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Mapa mental

ABORDAGEM INICIAL AO TRAUMA

E Lucas Frazao Medicina Português

Mapa mental sobre abordagem inicial ao trauma: triagem, exame primário, exame secundário e reavaliação

Mapa mental: Abordagem inicial ao trauma

Conteúdo do mapa

ABORDAGEM INICIAL AO TRAUMA

  1. DEFINIÇÕES

    • Lesão caracterizada por alterações estruturais ou desequilíbrio fisiológico, decorrente de exposição aguda a várias formas de energia: mecânica, elétrica, térmica, química ou radioativa.
    • LESÃO
      • Energia mecânica
      • E. elétrica
      • E. química
      • E. térmica
      • E. radioativa
    • PACIENTE POLITRAUMATIZADO
      • Lesões em 2 ou mais sistemas de órgãos
        • Tórax, abdome, TCE, fraturas de ossos longos.
        • É necessário que pelo menos uma, ou uma combinação dessas lesões, apresente um risco vital para o doente.
    • MORTES
      • Distribuição trimodal
        • Dentro de segundos a minutos (50%)
          • CAUSAS: - Lacerações da aorta; - Traumatismo cardíaco; - Lesões à medula espinhal e ao tronco cerebral.
          • A maioria não consegue ser salvo devido à gravidade do trauma.
        • De minutos a horas (30%)
          • CAUSAS: - Hemorragia (ruptura esplênica, lacerações hepáticas, fraturas pélvicas); - Hemopneumotórax - Hematomas epidural e subdural
          • "HORA DE OURO" Avaliação e atendimento adequado, bem como medidas de ressuscitação podem diminuir a mortalidade.
        • Horas a semanas
          • CAUSAS: - Sepse - Disfunção sistêmica de múltiplos órgãos
  2. PREPARAÇÃO

    • PRÉ-HOSPITALAR
      • Comunicar transferência ao hospital
      • Sinalize a via pública
      • Manutenção das vias aéreas
      • Estabilização da coluna cervical
      • Controle da hemorragia externa
      • Imobilização do paciente para transporte
    • HOSPITALAR
      • Preparo da emergência
      • Sala adequada de reanimação
      • Equipamentos disponíveis
        • Inclusive para MONITORIZAÇÃO e VENTILAÇÃO
      • Material para acesso cirúrgico à via aérea
      • Soluções para reanimação
        • Ringer lactato
  3. TRIAGEM

    • De acordo com o tipo de tratamento necessário e os recursos disponíveis.
    • MÚLTIPLAS VÍTIMAS
      • Muitas vítimas, mas a unidade É capaz de atender todas.
    • VÍTIMAS EM MASSA
      • Muitas vítimas e a unidade NÃO é capaz de atender todas, tendo, portanto, que priorizar algumas.
  4. EXAME PRIMÁRIO

