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Iluminismo
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SÉCULO XVIII- CULTURA E IDEOLOGIA
CIÊNCIAS
No século XVII, no plano religioso e artístico, verificamos uma
generalizada intolerância e fanatismo derivados dos conflitos entre
católicos e protestantes. Entretanto, no plano científico e filosófico,
assistimos ao desabrochar de novas maneiras de pensar que podem ser
vistas como herdeiras do período renascentista.
Essa maneira “moderna” de pensar não consiste apenas em negar os
dogmas e modelos medievais, mas fundamenta-se na ideia positiva de que
a norma da descoberta e interpretação da ciência é a experiência e não a
autoridade. Dada essa premissa, a atividade científica deixará de ser uma
mera observação e classificação dos fenômenos e passará a se preocupar
com a determinação das leis que regem os fenômenos. É exatamente esta
atividade da ciência experimental e seu método de trabalho (a análise) que
alimentaram a atividade filosófica do século XVII.
Esses novos métodos de investigação científica tiveram em Francis
Bacon (autor de Novum Oranum, publicado em 1620) um de seus
iniciadores e, seguramente, um de seus principais formuladores. Ele
afirmou que a partir das experiências podemos inferir leis gerais dos
fenômenos e, desta forma, fundou o Empirismo.
Uma outra contribuição notável foi a de René Descartes (autor
de Discurso sobre o Método, publicado em 1637), que transformou a dúvida
em instrumento de reconhecimento e desta forma estabeleceu as bases do
racionalismo. Embora Descartes tenha sido um verdadeiro sistematizador
do pensamento racionalista, ele preservou uma crença arcaica na existência
das ideias inatas.
Graças ao paulatino progresso do método experimental como norma
de conduta científica, verificamos notáveis progressos nas ciências ao longo
do século XVII.
A Astronomia foi um dos domínios do conhecimento humano que
mais prosperou: o alemão Keppler provou, em 1609, que os planetas
descrevem órbitas elípticas e, desta forma, eliminou a antiga noção,
formulada por Aristóteles, segundo a qual a órbita de todos os astros eram
círculos perfeitos; na mesma época, Galileu Galilei descobriu os satélites de
Júpiter, observou as manchas solares, estudou as fases de Vênus e pôde
comprovar aquilo que muitos afirmavam sem condições de provar, ou seja,
os movimentos da Terra.
Através do estudo dos corpos celestes, Galileu tornou-se o primeiro
a dar bases científicas para a Física. Foi ele quem pela primeira vez fez a
aplicação sistemática da Matemática ao estudo dos fatos concretos.
Os horizontes do conhecimento humano foram bastante ampliados,
tendo em vista as necessidades e possibilidades sociais e a curiosidade
intelectual existentes.
O inglês Isaac Newton é um outro exemplo do grande número de
pensadores da época, mistos de filósofos e cientistas. Em seu
livro Princípios Matemáticos de uma Filosofia da Natureza, publicado em
1637, ele explicou matematicamente o movimento dos astros pela atração
que exercem uns sobre os outros. Fundamentado nos conhecimentos
obtidos por Keppler nas conclusões de Galileu, Newton chegou à conclusão
de que as leis verificáveis na Terra valem para o Universo. Daí a imagem
formulada por ele de que o Universo era uma grande máquina funcionando
harmonicamente.
Algumas outras conquistas científicas do período que merecem ser
destacadas são:
Na Matemática
1614: tábua de logaritmos — Napier.
1633: régua calculadora retilínea — Oughtred.
1637: geometria analítica — Descartes e Fermst
1687: cálculo infinitesimal — Newton e Leibnitz.
1713: cálculo de probabilidades — Bernouilli.
Na Física
1589: lei sobre a queda dos corpos — Galileu.
1609: lei sobe o movimento dos planetas — Keppler.
1618: refração da luz — Snell.
1638: lei do movimento — Galileu.
1675: cálculo da velocidade da luz — Romer.
1687: teoria da gravitação universal — Newton.
1738: hidrodinâmica — Bernouilli.
1787: princípio de conservação da matéria — Lavoisier.
Na Biologia e na Química
1677: espermatozoides — Leeuvwen Hoek.
1735: classificação das espécies — Linnec.
