urupês (1918), em que deu vida ao personagem Jeca Tatu.
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Modernismo
O Modernismo é marcado por inúmeros avanços tecnológicos, no início do século XX, mas também por questões políticas e sociais. A Europa, berço do modernismo, começa a primeira guerra mundial em 1914, o que provocou medo e despertou as vanguardas artísticas que influenciaram o modernismo brasileiro.
Futurismo: Lançado pelo poeta italiano, Felippo Marinetti, propunha destruição do passado e a exaltação da Vida moderna, o movimento cultuava as máquinas e a velocidade. Marinetti defendia a destruição da sintaxe; e a utilização de substantivos dispostos ao acaso.
Cubismo: Na pintura decompunha objetos da realidade cotidiana e pessoas em diferentes planos geométricos, pois acreditava que assim seria possível enxergar sua estrutura global de vários ângulos. Seu grande representante foi Pablo Picasso. Na poesia valorizava o subjetivismo e a falta de lógica.
Dadaísmo: Movimento lançado na Suíça pelo romeno Tristan Tzara, em 1916, reflete o pessimismo da Guerra, O nome foi escolhido ao acaso não significava nada, Pregava a destruição de todos os valores morais da sociedade que fazia a guerra, Buscava ser ilógico, incoerente e anti-artístico, através da invenção de palavras e liberdade total.
Surrealismo: Influenciado pela teoria psicanalítica de Freud, o surrealismo dava voz aos sonhos e ao inconsciente, Foi lançado na França, em 1924, valorizava o passado e buscava a emancipação do homem, fora da lógica e das convenções sociais. Seu grande representante foi Salvador Dali
Modernismo brasileiro
As oligarquias de São Paulo e Minas Gerais dividiam o poder e o lucro do que era produzido no Brasil, desfavorecendo as camadas empobrecidas da população, os operários e os trabalhadores rurais.
O contexto em que acontece a Semana de Arte Moderna é marcado por conflitos, que trariam Getúlio Vargas ao poder, em 1930. Nascido sob a influência das vanguardas europeias, o Modernismo brasileiro, em sua primeira fase, combatia estéticas conservadoras e tradicionais, ainda defendidas pelos parnasianos.
Semana de Arte Moderna(1922)
A semana de arte foi um marco que Vinha sendo desenvolvido desde 1912, quando Oswald de Andrade retornou de seus estudos na Europa anunciando as vanguardas que vira por lá.
Reuniu diversos artistas, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, que subverteram e lançaram no lixo toda a tradição que vinha sendo construída no país pelos parnasianos, O grupo foi recebido às vaias pelo público, no Museu Municipal de São Paulo, onde exibiram artes plásticas, literatura e música.
Correntes modernista:
Movimento Pau-Brasil: Revalorização de elementos primitivos da nossa cultura;
Movimento Verde•Amarelo: Postura nacionalista que repudiava o que era importado;
Movimento antropofágico: Defendia o canibalismo cultural, mesclava referências - do exterior ao que era brasileiro.
Movimento espiritualista: Procurou conciliar o passado com o futuro, e teve influência simbolista.
Características 1º fase modernista:
- Pluralidade de linguagens e perspectivas;
- Irracionalismo;
- Destruição da métrica, da rima etc;
- Nacionalismo ufanista;
- Verso livre;
- Preferência por substantivos e verbos;
- poema-piada (Blague);
- Mistura entre prosa e poesia;
- Utilização de linguagem coloquial;
- Temáticas tradicionalmente consideradas não-poéticas etc.
Principais autores
Mário de Andrade (1893 — 1945): Autor do primeiro livro do modernismo brasileiro, Pauficeia desvairada (1922), em que focaliza aspectos sociais e políticos de São Paulo em versos livres. Escreveu também Macunaíma (1928), sua obra prima, em que mescla elementos da cultura indígena, africana e brasileira.
Oswald de Andrade (1890-1954): Buscou fazer uma poesia que expressasse tudo o que fosse genuinamente brasileiro e percorresse desde o período colonial, a vida rural e urbana do país. Escreveu poesia, romance sendo Memórias sentimentais de João Miramar (1924) sua obra mais importante —, e teatro.
