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Modul 19 von 30 · Text

Pronomes - Questões de Concursos I

Luiz Cláudio

QUESTÕES DE CONCURSOS COMENTADAS

 

1. (Cesgranrio) Na oração: ‘Certos amigos não chegaram a ser jamais amigos certos.’ Os termos em destaque são respectivamente:

a) adjetivo e pronome adjetivo.

b) pronome adjetivo e adjetivo.

c) pronome substantivo e pronome adjetivo.

d) pronome adjetivo e pronome indefinido.

e) adjetivo anteposto e adjetivo posposto.

Comentários:

Em sua primeira ocorrência, a palavra certos se refere a um substantivo, indicando ideia vaga, generalizando. É o mesmo que alguns amigos. Logo, é um pronome adjetivo indefinido (adjetivo porque vem ao lado do substantivo). Na sua segunda ocorrência, a palavra certos continua se referindo a um substantivo, só que vem qualificando-o: é o mesmo que amigos corretos, verdadeiros. É, portanto, adjetivo.

Resposta: B. (Observe que, na letra B, a banca teve a “maldade” de não dizer pronome adjetivo indefinido, e sim pronome adjetivo, o que dá no mesmo...)

 

2. (Cesgranrio) Considere as afirmações a seguir sobre o emprego dos pronomes nas frases.

I. “O vento da noite cortava-lhes o lombo.” – Pronome pessoal com sentido possessivo.

II. “Os pescadores de largo curso olhavam para eles com certo desprezo.” – Pronome indefinido atenuando o sentido do substantivo desprezo.

III. “Era como se todo o mundo se aproximasse para aconchegá-los.” – Pronome indefinido todo equivalendo a qualquer.

É(São) verdadeira(s), APENAS, a(s) afirmação(ões):

a) I

b) II

c) III

d) I e II

e) II e III

Comentários:

No item I, o pronome oblíquo refere-se ao substantivo lombo, indicando valor de posse. É o mesmo que “O vento da noite cortava o seu lombo”. No item II, o pronome certo tem valor de algum, indica ideia vaga e, semanticamente, dá leveza ao substantivo desprezo, atenuando seu valor negativo. Já no item III, o pronome todo não equivale a qualquer, e sim a inteiro. O que se quer afirmar na frase é que o mundo inteiro se aproximava para aconchegá-los , e não qualquer pessoa se aproximava para aconchegá-los. O pronome todo teria sentido de qualquer se não fosse seguido do artigo o (“todo mundo se aproximasse para aconchegá-los”).

Resposta: D.

Atenção: Não confunda todo mundo com todo o mundo. Nesse caso, a inserção do artigo muda o sentido da frase! Todo o mundo quer dizer o mundo inteiro e todo mundo quer dizer qualquer pessoa.

 

3. (TRT) A colocação das palavras e das expressões na construção frasal leva o leitor a perceber, em alguns casos, significados diversos. É o caso das expressões assinaladas, nas frases abaixo.

O candidato leu todo o Edital do concurso.

Todo Edital de concursos deve ser lido pelos candidatos.

O significado correto, respectivamente, dessas expressões está em:

a) O Edital inteiro/parte do Edital.

b) Parte do Edital/o Edital inteiro.

c) Qualquer Edital/parte do Edital.

d) O Edital inteiro/qualquer Edital.

e) Parte do Edital/o Edital inteiro.

Comentários:

Conforme o enunciado, a inserção de palavras na frase é capaz de modificar por completo o seu sentido. Foi o que ocorreu nas frases do enunciado, em que a inserção do artigo implicou alteração semântica na frase.

Resposta: D.

 

4. (Petrobras) “em todas as épocas e em todo o mundo”; a alternativa em que houve troca indevida entre as expressões “todo mundo” e “todo o mundo” é:

a) O jogador percorreu todo o mundo.

b) O atleta falou com todo mundo para pedir desculpas.

c) Ele conhecia todo o mundo na festa.

d) Via todo o mundo em seus filmes.

e) Todo o mundo está poluído.

Comentários:

Como vimos, todo o mundo quer dizer o mundo inteiro e todo mundo é o mesmo que todas as pessoas. Na letra A, diz-se que o jogador percorreu o mundo inteiro. Na letra B, o atleta falou com todas as pessoas para se desculpar. Já na letra C, não é possível conhecer o mundo inteiro em uma única festa, e sim qualquer pessoa. Na letra D, vê-se o mundo inteiro nos filmes e, na letra E, diz-se que o mundo todo está poluído.

Resposta: C.

