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Vulvovaginite e Cervicite

Ricardo Gaieviski Ginecologia e Obstetricia Revalida Portugués

Vulvovaginite e Cervicite

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Vulvovaginite e Cervicite

  1. SECREÇÃO VAGINAL FISIOLÓGICA

    • Características. 1-Pequena quantidade, homogêneo. 2- Fluido, esbranquiçado ou eventualmente amarelado. 3- PH entre 4,0-4,5. 3- Odor ausente. 5-Ausência de prurido. 6 Ausência de sinais inflamátorios.
      • Várias são as condições que podem alterar a flora vaginal normal, como microrganismos, vestuário, higiene íntima inadequada e fases da vida da mulher. Entretanto, existem mecanismos de defesa para que isso não ocorra:
      • GUARDE ESSE CONCEITO: A flora vaginal normal é constituída, principalmente, por diferentes espécies de lactobacilos (L. acidophilus ou bacilos de Doderlein), bactérias aeróbias Gram-positivas
  2. Mudanças na Flora vaginal:

    • Crianças
      • A maioria das vulvovaginites em crianças são inespecíficas, as quais estão relacionadas ao pH alcalino da faixa etária e à higiene deficiente. Entretanto, quando a questão se referir à presença de corrimento vaginal com odor fétido, sanguinolento e sem melhora com medidas iniciais, pense também na possibilidade de corpo estranho ou abuso sexual.
    • Climatério
      • Nessa fase, as mulheres têm menores níveis de glicogênio devido ao hipoestrogenismo e à depleção dos lactobacilos vaginais. A colonização por Escherichia coli é maior nessas pacientes, independente da atividade sexual
  3. Vaginose Bacteriana.

    • É a principal causa de corrimento vaginal de origem infecciosa no menacme. Ocorre desbalanço da flora vaginal com aumento maciço de anaeróbios, particularmente Gardnerella vaginalis e espécies de Mobiluncus e Bacterioides, em consequência da diminuição dos lactobacilos.
    • Quadro Clinico
      • Apesar da maioria das pacientes com VB ser assintomática (50%-75%), o quadro clínico clássico das provas é a presença de corrimento branco ou branco-acinzentado, homogêneo, com odor fétido, pH vaginal alcalino, sem sinais inflamatórios. ( é uma vaginose, não uma “ite”)
    • Diagnostico
      • critérios de Amsel, pelo menos 3 dos 4 criterios
        • 1- Corrimento vaginal branco ou branco-acinzentado,homogêneo.  2- pH > 4,5,                                3- ; Teste das aminas (KOH a 10%) positivo.                              4 Exame a fresco com clue cells (aspecto de alvo)
        • Teste das aminas (Whiff test): consiste na adição de solução de KOH 10% na secreção vaginal. O resultado é positivo caso haja liberação de odor de “peixe podre”, devido à volatização das aminas produzidas pelos anaeróbios.
      • Critério de Nugent
        • É considerado o método “padrão-ouro”, pois faz a avaliação microbiológica dos elemento vaginais, menos utilizado.
        • Contagem de bactérias e lactobacilos em esfregaço: 0-3, normal; 4-6, intermediário; 7-10, vaginose bacteriana.
    • Agente etiológico
      • Gardnerella vaginalis, bacilos e cocos gram-negativos. 
    • Tratamento
      • . Metronidazol 500mg VO 2xd 7 dias ou metronidazol creme vaginal 1xd 7-10 dias
        • 2 opção: Clindamicina 300 mg, 1 cp, VO, de 12/12h, por 7 dias.
        • O tratamento da VB deve ser feito para: • Pacientes sintomáticas; • Pacientes assintomáticas se: • gestantes; • Irão se submeter a procedimentos, como inserção de DIU e cirurgias ginecológicas. Na VB, a via oral e a tópica têm a mesma eficácia e não há necessidade de tratamento das parcerias sexuais.
  4. CANDIDÍASE VULVOVAGINAL