1766: hidrogênio — Cavendish.
1774: oxigênio — Scheele e Priesley.
1780: teoria da combustão — Lavoisier.
ILUMINISMO
No final do século XVII, a realidade da Inglaterra de progresso da
propriedade privada capitalista e de avanço da burguesia foram expressas
nas doutrinas de John Locke, filósofo e ideólogo da Revolução Inglesa, que
é considerado um dos pais do empirismo inglês e o Pai do Liberalismo.
A finalidade da política é a busca da felicidade, que reside na paz, na
harmonia e na segurança; essa era a premissa de Locke. Os homens saíram
do estado natural para o de sociedade civil com a finalidade de garantir a
propriedade privada, base da propriedade geral, através do livre contrato
entre governantes, sendo que nessa perspectiva o poder supremo deve ser
concentrado nas mãos do Legislativo, que é o poder representativo da
sociedade. Para Locke, o Absolutismo que consiste na concentração do
poder nas mãos do Executivo é um fenômeno antinatural.
Essas ideias, expressas sobretudo na obra Ensaios sobre o Governo
Civil, publicada em 1695, foram desenvolvidas no século XVIII e aplicadas
na Revolução Francesa e na Independência dos Estados Unidos.
A obra de Locke é a sistematização da defesa da propriedade privada
e do Estado burguês, além de ser a afirmação do individualismo, da
tolerância e da liberdade religiosa, sem as quais não seria possível o
progresso econômico e científico.
Em uma sociedade, a estrutura econômico-social, também chamada
de infraestrutura, exerce a função de determinância, ou seja, embora nem
sempre ela seja dominante, ela sempre é determinante das mudanças do
todo social. Se ocorre um processo de transformação econômica, esta
transformação determinará alterações simultâneas nas estruturas jurídico-
política e ideológica.
A Revolução Industrial foi, antes de tudo, uma profunda
transformação da estrutura econômico-social. Nesse sentido, ela
determinou transformações nas demais estruturas do todo social.
Nessa altura de nosso estudo, interessam-nos, particularmente, as
mudanças no nível da estrutura ideológica e, nesta perspectiva, a Revolução
Industrial engendrou o aparecimento de duas grandes correntes de
pensamento: o Liberalismo Econômico e o Socialismo. O primeiro constitui-
se na própria ideologia do Capitalismo e o segundo é a sua antítese, ou seja,
é uma primeira posição crítica ao Capitalismo Liberal, em particular, e ao
Capitalismo, em geral.
Chamamos de Iluminismo ou Ilustração o conjunto das
transformações ideológicas das formações sociais europeias, verificadas ao
longo do século XVIII (o “Século das Luzes”) e que marcam a etapa final da
transição para o Capitalismo no nível da estrutura ideológica.
Podemos considerar as raízes do iluminismo nos seguintes
elementos: no Humanismo renascentista dos séculos XV e XVI; no raciocínio
filosófico do século XVII expresso por Descartes, Locke e outros; na nova
visão da realidade baseada na Ciência e que foi desenvolvida no século XVII
por homens como Bacon, Keppler, Galileu e Newton.
A Ilustração manifesta-se como um conjunto de críticas ao chamado
Antigo Regime (entendido como formação social dominada pelo clero e
pela nobreza através do Estado Absolutista, domínio este que era
justificado pelo cristianismo). Essas críticas foram feitas em nome da
racionalidade burguesa que vinha se formando desde os tempos do
Humanismo. Dentre as características do pensamento iluminista, podemos
destacar:
• racionalismo: afirmou-se o primado da razão como elemento essencial do
conhecimento.
• otimismo: fundamentado no conhecimento das Ciências Físicas do século
anterior, acreditava-se no funcionamento harmonioso do Universo devido à
existência de leis naturais sábias; a partir desta ideia eles inferiam que também a
sociedade estava submetida às leis naturais, que em conjunto constituem um
direto natural e impõem uma moral natural baseada na tolerância e
generosidade; este otimismo estava expresso também na crença no progresso da
humanidade.
• Liberdade e igualdade: a liberdade é um direito natural e fundamental do
indivíduo e é expressa na liberdade civil de produzir, de comerciar e de pensar; se
todos nascemos livres, todos devermos ser iguais perante a lei, as diferenças
econômicas entre as pessoas são decorrentes das diferentes capacidades de cada
um.
