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Flashcards

Krause cap 30

Bruna c Nutrição Concursos Públicos Portuguese 115 cards

Krause cap 30

Cards in this deck (115)

  1. 1FigadoO fígado é de importância primordial; não se pode sobreviver sem ele. O pâncreas e o
    fígado são essenciais à digestão e ao metabolismo. Embora seja importante, a vesícula
    biliar pode ser removida, e o corpo irá se adaptar confortavelmente com a sua ausência. O
    conhecimento da estrutura e das funções do fígado é vital. Quando doentes, a terapia
    nutricional necessária é complexa.
  2. 2Fisiologia e funções do fígado EstruturaO fígado é a maior glândula do corpo, pesando aproximadamente 1.500 g. O fígado tem
    dois lobos principais: o direito e o esquerdo. O lobo direito é dividido nos segmentos
    anterior e posterior; a fissura segmentar direita, a qual não pode ser vista externamente,
    separa os segmentos. O ligamento falciforme visível externamente divide o lobo esquerdo
    em segmentos medial e lateral. O fígado é suprido com sangue de duas fontes: a artéria
    hepática, que supre cerca de um terço do sangue vindo da aorta, e a veia porta, que supre
    os outros dois terços, e esta coleta sangue drenado do trato digestório.
    Cerca de 1.500 mL de sangue por minuto circulam através do fígado e saem através das
    veias hepáticas direita e esquerda para a veia cava inferior. Assim como há um sistema de
    vasos sanguíneos por todo o fígado, também há uma série de ductos biliares. A bile, que é
    formada nas células hepáticas, sai do fígado através de uma série de ductos biliares, que
    aumentam em tamanho à medida que se aproximam do ducto biliar comum.
  3. 3estruturaÉ um líquido
    grosso e viscoso secretado pelo fígado, armazenado na glândula biliar e liberado no
    duodeno quando alimentos gordurosos entram no duodeno. A bile emulsifica a gordura no
    intestino e forma compostos com os ácidos graxos para facilitar a sua absorção.
  4. 4funçoes do figadoO fígado tem a capacidade de se regenerar. Apenas 10 a 20% do fígado funcional é
    necessário para manter a vida, ainda que a remoção do fígado resulte em morte,
    geralmente dentro de 24 horas. O fígado é integrante da maioria das funções metabólicas
    do corpo e realiza mais de 500 tarefas. As funções principais do fígado incluem o
    metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios; o armazenamento e a ativação das
    vitaminas e minerais; a formação e a excreção da bile; a conversão da amônia em ureia; o
    metabolismo de esteroides; e a ação como câmara de filtração e irrigação. O fígado desempenha papel principal no metabolismo de carboidratos. A galactose e a
    frutose, produtos da digestão dos carboidratos, são convertidas em glicose no hepatócito
    ou na célula hepática. O fígado armazena a glicose como glicogênio (glicogênese) e o
    envia de volta ao sangue quando as concentrações de glicose se tornam baixas
    (glicogenólise). O fígado também produz glicose “nova” (gliconeogênese) a partir de
    precursores como ácido láctico, aminoácidos glicogênicos e intermediários do ciclo do
    ácido tricarboxíli
  5. 5Importantes vias metabólicasImportantes vias metabólicas das proteínas ocorrem no fígado. A transaminação e a
    desaminação oxidativa são duas vias que convertem aminoácidos a substratos que são
    usados na produção de energia e glicose e sintetizam aminoácidos não essenciais. Os
    fatores de coagulação sanguínea, como o fibrinogênio, a protrombina e as proteínas
    séricas, incluindo albumina, α-globulina, β-globulina, transferrina, ceruloplasmina e
    lipoproteínas, são formados no fígado. Os ácidos graxos da dieta e do tecido adiposo são convertidos no fígado em acetilcoenzima
    A (CoA) pelo processo de β-oxidação para produzir energia. Também produz as
    cetonas. O fígado sintetiza e hidrolisa triglicerídios, fosfolipídios, colesterol e
    lipoproteínas.
  6. 6O fígado está envolvido ?O fígado está envolvido no armazenamento, na ativação e no transporte de várias
    vitaminas e minerais. Ele armazena todas as vitaminas lipossolúveis e também a vitamina
    B12 e os minerais zinco, ferro, cobre e magnésio. As proteínas sintetizadas no fígado
    transportam a vitamina A, o ferro, o zinco e o cobre na circulação sanguínea. O caroteno é
    convertido em vitamina A, o folato, em ácido 5-metiltetraidrofólico, e a vitamina D, em
    sua forma ativa (25-hidroxicolecalciferol) no fígado. Além das funções de metabolismo de nutrientes e de armazenamento, o fígado forma e
    excreta a bile. Os sais biliares são metabolizados e usados para a digestão e absorção de
    lipídios e vitaminas lipossolúveis. A bilirrubina é um metabólico e produto da destruição
    de eritrócitos; ela é conjugada e excretada na bile.
  7. 7o que os hepatócitos fazem ?desintoxicam a amônia, convertendo-a em ureia, sendo 75% desta
    excretada pelos rins. A ureia remanescente retorna para o trato gastrointestinal. O fígado
    também metaboliza esteroides. Ele inativa e excreta aldosterona, glicocorticoides,
    estrogênio, progesterona e testosterona. É responsável pela desintoxicação de substâncias,
    incluindo drogas e álcool. Finalmente, o fígado atua como uma câmara de filtração e
    irrigação pela remoção de bactérias e detritos do sangue através da ação fagocítica das
    células de Kupffer, localizadas nos sinusoides, e pelo armazenamento de sangue que
    retorna da veia cava, como na insuficiência cardíaca direita.
  8. 8Avaliação Laboratorial da Função HepáticaOs marcadores bioquímicos são usados para avaliar e para monitorizar pacientes que têm
    ou estão com suspeita de ter doença hepática. Os ensaios enzimáticos medem a liberação
    das enzimas hepáticas, e outros testes medem a função hepática. Os testes de triagem para
    doença hepatobiliar incluem concentrações séricas de bilirrubina, fosfatase alcalina,
    aspartato aminotransferase e alanina aminotransferase.
  9. 9Exames Laboratoriais Comuns Utilizados para Testar a Função HepáticaExcreção Hepática
    Bilirrubina sérica total Quando aumentada, pode indicar excesso, defeito na captação hepática ou conjugação da bilirrubina.
    Bilirrubina sérica indireta Bilirrubina não conjugada, com a produção excessiva de bilirrubina (hemólise), a imaturidade dos
    sistemas enzimáticos, defeitos hereditários, efeitos de drogas.
    Bilirrubina sérica direta A bilirrubina conjugada, aumento com diminuição na excreção de bilirrubina, doença hepatobiliar,
    icterícia pós-operatória benigna ou intra-hepática e sepse e hiperbilirrubinemia conjugada congênita.
    Bilirrubina da urina Mais sensível que o total de bilirrubina sérica; confirma se a doença hepática é a causa da icterícia.
    Urobilinogênio da urina Usado quando a icterícia obstrutiva é esperada, raramente usado.
    Ácidos biliares séricos Reflete a eficácia da reabsorção ileal e extração hepática de ácidos biliares da circulação portal, os níveis
    aumentam com a doença hepática, baixo uso clínico.
  10. 10exames hepaticos continuaçãoColestase
    Fosfatase alcalina sérica Enzima amplamente distribuída no osso, fígado, placenta, intestino, rim, leucócitos; principalmente ligada
    às membranas canaliculares no fígado; níveis aumentados sugerem colestase, mas podem também ser
    aumentados com distúrbios ósseos, gravidez, o crescimento normal e algumas malignidades.
    5′-Nucleotidase (5′-NT) Enzima presente em membranas canaliculares e plasmáticas dos hepatócitos; também no coração e
    pâncreas; aumenta com doença hepática.
    Leucino aminopeptidase
    (LAP)
    Peptidase celular, geralmente aumentada na colestase, sugere origem da elevação hepatobiliar da fosfatase
    alcalina; também pode aumentar com a gravidez.
    γ-Glutamil transpeptidase
    (GGT)
    Enzima associada com microssomos e membranas plasmáticas nos hepatócitos; também presente no rim,
    cérebro, coração, pâncreas; aumenta com a doença hepática, mas também após enfarte do miocárdio,
    em doenças neuromusculares, doenças pancreáticas, doença pulmonar, diabetes melito e durante a
    ingestão de álcool.
  11. 11continuaçãoEnzimas Hepáticas
    Alanina aminotransferase
    (ALT, antigo SGPT)
    Localizado no citosol do hepatócito, encontrado em vários outros tecidos do corpo, mas em maior
    quantidade no fígado, aumento com o dano à célula hepática.
    Aspartato aminotransferase
    (AST, antigo SGOT)
    Localizado no citosol e mitocôndrias do hepatócito; também no músculo cardíaco e esquelético, no
    cérebro, pâncreas, rim e leucócitos; aumenta com danos às células hepáticas.
    Desidrogenase láctica sérica Localizada no fígado, nas hemácias, no músculo cardíaco, nos rins; aumenta com a doença hepática, mas
    não possui sensibilidade e especificidade, porque é encontrada na maior parte dos outros tecidos do
    corpo.
    Proteínas Séricas
    Tempo de protrombina (PT) A maioria dos fatores de coagulação sanguínea é sintetizada no fígado; a deficiência de vitamina K e a
    diminuição da síntese de fatores de coagulação aumentam o tempo de protrombina e o risco de
    hemorragia.
  12. 12contiunaçãoTempo parcial
    de tromboplastina (PTT)
    Avalia o mecanismo de coagulação “intrínseco”; reflete a atividade de todos os fatores de coagulação,
    exceto o fator de plaquetas E, os fatores VII e XII; complementares à PT.
    Albumina sérica Principal exportação de proteína sintetizada no fígado e o fator mais importante na manutenção da pressão
    oncótica plasmática; a diminuição da síntese ocorre com a disfunção hepática, da tiroide e disfunção
    hormonal glicocorticoide, pressão anormal osmótica coloidal plasmática e toxinas; um aumento das
    perdas ocorre com a enteropatia de perda de proteínas, síndrome nefrótica, queimaduras, hemorragias
    gastrointestinais, dermatite esfoliativa.
    Globulina sérica α1 e α2-globulinas são sintetizadas no fígado; os níveis aumentam com a doença hepática crônica;
    utilização limitada em diagnóstico de doenças hepatobiliares.
    Anticorpo mitocondrial 90% dos pacientes com PBC têm anticorpos no soro contra um componente de lipoproteína da membrana
    mitocondrial interna; também presente em 25% dos pacientes com hepatite crônica ativa e cirrose pósnecrótica.
    Anticorpos antinu
  13. 13Doenças hepáticasAs doenças hepáticas podem ser agudas ou crônicas, hereditárias ou adquiridas. A doença
    hepática está classificada de várias formas: hepatite viral aguda, hepatite fulminante,
    hepatite crônica, esteato-hepatite não alcoólica (EHNA), hepatite alcoólica e cirrose,
    doenças hepáticas colestáticas, distúrbios hereditários e outras doenças hepáticas.
  14. 14Hepatite Viral AgudaA hepatite viral aguda é uma inflamação disseminada do fígado e é causada pelas
    hepatites A, B, C, D e E. As hepatites A e E são as formas
    infecciosas, principalmente transmitidas por via fecal-oral. As hepatites B, C e D são as
    formas séricas, transmitidas pelo sangue e fluidos do corpo. Os agentes
    menores, como vírus Epstein-Barr, citomegalovírus, herpes simples, febre amarela e
    rubéola, também podem causar hepatite aguda.
