Revolução Francesa
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- I. Resquícios do feudalismo na França
- Em pleno século XVIII, a França, assim como quase toda a Europa, ainda guardava traços nitidamente feudais. A divisão da sociedade em estamentos, levando em conta o prestígio social da hereditariedade, configurava fortes diferenças entre grupos. Se isso, para uns, trazia benefícios, para outros se transformava no fardo da miséria e da opressão, carregado por toda a vida.

- Caption: Começa a haver a repugnância do Terceiro Estado em relação ao modo como se encontrava a sociedade francesa, no compasso que observavam as mudanças ocorridas em outros locais, como na Inglaterra.
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- II. Um mundo em crise
- O luxo e os gastos excessivos desencadearam na França uma profunda crise econômica, agravada severamente pelas guerras das quais o país participou direta ou indiretamente. Foram três guerras desastrosas para os franceses que contribuíram decisivamente para que os ingleses assumissem a hegemonia política e econômica mundial, tais quais:
- Guerra de Sucessão Austríaca;
- Guerra dos Sete Anos;
- E a Guerra de Independência dos Estados Unidos.
- Em 1784, o país foi alvo de chuvas constantes, que destruíram plantações inteiras.
- Em 1785, a calamidade climática veio em forma de seca.
- Em 1786, os franceses assinaram um acordo com a Inglaterra, era um "Tratado de Panos e Vinhos", como consequência as manufaturas francesas entraram em crise, o preço do vinho caiu acentuadamente - levando à miséria centenas de camponeses.
- Nos anos seguintes a oscilação dos preços no mercado fez com que o povo francês entrasse em miséria quase total. O impasse vivido pela França fez com que retomassem, após mais de um século, a idéia de convocar os três-estados em uma assembléia, ocorrida em 1789.
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- III. Primeiro passo para a Revolução
- Nos Estados Gerais, o clero e a nobreza eram a maioria, pois o sistema de votação, que era por estado, garantia a supremacia das ordens privilegiadas. O terceiro estado pedia um sistema de votos que fosse feita por cabeça, dessa forma poderia conseguir a grande maioria. No entanto, o terceiro estado não é ouvido.
- Durante um mês, os deputados muito debateram e nada resolveram de concreto. O terceiro estado descontente com os rumos da Assembleia, retirou-se dos Estados Gerais e, reunindo-se em outro cômodo, a sala de Jogo de Péla (péla era um jogo semelhante ao tênis), proclamaram a formação da Assembleia Nacional Constituinte, no dia 9 de julho de 1789. A Revolução estava a caminho.

- Caption: Juramento no jogo da Péla, o quadro representa o juramento realizado pelos membros do Terceiro Estado, que decidiram permanecer reunidos até que uma Constituição fosse elaborada. A elaboração da constituição tinha claro intuito de limitar os poderes absolutistas do rei e começar o processo gradativo de mudanças políticas e econômicas.
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- As notícias vindas de Versalhes distorceram-se antes de chegarem ao povo em Paris e eclodiram de forma intensa com revoltas, queimas de casas e ataques a nobres. A intensidade da insatisfação era tanta que a Bastilha foi tomada pelos revolucionários, episódio que ficou conhecido como "A Queda da Bastilha". Era o início da Revolução Francesa.
- Em pouco tempo, vários vilarejos no interior da França também foram tomados pelo espírito revolucionário. Era o chamado "Grande Medo", que se alastrava pelo território francês e obrigava os poucos nobres e os membros do clero fiéis ao rei emigrarem para países ainda absolutistas.

- Caption: A Bastilha era o principal prédio francês e símbolo do absolutismo real, onde eram presos aqueles que discordavam ou representavam uma ameaça ao poder absolutista dos reis.
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- IV. O fim do absolutismo francês
- A Assembleia determinou o fim dos privilégios feudais, que atingiam em cheio a vida do campesinato francês. Com essa determinação, os camponeses não estariam mais submetidos às exigências absurdas dos nobres, fossem elas na forma de obrigações financeiras ou físicas.
- Nesse contexto, não demorou muito para a França lançar o mais importante documento da época: a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, redigidas com base em inspirações iluministas e de cunho democrático, na qual a propriedade privada que distinguiria as classes sociais, é parto do lema "Igualdade, liberdade e fraternidade", mesmo que não tenha sido completamente dissipado os resquícios feudais.