O acirramento das contradições sociais na formação social francesa
fez com que as condições, para que o pensamento iluminista se desenvolva,
fossem lá mais propícias que em qualquer outra formação social europeia.
Nesse contexto, podemos entender que o pensamento iluminista se
desenvolveu com maior intensidade na França.
Teóricos Políticos e Sociais
Voltaire criticou violentamente a Igreja, a nobreza e a administração
real. Em suas Cartas da Inglaterra, demonstrou conhecer e admirar as
ideias de Locke e o sistema político inglês, embora tenha sido exilado por
longo tempo na Inglaterra. Ele era contra a Igreja Católica, mas não contra
a religião, que julgava ser necessária como um instrumento de controle do
povo. Era favorável à monarquia constitucional, mas acreditava que nos
países mais atrasados o ideal seria um Despotismo Esclarecido.
Montesquieu foi o autor de Espírito das Leis, publicada em 1748, em
que afirmava a influência dos fatores naturais na elaboração das formas de
governo (é uma espécie de determinismo geográfico). Para ele, a garantia
da liberdade era a legalidade, para esta existir era necessária a separação e
equilíbrio entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Esta ideia
desenvolvida por Montesquieu está presente na Organização dos Estados
Unidos e na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789 na
Revolução Francesa.
Jean Jacques Rousseau foi o mais popular dos iluministas. Em suas
obras Discursos sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre
os Homens e Do Contrato Social, defendeu ideias caracteristicamente
democráticas.
Na primeira das obras citadas, criticava a propriedade que, em seu
ponto de vista, era a raiz das infelicidades humanas. Ele diz que o
aparecimento da propriedade privada arrancou o homem de seu “doce
contato com a natureza” e acabou com a igualdade. Rousseau preconizava
a existência de uma sociedade formada por pequenos produtores
independentes.
Foi em Contrato Social que Rousseau desenvolveu sua concepção de
que a soberania reside no povo, importando muito pouco o direito
individual e muito mais a vontade da maioria que era expressa pelo sufrágio
universal. O Estado, como representante dessa maioria, deveria ser todo
poderoso.
Rousseau diferenciava Estado de Governo. Estado tinha o sentido
genérico de sociedade organizada em termo políticos, ao passo que
Governo não passava de um executor da vontade da maioria. Para
Rousseau, a liberdade dos indivíduos dependia exclusivamente da
igualdade entre todos os membros da sociedade.
As sociedades intelectuais (as academias), a Franco-Maçonaria e os
livros veicularam a filosofia da Ilustração.
A obra fundamental na propagação do conhecimento e da “filosofia
das Luzes” foi a Enciclopédia das Ciências, Artes e Ofícios, publicada em
1751 a 1764. Esta obra foi organizada por Diderot e D ́Alembert com a
colaboração de matemáticos, médicos, professores, sacerdotes e técnicos,
na sua maioria burgueses. O objetivo da obra era apresentar ao grande
público todo o conhecimento da época através de uma ótica racionalista.
Fora da França, há uma série de nomes que podem ser enquadrados
nos parâmetros do pensamento iluminista; é o caso de Kant, Goethe,
Schiller e Lessing na Alemanha; e de David Hume na Inglaterra.
O pensamento iluminista teve suas influências na esfera do
pensamento econômico e deu origem a uma escola de pensadores, que
formulou uma teoria denominada Fisiocracia. Dentre os principais
fisiocratas, há de se destacar os nomes de Quesnay e de Gournay.
Para os fisiocratas, toda a riqueza originava-se na exploração da terra
e não no comércio como diziam os mercantilistas. Aliás, o traço maior da
Fisiocracia era exatamente a crítica ao Mercantilismo, tanto é assim que a
premissa básica dos fisiocratas era “laissez faire, laissez passer” (deixa
fazer, deixa passar). Segundo eles, o Estado não deveria intervir de forma
alguma no processo econômico que deveria ser deixado exclusivamente
para a iniciativa privada. Ao Estado, competia apenas a função de zelar pela
paz e pela segurança.