Manuel Bandeira (1886 - 1968): O poeta ainda apresentava traços parnasianos em suas primeiras obras, mas no livro libertinagem (1930) adentra de fato a poesia moderna. No livro encontramos a renovação da linguagem e a fuga do belo tradicional, e uma temática cotidiana, retirada, inclusive, de notícias de jornal.
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
(Oswald de Andrade)
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Modernismo II
Em 1930 tiveram início os 15 anos de ditadura da ditadura de Getúlio Vargas. Com o intuito de obter o apoio das massas, Vargas adota uma série de medidas populistas, como legislação trabalhista e previdenciária, decreta-se o salário mínimo e adotam-se Em 1930 tiveram início os 15 anos de ditadura da ditadura de Getúlio Vargas. Com o intuito de obter o apoio das massas, Vargas adota uma série de medidas populistas, como legislação trabalhista e previdenciária, decreta-se o salário mínimo e adotam-se providências para a criação de um partido trabalhista.
Nesse contexto, nasce a segunda geração modernista, também conhecida como geração de 30, cuja produção poética tem como característica a conciliação entre elementos da tradição e da
providências para a criação de um partido trabalhista.
Nesse contexto, nasce a segunda geração modernista, também conhecida como geração de 30, cuja produção poética tem como característica a conciliação entre elementos da tradição e da modernidade, nacionalismo universalismo.
Características da 2º geração modernista: Prolonga e aprofunda as propostas e realizações da geração de 2º;
Concilia elementos da tradição e da modernidade;
Concilia nacionalismo e universalismo;
Poesia: poetas em cosmo-visão;
Prosa: Neo-realismo;
Engajamento em questões sócio políticas;
Poesia
Carlos Drummond de Andrade (19021987): Considerado um poeta que orbitava entre as duas gerações (1º e 2º) pois, em seu primeiro livro Alguma poesia (1930), o poeta desenvolve temas cotidianos em uma linguagem coloquial que mais se aproximam da primeira fase.
Cidadezinha qualquer
Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar.. as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.
Cecília Meireles (1901 1964): A produção da poeta voltava-se para a imaterialidade das intuições, das sensações e das percepções mais sutis do espírito. Meireles é considerada uma poeta neo-simbolista por abordar questões etéreas.
Vinícius de Moraes (1913 1980): o poeta começou sua trajetória escrevendo poemas de traços simbolistas, mas passou a escrever sobre as relações humanas, principalmente as amorosas. Produziu sonetos, livros infantis e destacou-se na música.
Prosa:
Graciliano Ramos (1892 — 1953): Seus romances caracterizam-se pela interrelação entre as condições sociais e psicológicas de seus personagens. Considerado um autor regionalista, sua obra mais importante é Vidas Secas (1938).
José Lins do Rego (1901 — 1957): Vindo de uma família ligada à produção açucareira, o autor que, claramente, teve suas obras influenciadas por esse fato, divide sua própria obra nas seguintes fases:
Ciclo da cana-de-açúcar;
Ciclo do cangaço, do misticismo e da seca;
Obras independentes
Jorge Amado (1912 — 2001): Costuma-se dividir a obra do autor em duas fases, a primeira teve início com a publicação de O país do carnaval (1931), em que o autor em tom político critica as injustiças nacionais. A segunda é marcada pela publicação de Gabriela, cravo e canela (1956), em que Amado passa a explorar a cultura afro-brasileira.
3º geração modernista
Também conhecida como geração de 45, a nova fase da literatura moderna espelha um período conturbado na política, que tem início com o fim da Era Vargas, sua reeleição e suicídio. Daí em diante, o país experimentou um breve momento progressista com Juscelino Kubitschek, e em 64 entrou na ditadura militar.
Características da 3º geracão moderna
- Negação do compromisso com a narrativa referencial e da representação realista da realidade;
- O espaço exterior é colocado em segundo plano e a narrativa centra-se no psicológico das personagens;
A linguagem romanesca tradicional é alterada, há inovações na cronologia e na linguagem;
-A prosa urbana enfoca o conflito do indivíduo diante da sociedade, e a regionalista renova sua temática e forma de expressão;
- Desenvolve-se o realismo fantástico, no qual se acentua a distância entre a realidade objetiva e a expressão artística, através de uma linguagem altamente simbólica, situando a narrativa entre o estranho e o maravilhoso;
Poesia
João Cabral de Melo Neto (1920 1999): O poeta afastou-se das diretrizes da geração de 45 e buscou, de forma quase científica, fazer uma poesia de grande pureza expressiva. Sua temática sempre foi a social, Cabral lançou seu olhar sobre os sertanejos marginalizados e sobre os miseráveis.