  15. 15Os sintomas gerais da hepatite viral agudasão divididos em quatro fases. A primeira
    fase, a fase prodrômica inicial, afeta cerca de 25% dos pacientes, causando febre, artralgia,
    artrite, rash cutâneo e angioedema. É seguida por uma fase pré-ictérica, na qual são
    presentes sintomas como: mal-estar, fadiga, mialgia, anorexia, náusea e vômito. Alguns
    pacientes queixam-se de dor epigástrica ou no quadrante superior direito. A terceira fase é
    a fase ictérica, na qual aparece a icterícia. Finalmente, durante a fase convalescente, a
    icterícia e outros sintomas começam a diminuir.
    A recuperação completa é esperada em 95% dos casos de hepatite A, 90% dos casos de
    hepatite B aguda, mas em somente 15 a 45% dos casos de hepatite C aguda. A hepatite
    crônica geralmente não se desenvolve com a hepatite E, e os sintomas e os testes de
    função hepática geralmente normalizam-se dentro de seis semanas.
  16. 16Hepatite FulminanteA hepatite fulminante é uma síndrome na qual a disfunção hepática grave é acompanhada
    por encefalopatia hepática, uma síndrome clínica caracterizada por atividade mental
    prejudicada, distúrbio neuromuscular e consciência alterada. A hepatopatia fulminante é
    definida pela ausência de hepatopatia preexistente e pelo desenvolvimento de
    encefalopatia hepática dentro de 2 a 8 semanas do início da enfermidade. As causas da
    hepatite fulminante incluem hepatite viral (em aproximadamente de 75% dos casos),
    toxicidade química (p. ex., acetaminofeno, reações a fármacos, cogumelos venenosos,
    venenos industriais) e outras causas (p. ex., doença de Wilson, fígado gorduroso da
    gravidez, síndrome de Reye, isquemia hepática, obstrução da veia hepática e malignidades
    disseminadas). As complicações extra-hepáticas da hepatite fulminante são edema
    cerebral, coagulopatia e sangramento, anormalidades cardiovasculares, insuficiência renal,
    complicações pulmonares, distúrbios ácido-base, desequilíbrios de eletrólitos, sepse e
    pancreatite.
  17. 17Hepatite CrônicaPara ser diagnosticada a hepatite crônica, o paciente deve ter pelo menos seis meses de
    hepatite em curso ou evidências bioquímicas e clínicas de doença hepática com achados
    de biópsia confirmatórios de inflamação hepática não resolvida (Hoofnagle, 2007). A
    hepatite crônica pode ter causa autoimune, viral, metabólica ou tóxica. As causas mais
    comuns de hepatite crônica são as hepatites B, C e autoimunes. Outras causas comuns são
    hepatopatias induzidas por drogas, doenças metabólicas e esteato-hepatite não alcoólica
    (NASH). A cirrose criptogênica é a cirrose de causa desconhecida.
  18. 18Os sintomas clínicos da hepatite crônicasão geralmente não específicos, ocorrem
    intermitentemente e são leves. Os sintomas comuns englobam fadiga, distúrbio do sono,
    dificuldade de concentração e dor moderada no quadrante superior direito. A doença
    avançada grave pode levar a icterícia, perda muscular, urina com coloração de chá, ascite,
    edema, encefalopatia hepática, sangramento gastrointestinal, esplenomegalia, eritema
    palmar e angioma em aranha.
  19. 19Doença do Fígado Gorduroso não AlcoólicaA doença do fígado gorduroso não alcoólica (NAFLD) é um espectro de doença
    hepática que varia de esteatose para esteato- hepatite. Envolve a acumulação de gotículas
    de gordura nos hepatócitos e pode levar a fibrose, a cirrose e até mesmo a carcinoma
    hepatocelular. A esteatose é a acumulação de gordura dentro do fígado. As causas da
    NAFLD englobam drogas, anomalias congênitas do metabolismo e distúrbios metabólicos
    adquiridos (diabetes melito tipo 2, lipodistrofia, bypass ileojejunal, obesidade e má
    nutrição) (Diehl, 2007). É comumente associada a obesidade, diabetes melito, dislipidemia
    e resistência à insulina.
    A esteato-hepatite não alcoólica (NASH) está associada ao acúmulo de tecido fibroso
    no fígado. Uma hipótese de duas possibilidades foi proposta para explicar por que alguns
    pacientes que desenvolvem a NAFLD não progridem para a NASH, ao contrário de
    outros. A resistência à insulina pode levar a esteatose, mas algum tipo de estresse
    oxidativo é considerado como uma causa para que a doença progrida para NASH.
  20. 20Sintomas Doença do Fígado Gorduroso não AlcoólicaOs pacientes com NASH podem ser assintomáticos, mas podem apresentar mal-estar,
    fraqueza ou hepatomegalia. O tratamento frequentemente é uma perda de peso gradual, o
    uso de substâncias sintetizadoras de insulina, como as tiazolidinedionas ou possivelmente
    a metformina e o tratamento da dislipidemia. Uma perda de peso rápida e extrema pode
    acelerar a NASH, levando à cirrose e aumentando a chance de cálculos biliares.
    A doença hepática crônica e a cirrose podem se desenvolver em pacientes com NASH.
    A progressão para cirrose é variável, dependendo da idade e da presença de obesidade e
    diabetes tipo 2, os quais contribuem para a piora no prognóstico (Diehl, 2007). Alguns
    estudos sugerem que a vitamina E, a betaína e a S-adenosilmetionina podem ser benéficas
    na redução da NASH, reduzindo a atividade do fator de necrose tumoral-α.
  21. 21Doença Hepática AlcoólicaA doença hepática alcoólica é a doença hepática mais comum nos Estados Unidos, com
    taxas de mortalidade por idade de 4,2 por 100 mil pessoas. O acetaldeído, um produto tóxico do metabolismo do
    álcool, causa dano à estrutura e à função da membrana mitocondrial. O acetaldeído é
    produzido por várias vias metabólicas, uma das quais envolve a álcool desidrogenase. Diversas variáveis predispõem algumas pessoas à doença hepática alcoólica. Elas
    englobam polimorfismos genéticos das enzimas que metabolizam o álcool, gênero (as
    mulheres mais que os homens), exposição simultânea a outras substâncias, infecções por
    vírus hepatotrópicos, fatores imunológicos e estado nutricional precário. A patogênese da
    doença hepática alcoólica progride em três etapas: esteatose hepática, hepatite alcoólica e, finalmente, cirrose.
  22. 22Esteatose HepáticaA infiltração gordurosa, conhecida como esteatose hepática ou fígado gorduroso, é
    causada pela culminação desses distúrbios metabólicos: (1) aumento na mobilização de
    ácidos graxos do tecido adiposo; (2) aumento na síntese hepática de ácidos graxos; (3)
    redução na oxidação de ácido graxo; (4) aumento na produção de triglicerídios; e (5)
    aprisionamento de triglicerídios no fígado. A esteatose hepática é reversível com
    abstinência do álcool. Ao contrário, se o abuso de álcool continuar, a cirrose pode se
    desenvolver.
  23. 23Hepatite AlcoólicaA hepatite alcoólica é geralmente caracterizada por hepatomegalia, elevação modesta das
    concentrações de transaminase, concentrações aumentadas de bilirrubina sérica,
    concentrações de albumina sérica normais ou diminuídas e anemia. Os pacientes também
    podem ter dor abdominal, anorexia, náusea, vômito, fraqueza, diarreia, perda de massa
    corporal ou febre. Se os pacientes interromperem o consumo de álcool, isso pode causar a
    hepatite; entretanto, a condição frequentemente progride para o terceiro estágio. O suporte
    nutricional é o principal tratamento em adição ao aconselhamento ou apoio para continuar
    a suspensão do álcool. A genética molecular pode levar a novas terapias no futuro.
  24. 24Cirrose AlcoólicaAs características clínicas do terceiro estágio de cirrose alcoólica variam. Os sintomas
    podem agravar aqueles da hepatite alcoólica ou os pacientes podem desenvolver
    sangramento gastrointestinal, encefalopatia hepática ou hipertensão portal (pressão
    sanguínea elevada no sistema venoso portal causada pela obstrução do fluxo sanguíneo
    através do fígado). Eles também podem desenvolver ascite, edemas, proteínas séricas e
    eletrólitos dentro da cavidade peritonial causada pela pressão aumentada da hipertensão
    portal e produção diminuída de albumina (a qual mantém a pressão osmótica coloidal do
    plasma). A biópsia do fígado normalmente revela cirrose micronodular, mas ela pode ser
    macronodular ou mista. O prognóstico depende da abstinência do álcool e do grau de
    complicações já desenvolvidas. A ingestão de etanol cria anormalidades nutricionais
    específicas e graves.
  25. 25Hepatopatias Colestáticas - Cirrose Biliar PrimáriaA cirrose biliar primária (CBP) é uma doença colestática crônica causada por
    destruição progressiva de ductos biliares intra-hepáticos de tamanhos pequenos e
    intermediários. A árvore biliar extra-hepática e os ductos intra-hepáticos maiores são
    normais. Noventa e cinco por cento dos pacientes com CBP são mulheres. Essa doença
    progride lentamente, resultando, por fim, em cirrose, hipertensão portal, transplante de
    fígado ou morte (Afdhal, 2007).
    A CBP é uma doença imunomediada na qual autoanticorpos séricos, concentrações de
    imunoglobulina elevadas, complexos imunológicos circulantes e uma diminuída resposta
    imune mediada por células estão presentes. A CBP tipicamente se apresenta com a
    elevação moderada de enzimas hepáticas e com os sintomas físicos de prurido e fadiga. O
    tratamento com ácido ursodeoxicólico pode retardar a progressão da doença
    (Afdhal, 2007). As graves complicações nutricionais da colestase podem ocorrer com a
    CBP, incluindo osteopenia, hipercolesterolemia e deficiências de vitaminas lipossolúveis.
  26. 26Hepatopatias Colestáticas - Colangite EsclerosanteA colangite esclerosante se caracteriza pela inflamação fibrosante dos segmentos de
    ductos biliares extra-hepáticos, com ou sem envolvimento de ductos extra-hepáticos. A
    progressão da doença leva a complicações de hipertensão portal, insuficiência hepática
    (função hepática diminuída a 25% ou menos) e colangiocarcinoma. A colangite
    esclerosante primária (CEP) é o tipo mais comum de colangite esclerosante. Como a CBP,
    ela pode ser um distúrbio imunológico devido à sua forte associação ao haplótipos de
    antígenos de leucócitos humanos, autoanticorpos e várias anormalidades imunológicas.
    Entre os pacientes com CEP, 70 a 90% também apresentam doença inflamatória intestinal
    (especialmente colite ulcerativa), e os homens são mais passíveis do que as mulheres. Os pacientes com CEP também estão sob risco
    aumentado de deficiências de vitaminas lipossolúveis resultantes de diarreia associada a essa doença. A osteodistrofia hepática pode ocorrer a partir da má absorção de vitamina
    D e de cálcio, resultando em hiperparatireoidismo secundário, osteomalacia ou raquitismo.