Economistas
O Liberalismo Econômico, enquanto sistema de ideias econômicas,
encontra sua origem imediata nos pensamentos dos economistas
fisiocratas. Foram as ideias da Fisiocracia que serviram de base para
que Adam Smith formulasse as posições fundamentais do Liberalismo
Econômico em seu livro A Riqueza das Nações, cuja primeira edição
apareceu em 1776.
Adam Smith é considerado o Pai da Economia Moderna e o iniciador
da chamada Escola Clássica de Economia, em cujo seio foi desenvolvido, ao
nível teórico, o Liberalismo Econômico.
O pensamento de Adam Smith e, consequentemente, da Escola
Clássica, está assentado nas seguintes premissas:
• os fenômenos econômicos, da mesma forma que os fenômenos naturais, estão
sujeitos às leis universais, que foram designadas por Smith como sendo as leis
naturais da economia.
• o denominador comum de todos os bens é o de que eles são resultantes do
trabalho humano; neste sentido, o que diferencia o valor dos bens são as
quantidades diversas de trabalho humano contidas em cada bem.
A partir da ideia do valor trabalho, Smith conclui que a origem de todas
as riquezas é o trabalho, e não o comércio, como diziam os mercantilistas e
nem a terra como afirmavam os fisiocratas. Esta é, aliás, a principal
divergência entre o Liberalismo Econômico e a Fisiocracia.
Smith, a exemplo dos fisiocratas, era defensor do princípio de “laissez faire,
laissez passer”, ou seja, da abstenção do Estado em relação ao processo
econômico e, consequentemente, a favor do absoluto predomínio e
liberdade para a empresa privada, assim como dos princípios de livre
concorrência e livre cambismo.
Dentre os discípulos de Smith, há dois nomes, em particular, que merecem
destaque: Thomas Robert Malthus e Davi Ricardo.
Malthus é o autor de Ensaio sobre a População, onde além de
concordar, em linhas gerais, com o pensamento de Smith, formulou a teoria
de que o ritmo de crescimento da população é mais intenso do que o da
produção de alimentos e, nesse sentido, a humanidade estaria condenada
a perecer de fome. A partir dessa colocação, Malthus chegou a duas
conclusões: as catástrofes (guerras, epidemias, terremotos etc.), apesar de
seu aspecto negativo, são úteis à humanidade, pois diminuem o desnível
entre o crescimento da população e o da produção de alimentos; era
preciso diminuir as taxas de natalidade através do exercício de um rigoroso
controle moral sobre a sociedade.
David Ricardo, autor de Princípios de Economia Política e Tarifas, é
talvez o maior dos seguidores de Smith. Ricardo, além de aprofundar as
posições originalmente enunciadas pelo ilustre escocês, acrescentou uma
série de contribuições pessoais ao pensamento da Economia Clássica.
Dentre essas contribuições originais de Ricardo, a mais conhecida é a Lei
férrea dos salários, segundo a qual quanto mais baixos forem os salários
pagos aos trabalhadores, menores serão as possibilidades de esses
trabalhadores constituírem famílias numerosas, o que seria, de acordo com
Ricardo, o caminho ideal para evitar o colapso da humanidade previsto por
Malthus.
Despotismo Esclarecido
Vários pensadores do Iluminismo eram partidários do monarca
esclarecido. Segundo esses pensadores, o monarca deveria governar como
primeiro funcionário ou servidor do Estado e deveria orientar o seu
trabalho pelos princípios da razão e do direito natural.
Esse Despotismo Esclarecido foi realizado, na prática, pela
necessidade de reformas em todos os níveis das formações sociais mais
atrasadas em termos de formação capitalista. A função do Despotismo
Esclarecido, para essas formações sociais, era a de evitar os riscos de uma
revolução e dessa forma preservar o Absolutismo. A partir dessa colocação,
podemos entender que o Despotismo Esclarecido foi um movimento de
caráter marcadamente reformista e expressou a crise do Antigo Regime.
Os principais exemplos de práticas desse reformismo foram os
governos de Frederico II da Prússia, Maria Teresa e José II da Áustria,
Catarina II da Rússia, Carlos III da Espanha e do Marquês de Pombal, como
ministro de D. José I em Portugal.