    • A: VIAS AÉREAS E ESTABILIZAÇÃO DA COLUNA CERVICAL
      • Prioridade
      • Via Aérea
        • Sem prejuízo na fonação
          • Máscara facial de O2 a 11 L/min
        • COmprometimento progressico
          • Elevação do queixo
          • Tração da mandíbula
        • Inspeção
        • Via Aérea Definitiva
          • Indicações
            • - Apneia - Proteção das vias aéreas inferiores contra aspiração de sangue ou conteúdo gástrico - Comprometimento iminente das vias aéreas (lesão por inalação, fraturas faciais, convulsões reentrantes...) - TCE necessitando de hiperventilação - Incapacidade de manter o oxigenação adequada sob máscara facial
          • Intubação Endotraqueal
            • Orotraqueal
              • Forma preferencial
              • Anestésicos de ação rápida
                • Etomidato
              • Bloqueadores neuromusculares
                • Succinilcolina
                • Rocurônio
              • Capnografia
            • Nasotraqueal
              • Menos empregado
              • Paciente colaborativo
              • Contraindicações
                • Apneia
                • Trauma de face
        • Via Aérea Cirúrgica
          • Indicações
            • - Trauma maxilofacial extenso (com fragmentos dentários e muita secreção e sangue nas vias aéreas) - Presença de distorção anatômica resultante de trauma no pescoço - Incapacidade de visualização das cordas vocais devido ao acúmulo de sangue e secreções ou pelo edema da via aérea
          • Cricotireoidostomia Cirúrgica
            • Rápida
            • Técnica
              • Incisão transversa cervical sobre a membrana cricotireoide, palpada entre a cartilagem tireoide e cricoide da laringe. Insere-se uma cânula que terá sua extremidade distal posicionada na altura da traqueia.
            • Idade < 12 anos
              • CONTRA-INDICAÇÃO RELATIVA
          • Traqueostomia
            • Evitada
            • Método de exceção no atendimento inicial
            • Indicada em < 12 anos
        • Via Aérea Transitória
          • Comitubo
            • Acesso às cegas à via aérea
            • Dififuldade na IOT
          • Máscara Laríngea
            • Múltiplas tentativas de IOT
            • Falha na ventilação sob máscara facial
          • Cricotireoidostomia por punção
            • Técnica
              • Punciona-se a membrana cricotireoide com uma agulha. Insere-se uma cânula de grosso calibre em direção à traqueia através da membrana cricotireoidiana.
            • Indicado em < 12 anos
      • Coluna Cervical
        • Colar cervical rígido
        • Prancha longa (rígida)
        • Estabilização manual
        • Coxins laterais
        • Avaliação
          • Visualização das 7 vértebras
            • Incluindo a transição entre C7 e T1
          • RX incidência lateral
          • Identificar principalmente
            • Luxações do Atlas-Occipital e Fraturas de C1-C2
              • 80% dos óbitos por lesão traumática da coluna cervical.
            • Fratura de Hangeman
              • Avulsão de arcos de C2 e fratura de C2 sobre C3. Segunda fratura mais comum, associada a fraturas de crânio e mandíbula.
    • B: VENTILAÇÃO E RESPIRAÇÃO
      • Vítimas de trauma devem receber oxigênio suplementar
      • Casos leves
        • Esforço respiratório simétrico
        • Murmúrio vesicular bilateralmente audível
      • Casos graves
        • Diminuição no drive respiratório
        • Hipoxemia com infiltrados no parênquima
        • Iniciar ventilação mecânica
      • Solicitar RX de tórax em AP
      • Situações que comprometem a ventilação/oxigenação
        • PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO
          • Ar penetra na cavidade pleural
            • Um mecanismo valvular o impede de sair (FLUXO UNIDIRECIONAL)
          • Consequências
            • - Colapso do pulmão ipsilateral ao pneumotórax; - Desvio do mediastino com compressão do pulmão saudável, gerando insuficiência respiratória; - Desvio do mediastino provocando angulação dos vasos da base. Dificulta o retorno venoso e provoca redução do débito cardíaco com hipotensão e/ou choque. - Aumento de pressão intratorácica (contribui para a diminuição do retorno venoso).
          • Quando considerar?
            • Dispneia importante
            • + 1 dos achados
              • Desvio contralateral da traqueia
              • Enfisema subcutâneo
              • Hipertimpanismo
                • À percussão do hemitórax acometido.
              • Ausência//Diminuição do MV
                • À ausculta do hemitórax acometido
              • Turgência jugular
              • Hipotensão/Choque
          • Causa mais comum
            • Ventilação com pressão positiva
          • Tratamento
            • Imediato
              • Realização de punção do hemitórax acometido (TORACOCENTESE) com agulha calibrosa, no segundo espaço intercostal, na linha hemiclavicular.
            • Definitivo
              • Toracostomia com drenagem em selo d'água (drenagem fechada).
        • PNEUMOTÓRAX ABERTO
          • "ferrida torácica aspirativa"
          • *[OBS]: "competição pelo ar"
            • Se a abertura na parede torácica medir aproximadamente 2/3 do diâmetro da traqueia, haverá uma espécie de "competição" pelo ar, entre a ferida e a via aérea do paciente.
          • Tratamento imediato
            • Deve ser realizado preferencialmente no atendimento pré-hospitalar e consiste na oclusão da ferida com curativo quadrangular (gaze, por exemplo) fixado apenas em 3 de seus lados. (CRIANDO MECANISMO VALVULAR)
          • *[OBS]: atenção ao pneumotórax hipertensivo
            • Atenção! A oclusão completa da ferida torácica pode transformar um pneumotórax aberto em um hipertensivo.
        • TÓRAX INSTÁVEL
          • Definição
            • Fratura em pelo menos dois ou mais arcos costais consecutivos, com cada arco fraturado em dois ou mais pontos.
          • Respiração Paradoxal
            • Durante a inspiração o segmento fraturado colaba e, durante a expiração, há abaulamento desta região.
          • Trauma de grande intensidade
          • Contusão Pulmonar
            • Insuficiência respiratória
          • Tratamento
            • Analgesia
            • Fixação cirúrgica dos arcos costais
              • CONTROVERSO
            • Ataduras sobre as fraturas costais (bandagens)
              • CONTRAINDICADO
    • C: CONTROLE DA HEMORRAGIA
      • Acessos periféricos
      • Agulhas intraósseas em < 6 anos
      • *[OBS]: Choque Hipovolêmico
        • A princípio, todo paciente politraumatizado em choque é portador, até segunda ordem, de CHOQUE HIPOVOLÊMICO HEMORRÁGICO
      • Atendimento pré-hospitalar
        • Controle da perda sanguínea
          • Compressão da ferida
          • Torniquete
            • Voltou a ser empregado. Experiências recentes no âmbito militar têm recomendado este dispositivo, que foi desenvolvido para evitar lesões nervosas e musculares.
        • Suspeita de fraturas pélvicas
          • Dispositivo de estabilização pélvica
            • Se ausente, utilizar lençol
              • Envolver a pelve com um lençol (passando pelos trocanteres) e dando um nó apertado.
      • Hemorragias
        • CAUSAS
          • - Lesões intra-abdominais (mais comuns); - Lesões em tórax provocando hemotórax maciço; - Fraturas pélvicas; - Múltiplas fraturas em ossos longos.
        • CLASSIFICAÇÃO
          • Classe I
            • Não apresenta risco inicial
              • Como se o indivíduo tivesse doado sangue.
          • Classe II
            • Não complicada
            • Perda volêmica de 750-1500 mL
              • Paciente de 70 Kg
            • Sinais
              • Taquicardia
              • Taquipneia
              • Redução da pressão de pulso
              • Aumento da pressão diastólica
          • Classe III
            • Pode ser de extrema gravidade
            • Perda >= 1500 mL
            • Sinais Clássicos de Má Perfusão
              • Diminuição da PA Sistólica
              • Taquicardia importante
              • Taquipneia
              • Alteração do estado mental
            • Interromper a hemorragia
            • Candidatos à transfusão
          • Classe IV
            • Ameaçador à vida
            • Sinais de hipoperfusão tecidual
              • Queda significativa da PA Sistólica
              • Redução da pressão de pulso
              • Débito urinário desprezível
              • Rebaixamento do nível de consciência
              • Pele fria, cianótica e úmida
            • Rápida transfusão
            • Intervenção cirúrgica
      • Soluções para volume
        • - Aquecidos a 39 °C - Adulto: 1 a 2 litros - Criança: 20 mL/Kg
        • Ringer Lactato
          • Solução cristaloide de eleição
        • Soro Fisiológico 0,9%
        • Observar
          • Débito urinário
          • Nível de consciência
          • Perfusão periférica
          • Valores do lactato
        • *[OBS]: Ressuscitação balanceada
          • No trauma penetrante com sangramento significativo, por exemplo, a ressuscitação com grandes volumes deve ser adiada até que o controle definitivo da perda sanguínea seja realizado. RESSUSCITAÇÃO BALANCEADA ou RESSUSCITAÇÃO CONTROLADA
      • Coagulopatias
        • Vítimas de trauma que tenham hemorragia importante podem desenvolver coagulopatias.
        • Em pacientes que não necessitam de transfusão sanguínea, o uso de plasma fresco congelado e criopreciptado deve ser guiado por exames que avaliam a hemostasia (contagem de plaquetas, fibrinogênio, PTTa, TAP e INR).
      • Hipotensão refratária à infusão de volume
        • CHOQUE OBSTRUTIVO E CARDIOGÊNICO
          • Tamponamento Cardíaco
            • Vítimas de trauma torácico penetrante ou fechado.
            • TRÍADE DE BECK - Hipotensão - Turgência Jugular - Abafamento das bulhas cardíacas
            • TRATAMENTO EMERGENCIAL - Toracotomia - Se não disponível, realizar a toracocentese com agulha
          • Contusão Miocárdica
            • Suspeitado quando paciente com trauma torácico apresentar alterações eletrocardiográficas (arritmias ventriculares, fibrilação atrial, bradicardia sinusal, bloqueio de ramo direito).
          • Embolia aérea
            • Complicação rara decorrente de fístula entre um brônquio e um ramo da veia pulmonar.
    • D: INCAPACIDADE / ESTADO NEUROLÓGICO
      • Exame Neurológico rápido
        • Escala de Coma de Glasgow
        • Observação das pupilas
        • Movimentação das extremidades
        • Nível de consciência
          • Condições como hipoxemia, hipotensão e uso de álcool e/ou drogas pode levar a rebaixamento do nível de consciência no paciente vítima de lesões multissistêmicas.
    • E: EXPOSIÇÃO / CONTROLE DO AMBIENTE
      • Retirar as roupas e examinar tudo
      • Aquecer o paciente
  5. MEDIDAS AUXILIARES