  27. 27Colangite Esclerosante continuaçãoNenhum tratamento retarda a progressão da doença ou melhora a sobrevivência. O ácido
    ursodeoxicólico pode melhorar valores laboratoriais (bilirrubina sérica, fosfatase alcalina e
    albumina), mas não tem qualquer efeito na sobrevivência
  28. 28Distúrbios HereditáriosOs distúrbios hereditários do fígado englobam hemocromatose, doença de Wilson, α1-
    antitripsina, protoporfiria, fibrose cística, doença do armazenamento de glicogênio,
    amiloidose e sarcoidose. Os primeiros três distúrbios mais frequentemente resultam em
    insuficiência hepática.
  29. 29HemocromatoseA hemocromatose é uma doença hereditária de sobrecarga de ferro associada com o gene
    HFE. Os pacientes com hemocromatose hereditária absorvem ferro excessivamente
    através do intestino e podem armazenar de 20 a 40 g de ferro comparados com 0,3-0,8 g
    em pessoas normais (consulte o Cap. 33). A saturação elevada de transferrina (≥45%) e de
    ferritina (mais do que duas vezes o normal) é sugestiva de hemocromatose.
    Hepatomegalia, sangramentos esofágicos, ascite, função de síntese hepática prejudicada,
    pigmentação da pele anormal, intolerância à glicose, complicação cardíaca,
    hipogonadismo, artropatia e carcinoma hepatocelular podem se desenvolver. O
    diagnóstico precoce engloba testes clínicos, laboratoriais e patológicos, incluindo níveis
    elevados de transferrina sérica. A expectativa de vida é normal se a flebotomia é iniciada
    antes do desenvolvimento da cirrose ou do diabetes melito.
  30. 30Doença de WilsonA doença de Wilson é um distúrbio autossômico recessivo associado à excreção biliar de
    cobre prejudicada. O cobre se acumula em vários tecidos, incluindo o fígado, o cérebro, a
    córnea e os rins. Anéis de Kayser-Fleischer são anéis de pigmentação amareloesverdeado
    que circundam a córnea exatamente dentro da margem corneoescleral;
    formado por depósito de cobre. Os pacientes podem se apresentar com hepatite ativa
    aguda, fulminante ou crônica e com sintomas neuropsiquiátricos. Baixos níveis séricos de
    ceruloplasmina, concentração de cobre elevada em uma biópsia do fígado e alta excreção
    urinária de cobre confirmam o diagnóstico. Os agentes quelantes de cobre e a suplementação com zinco (para inibir a absorção
    intestinal de cobre e a ligação no fígado) são usados para tratar a doença de Wilson, uma
    vez diagnosticada. O quelante de cobre melhora a sobrevivência, mas não previne a
    cirrose; o transplante corrige os defeitos metabólicos. Uma dieta de baixo
    teor de cobre é implementada se outras terapias não obtiverem sucesso .
  31. 31Doença de Wilson continuaçãoSe a doença não for diagnosticada antes do início de uma insuficiência
    fulminante, a sobrevivência não é possível sem o transplante.
  32. 32Deficiência de α1-AntitripsinaA deficiência de α1-antitripsina é outro distúrbio hereditário e pode causar tanto doença
    hepática como do pulmão. A α1- antitripsina é uma glicoproteína encontrada no soro e nos
    fluidos corporais; ela inibe as enzimas proteolíticas. A colestase ou a cirrose é causada por
    essa deficiência e, com exceção do transplante de fígado, não existe qualquer outro
    tratamento.
  33. 33Outras HepatopatiasHá várias outras causas de hepatopatia. Os tumores de fígado podem ser primários ou
    metastáticos, benignos ou malignos. O carcinoma hepatocelular geralmente desenvolve
    fígados cirróticos. O maior risco ocorre naqueles com hepatite B, hepatite C e
    hemocromatose hereditária. O fígado também pode ser afetado por doenças sistêmicas,
    como artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, polimialgia, arterite temporal,
    poliarterite nodosa, esclerose sistêmica e síndrome de Sjögren. Quando o fluxo sanguíneo
    hepático está alterado, como em hepatopatias isquêmica aguda e congestiva crônica, na
    síndrome de Budd-Chiari e na doença venoclusiva hepática, ocorre a disfunção. Os
    indivíduos com trombose na veia hepática ou portal devem ser avaliados para distúrbio
    mieloproliferativo. As hepatopatias parasíticas, bacterianas, fúngicas e granulomatosas
    também ocorrem. Finalmente, a cirrose criptogênica é qualquer cirrose cuja causa seja
    desconhecida.
  34. 34Tratamento da cirrose e suas complicaçõesA cirrose tem diversas manifestações clínicas, como ilustrado na Figura 30-4. Várias das
    principais complicações da cirrose e da doença hepática em estágio terminal (ESLD),
    incluindo má nutrição, ascite, hiponatremia, encefalopatia hepática, alterações da glicose,
    má absorção de gordura, síndrome hepatorrenal e osteopenia, têm implicações
    nutricionais. Quando a terapia nutricional adequada é fornecida ao paciente com doença
    hepática, a má nutrição pode ser revertida e o prognóstico clínico melhorado. Os estudos,
    até o momento, têm sido capazes de mostrar resultados positivos com nutrição oral e
    enteral (NE) em pacientes malnutridos com cirrose, inclusive melhora no estado
    nutricional e nas complicações clínicas da cirrose, como ascite, encefalopatia e infecção.
  35. 35Avaliação NutricionalUma avaliação nutricional específica deve ser feita para determinar a extensão e a causa
    da má nutrição. Vários marcadores tradicionais do estado nutricional são afetados pela
    doença hepática e suas consequências, dificultando a avaliação tradicional. A Tabela 30-4
    resume os fatores que afetam a interpretação dos parâmetros de avaliação nutricional em
    pacientes com disfunção hepática.
  36. 36Avaliação Nutricional continuaçãoOs parâmetros objetivos que podem ajudar quando monitorados em série incluem
    medidas antropométricas e avaliação da ingestão dietética (consulte o Cap. 9). A melhor
    maneira de realizar uma avaliação nutricional pode ser combinar esses parâmetros com
    uma avaliação global subjetiva (ASG), e foi demonstrado grau aceitável de segurança e
    validade. Esse método usa alguns parâmetros prontamente disponíveis obtidos por um
    clínico experiente. A ASG fornece ampla perspectiva, mas não é sensível às alterações no
    estado nutricional. Outros parâmetros disponíveis também devem ser revistos.
  37. 37Fatores que Afetam a Interpretação da Avaliação Nutricional em Pacientes em Estágio Terminal da Doença HepáticaParâmetro Fatores que Afetam a Interpretação
    Peso corporal Afetado por edemas, ascites e uso de diuréticos.
    Medidas
    antropométricas
    Sensibilidade, especificidade e confiabilidade questionáveis.
    Fontes múltiplas de erros.
    Desconhecido se as medidas de dobras cutâneas refletem a gordura corporal total.
    Referências não representam variação no estado de hidratação e compressibilidade da pele.
    Índice de alturacreatinina
    Afetados pela má nutrição, envelhecimento, diminuição da massa corporal e ingestão de proteínas.
    Afetado pela função renal.
    A creatinina é um produto final metabólico da creatina sintetizada no fígado; portanto, a doença hepática
    grave altera as taxas de síntese de creatinina.
    Estado do equilíbrio de
    nitrogênio
    O nitrogênio é retido no corpo sob a forma de amoníaco.
    A síndrome hepatorrenal pode afetar a excreção de nitrogênio.
    Excreção de 3-Metil
    histidina
    Afetada pela ingestão, trauma, infecção e função renal.
    Níveis de proteínas
    viscerais
    A síntese das proteínas viscerais diminui.
    Teste da função imune Afetado pelo estado de hidratação, absorção e insuficiência renal.
  38. 38Fatores que Afetam a Interpretação da Avaliação Nutricional em Pacientes em Estágio Terminal da Doença Hepática continuaçãoAfetado pela insuficiência hepática, desequilíbrio eletrolítico, infecção e insuficiência renal.
    Impedância bioelétrica Inválida com ascite e edema.
  39. 39Parâmetros de Avaliação Subjetivos Globais para a Avaliação Nutricional de Pacientes com Doença HepáticaHistórico
    Mudança de peso (considerar as flutuações resultantes da ascite e edema)
    Apetite
    Alterações do paladar e saciedade precoce
    Consumo alimentar (calorias, proteínas, sódio)
    Problemas gastrointestinais persistentes (náuseas, vômitos, diarreia, obstipação,
    dificuldade em mastigar ou engolir)
    Achados Físicos
    Desgaste muscular
    Depósitos de gordura
    Ascites ou edema
    Condições Existentes
    Estado doentio e outros problemas que poderiam influenciar o estado nutricional, como
    encefalopatia hepática, hemorragia digestiva, insuficiência renal, infecção
    Avaliação Nutricional com Base em Resultados
    Bem-nutrido
    Moderadamente (ou com suspeita de) malnutrido
    Gravemente malnutrido.
  40. 40Má NutriçãoA má nutrição moderada-grave é um achado comum em pacientes com doença hepática
    avançada (Fig. 30-5). Isso é extremamente significativo, considerando que a má nutrição
    desempenha um importante papel na patogênese da lesão hepática e tem efeito negativo
    profundo sobre o prognóstico. A prevalência da má nutrição depende dos parâmetros de
    avaliação nutricional utilizados, tipo de doença hepática, grau da doença hepática e do
    estado socioeconômico. Vários fatores coexistentes estão envolvidos no desenvolvimento da má nutrição na
    doença hepática (consulte Algoritmos de Fisiopatologia e Gerenciamento do Tratamento:
    Má nutrição na Doença Hepática). Ingestão oral inadequada, contribuinte principal, é
    causada por anorexia, disgeusia, saciedade precoce, náusea ou vômitos associados à
    doença hepática e a medicamentos usados para tratá-la. Outra causa da ingestão
    inadequada é a restrição dietética. A má digestão e a má absorção também desempenham papéis importantes.
  41. 41má nutrição continuaçãoA má digestão e a má absorção também desempenham papéis importantes. A
    esteatorreia, a presença de gordura nas fezes, é comum na cirrose, especialmente se
    houver doença envolvendo a lesão e a obstrução do ducto biliar. Medicamentos também
    podem causar perdas por má absorção específica. Além disso, o metabolismo alterado
    secundário à disfunção hepática causa má nutrição de várias maneiras. A função de
    micronutrientes é afetada por depósitos alterados no fígado, transporte diminuído pelas
    proteínas sintetizadas pelo fígado e perdas renais associadas à doença hepática alcoólica e
    avançada. O metabolismo anormal de macronutrientes e o maior gasto energético podem
    também contribuir para a má nutrição. Finalmente, a perda de proteína pode ocorrer por
    meio da paracentese de grande volume quando o líquido do abdome (ascite) é removido
    através de agulha.
  42. 42Problemas de Ingestão NutricionalComo a anorexia, a náusea, a disgeusia e outros sintomas gastrointestinais são comuns, a
    ingestão nutricional adequada é difícil de ser atingida. A saciedade precoce é também uma
    queixa comum na ascite. As refeições menores e mais frequentes são mais bem toleradas
    do que as tradicionais três refeições. Além disso, a alimentação frequente também melhora
    o balanço de nitrogênio e previne a hipoglicemia. Os suplementos líquidos orais devem
    ser estimulados e, quando necessário, a alimentação enteral deve ser usada. A terapia
    nutricional adjuvante deve ser dada aos pacientes malnutridos com doença hepática se a
    sua ingestão for menor do que a referência de ingestão diária (DRI) de 0,8 g de proteínas e
    30 calorias/kg de peso corporal diariamente e se eles estiverem em risco de complicações
    fatais provenientes da doença. As varizes esofágicas normalmente não são contraindicação
    para nutrição enteral.