    • A candidíase vulvovaginal (CVV) é a segunda causa mais comum de vulvovaginites (ficando atrás apenas da vaginose bacteriana) e é responsável por um terço dos casos de vulvovaginites
    • Quadro clinico
      • O quadro clínico da vulvovaginite fúngica caracteriza-se por prurido de intensidade variável, acompanhado de corrimento vaginal esbranquiçado com aspecto de “leite coalhado” ou “queijo cottage”, sem odor associado. Se houver muita inflamação, pode haver queixa de dispareunia, de queimação e de disúria. Geralmente, os sintomas são piores na semana que antecede a menstruação. Ao exame ginecológico, podem ser observados hiperemia vulvar, edema e fissuras. O exame especular mostra mucosa vaginal hiperemiada e corrimento vaginal aderido às paredes vaginais
    • Agente Etiológico
      • Principal é a Candida albicans
    • Diagnostico
      • O diagnóstico sempre será feito por meio do exame físico associado a um exame complementar!  • pH vaginal: ácido, abaixo de 4,5; • Teste das aminas: negativo, pois aqui não há anaeróbios; • Microscopia com esse exame, você consegue fechar o diagnóstico da CVV, uma vez que é possível visualizar o fungo (leveduras, hifas e pseudohifas). A secreção vaginal deve ser colocada em, no mínimo, duas lâminas, sendo uma com solução salina e outra com KOH 10%. A preparação com KOH destrói os elementos celulares e facilita o reconhecimento do fungo.
      • PH <4,5. teste das aminas negativo, microscopia com hifas ou pseudo hifas
    • Tratamento
      • Candidíase vulvovaginal recorrente ou complicada: 4 ou mais episódios em um ano – Mudança de estilo de vida + tratamento agudo e supressão por 6 meses.&nbsp; &nbsp; &nbsp; Agudo:&nbsp;Fluconazol 150 mg, VO, 1x/dia, dias 1, 4 e 7. Manutenção:&nbsp;Fluconazol 150 mg, VO, 1x/semana, por 6 meses.
      • Miconazol creme a 2% ou outros derivados imidazólicos, via vaginal, um aplicador cheio, à noite, ao deitar-se, por 7 dias
      • ou Nistatina 100.000 UI, uma aplicação, via vaginal, à noite, ao deitar-se, por 14 dias. (escolha nas gestantes)
      • Segunda opção: Fluconazol 150 mg, VO, dose única. OU Itraconazol 100 mg, 2 comprimidos, VO, 2x/dia, por 1 dia
  5. TRICOMONÍASE è uma IST

    • Quadro clínico
      • A maioria das pacientes é assintomática. Quando sintomáticas, a queixa mais comum é a de corrimento amarelo-esverdeado, fluido, abundante, bolhoso, podendo ter odor desagradável (existe alta taxa de coinfecção com vaginose bacteriana). Devido à intensa reação inflamatória, ocorre ardor, prurido, dispareunia, disúria, sinusorragia e cervicite.
      • corrimento amarelo-esverdeado, fluido, abundante, bolhoso, podendo ter odor desagradável, colo em framboesa/em morango” ou colo tigroide
    • Agente etiologico
      • Trichomonas vaginalis (protozoário)
    • Diagnostico
      • PH > 4,5, T. aminas pode ser positivo, microscopia trichomonas protozoário movel, PCR (reação em cadeia da polimerase):
      • Tratamento
        • ATENÇÃO. Como é uma IST temos de convocar e tratar parceiros, orientar sobre abstinência durante o tratamento e solicitar sorologias para outras ISTs.
        • Metronidazol 2g VO dose única (escolha na gestante); tinidazol 2g VO dose única; metronidazol 500mg 2xd 7 dias.
  6. Cervicite é uma IST

    • Quadro clínico
      • Secreção cervical purulenta, colo uterino friável ao exame, sinusiorragia, disúria. Bartholinite também é causada pelos mesmos patógenos.
    • Agente etiologico
      • Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae e Trichomonas vaginalis
    • Diagnostico
      • Ideal é identificar o bicho – Exame a fresco, cultura, PCR; mas nem sempre é possível. Na suspeita sem confirmação de etiologia, tratar os 3 bichos.
    • Tratamento
      • ATENÇÃO. Convocar e tratar parceiros, orientar abstinência durante o tratamento e lembrar de solicitar sorologias para outra ISTs. Atenção para a notificação.
      • Azitromicina 1g VO dose única (para clamídia), ceftriaxone 250mg IM dose única (para gonococo) e metronidazol 2g VO dose única (para trichomonas).

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Revalida Ginecologia e Obstetricia Mapa Mental sobre Vulvovaginite e Cervicite, creado por Ricardo Gaieviski el 02/07/2024.
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