 

5. (NCE/TJ) “O hábito arraigado de separar o econômico do social, do político, do ético e do legal, de que é o exemplo de contrapor o ‘mercado’ ao ‘social’ – quase sempre denegrindo o primeiro e enaltecendo o segundo – é uma das causas...”; mantendo-se o sentido original, os termos sublinhados poderiam ser corretamente substituídos, respectivamente, por:

a) este / aquele

b) este / esse

c) aquele / este

d) aquele / esse

e) esse / este

Comentários:

O numeral ordinal primeiro retoma o substantivo mercado, que é o elemento mais distante no texto. Já o numeral segundo refere-se ao substantivo social, que é o elemento mais próximo. Lembre-se de que esse, com dois elementos, para fazer diferenciação entre o mais próximo e o mais distante, nunca deve ser utilizado!

Resposta: C.

Violência no Campo

José Saramago

No dia 17 de abril de 1996, no estado brasileiro do Pará, perto de uma povoação chamada

Eldorado dos Carajás (Eldorado: como pode ser sarcástico o destino de certas palavras...), 155

soldados da polícia militarizada, armados de espingardas e metralhadoras, abriram fogo contra uma

manifestação de camponeses que bloqueavam a estrada em ação de protesto pelo atraso dos

procedimentos legais de expropriação de terras, como parte do esboço ou simulacro de uma suposta

reforma agrária na qual, entre avanços mínimos e dramáticos recuos, se gastaram já cinquenta anos,

sem que alguma vez tivesse sido dada suficiente satisfação aos gravíssimos problemas de

subsistência (seria mais rigoroso dizer sobrevivência) dos trabalhadores do campo. Naquele dia,

no chão de Eldorado dos Carajás ficaram 19 mortos, além de umas quantas dezenas de pessoas

feridas. (...)

“Naquele dia, no chão de Eldorado dos Carajás...”.

 

6. O emprego de naquele, neste contexto:

a) indica que o dia referido na frase não deve ser confundido com outro.

b) mostra que o dia referido está distante no tempo.

c) assinala uma distância de lugar.

d) identifica o dia como algo a ser esquecido.

e) refere-se a um dia que o leitor desconhece.

Comentários:

Trata-se de uso do pronome demonstrativo que faz referência a uma informação, que está distante no tempo (dia 17 de abril de 1996). Logo, naquele está sendo usado para indicar um passado distante. Muitos alunos, ao errar, marcariam a letra A, que só caberia se houvesse dois dias anteriormente referidos no texto, o que não foi o caso.

Resposta: B.

 

7. (FCC/ANS – Técnico) ... os peixes morrem e boiam na superfície. Quem chega muito perto fica com os olhos ardendo e algumas pessoas têm dificuldade para respirar. Esses são alguns dos efeitos das marés vermelhas...

Ao introduzir a frase transcrita acima, o pronome demonstrativo grifado:

a) antecipa a conceituação necessária para o fenômeno que é o assunto do texto.

b) estabelece uma repetição enfática, porém desnecessária, dos fenômenos já citados.

c) especifica o tempo e o espaço em que ocorrem os fenômenos antes citados.

d) indica a retomada dos fenômenos antes relacionados, em uma referência única.

e) redistribui as consequências dos fenômenos assinalados, acentuando seu efeito nas pessoas.

Comentários:

Trata-se de uso do pronome demonstrativo que se refere a informações citadas anteriormente no texto. Assim, eliminam-se automaticamente as letras C e E. A letra B apresenta erro quando menciona que a repetição dos fenômenos citados é desnecessária – ela é um recurso coesivo bastante útil no texto.

Resposta: D.

 

8. (FCC / TRT – Técn. Judic.) Assinale, entre as frases abaixo, elaboradas a partir do tema do texto, aquela em que se deveria usar ESTE(A) ou NESTE(A), em vez de ESSE(A) ou NESSE(A):

a) Li a regulamentação publicitária. E, nesse instante, compreendi-a melhor.

b) Ainda repercute aqui, nesse cérebro, a culpa de ter feito o anúncio prejudicial.

c) As leis foram publicadas e contra essa publicação se voltaram os anunciantes.

d) Se vocês, publicitários, conhecessem melhor essa regulamentação que está diante de seus

olhos, não teriam errado.

e) As recomendações aí estão e são essas a que devemos obedecer.

Comentários:

Na letra A, o pronome demonstrativo nesse está adequadamente retomando o que foi dito anteriormente no texto. Já na letra B, o pronome, por apontar para algo que está perto do falante – trata-se do seu cérebro – deveria ser neste e não nesse. Na letra C, o pronome está adequadamente retomando o que foi dito anteriormente, daí utilizar-se essa. Na letra D, o pronome aponta para o que está perto do ouvinte – essa regulamentação...diante de seus olhos e, na letra E, a mesma situação se repete – as recomendações aí estão.

Resposta: B.

 

9. (NCE / TJ) O vocábulo atual, presente na primeira frase do texto, tem seu significado dependente do momento de produção do texto; a frase em que NÃO aparece um elemento do mesmo tipo é:

a) “Recentemente, porém, trata-se da independência da ciência e da técnica.”

b) “Agora, esta realidade se estende a todo o Terceiro Mundo.”

c) “Agora mundializado, o espaço geográfico redefine-se pela combinação desses signos.”

d) “é frequentemente chamada de período técnico-científico.”

e) “De um lado, o período atual vem marcado por uma verdadeira unicidade técnica...”