  43. 43Necessidades de Nutrientes - EnergiaAs necessidades de energia variam entre os pacientes com cirrose. Vários estudos
    mediram o gasto de energia em repouso (GER) em pacientes com doença hepática para
    determinar as necessidades de energia. Alguns estudos encontraram que os pacientes com
    ESLD tiveram metabolismo normal e que os outros apresentaram hipometabolismo ou
    hipermetabolismo. A ascite ou a colocação do shunt pode aumentar o gasto energético
    ligeiramente.
    Em geral, as necessidades de energia para pacientes com ESLD e sem ascite são
    aproximadamente de 120 a 140% do GER. As necessidades aumentam para 150 a 175%
    do GER se ascite, infecção e a má absorção estiverem presentes ou se a plenitude
    nutricional for necessária. Isso equivale a aproximadamente 25 a 35 calorias por quilo de
    massa corporal. O peso corporal seco estimado deve ser utilizado em cálculos para
    prevenir a alimentação excessiva. Suplementos nutricionais orais ou nutrição enteral
    podem aumentar ou garantir a ingestão adequada em pacientes malnutridos, reduzindo,
    assim, as complicações e prolongando a sobrevivência.
  44. 44Necessidade de nutrientes : carboidratosA determinação da necessidade de carboidratos na insuficiência hepática é um desafio, em
    vista do papel primário do fígado no metabolismo de carboidrato. A insuficiência hepática
    reduz a produção de glicose e a utilização periférica de glicose. A taxa de gliconeogênese
    é diminuída, com preferência por lipídios e aminoácidos para obtenção de energia. As
    alterações nos hormônios insulina, glucagon, cortisol e epinefrina são responsáveis, em
    parte, pela preferência por fontes alternativas de energia. Além disso, a resistência à
    insulina pode estar presente na disfunção hepática.
  45. 45Necessidade de nutrientes - LipídiosNa cirrose, os ácidos graxos livres plasmáticos, o glicerol e os corpos cetônicos estão
    aumentados no jejum. O corpo prefere os lipídios como um substrato energético. A
    lipólise está aumentada, com mobilização ativa de depósitos de lipídios, porém, a
    capacidade de armazenar lipídios exógenos não está prejudicada. Uma variação de 25 a
    40% das calorias provenientes dos lipídios é geralmente recomendada.
  46. 46Necessidade de nutrientes - ProteinasA proteína é, de longe, o nutriente mais controverso na insuficiência hepática, e seu
    tratamento é também o mais complexo. Acredita-se há muito tempo que a cirrose seja uma
    doença catabólica, com quebra proteica aumentada e ressíntese inadequada, resultando no
    estado de depleção e perda muscular. Entretanto, os estudos cinéticos de proteína foram
    capazes de demonstrar perda de nitrogênio aumentada somente em pacientes com
    insuficiência hepática fulminante ou doença descompensada, mas não em pacientes com
    cirrose estável.
    Os pacientes com cirrose também têm maior utilização proteica. Os estudos sugerem
    que 0,8 g de proteína/kg/dia é a exigência média de proteína para alcançar o balanço de
    nitrogênio na cirrose estável. Portanto, para atingir o balanço de nitrogênio em hepatite
    não complicada ou cirrose sem encefalopatia, as necessidades de proteína variam de 0,8 a
    1 g/kg de peso seco/dia.
    Para promover o acúmulo de nitrogênio ou o balanço positivo, pelo menos 1,2 a
    1,3 g/kg diariamente é necessário. Em situações de estresse, como na hepatite alcoólica ou
    doença descompensada (sepse..
  47. 47Proteínas continuaçãoinfecção, sangramento gastrointestinal ou ascite grave),
    pelo menos 1,5 g de proteína/kg/dia deve ser fornecido.
  48. 48Vitaminas e MineraisA suplementação com vitaminas e minerais é necessária em todos os pacientes com ESLD
    devido ao papel intrínseco do fígado no transporte, no armazenamento e no metabolismo
    de nutrientes, além dos efeitos colaterais dos medicamentos (Tabela 30-5). As deficiências
    de vitaminas podem contribuir para as complicações. Por exemplo, a deficiência de folato
    e de vitamina B12 pode levar à anemia macrocítica. A deficiência de piridoxina, tiamina ou
    vitamina B12 pode resultar em neuropatia. Confusão, ataxia e perturbações oculares podem
    resultar de uma deficiência de tiamina.
  49. 49Déficits de Vitaminas e Minerais na Insuficiência Hepática GraveVitamina ou Mineral Fatores Predisponentes Sinais da Deficiência
    Vitamina A Esteatorreia, neomicina,
    colestiramina,
    alcoolismo
    Cegueira noturna, aumento do risco de infecção
    Vitamina B1 (tiamina) Alcoolismo, dieta rica em
    CHO
    Neuropatia, ascite, edema, disfunção do sistema nervoso central
    Vitamina B3 (niacina) Alcoolismo Dermatite, demência, diarreia, inflamação das membranas mucosas
    Vitamina B6
    (piridoxina)
    Alcoolismo Lesões da membrana mucosa, dermatite seborreica, glossite, blefarite angular,
    estomatite, neuropatia periférica, anemia microcítica, depressão
    Vitamina B12
    (Cianocobalamina)
    Alcoolismo, colestiramina Anemia megaloblástica, glossite, disfunção do sistema nervoso central
    Folato Alcoolismo Anemia megaloblástica, glossite, irritabilidade
    Vitamina D Esteatorreia,
    glicocorticoides,
    colestiramina
    Osteomalácia, raquitismo (em crianças), possível ligação com câncer ou doenças
    autoimunes
    Vitamina E Esteatorreia, colestiramina A neuropatia periférica, ataxia, miopatia esquelética, retinopatia, insuficiência do
    sistema imunológico
  50. 50deficit de vitaminas e minerais continuaçãoVitamina K Esteatorreia, antibióticos,
    colestiramina
    Sangramento excessivo; hematomas
    Ferro Sangramento crônico Estomatite, anemia microcítica, mal-estar
    Magnésio Alcoolismo, diuréticos Irritabilidade neuromuscular, hipocalemia, hipocalcemia
    Fósforo Anabolismo exarcebado,
    alcoolismo
    Anorexia, fraqueza, insuficiência cardíaca, intolerância à glicose
    Zinco Diarreia, diuréticos,
    alcoolismo
    Imunodeficiência, acuidade do paladar prejudicada, cicatrização de feridas,
    síntese de proteínas
  51. 51vitaminas lipossoluveisAs deficiências de vitaminas lipossolúveis foram encontradas em todos os tipos de
    insuficiência hepática, especialmente em doenças colestáticas em que ocorrem má
    absorção e esteatorreia. A adaptação ao escuro prejudicada pode ocorrer pela deficiência
    de vitamina A. A osteodistrofia ou osteopenia hepática pode se desenvolver a partir da
    deficiência de vitamina D. Portanto, a suplementação é necessária, e pode requerer a
    utilização de formas hidrossolúveis. A vitamina K intravenosa ou intramuscular é
    frequentemente administrada por três dias para eliminar a possibilidade de deficiência de
    vitamina K como causa de tempo de protrombina prolongado. As deficiências de
    vitaminas hidrossolúveis associadas à doença hepática alcoólica incluem tiamina (a qual
    pode levar à encefalopatia de Wernicke), piridoxina (B6), cianocobalamina (B12), folato e
    niacina (B3). Doses altas (100 mg) de tiamina são administradas diariamente por tempo
    limitado se há suspeita de deficiência.
  52. 52mineraisO estado nutricional de minerais também está alterado na doença hepática. As reservas
    de ferro podem estar depletadas em pacientes com sangramento gastrointestinal;
    entretanto, a suplementação com ferro deve ser evitada por pessoas com hemocromatose
    ou hemossiderose (consulte o Cap. 33). Concentrações séricas elevadas de cobre são
    encontradas em doenças hepáticas colestáticas (como CBP e CEP). Como o cobre e o
    manganês são excretados primeiramente pela bile, os suplementos não devem conter esses
    minerais. A deposição de manganês no cérebro foi observada em pacientes com cirrose,
    levando a função motora prejudicada. Na doença de Wilson, o excesso de cobre em vários órgãos causa danos severos. Os
    agentes quelantes orais, como o acetato de zinco ou a d-penicilamina, são o tratamento
    primário. A restrição de cobre dietético não é rotineiramente
    prescrita, a menos que outras terapias não sejam bem-sucedidas. Uma dieta vegetariana
    pode ser útil como terapia adjuvante, já que o cobre está menos disponível.
  53. 53minerais continuaçãoAs concentrações de zinco e magnésio estão diminuídas na doença hepática relacionada
    ao alcoolismo, em parte devido à terapia diurética. O cálcio, assim como o magnésio e o
    zinco, pode ser mal absorvido devido à esteatorreia. Portanto, o paciente deve tomar
    suplementos desses minerais pelo menos para atingir as DRI.
  54. 54Suplementos HerbaisHá vários relatos de casos de diferentes suplementos à base de plantas que resultaram em
    insuficiência hepática. Terpenoide contendo suplementos dietéticos têm sido considerados
    causadores da hepatotoxicidade grave, e por vezes fatal, incluindo o Teucrium polium, o
    Sho-Saiko-to, Centella asiatica e o black cohosh . A lesão
    hepática também foi causada pela N-nitrosofenfluramina, alcaloides efredinícos, Psoralea
    corylifolia, Kava e alcaloides pirrolizidínicos .
    Dois suplementos herbais tornaram-se populares no tratamento da doença hepática. O
    cardo mariano é popular entre aqueles que sofrem de hepatite viral ou doença hepática
    alcoólica. O componente ativo no cardo mariano é a silimarina. Ela é proposta por reduzir
    a produção de radicais livres e a peroxidação lipídica associada à hepatotoxicicidade. A Sadenosil-
    L-metionina (SAMe) é outro produto medicinal complementar popular proposto
    por agir como um doador de metil para reações de metilação e que participa da síntese de
    glutationa (um antioxidante).
  55. 55suplementos herbais continuaçãoNão mostrou que comprove ou descarte o efeito benéfico do cardo de leite e do SAMe em pacientes
    com doença hepática alcoólica.
  56. 56Hipertensão Portal - Fisiopatologia e Tratamento ClínicoA hipertensão portal aumenta o fluxo de sangue colateral e pode resultar em veias
    inchadas (varizes) no GIT. Essas varizes frequentemente sangram, causando uma
    emergência clínica. O tratamento inclui administração de bloqueadores α-adrenérgicos
    para diminuir a frequência cardíaca, ligadura endoscópica ou ligadura de varizes e
    colocação radiológica ou cirúrgica de shunts. Durante um episódio de sangramento agudo,
    análogos de somatostatina podem ser administrados para diminuir o sangramento ou uma
    sonda nasogástrica equipada com balão inflável é colocada para tamponar os vasos que
    estão sangrando.