SÉCULO XVIII- CULTURA E IDEOLOGIA
CIÊNCIAS
No século XVII, no plano religioso e artístico, verificamos uma
generalizada intolerância e fanatismo derivados dos conflitos entre
católicos e protestantes. Entretanto, no plano científico e filosófico,
assistimos ao desabrochar de novas maneiras de pensar que podem ser
vistas como herdeiras do período renascentista.
Essa maneira “moderna” de pensar não consiste apenas em negar os
dogmas e modelos medievais, mas fundamenta-se na ideia positiva de que
a norma da descoberta e interpretação da ciência é a experiência e não a
autoridade. Dada essa premissa, a atividade científica deixará de ser uma
mera observação e classificação dos fenômenos e passará a se preocupar
com a determinação das leis que regem os fenômenos. É exatamente esta
atividade da ciência experimental e seu método de trabalho (a análise) que
alimentaram a atividade filosófica do século XVII.
Esses novos métodos de investigação científica tiveram em Francis
Bacon (autor de Novum Oranum, publicado em 1620) um de seus
iniciadores e, seguramente, um de seus principais formuladores. Ele
afirmou que a partir das experiências podemos inferir leis gerais dos
fenômenos e, desta forma, fundou o Empirismo.
Uma outra contribuição notável foi a de René Descartes (autor
de Discurso sobre o Método, publicado em 1637), que transformou a dúvida
em instrumento de reconhecimento e desta forma estabeleceu as bases do
racionalismo. Embora Descartes tenha sido um verdadeiro sistematizador
do pensamento racionalista, ele preservou uma crença arcaica na existência
das ideias inatas.
Graças ao paulatino progresso do método experimental como norma
de conduta científica, verificamos notáveis progressos nas ciências ao longo
do século XVII.
A Astronomia foi um dos domínios do conhecimento humano que
mais prosperou: o alemão Keppler provou, em 1609, que os planetas
descrevem órbitas elípticas e, desta forma, eliminou a antiga noção,
formulada por Aristóteles, segundo a qual a órbita de todos os astros eram
círculos perfeitos; na mesma época, Galileu Galilei descobriu os satélites de
Júpiter, observou as manchas solares, estudou as fases de Vênus e pôde
comprovar aquilo que muitos afirmavam sem condições de provar, ou seja,
os movimentos da Terra.
Através do estudo dos corpos celestes, Galileu tornou-se o primeiro
a dar bases científicas para a Física. Foi ele quem pela primeira vez fez a
aplicação sistemática da Matemática ao estudo dos fatos concretos.
Os horizontes do conhecimento humano foram bastante ampliados,
tendo em vista as necessidades e possibilidades sociais e a curiosidade
intelectual existentes.
O inglês Isaac Newton é um outro exemplo do grande número de
pensadores da época, mistos de filósofos e cientistas. Em seu
livro Princípios Matemáticos de uma Filosofia da Natureza, publicado em
1637, ele explicou matematicamente o movimento dos astros pela atração
que exercem uns sobre os outros. Fundamentado nos conhecimentos
obtidos por Keppler nas conclusões de Galileu, Newton chegou à conclusão
de que as leis verificáveis na Terra valem para o Universo. Daí a imagem
formulada por ele de que o Universo era uma grande máquina funcionando
harmonicamente.
Algumas outras conquistas científicas do período que merecem ser
destacadas são:
Na Matemática
1614: tábua de logaritmos — Napier.
1633: régua calculadora retilínea — Oughtred.
1637: geometria analítica — Descartes e Fermst
1687: cálculo infinitesimal — Newton e Leibnitz.
1713: cálculo de probabilidades — Bernouilli.
Na Física
1589: lei sobre a queda dos corpos — Galileu.
1609: lei sobe o movimento dos planetas — Keppler.
1618: refração da luz — Snell.
1638: lei do movimento — Galileu.
1675: cálculo da velocidade da luz — Romer.
1687: teoria da gravitação universal — Newton.
1738: hidrodinâmica — Bernouilli.
1787: princípio de conservação da matéria — Lavoisier.
Na Biologia e na Química
1677: espermatozoides — Leeuvwen Hoek.
1735: classificação das espécies — Linnec.
1766: hidrogênio — Cavendish.