Teatro
Nelson Rodrigues (1912 1980): o dramaturgo inovou na temática e na linguagem teatral. Retratou a burguesia carioca e seus conflitos morais com crueza. Classificado pelo próprio autor como "desagradável", seu teatro chocou plateias, provocando admiração e repugnância.
Prosa
Clarice Lispector (1925 1977): Lançou sua primeira obra em 1944, aos 19 anos, Perto do coração selvagem. Sua literatura provocou estranheza à crítica pelas novidades que trazia, como a sondagem do mundo interior e a das profundezas do inconsciente, que relativizavam o enredo e a ação.
João Guimarães Rosa (1908 1967): Considerado o maior criador, em prosa, no século XX no Brasil e um dos maiores da cultura ocidental moderna, Guimarães Rosa narrou de forma poética a vida do sertanejo. Em sua obra mesclam-se misticismo, cultura popular e a linguagem típica do Brasil profundo, em destaque Grande sertão: veredas (1956).
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Contemporaneidade
Poesia concreta
A poesia concreta surge em 1952, tendo como principal veículo de divulgação a revista Noigandres, que segundo os autores significa "antídoto contra o tédio". O nome também pertencia ao grupo concretista formado por Décio Pignatari, e os irmãos Augusto e Haroldo de Campos.
Características do concretismo:
Poema como resultado de investigação verbal;
Incorporação do espaço gráfico (a página) como elemento estrutural do poema;
Ampliação do poema pela comunicação não-verbal;
Máxima valoração da palavra em si, contra o verso como unidade rítmica convencional;
Rejeição do lirismo;
Valorização do som, da forma visual e da carga semântica da palavra e suas funções-relações no poema;
Ampla utilização de recursos tipográficos;
Possibilidade de múltiplas leituras, pela abolição do verso tradicional: leitura vertical, horizontal, diagonal etc;
Utilização do ideograma (sinais das escritas analíticas, como a escrita chinesa, por exemplo) como modelo de composição;
Augusto de Campos

Haroldo de Campos

Décio Pignatari

Neoconcretismo (poesia social)
Dissidência do concretismo fundada por Ferreira Gullar, que aderiu a algumas questões gráficas e espaciais da escola literária em sua poesia, mas acreditava que o concretismo estava em demasia preocupado com a forma e se esquecera do conteúdo.
- Ferreira Gullar (1930-2016):
Sua poética engajada ganhou força a partir dos anos de 1960 quando, ao romper com a poesia de vanguarda, aderiu ao Centro Popular de Cultura (CPC), grupo de intelectuais de esquerda criado em 1961, no Rio de Janeiro, cujo objetivo era defender o caráter coletivo e didático da Obra de arte, bem como o engajamento político do artista, Sua obra de maior destaque, Poema sujo (1976), foi escrito durante seu exílio político na Argentina.
Meu povo
Meu povo e meu poema crescem juntos como cresce no fruto a árvore nova
No povo meu poema vai nascendo como no canavial nasce verde o açúcar
No povo meu poema está maduro como o sol na garganta do futuro
Meu povo em meu poema se reflete como a espiga se funde em terra fértil
Ao povo Seu poema aqui devolvo menos como quem canta do que planta
(1975)
Poesia marginal
Contornando o bloqueio sistemático das editoras, que consideram que não é lucrativo publicar poetas desconhecidos, surgem, na década de 70, pequenos livros mimeografados. Por estarem à margem das editoras e serem vendidos por seus autores, deu-se a eles o nome de poesia marginal.
- Paulo Leminski (1944 1989):
O poeta, que se inspirou na poesia concreta e principalmente nos irmãos Campos, produziu uma literatura marginal que se dividia em poemas, poemas concretos e haicais — poemas concisos escritos em três (ou quatro)linhas.

Information
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- Enem Literatura Note on Escolas Literárias , created by Demetria A on 07/06/2017.
- Created by
- Demetria A · Jun 2017
- Updated
- Apr 25, 2019
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