  57. 57Terapia Clínica NutricionalDurante os episódios de sangramento agudo, não pode ser administrada nutrição enteral. A
    nutrição parenteral (NP) é indicada se o paciente não for tomar nada via oral por pelo
    menos cinco dias. As terapias endoscópicas repetidas podem causar estrituras esofágicas
    ou prejudicar a deglutição do paciente. Finalmente, os shunts colocados cirúrgica ou
    radiologicamente podem aumentar a incidência de encefalopatia e reduzir o metabolismo
    de nutrientes, pois o sangue é desviado para perto das células hepáticas.
  58. 58Ascite Fisiopatologia e Tratamento ClínicoA retenção de fluido é comum, e a ascite (acúmulo de líquido na cavidade abdominal) é
    uma séria consequência da doença hepática. Hipertensão portal, hipoalbuminemia,
    obstrução linfática e retenção renal de sódio e líquido contribuem para a retenção de
    líquido. A liberação aumentada de catecolaminas, renina, angiotensina, aldosterona e
    hormônio antidiurético secundária à vasodilatação arterial periférica causa retenção renal
    de sódio e água.
    A paracentese de grande volume pode ser usada para aliviar a ascite. A terapia diurética
    é frequentemente usada e inclui espironolactona e furosemida. Para melhor efeito, esses
    medicamentos são usados frequentemente em combinação. Os principais efeitos colaterais
    dos diuréticos de alça, como a furosemida, incluem hiponatremia, hipocalemia,
    hipomagnesemia, hipocalcemia e acidose hipoclorêmica. Ao contrário, a espironolactona é
    poupadora de potássio. Portanto, as concentrações séricas de potássio devem ser
    monitoradas cuidadosamente e suplementadas ou restringidas, se necessário, pois a
    deficiência ou o excesso pode contribuir para anormalidades ..
  59. 59Ascite Fisiopatologia e Tratamento Clínico continuaçãometabólicas. A massa
    corporal, a circunferência abdominal, a concentração urinária de sódio e as concentrações
    séricas de ureia nitrogenada, creatinina, albumina, ácido úrico e eletrólitos devem ser
    monitorados durante a terapia com diuréticos.
  60. 60Terapia Clínica NutricionalO tratamento dietético para ascite inclui a restrição de sódio em adição à terapia com
    diuréticos. O sódio é geralmente restrito a 2 g/dia (consulte o Cap. 34 e o Apêndice 37 de
    dietas com baixo teor de sódio). Podem ser impostas limitações mais graves; entretanto, o
    cuidado é justificado devido à palatabilidade limitada e ao risco de restrição excessiva do
    sódio. A ingestão adequada de proteína também é importante quando um paciente é
    submetido à paracentese frequentemente.
  61. 61Hiponatremia FisiopatologiaA hiponatremia frequentemente ocorre devido à capacidade reduzida de excretar água
    resultante de liberação persistente de hormônio antidiurético, perda de sódio via
    paracentese, uso excessivo de diurético ou restrição de sódio muito intensa.
  62. 62Terapia Clínica NutricionalA ingestão de líquidos é geralmente restrita a 1 a 1,5 L/dia, dependendo da gravidade do
    edema e da ascite. Ingestão moderada de sódio deve ser prosseguida, pois a ingestão
    excessiva de sódio irá agravar a retenção de líquido e a diluição das concentrações de
    sódio sérico.
  63. 63Encefalopatia Hepática Fisiopatologia e Tratamento ClínicoA encefalopatia hepática é uma síndrome caracterizada por atividade mental
    prejudicada, distúrbios neuromusculares e consciência alterada. Sangramento
    gastrointestinal, anormalidades de líquidos e eletrólitos, uremia, infecção, uso de
    sedativos, hiperglicemia ou hipoglicemia, suspensão do álcool, constipação, azotemia,
    desidratação, desvios portossistêmicos e acidose podem precipitar a encefalopatia
    hepática. A encefalopatia hepática subclínica ou mínima também afeta pacientes com
    insuficiência hepática crônica. A encefalopatia sistêmica portal ou hepática resulta em
    alterações neuromusculares e comportamentais. O Quadro 30-2 descreve os quatro
    estágios da encefalopatia hepática.
  64. 64Quatro Estágios da Encefalopatia HepáticaEstágio Sintomas
    I Confusão leve, irritabilidade, agitação, distúrbios do sono, diminuição da atenção
    II Letargia, desorientação, comportamento inadequado, sonolência
    III Sonolento, mas despertável, discurso incompreensível, confuso, comportamento agressivo quando acordado
    IV Coma
    Existem três principais teorias relativas sobre o mecanismo pelo qual ocorre a
    encefalopatia hepática. O acúmulo de amônia é considerado importante fator causal no
    desenvolvimento da encefalopatia. Quando o fígado falha, ele é incapaz de desintoxicar a
    amônia em ureia, e a amônia é uma toxina cerebral direta. Os níveis de amônia elevam-se
    no cérebro e na corrente sanguínea, causando a função neural prejudicada por meio de
    citotoxicidade, inchaço celular e depleção de glutamato. A principal fonte de
    amônia é a sua produção endógena pelo trato gastrointestinal proveniente do metabolismo
    de proteína e da degradação das bactérias e do sangue vindos do sangramento
    gastrointestinal. A proteína exógena também é uma fonte de amônia.
  65. 65continuaçãoAlguns clínicos
    sugerem que a proteína dietética causa aumento nas concentrações de amônia e
    subsequente encefalopatia hepática, mas isso não foi provado nos estudos.
    Medicamentos como lactulose e rifaximina são administrados. A lactulose é um
    dissacarídeo não absorvível. Ela acidifica o conteúdo colônico, retendo amônia como íon
    amônio. Age também como laxante osmótico para remover a amônia. A rifaximina é um
    antibiótico não absorvível que ajuda na redução da produção colônica de amônia.
    Outro mecanismo sugerido envolve o complexo receptor do ácido γ-aminobutírico
    (GABA) contribuindo para a inibição neuronal na encefalopatia hepática. O flumazenil ou
    outros antagonistas dos receptores benzodiazepínicos podem ajudar a reduzir a
    encefalopatia hepática. A hipótese final é a “teoria do neurotransmissor alterado”. O desequilíbrio plasmático
    de aminoácidos existe na ESLD, na qual os aminoácidos de cadeia ramificada (AACR)
    valina, leucina e isoleucina estão diminuídos.
  66. 66continuação 2Os AACR fornecem até 30% das
    necessidades de energia para a musculatura esquelética, coração e cérebro quando a
    gliconeogênese e a cetogênese estão diminuídas, causando queda das concentrações
    séricas de AACR. Os aminoácidos aromáticos (AAAs) triptofano, fenilalanina e tirosina,
    mais a metionina, glutamina, asparagina e histidina estão aumentados. Os AAAs
    plasmáticos e a metionina são liberados na circulação pela proteólise do músculo, mas a
    síntese em proteína e a depuração hepática de AAAs estão diminuídas. Isso altera a
    proporção plasmática molar de AACR e AAA e pode contribuir para o desenvolvimento
    da encefalopatia hepática. Os AAAs podem limitar a captação cerebral de AACR, pois
    competem pelo transporte mediado por carreadores na barreira hematoencefálica.
  67. 67Terapia Clínica NutricionalA prática da restrição de proteína em pacientes com encefalopatia hepática de baixo grau é
    baseada na premissa de que a intolerância à proteína causa a encefalopatia hepática, mas
    isso nunca foi provado em um estudo. A verdadeira intolerância à proteína é rara, exceto
    na insuficiência hepática fulminante ou em raros pacientes com encefalopatia hepática
    endógena crônica. A restrição desnecessária de proteína pode piorar a perda de proteína
    corporal e deve ser evitada.
    Os pacientes com encefalopatia frequentemente não recebem proteína adequada. Mais
    de 95% dos pacientes com cirrose podem tolerar dietas com proteínas mistas até 1,5 g/kg
    de massa corporal. Os estudos que avaliam o benefício dos suplementos enriquecidos com
    AACR e restritos em AAAs apresentam diversidades no protocolo do estudo, no tamanho
    da amostra, na composição das fórmulas, no grau de encefalopatia, no tipo de doença
    hepática, na duração da terapia e nos grupos-controle. Quando os estudos com alta
    qualidade metodológica foram avaliados, não houve qualquer melhora significativa
    associada ao fornecimento de AACRs ...
  68. 68Terapia Clínica Nutricional continuaçãoextras aos pacientes.
    Outras teorias postulam que as proteínas vegetais e a caseína podem melhorar o estado
    mental comparadas com a proteína da carne. As dietas baseadas em caseína possuem
    menos AAAs e mais AACRs do que as dietas baseadas em carne. A vantagem potencial
    da proteína vegetal é que ela é pobre em metionina e em aminoácidos amoniogênicos e é
    rica em AACR. O alto teor de fibra de uma dieta de proteína vegetal pode também
    desempenhar um papel na excreção de compostos nitrogenados.
    Finalmente, foi proposto que os probióticos e os simbióticos (fontes de bactérias
    benéficas para o intestino e fibras fermentáveis) podem ser usados para tratar a
    encefalopatia hepática. Os probióticos (consulte o Cap. 29) podem melhorar a encefalopatia hepática pela redução de amônia no sangue portal (Pereg et al., 2010) ou
    pelo impedimento da produção ou absorção de lipopolissacarídeos no intestino (Gratz
    et al., 2010). Assim, eles diminuem a inflamação e o estresse oxidativo em hepatócitos
    (aumentando a remoção hepática de toxinas, incluindo a amônia) e minimizam a captação
    de outras toxinas.
  69. 69Alterações na Glicose FisiopatologiaA intolerância à glicose ocorre em quase dois terços dos pacientes com cirrose, e em 10
    a 37% dos pacientes que desenvolvem diabetes manifesto. A intolerância à glicose em
    pacientes com doença hepática ocorre devido à resistência à insulina nos tecidos
    periféricos. A hiperinsulinemia também ocorre em pacientes com cirrose, possivelmente
    porque a produção de insulina está aumentada, a depuração hepática está diminuída, pela
    ocorrência do desvio portal sistêmico e pela existência de um defeito na ação de ligação à
    insulina no sítio do receptor ou um defeito pós-receptor. A hipoglicemia de jejum, ou glicose sanguínea baixa, pode ocorrer devido à
    disponibilidade reduzida da glicose do glicogênio, além da queda da capacidade
    gliconeogênica do fígado quando o paciente está em ESLD. A hipoglicemia ocorre mais
    frequentemente na insuficiência hepática aguda ou fulminante do que na doença hepática
    crônica. A hipoglicemia também pode ocorrer após o consumo de álcool em pacientes
    cujo depósito de glicogênio está depletado pela inanição devido ao bloqueio da
    gliconeogênese hepática pelo etanol.
  70. 70Terapia Clínica NutricionalOs pacientes com diabetes devem receber terapia clínica e nutricional padrão para atingir a
    normoglicemia. Os pacientes com hipoglicemia devem comer
    frequentemente para prevenir essa condição. As causas da hipoglicemia de jejum incluem a cirrose, o álcool, o câncer intrahepático
    extenso, a deficiência de cortisol e de hormônio do crescimento ou de células
    tumorais não β no pâncreas. O método para detecção envolve a medição de insulina
    plasmática quando a glicose plasmática é baixa. A marca característica para o
    diagnóstico de um insulinoma é uma alteração da secreção de insulina na presença da
    hipoglicemia. A hipoglicemia de jejum também pode ser causada por anticorpos
    produzidos espontaneamente. Todos os pacientes com doença hepática ou pancreática
    devem ser monitorados para hipoglicemia de jejum. A terapia nutricional envolve
    refeições equilibradas, com pequenos lanches frequentes para evitar períodos de jejum.