1774: oxigênio — Scheele e Priesley.
1780: teoria da combustão — Lavoisier.
ILUMINISMO
No final do século XVII, a realidade da Inglaterra de progresso da
propriedade privada capitalista e de avanço da burguesia foram expressas
nas doutrinas de John Locke, filósofo e ideólogo da Revolução Inglesa, que
é considerado um dos pais do empirismo inglês e o Pai do Liberalismo.
A finalidade da política é a busca da felicidade, que reside na paz, na
harmonia e na segurança; essa era a premissa de Locke. Os homens saíram
do estado natural para o de sociedade civil com a finalidade de garantir a
propriedade privada, base da propriedade geral, através do livre contrato
entre governantes, sendo que nessa perspectiva o poder supremo deve ser
concentrado nas mãos do Legislativo, que é o poder representativo da
sociedade. Para Locke, o Absolutismo que consiste na concentração do
poder nas mãos do Executivo é um fenômeno antinatural.
Essas ideias, expressas sobretudo na obra Ensaios sobre o Governo
Civil, publicada em 1695, foram desenvolvidas no século XVIII e aplicadas
na Revolução Francesa e na Independência dos Estados Unidos.
A obra de Locke é a sistematização da defesa da propriedade privada
e do Estado burguês, além de ser a afirmação do individualismo, da
tolerância e da liberdade religiosa, sem as quais não seria possível o
progresso econômico e científico.
Em uma sociedade, a estrutura econômico-social, também chamada
de infraestrutura, exerce a função de determinância, ou seja, embora nem
sempre ela seja dominante, ela sempre é determinante das mudanças do
todo social. Se ocorre um processo de transformação econômica, esta
transformação determinará alterações simultâneas nas estruturas jurídico-
política e ideológica.
A Revolução Industrial foi, antes de tudo, uma profunda
transformação da estrutura econômico-social. Nesse sentido, ela
determinou transformações nas demais estruturas do todo social.
Nessa altura de nosso estudo, interessam-nos, particularmente, as
mudanças no nível da estrutura ideológica e, nesta perspectiva, a Revolução
Industrial engendrou o aparecimento de duas grandes correntes de
pensamento: o Liberalismo Econômico e o Socialismo. O primeiro constitui-
se na própria ideologia do Capitalismo e o segundo é a sua antítese, ou seja,
é uma primeira posição crítica ao Capitalismo Liberal, em particular, e ao
Capitalismo, em geral.
Chamamos de Iluminismo ou Ilustração o conjunto das
transformações ideológicas das formações sociais europeias, verificadas ao
longo do século XVIII (o “Século das Luzes”) e que marcam a etapa final da
transição para o Capitalismo no nível da estrutura ideológica.
Podemos considerar as raízes do iluminismo nos seguintes
elementos: no Humanismo renascentista dos séculos XV e XVI; no raciocínio
filosófico do século XVII expresso por Descartes, Locke e outros; na nova
visão da realidade baseada na Ciência e que foi desenvolvida no século XVII
por homens como Bacon, Keppler, Galileu e Newton.
A Ilustração manifesta-se como um conjunto de críticas ao chamado
Antigo Regime (entendido como formação social dominada pelo clero e
pela nobreza através do Estado Absolutista, domínio este que era
justificado pelo cristianismo). Essas críticas foram feitas em nome da
racionalidade burguesa que vinha se formando desde os tempos do
Humanismo. Dentre as características do pensamento iluminista, podemos
destacar:
• racionalismo: afirmou-se o primado da razão como elemento essencial do
conhecimento.
• otimismo: fundamentado no conhecimento das Ciências Físicas do século
anterior, acreditava-se no funcionamento harmonioso do Universo devido à
existência de leis naturais sábias; a partir desta ideia eles inferiam que também a
sociedade estava submetida às leis naturais, que em conjunto constituem um
direto natural e impõem uma moral natural baseada na tolerância e
generosidade; este otimismo estava expresso também na crença no progresso da
humanidade.
• Liberdade e igualdade: a liberdade é um direito natural e fundamental do
indivíduo e é expressa na liberdade civil de produzir, de comerciar e de pensar; se
todos nascemos livres, todos devermos ser iguais perante a lei, as diferenças
econômicas entre as pessoas são decorrentes das diferentes capacidades de cada
um.