Comentários:

Pela leitura do enunciado, percebe-se que a banca busca um vocábulo com função exofórica, quando diz que tal vocábulo tem seu significado dependente do momento de produção do texto.

Ora, o que se quer é a única frase que não apresente um vocábulo do mesmo tipo. Na letra A, o advérbio recentemente está vinculado ao momento em que o texto foi produzido. Nas letras B e C, o mesmo ocorre com o advérbio agora: ele possui, em ambas, função exofórica. Na letra D, o advérbio frequentemente não depende de quando se produziu o texto – trata-se de algo que ocorre com bastante frequência, independentemente do tempo. No entanto, a letra E apresenta o adjetivo atual, vinculado à época de produção do texto.

Resposta: D.

10. (FGV / Pol. Civil) Em texto da Folha de São Paulo, um morador das margens de uma grande rodovia declarava o seguinte: “Hoje já passaram por aqui milhares de caminhões e automóveis, mas eu e minha família já estamos habituados com isso; os garotos até brincam, jogando pedra nos pneus.”

Há, nesse texto, um conjunto de palavras cujo significado depende da enunciação, ou seja, da situação em que o texto foi produzido. Entre as alternativas abaixo, aquela que indica um termo que não está nesse caso é:

a) hoje

b) aqui

c) eu

d) minha família

e) isso

Comentários:

Pelo que se depreende do enunciado, todas as alternativas – exceto uma – apresentam vocábulos com função exofórica. Na letra A, o advérbio hoje depende do momento de produção textual. Na letra B, o advérbio aqui está vinculado ao local onde o texto foi produzido. Nas letras C e D, eu e minha família dependem do enunciador do texto, logo possuem também função exofórica. Já a letra E apresenta o pronome demonstrativo isso que retoma informação anteriormente mencionada no texto – “hoje já passaram por aqui milhares de caminhões e automóveis”, possuindo, portanto, função anafórica, e não exofórica.

Resposta: E.

 

11. (FCC / Anac) O segmento do texto em que o termo destacado se refere textualmente a um elemento anteriormente expresso, e não a um elemento posterior, é:

a) Parece possível distinguir duas tendências fundamentais na reação ao grupo estranho: uma de admiração e aceitação, outra de desprezo e recusa. Aparentemente, quase todos os seres humanos apresentam essas duas tendências fundamentais.

b) ... pois supomos entender que os que falam a nossa língua têm um passado comum conosco ...

c) e também sabem o que esperar de nós...

d) Sentimos que aqueles que mais nos conhecem...

e) ... capazes de ignorar o que de melhor trazemos.

Comentários:

Podemos observar, pelo enunciado, que a banca busca um vocábulo com função anafórica (um elemento anteriormente expresso), e não catafórica (um elemento posterior). A letra A apresenta um demonstrativo que retoma as duas tendências citadas na primeira linha do trecho, tendo, portanto, função anafórica. Nas alternativas seguintes, os pronomes demonstrativos destacados apontam para informações que vêm logo a seguir no texto: os aponta para que falam a nossa língua; o indica que esperar de nós; aqueles aponta para que mais nos conhecem e o, para que de melhor trazemos. Todos, exceto um, têm função catafórica.

Resposta: A.

 

12. (TRF – Analista Judiciário) Dentre as frases a seguir, aquela em que o pronome relativo está mal-empregado é:

a) A pesquisa histórica é tarefa cuja realização se deve aos grandes historiadores.

b) O estudo das fontes históricas, o qual tanto atrai os historiadores, é tão importante quanto o da própria História.

c) Analisou tantos fatos quantos pudessem interessar à pesquisa histórica.

d) Às vezes, verificam-se fatos históricos que os historiadores não conseguem determinar suas causas.

e) O modo como a pesquisa histórica evolui às vezes surpreende o próprio historiador.

Comentários:

Ao se usar o pronome relativo devemos, antes de tudo, observar o antecedente, como vimos na teoria. Na letra A, o relativo cuja aparece entre dois substantivos indicando posse (realização da tarefa). Na B, o pronome relativo o qual vem antecedido do núcleo estudo (coisa). Na letra C, o pronome relativo quantos vem antecedido de tantos (indicando quantidade). Na letra D, o pronome relativo que não está adequado ao sentido da frase. Nela observamos a ideia de posse (causas dos fatos). Logo, a frase correta seria: “Às vezes, verificam-se fatos históricos cujas causas os historiadores não conseguem determinar”. Na letra E, o antecedente do relativo como

é a palavra modo. Nesses casos, quando os antecedentes são as palavras modo, maneira, forma, o

relativo adequado é como.

Resposta: D.

 

Bons estudos!

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