- Caption: A primeira Constituição francesa não trouxe melhorias à condição feminina, embora as mulheres tenham participado ativamente do processo revolucionário, sendo o primeiro grupo a apresentar um projeto para a igualdade dos seres humanos dentro da Revolução.
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- V. A Monarquia Constitucional
- A maioria dos países europeus de tendência absolutista começou a temer os revolucionários franceses e a se articular para contê-los antes que suas ideias se proliferassem. O próprio rei Luis XVI conspirava secretamente, visando recuperar o poder na França.
- Em uma noite, em Versalhes, o rei e sua família tentaram fugir para Bélgica disfarçados, mas, ele foi reconhecido por populares e preso imediatamente. A Assembleia o perdoou, mas determinou que a França estaria, a partir daquele momento, em guerra com os países que tentassem impedir seus ideais revolucionários. Não agradecido pelo perdão, o rei continuou sua conspiração: ofereceu para espiões das outras potências informações importantes sobre os melhores locais de ataque e o número de soldados do exército.
- Vale ressaltar que a parcela revolucionária era muito heterogênea, composta por subgrupos que defendiam maneiras diferentes de conduzir as ações. Tais quais:
- Jacobinos: Pequena burguesia e camadas populares, queriam mudanças de modo mais radical. Esquerda.
- Girondinos: Representantes da média e alta burguesia, queriam mudanças de modo menos radical. Direita.
- Pântano: eram os indecisos e buscavam uma posição centrista.
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- VI. A Convenção Nacional - Era Jacobina
- Os planos de conspiração feitos pelo rei e sua esposa em conjunto com alguns generais foram denunciados por Robespierre, acusando-os de articularem a contrarrevolução. Quando chegou ao conhecimento do povo que havia uma conspiração estrangeira em processo, os sans-culottes invadiram o Palácio de Tulherias e prederam o rei e a rainha.
- Por meio do voto, foi enunciada a mais grave sentença de morte da história francesa: o rei e a rainha foram guilhotinados, acusados de traição à pátria e ao povo.

- Caption: Mesmo sendo um símbolo de vitória revolucionária, era o rei que estava sendo morto, aquele que durante anos foi o símbolo da história francesa. A morte da rainha Maria Antonieta, diferentemente, foi mais festiva, pois muitos a odiavam.
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- A morte do rei reforçou o poder dos jacobinos, que com o apoio dos sans-culottes, começaram a definir um conjunto simbólico para afirmar o sentimento de patriotismo. Nesse ínterim, as tropas militares galgavam vitória sobre seus inimigos coligados. Todavia, a fome continuava assolando o povo e intensificando a miséria.
- A crise aumentava e, durante meses, manifestações ocorreram na porta da Convenção. Para a população, só a radicalização poderia mudar realmente a França e, por isso, os líderes girondinos foram presos ou afastados do poder: os jacobinos tomam o poder da Convenção.

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- Como a primeira medida, modificou-se a Declaração dos Direitos para torná-la mais democrática e foi criada a Lei do Máximo, que estipulava um teto para os salários e para o preço dos produtos básicos do comércio, o que provocou um boicote burguês ao abastecimento, agravando a fome e a miséria.
- O complô estendeu-se até o ponto em que o líder desse grupo, Robespierre, instituiu um período marcado por uma política autoritária e de severa repressão, conhecido como Regime do Terror, que durou pouco pois se perdeu no radicalismo de Robespierre, tal qual teve atrito com alguns, conviveu com poucos e se tornou inimigo de muitos. Na fase mais pesada do seu governo, executou amigos e inimigos, radicais e ponderados, entre eles Danton.

- Caption: LOUDET, Alfred. Robespierre, Danton e Marat.
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- VII. A reação da alta burguesia
- Em 1794, os girondinos, composto pela maioria como alta burguesia, decretaram a prisão e a execução de Robespierre: era o Golpe 9 Termidor, ou Reação Termidoriana.
- A partir do momento em que as alas mais conservadoras da revolução assumiram o poder, trataram de moldar os fatos à sua imagem. Houveram inúmeros retrocessos quantos aos Direitos do Homem e a escravidão foi restabelecida nas colônias francesas. Instituía-se um novo terror, o chamado Terror Branco, com perseguição aos jacobinos e seus simpatizantes. Em 1795, foi adotada a Constituição do Ano III.
- A nova Constituição restabelecia o voto censitário, determinava a legalidade e a ciência sobre a propriedade privada e estabelecia um Poder Executivo que ganhava o nome de Diretório. O Diretório tentava manter certa neutralidade, evitando aproximações e atritos com os que desejavam a restauração monárquica e os que apregoavam o continuísmo revolucionário mais radical.
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- VIII. O Início da Era Napoleônica
- Enquanto isso, obtendo vitórias expressivas contra exércitos coligados contra a França, um jovem general, de nome Napoleão Bonaparte, começou a construir uma nova página na história, mantendo o ideal burguês, mas se afastando dos ideais revolucionários traçados nos primeiros momentos da Revolução de 1789.
- No ano de 1799, Napoleão Bonaparte deu um golpe de estado que ficou conhecido como Golpe do 18 Brumário, pondo fim ao Diretório e á própria Revolução Francesa, mancando o início da chamada Era Napoleônica.

- Caption: O general Bonaparte no Conselho dos Quinhentos, por François Bouchot.
Information
- Description
- Estudo da Revolução Francesa, analisando seus antecedentes, seus ideários e as transformações expressivas que ela trouxe aos campos político e social.
- Created by
- Ludmilla Caren Cardoso Suarez
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