    A monitorização da glicose no sangue e dos níveis de insulina são necessárias.
  71. 71Má Absorção de Gordura FisiopatologiaA absorção de gordura pode estar prejudicada na doença hepática. As possíveis causas
    incluem secreção diminuída de sais biliares (assim como na CBP, na colangite
    esclerosante e nas estrituras biliares), administração de neomicina ou colestiramina e
    insuficiência de enzimas pancreáticas. As fezes podem estar gordurosas, flutuantes ou de
    cor clara ou de argila, significando má absorção, a qual pode ser verificada por um estudo
    de gordura fecal de 72 horas.
  72. 72Terapia Clínica NutricionalSe esteatorreia significativa estiver presente, a substituição de parte dos triglicerídios de
    cadeia longa ou gordura dietética por triglicerídios de cadeia média (TCM) pode ser útil.
    Como os TCM não requerem sais biliares e formação de micelas para a absorção, eles são
    prontamente captados pela via portal (consulte o Cap. 29). Alguns suplementos
    nutricionais contêm TCM e podem ser usados em adição ao óleo TCM líquido (consulte o
    Cap. 14).
    Importantes perdas de gordura nas fezes podem justificar a experiência de uma dieta de
    baixo teor de gordura (40 g/dia). Se a diarreia não for resolvida, a restrição de gordura
    deve ser interrompida, pois ela diminui a palatabilidade da dieta e dificulta
    acentuadamente a ingestão adequada de calorias.
  73. 73Insuficiência Renal e Síndrome Hepatorrenal Fisiopatologia, Terapias Clínicas e NutricionaisA síndrome hepatorrenal é uma insuficiência renal associada à doença hepática grave
    sem anormalidades renais intrínsecas. A síndrome hepatorrenal é diagnosticada quando a
    concentração de sódio urinário é menor que 10 mEq/L e a oligúria persiste na ausência da
    depleção de volume intravascular. Se as terapias conservadoras, incluindo interrupção do
    uso de medicamentos nefrotóxicos, racionalização do estado de volume intravascular,
    tratamento-base da infecção e monitorização da ingestão e da eliminação de líquidos
    fracassarem, a diálise pode ser requerida. Em todo caso, a insuficiência e a falência renais
    podem exigir alteração na ingestão de líquidos, sódio, potássio e fósforo (consulte o
    Cap. 36).
  74. 74Osteopenia FisiopatologiaA osteopenia frequentemente está presente em pacientes com CBP, colangite
    esclerosante e doença hepática alcoólica. A função osteoblástica diminuída e a
    osteoporose também podem ocorrer em pacientes com hemocromatose, e a osteoporose é
    prevalente em pacientes que fizeram tratamento por período longo com corticosteroides.
    Os corticosteroides aumentam a reabsorção óssea, suprimem a função osteoblástica e
    afetam a secreção do hormônio sexual, a absorção intestinal de cálcio da dieta, a excreção
    renal de cálcio e fósforo e o sistema da vitamina D.
  75. 75Terapia Clínica NutricionalAs opções de prevenção e tratamento para osteopenia incluem manutenção da massa
    corporal, ingestão de dieta bem balanceada, proteína adequada para manter a massa
    muscular, 1.500 mg de cálcio por dia, vitamina D adequada alcançada pela dieta ou por
    meio de suplementos (400 a 800 unidades ou mais por dia), eliminar o consumo de álcool
    e monitorizar a esteatorreia, com ajustes na dieta conforme necessário para minimizar as
    perdas de nutrientes.
  76. 76Ressecção do fígado e transplanteA ressecção hepática e a ablação são bastante comuns atualmente, pois o tecido danificado
    pode ser localizado por meio de tomografia e arteriografia. Assim como qualquer cirurgia
    de grande porte, as necessidades de proteínas e de energia aumentam após a ressecção do
    fígado. As necessidades também aumentam para promover a regeneração das células
    hepáticas. A NE é vital devido ao papel dos fatores hepatotróficos portais necessários para
    a proliferação das células hepáticas. A nutrição adequada é muito importante para
    pacientes em estado nutricional precário antes da hepatectomia (p. ex., pacientes com
    carcinoma hepatocelular ou colangiocarcinoma). O transplante de fígado tornou-se um tratamento estabelecido para ESLD. A má
    nutrição é comum em candidatos a transplante de fígado. A ingestão dietética pode ser
    intensificada se os pacientes consumirem refeições pequenas, frequentes e concentradas
    nutricionalmente; os suplementos nutricionais orais também podem ser bem tolerados. A
    nutrição enteral é indicada quando a ingestão oral é insuficiente ou contraindicada. ..
  77. 77Ressecção do fígado e transplante continuaçãoVarizes
    não são contraindicações absolutas para colocação de sonda de alimentação. Como a NP
    pode afetar adversamente a função hepática, a NE é preferida. A NP é reservada a
    pacientes sem função intestinal adequada (consulte o Cap. 14).
    Na fase aguda pós-transplante, as necessidades de nutrientes aumentam para promover
    a cicatrização, deter a infecção, fornecer energia para recuperação e repor os depósitos
    corporais depletados. As necessidades de nitrogênio são elevadas na fase aguda póstransplante
    e podem ser atingidas com NE pós- operatória precoce. Os probióticos e as
    fibras adicionadas à NE podem reduzir a taxa de infecções pós-operatórias melhor do que
    a alimentação enteral ou a fibra sozinha. Os medicamentos múltiplos usados após o transplante possuem efeitos colaterais
    nutricionais, como anorexia, distúrbios gastrointestinais, hipercatabolismo, diarreia,
    hiperglicemia, hiperlipidemia, retenção de sódio, hipertensão arterial sistêmica,
    hipercalemia e hipercalciúria. Portanto, a modificação dietética é baseada nos efeitos
    colaterais específicos da terapia medicamentosa.
  78. 78Ressecção do fígado e transplante continuação 2Durante a fase póstransplante,
    as necessidades de nutrientes são ajustadas para prevenir ou tratar problemas
    de obesidade, hiperlipidemia, hipertensão arterial sistêmica, diabetes melito e osteopenia.
  79. 79Orientação de Cuidados Nutricionais para Pacientes com Transplante de FígadoOrientação de Cuidados Nutricionais para Pacientes com Transplante de Fígado
  80. 80Fisiologia e funções da vesícula biliarA vesícula biliar está sobre a superfície do lobo direito do fígado (Fig. 30-6). A principal
    função da vesícula biliar é concentrar, armazenar e excretar bile, que é produzida pelo
    fígado. Durante o processo de concentração, água e eletrólitos são reabsorvidos pela
    mucosa da vesícula biliar. Os constituintes principais da bile são colesterol, bilirrubina e
    sais biliares. A bilirrubina, o principal pigmento da bile, é derivada da liberação de
    hemoglobina da destruição de eritrócito. Ela é transportada para o fígado, onde é
    conjugada e excretada pela bile. Os sais biliares, produzidos pelos hepatócitos a partir do
    colesterol, são essenciais para a digestão e absorção de gorduras, vitaminas lipossolúveis e
    alguns minerais. O transportador principal responsável pela secreção de sais biliares é a bile bomba de
    exportação de sais biliares (BSEP). Em geral, os sais biliares desempenham um papel
    fundamental em uma ampla variedade de processos fisiológicos e fisiopatológicos. Excretados no intestino delgado pela bile, os sais biliares são então
    reabsorvidos no sistema portal ...
  81. 81Fisiologia e funções da vesícula biliar continuação(circulação êntero-hepática). Ela é a via excretória primária
    para os minerais cobre e manganês.
    A bile contém imunoglobulinas que mantêm a integridade da mucosa intestinal. O
    receptor de fator de crescimento de fibroblasto (FGFR) 4 controla o metabolismo do ácido
    biliar e protege o fígado contra a fibrose; o FGFR1 e FGFR2 auxiliam na regeneração do
    fígado. A comunicação intramolecular entre os receptores nucleares
    ativados por ácido biliar e mediadores nucleares pró-inflamatórios fornece nova
    compreensão da inflamação induzida por colestase. A bile é removida do fígado através dos canalículos biliares que escoam para os ductos
    biliares intra-hepáticos. Os ductos conduzem aos ductos biliares hepáticos esquerdo e
    direito, que deixam o fígado e se juntam para formar o ducto hepático comum. A bile é
    dirigida para a vesícula biliar através do ducto cístico para concentração e armazenamento.
    O ducto cístico se une ao ducto hepático comum para formar o ducto biliar comum. O
    ducto biliar se une então ao ducto pancreático, o qual transporta as enzimas digestivas. ..
  82. 82Fisiologia e funções da vesícula biliar continuação 2Durante a digestão, o alimento que chega ao duodeno causa a liberação de hormônios
    intestinais, tais como colecistoquinina (CCK) e secretina. Elas estimulam a vesícula biliar
    e o pâncreas e fazem com que o esfíncter de Oddi relaxe, permitindo o fluxo do suco
    pancreático e da bile para dentro do duodeno na ampola de Vater, para auxiliar na digestão
    de gordura. Por essa razão, as doenças da vesícula biliar, do fígado e do pâncreas estão
    frequentemente inter-relacionadas.
  83. 83Doenças da vesícula biliarOs distúrbios do trato biliar afetam milhões de pessoas a cada ano, causando sofrimento
    importante e até morte pela precipitação de pancreatite e sepse. O sistema biliar é afetado
    por um espectro variado de doenças, as quais apresentam, com frequência, sinais e
    sintomas clínicos similares. O tratamento pode envolver dieta, medicação ou cirurgia.
  84. 84Colestase Fisiopatologia e Tratamento ClínicoA colestase é uma condição na qual pouca ou nenhuma bile é secretada ou na qual o
    fluxo da bile no trato digestório está obstruído. Isso pode ocorrer em pacientes sem
    nutrição oral ou enteral por um período prolongado, tal como naqueles que necessitam de
    NP, e isso pode predispor à colecistite acalculosa. A deficiência de BSEP resulta em
    diversas formas genéticas de colestase e colestase adquirida, como a induzida por drogas e
    a intra-hepática da gravidez (Lam et al., 2010). A prevenção requer a estimulação da
    mobilidade intestinal e biliar e secreções por pelo menos alimentações enterais mínimas.
    Se isso não for possível, a terapia medicamentosa é utilizada.
  85. 85Colelitíase FisiopatologiaA formação de cálculos biliares é a colelitíase. Na prática, todos os cálculos biliares se
    formam dentro da vesícula biliar. A doença dos cálculos biliares afeta milhões de
    americanos a cada ano e causa grande morbidade. Na maioria dos casos, os cálculos
    biliares são assintomáticos. Os cálculos biliares que passam da vesícula biliar para o ducto
    biliar comum podem permanecer ali indefinidamente, sem causar sintomas, ou, então,
    passar para o duodeno, com ou sem sintomas.
  86. 86Colelitíase Fisiopatologia coledocolitíaseA coledocolitíase se desenvolve quando os cálculos se deslocam para os ductos biliares,
    produzindo obstrução, dor e cólicas. Se a passagem da bile para o duodeno é interrompida,
    a colecistite pode se desenvolver. Na ausência da bile no intestino, a absorção de gordura é
    prejudicada, e, sem os pigmentos da bile, as fezes ficam com coloração clara (acólicas). Se
    não corrigido, o retorno da bile pode resultar em icterícia e dano hepático (cirrose biliar
    secundária). A obstrução do ducto biliar comum distal pode levar à pancreatite se o ducto
    pancreático for bloqueado.