    • Catéter Urinário
      • Contraindicações
        • - Sangue no meato uretral - Equimose perineal - Sangue no escroto - Deslocamento cefálico da próstata - Fratura Pélvica
    • Catéter Gástrico
      • Contraindicações
        • - Suspeita de fratura de base do crânio e envolvimento da lâmina crivosa
    • Monitoração
      • - Eletrocardiográfica - Frequência ventilatória - Saturação de O2 - Gasometria arterial - Débito urinário
    • Exames Radiológicos
      • RX
        • RADIOGRAFIA CONVENCIONAL - Coluna Cervical em lateral - Tórax em AP - Pelve em AP
      • LPD
      • FAST
  6. EXAME SECUNDÁRIO E HISTÓRIA

    • A
      • ALERGIAS - Eventuais reações alérgicas a medicamentos que o doente já teve
    • M
      • MEDICAÇÕES - Medicações em uso
    • P
      • PASSADO MÉDICO - Passado médico e doenças associadas
    • L
      • LÍQUIDOS E ALIMENTOS INGERIDOS - Última refeição ou alimentação antes do trauma
    • A
      • AMBIENTE - Informações sobre o ambiente do trauma
  7. REAVALIAÇÃO E TRATAMENTO DEFINITIVO

Informações

Descrição
Medicina (CIRURGIA / TRAUMA / URGÊNCIA E EMERGÊNCIA) Mapa Mental sobre ABORDAGEM INICIAL AO TRAUMA, criado por E Lucas Frazao em 22-02-2018.
Criado por
E Lucas Frazao
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