O acirramento das contradições sociais na formação social francesa
fez com que as condições, para que o pensamento iluminista se desenvolva,
fossem lá mais propícias que em qualquer outra formação social europeia.
Nesse contexto, podemos entender que o pensamento iluminista se
desenvolveu com maior intensidade na França.
Teóricos Políticos e Sociais
Voltaire criticou violentamente a Igreja, a nobreza e a administração
real. Em suas Cartas da Inglaterra, demonstrou conhecer e admirar as
ideias de Locke e o sistema político inglês, embora tenha sido exilado por
longo tempo na Inglaterra. Ele era contra a Igreja Católica, mas não contra
a religião, que julgava ser necessária como um instrumento de controle do
povo. Era favorável à monarquia constitucional, mas acreditava que nos
países mais atrasados o ideal seria um Despotismo Esclarecido.
Montesquieu foi o autor de Espírito das Leis, publicada em 1748, em
que afirmava a influência dos fatores naturais na elaboração das formas de
governo (é uma espécie de determinismo geográfico). Para ele, a garantia
da liberdade era a legalidade, para esta existir era necessária a separação e
equilíbrio entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Esta ideia
desenvolvida por Montesquieu está presente na Organização dos Estados
Unidos e na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789 na
Revolução Francesa.
Jean Jacques Rousseau foi o mais popular dos iluministas. Em suas
obras Discursos sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre
os Homens e Do Contrato Social, defendeu ideias caracteristicamente
democráticas.
Na primeira das obras citadas, criticava a propriedade que, em seu
ponto de vista, era a raiz das infelicidades humanas. Ele diz que o
aparecimento da propriedade privada arrancou o homem de seu “doce
contato com a natureza” e acabou com a igualdade. Rousseau preconizava
a existência de uma sociedade formada por pequenos produtores
independentes.
Foi em Contrato Social que Rousseau desenvolveu sua concepção de
que a soberania reside no povo, importando muito pouco o direito
individual e muito mais a vontade da maioria que era expressa pelo sufrágio
universal. O Estado, como representante dessa maioria, deveria ser todo
poderoso.
Rousseau diferenciava Estado de Governo. Estado tinha o sentido
genérico de sociedade organizada em termo políticos, ao passo que
Governo não passava de um executor da vontade da maioria. Para
Rousseau, a liberdade dos indivíduos dependia exclusivamente da
igualdade entre todos os membros da sociedade.
As sociedades intelectuais (as academias), a Franco-Maçonaria e os
livros veicularam a filosofia da Ilustração.
A obra fundamental na propagação do conhecimento e da “filosofia
das Luzes” foi a Enciclopédia das Ciências, Artes e Ofícios, publicada em
1751 a 1764. Esta obra foi organizada por Diderot e D ́Alembert com a
colaboração de matemáticos, médicos, professores, sacerdotes e técnicos,
na sua maioria burgueses. O objetivo da obra era apresentar ao grande
público todo o conhecimento da época através de uma ótica racionalista.
Fora da França, há uma série de nomes que podem ser enquadrados
nos parâmetros do pensamento iluminista; é o caso de Kant, Goethe,
Schiller e Lessing na Alemanha; e de David Hume na Inglaterra.
O pensamento iluminista teve suas influências na esfera do
pensamento econômico e deu origem a uma escola de pensadores, que
formulou uma teoria denominada Fisiocracia. Dentre os principais
fisiocratas, há de se destacar os nomes de Quesnay e de Gournay.
Para os fisiocratas, toda a riqueza originava-se na exploração da terra
e não no comércio como diziam os mercantilistas. Aliás, o traço maior da
Fisiocracia era exatamente a crítica ao Mercantilismo, tanto é assim que a
premissa básica dos fisiocratas era “laissez faire, laissez passer” (deixa
fazer, deixa passar). Segundo eles, o Estado não deveria intervir de forma
alguma no processo econômico que deveria ser deixado exclusivamente
para a iniciativa privada. Ao Estado, competia apenas a função de zelar pela
paz e pela segurança.