  87. 87Colelitíase Fisiopatologia coledocolitíase continuaçãoMuitos dos cálculos biliares são de colesterol não pigmentados, compostos
    primariamente de colesterol, bilirrubina e sais de cálcio. As bactérias também
    desempenham um papel na formação de cálculos biliares. As infecções crônicas de baixo
    grau produzem alterações na mucosa da vesícula biliar, as quais afetam sua capacidade
    absortiva. O excesso de água ou ácido biliar pode ser absorvido como resultado. O
    colesterol pode então se precipitar e causar a formação de cálculos biliares. Uma alta ingestão de lipídios dietéticos por período prolongado pode predispor uma
    pessoa à formação de cálculos biliares devido ao estímulo constante para produzir mais
    colesterol para a síntese de bile necessária na digestão dos lipídios. A perda rápida de peso
    corporal (como no bypass jejunoileal e gástrico e jejum ou grande restrição de calorias)
    está associada à alta incidência de depósito biliar e à formação de cálculos biliares.
    De fato, a colelitíase e a doença hepática gordurosa compartilham fatores de risco como
    a obesidade central, a resistência à insulina e o diabetes.
  88. 88Fatores de riscoOs fatores de risco para a formação de cálculos de colesterol englobam gênero
    feminino, gravidez, idade avançada, história familiar, obesidade e distribuição corporal
    central de gordura, diabetes melito, doença óssea inflamatória e medicamentos (para
    dislipidemia, contraceptivos orais e estrogênio). Certos grupos étnicos são de grande risco
    de formação de cálculos, incluindo índios Pima, escandinavos e méxico-americanos.
    Os cálculos pigmentados geralmente consistem em polímeros de bilirrubina ou de sais
    de cálcio. Eles estão associados à hemólise crônica. Os fatores de risco associados a esses
    cálculos são idade, anemia falciforme e talassemia, infecção do trato biliar, cirrose,
    alcoolismo e NP em longo prazo.
  89. 89Tratamento Clínico e CirúrgicoA colecistectomia é o procedimento de retirada cirúrgico dos cálculos biliares,
    especialmente se os cálculos forem numerosos, grandes ou calcificados. A colecistectomia
    pode ser feita por laparotomia aberta tradicional ou por um procedimento laparoscópico
    menos invasivo. Recentemente, foi observado que a colecistectomia é um preditor do
    desenvolvimento de cirrose e que está associada a concentrações elevadas de enzimas
    hepáticas séricas. A dissolução química com a administração de sais biliares, ácido quenodeoxicólico e
    ácido ursodeoxicólico (terapia litolítica) ou a dissolução pela litotripsia por onda de
    choque extracorporal também pode ser usada menos frequentemente que as técnicas
    cirúrgicas. Os pacientes com cálculos biliares que migraram para o ducto biliar podem ser
    candidatos a técnicas de colangiopancreatografia retrógrada endoscópica.
  90. 90Terapia Clínica NutricionalNenhum tratamento dietético específico está disponível para prevenir a colelitíase em
    pessoas suscetíveis. Os cálculos biliares são mais prevalentes em dietas ocidentalizadas
    pobre em fibras e com alto teor de gordura. O consumo de grandes quantidades de
    proteína e gordura animal, especialmente a gordura saturada e a falta de fibra dietética,
    promovem o desenvolvimento de cálculos biliares.
    Também pode haver algum benefício na substituição de açúcares simples e amidos
    refinados por carboidratos com alto teor de fibras. Indivíduos que consomem carboidratos. refinados têm um risco 60% maior de desenvolver cálculos biliares, em comparação com
    aqueles que consumiram mais fibras, especialmente as do tipo insolúvel (Tsai, 2005).
    Assim, dietas baseadas em vegetais podem reduzir o risco de colelitíase. As dietas
    vegetarianas são ricas em fibras e pobres em gordura, esta consistindo-se principalmente
    de gordura insaturada. A vitamina C, que é geralmente elevada em dietas vegetarianas,
    afeta o limitador do catabolismo de colesterol em ácidos biliares e está inversamente
    relacionada com o ...
  91. 91Tratamento nutricional continuaçãorelacionada com o risco de cálculos biliares em mulheres.
    Dietas sanfona (repetidamente perder e recuperar o peso), jejum e dietas de
    pouquíssimas calorias aumentam a probabilidade de colelitíase. Juntamente com a redução
    de peso, há alguma evidência de que a atividade física irá reduzir o risco de colecistite. Na
    colecistite, o tratamento nutricional inclui uma dieta rica em fibras, pouca gordura e com
    base em vegetais. Os dados são conflitantes quanto ao fato de os lipídios intravenosos
    estimularem ou não a contração da vesícula biliar. Após a remoção cirúrgica da vesícula biliar, a alimentação oral pode evoluir para uma
    dieta regular conforme tolerado. Na ausência da vesícula biliar, a bile é secretada
    diretamente pelo fígado no intestino. O trato biliar se dilata, formando uma “bolsa
    simulada” com o decorrer do tempo, para permitir que a bile fique presa de maneira
    similar à vesícula biliar original.
  92. 92Colecistite FisiopatologiaA inflamação da vesícula biliar é conhecida como colecistite e pode ser crônica ou
    aguda. É geralmente causada por cálculos biliares que obstruem o ducto biliar (colecistite
    calculosa), levando ao retorno da bile. A bilirrubina, o principal pigmento da bile, dá à bile
    a sua cor esverdeada. Quando a obstrução do trato biliar impede que a bile atinja o
    intestino, ocorre o seu refluxo e ela retorna para a circulação. A bilirrubina tem afinidade
    por tecidos elásticos; portanto, quando ela extrapola para a circulação geral, causa a
    pigmentação amarelada da pele e a descoloração dos olhos típica da icterícia. A colecistite aguda sem cálculos (colecistite acalculosa) pode ocorrer em pacientes
    criticamente doentes ou quando a vesícula biliar e a bile estão estagnadas. O esvaziamento
    da vesícula biliar prejudicado na colecistite acalculosa crônica parece ser devido à
    atividade de contração espontânea diminuída e à responsividade contrátil diminuída ao
    CCK. As paredes da vesícula biliar tornam-se inflamadas e distendidas, e a infecção pode
    ocorrer. Durante tais episódios, o paciente sente dor
  93. 93Colecistite Fisiopatologia continuaçãoabdominal no quadrante superior,
    acompanhada por náusea, vômito e flatulência.
    A colecistite crônica é uma inflamação da vesícula biliar durante um longo período. Ela
    é causada por crises leves e repetidas da colecistite aguda, que levam ao espessamento das
    paredes da vesícula biliar. A vesícula biliar começa a se contrair e, por fim, perde a
    capacidade de executar suas funções: concentração e armazenamento da bile. Comer
    alimentos que são ricos em gordura pode agravar os sintomas da colecistite, pois a bile é
    necessária para digerir tais alimentos. A colecistite ocorre com mais frequência em
    mulheres do que em homens, e a incidência aumenta após os 40 anos de idade. Os fatores
    de risco incluem presença de cálculos biliares e histórico de colecistite aguda.
  94. 94Tratamento CirúrgicoA colecistite aguda requer intervenção cirúrgica, a menos que contraindicada clinicamente.
    Sem a cirurgia, a condição pode tanto amenizar como progredir para gangrena.
  95. 95Terapia Clínica NutricionalColecistite Aguda
    Em uma crise aguda, a alimentação oral é descontinuada. A NP pode ser indicada se o
    paciente estiver malnutrido e é antecipada se o paciente não estiver consumindo nada
    oralmente por um período de tempo prolongado. Quando os alimentos são retomados, uma
    dieta de baixo teor de lipídios é recomendada para diminuir o estímulo da vesícula biliar.
    Uma fórmula de baixo teor de lipídios hidrolisados ou uma dieta de baixo teor de lipídios
    oral consistindo em 30-45 g de lipídios/dia pode ser dada.
  96. 96Terapia Clínica Nutricional continuaçãoApós a colecistectomia, os pacientes podem experimentar sintomas de gastrite
    secundárias ao refluxo duodenogástrico dos ácidos biliares. O refluxo também pode ser
    responsável por sintomas dessa síndrome pós-colecistectomia. Atualmente, não existem
    abordagens farmacológicas bem estabelecidas na gestão de gastrite pós-colecistectomia.
    Os sintomas não são causados, mas exacerbados, pela colecistectomia. Tem sido proposto
    que a adição de fibras solúveis na dieta irá funcionar como um agente sequestrante e se
    ligar à bile, no estômago, entre as refeições, para evitar a gastrite.
  97. 97Tratamento nutricional Colecistite CrônicaColecistite Crônica
    Os pacientes com condições crônicas necessitam de uma dieta de baixo teor de lipídios em
    longo prazo que contenha 25 a 30% das quilocalorias totais de lipídios. A limitação
    completa é indesejável, porque a gordura no intestino é importante para alguns estímulos e
    drenagem do trato biliar. O grau de intolerância alimentar varia amplamente entre as
    pessoas com distúrbios da vesícula biliar; há muitas queixas de alimentos que causam
    flatulência e inchaço. Por essa razão, é melhor determinar com o paciente que alimentos
    devem ser eliminados. Consulte o Capítulo 29 para uma discussão de alimentos potenciais
    na formação de gases. A administração de formas hidrossolúveis das vitaminas
    lipossolúveis pode ser benéfica em pacientes com condições de vesícula biliar crônica ou
    naqueles em que há suspeita de má absorção de lipídios.
  98. 98Colangite Fisiopatologia e Tratamento ClínicoA inflamação do ducto biliar é conhecida como colangite. Os pacientes com colangite
    aguda necessitam de restauração com líquidos e antibióticos de amplo espectro. Se o
    paciente não melhorar com tratamento conservador, a colocação de stent biliar percutâneo
    ou de colecistectomia podem ser necessárias.
    A colangite esclerosante pode resultar em sepse e em insuficiência hepática. Muitos
    pacientes têm estruturas intra-hepáticas múltiplas, as quais tornam a intervenção cirúrgica
    difícil, se não impossível. Os pacientes estão geralmente sob o uso de antibióticos de
    amplo espectro. A dilatação percutânea ductal pode causar ducto biliar patente em curto
    prazo em alguns pacientes. Quando a sepse é recorrente, os pacientes podem necessitar de
    terapia antibiótica crônica. Veja a seção sobre colangite esclerosante na seção de doença
    hepática.
  99. 99Fisiologia e funções do pâncreas exócrinoO pâncreas é uma glândula alongada, achatada, que está situada no abdome superior, atrás
    do estômago. A cabeça do pâncreas está no quadrante superior direito, abaixo do fígado,
    dentro da curvatura do duodeno, e a cauda afilada inclina-se para cima, para o hilo do
    baço. Esse órgão glandular tem funções endócrinas e exócrinas. As células pancreáticas
    fabricam glucagon, insulina e somatostatina para absorção na circulação (função
    endócrina) e para regulação da homeostase da glicose. Outras células
    secretam enzimas e outras substâncias diretamente no lúmen do intestino, onde elas
    auxiliam na digestão de proteínas, lipídios e carboidratos (função exócrina). Em muitas pessoas, o ducto pancreático, o qual transporta as secreções pancreáticas
    exócrinas, une-se ao ducto biliar comum em uma abertura única através da qual a bile e os
    sucos pancreáticos fluem para o duodeno pela ampola de Vater. Muitos fatores regulam a
    secreção exócrina do pâncreas. As respostas neurais e hormonais desempenham um papel,
    com a presença e a composição de alimentos ingeridos, sendo um grande contribuidor.