Economistas
O Liberalismo Econômico, enquanto sistema de ideias econômicas,
encontra sua origem imediata nos pensamentos dos economistas
fisiocratas. Foram as ideias da Fisiocracia que serviram de base para
que Adam Smith formulasse as posições fundamentais do Liberalismo
Econômico em seu livro A Riqueza das Nações, cuja primeira edição
apareceu em 1776.
Adam Smith é considerado o Pai da Economia Moderna e o iniciador
da chamada Escola Clássica de Economia, em cujo seio foi desenvolvido, ao
nível teórico, o Liberalismo Econômico.
O pensamento de Adam Smith e, consequentemente, da Escola
Clássica, está assentado nas seguintes premissas:
• os fenômenos econômicos, da mesma forma que os fenômenos naturais, estão
sujeitos às leis universais, que foram designadas por Smith como sendo as leis
naturais da economia.
• o denominador comum de todos os bens é o de que eles são resultantes do
trabalho humano; neste sentido, o que diferencia o valor dos bens são as
quantidades diversas de trabalho humano contidas em cada bem.
A partir da ideia do valor trabalho, Smith conclui que a origem de todas
as riquezas é o trabalho, e não o comércio, como diziam os mercantilistas e
nem a terra como afirmavam os fisiocratas. Esta é, aliás, a principal
divergência entre o Liberalismo Econômico e a Fisiocracia.
Smith, a exemplo dos fisiocratas, era defensor do princípio de “laissez faire,
laissez passer”, ou seja, da abstenção do Estado em relação ao processo
econômico e, consequentemente, a favor do absoluto predomínio e
liberdade para a empresa privada, assim como dos princípios de livre
concorrência e livre cambismo.
Dentre os discípulos de Smith, há dois nomes, em particular, que merecem
destaque: Thomas Robert Malthus e Davi Ricardo.
Malthus é o autor de Ensaio sobre a População, onde além de
concordar, em linhas gerais, com o pensamento de Smith, formulou a teoria
de que o ritmo de crescimento da população é mais intenso do que o da
produção de alimentos e, nesse sentido, a humanidade estaria condenada
a perecer de fome. A partir dessa colocação, Malthus chegou a duas
conclusões: as catástrofes (guerras, epidemias, terremotos etc.), apesar de
seu aspecto negativo, são úteis à humanidade, pois diminuem o desnível
entre o crescimento da população e o da produção de alimentos; era
preciso diminuir as taxas de natalidade através do exercício de um rigoroso
controle moral sobre a sociedade.
David Ricardo, autor de Princípios de Economia Política e Tarifas, é
talvez o maior dos seguidores de Smith. Ricardo, além de aprofundar as
posições originalmente enunciadas pelo ilustre escocês, acrescentou uma
série de contribuições pessoais ao pensamento da Economia Clássica.
Dentre essas contribuições originais de Ricardo, a mais conhecida é a Lei
férrea dos salários, segundo a qual quanto mais baixos forem os salários
pagos aos trabalhadores, menores serão as possibilidades de esses
trabalhadores constituírem famílias numerosas, o que seria, de acordo com
Ricardo, o caminho ideal para evitar o colapso da humanidade previsto por
Malthus.
Despotismo Esclarecido
Vários pensadores do Iluminismo eram partidários do monarca
esclarecido. Segundo esses pensadores, o monarca deveria governar como
primeiro funcionário ou servidor do Estado e deveria orientar o seu
trabalho pelos princípios da razão e do direito natural.
Esse Despotismo Esclarecido foi realizado, na prática, pela
necessidade de reformas em todos os níveis das formações sociais mais
atrasadas em termos de formação capitalista. A função do Despotismo
Esclarecido, para essas formações sociais, era a de evitar os riscos de uma
revolução e dessa forma preservar o Absolutismo. A partir dessa colocação,
podemos entender que o Despotismo Esclarecido foi um movimento de
caráter marcadamente reformista e expressou a crise do Antigo Regime.
Os principais exemplos de práticas desse reformismo foram os
governos de Frederico II da Prússia, Maria Teresa e José II da Áustria,
Catarina II da Rússia, Carlos III da Espanha e do Marquês de Pombal, como
ministro de D. José I em Portugal.
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- Note on Iluminismo, created by Bruna Gabrielly on 02/06/2020.
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