  100. 100Fisiologia e funções do pâncreas exócrino continuaçãoOs
    dois estímulos hormonais primários para a secreção pancreática são a secretina e a CCK. Os fatores que influenciam a secreção pancreática durante uma refeição podem ser
    divididos em três fases: (1) a fase cefálica é mediada pelo nervo vago e iniciada pela
    visão, olfato, paladar, e antecipa a ingestão alimentar; isso leva à secreção de bicarbonato
    e enzimas pancreáticas; 2) a distensão gástrica com o alimento inicia a fase gástrica da
    secreção pancreática, a qual estimula a secreção de enzimas; e 3) a fase intestinal tem o
    efeito mais potente sobre as secreções pancreáticas e é mediada pela liberação de CCK.
  101. 101Doenças do pâncreas exócrino Pancreatite Fisiopatologia e Tratamento ClínicoA pancreatite é uma inflamação do pâncreas e é caracterizada por edema, exsudato
    celular e necrose de gordura. A doença pode variar de moderada e autolimitante a grave,
    com autodigestão, necrose e hemorragia do tecido pancreático. Ranson et al. (1974)
    identificaram 11 sinais que poderiam ser avaliados durante as primeiras 48 horas de
    internação e que possuem prognóstico significante (Quadro 30-3). Pela avaliação dessas
    observações, pode-se determinar o prognóstico provável de hospitalização. A intervenção
    cirúrgica pode ser necessária. A pancreatite é classificada como aguda ou crônica, a última
    com destruição pancreática tão extensa que as funções exócrina e endócrina estão
    gravemente diminuídas e podem resultar em má digestão e diabetes.
  102. 102Sintomas da pancreatiteOs sintomas da pancreatite podem variar de dor contínua ou intermitente de várias
    intensidades a dor abdominal superior grave, a qual pode irradiar para as costas. Os
    sintomas podem piorar com a ingestão de alimentos. A apresentação clínica também pode
    incluir náusea, vômito, distensão abdominal e esteatorreia. Os casos graves são
    complicados por hipotensão, oligúria e dispneia. Existe destruição extensa do tecido
    pancreático com fibrose subsequente, a produção de enzima está diminuída e a amilase e a
    lipase séricas podem se apresentar normais. Entretanto, a ausência de enzimas para
    auxiliar na digestão dos alimentos leva a esteatorreia e má absorção.
  103. 103Critério de Ranson para Classificar a Gravidade da PancreatiteAté a Admissão ou Diagnóstico
    Idade > 55 anos
    Contagem de leucócitos > 16.000 m3
    Nível de glicose no sangue > 200 mg/100 mL
    Desidrogenase láctica > 350 unidades/L
    Aspartato transaminase > 250 unidades/L
    Durante as 48 Horas Iniciais
    Redução do hematócrito de > 10 mg/dL
    Aumento da ureia nitrogenada no sangue > 5 mg/dL
    PO2 arterial PO2 < 60 mm Hg
    Déficit de base > 4 mEq/L
    Sequestro de líquido > 6.000 mL
    Nível de cálcio sérico <8 mg/mL
  104. 104Terapia Clínica NutricionalO consumo de álcool, tabagismo, peso corporal, dieta, fatores genéticos e medicamentos
    afetam o risco de desenvolvimento de pancreatite. Assim a alteração da dieta tem um
    papel importante após o diagnóstico. Recomendações dietéticas diferem, dependendo se a
    condição é aguda ou crônica. A obesidade parece ser um fator de risco para o
    desenvolvimento da pancreatite e um aumento de sua gravidade.
    Níveis menores de cálcio sérico são comuns. A hipoalbuminemia ocorre, com
    subsequente espaçamento terciário do líquido. O cálcio, que está ligado à albumina, é
    então afetado e pode parecer artificialmente baixo. Outra ocorrência é a formação de um
    “sabão” pelo cálcio e ácidos graxos criados pela necrose de gordura, que resulta em menor
    absorção de cálcio. A verificação da concentração de cálcio ionizado é um método de
    determinação do cálcio disponível.
  105. 105Pancreatite AgudaDor associada à pancreatite está parcialmente relacionada aos mecanismos secretórios de
    enzimas pancreáticas e bile. Portanto, a terapia nutricional é ajustada para fornecer o
    mínimo de estimulação desses sistemas. No passado, o pâncreas era colocado “em
    repouso”. Durante as crises agudas, toda a alimentação oral é negada, e é mantida
    hidratação intravenosa. Nas crises menos graves, uma dieta líquida clara, com poucos
    lipídios, pode ser oferecida por alguns dias. Os pacientes devem ser monitorados quanto a
    quaisquer sintomas de dor, náusea ou vômito. A dieta deve ser progredida conforme
    tolerância para alimentos facilmente digeríveis com baixo teor de lipídios e depois evoluir
    conforme a tolerância. Os alimentos podem ser mais bem tolerados se divididos em seis
    pequenas refeições.
  106. 106pancreatite aguda grave resultaA pancreatite aguda grave resulta em um estado hipermetabólico e catabólico com
    alterações metabólicas imediatas no pâncreas e também em órgãos distantes. As
    necessidades metabólicas são semelhantes às da sepse. Os aminoácidos são liberados do
    músculo e usados para gliconeogênese. Esses pacientes exibem com frequência sinais de
    má nutrição, como concentrações séricas diminuídas de albumina, transferrina e linfócitos.
    Deve-se dar atenção a um regime nutricional com proteína adequada, em um esforço de
    atingir o equilíbrio positivo de nitrogênio. A nutrição oral deve ser atrasada quando a enfermidade aguda persistir por mais de
    alguns dias, como evidenciado pela elevação persistente ou periódica da amilase sérica,
    dor abdominal continuada e obstrução intestinal, ou quando a cessação da sucção
    nasogástrica for seguida de retorno dos sintomas, de presença de complicação, como
    abscesso pancreático ou pseudocisto, ou de obstrução suspeita do principal ducto
    pancreático.
  107. 107Via adequada para nutriçãoA via adequada para nutrição na pancreatite aguda tem sido objeto de muitas
    controvérsias ao longo dos anos. A falha ao utilizar o TGI (trato grastrointestinal) em
    pacientes com AP pode exacerbar a resposta ao estresse e a gravidade da doença, levando
    a complicações maiores e a internação prolongada; assim, o EN é o preferido para a
    terapia nutricional. Há uma economia de custos
    substancial com a NE e poucas complicações sépticas. A maioria dos pacientes com PA
    (pancreatite aguda) tem um retorno da função intestinal em 2 a 3 dias após uma crise e
    pode avançar rapidamente de fluidos intravenosos para uma dieta.
    Tanto a NP como a NE são igualmente eficazes em termos de dias para a normalização
    da amilase sérica e para o reinício da alimentação oral, concentrações de albumina sérica,
    infecções nosocomiais e prognóstico clínico em paciente com pancreatite leve a moderada
    (Petrov, 2009). O efeito favorável de qualquer NE ou NP sobre a evolução dos pacientes
    pode ser melhorado pela suplementação com moduladores de inflamação e imunidade
    sistêmica.
  108. 108terapia nutricional agressivaA terapia nutricional agressiva pode incluir tentativas de usar o trato gastrointestinal. A
    localização da alimentação e a composição da fórmula irão determinar o grau de
    estimulação pancreática. Com a alimentação diretamente no jejuno, as fases cefálica e
    gástrica da estimulação pancreática exócrina são eliminadas. Embora várias formulações tenham sido utilizadas na pancreatite, nenhum
    estudo comparativo determina as vantagens relativas das formulações-padrão,
    parcialmente digeridas, elementares ou com imunomoduladores. As fórmulas poliméricas
    infundidas em várias seções do intestino estimulam o pâncreas mais do que as fórmulas
    elementares e hidrolisadas. A observação cuidadosa da tolerância do paciente é
    importante. Quando o paciente tiver permissão para se alimentar, as enzimas pancreáticas
    suplementares poderão ser necessárias para tratar a esteatorreia. Em casos graves, prolongados, a NP pode ser necessária. Os pacientes com estresse leve
    a moderado podem tolerar as soluções à base de dextrose, enquanto os pacientes com
    estresse mais grave requerem um sistema de fonte mista de .
  109. 109terapia nutricional agressiva continuaçãodextrose e lipídios para evitar
    as complicações da intolerância à glicose. Se a hipertrigliceridemia for a causa da
    pancreatite, a emulsão de lipídios não deve ser incluída em um regime de NP. A
    concentração de triglicerídios séricos deve ser avaliada antes que a NP com lipídios seja
    iniciada. Os lipídios devem ser dados a pacientes com valores de triglicerídios menores
    que 400 mg/dL. Tendo em vista a possibilidade de anormalidades endócrinas pancreáticas,
    assim como a resistência relativa à insulina, a monitorização cuidadosa da glicose é
    justificada. Os antagonistas dos receptores de H2 podem ser prescritos para diminuir a
    produção de ácido clorídrico, o que reduzirá a estimulação do pâncreas. A somatostatina é
    considerada o melhor inibidor da secreção pancreática e pode ser adicionada à solução de
    NP.
  110. 110Terapia nutricional na Pancreatite CrônicaEm contraste com a PA, a pancreatite crônica (CP) está envolvida insidiosamente durante
    muitos anos. A pancreatite crônica é caracterizada por crises recorrentes de dor epigástrica
    de longa duração que pode se irradiar para as costas. A dor pode ser precipitada pelas
    refeições. Náusea, vômito ou diarreia associados torna difícil a manutenção do estado
    nutricional adequado. Os pacientes com pancreatite crônica estão sob risco aumentado de
    desenvolver má nutrição proteico-calórica, devido à insuficiência pancreática e à ingestão
    oral inadequada. Pacientes com pancreatite crônica internados em uma unidade de cuidado
    terciário geralmente apresentam má nutrição, necessidades energéticas aumentadas, perda
    de massa corporal, déficit de massa magra e tecido adiposo, depleção de proteína visceral
    e função imune prejudicada. O objetivo da terapia para pacientes é prevenir mais dano ao pâncreas, diminuir o
    número de crises de inflamação aguda, aliviar a dor, diminuir a esteatorreia e corrigir a má
    nutrição. A ingestão dietética deve ser tão liberal quanto possível, mas as modificações
    podem ser
  111. 111Terapia nutricional na Pancreatite Crônica continuaçãonecessárias para minimizar os sintomas.
    A primeira meta da terapia nutricional é fornecer suporte nutricional ideal, e a segunda é
    diminuir a dor, minimizando a estimulação do pâncreas exócrino. Como o CCK estimula a
    secreção a partir do pâncreas exócrino, uma abordagem é a de diminuir seus níveis. Se a
    dor pós-prandial for um fator limitante, terapias enterais alternativas que estimulam o
    pâncreas minimamente são necessárias. Aconselhamento nutricional, antioxidantes e
    enzimas pancreáticas podem desempenhar um papel no tratamento eficaz da PC também. A PC idiopática é associada frequentemente a uma mutação do gene da fibrose cística, e
    terapias voltadas para a fibrose cística podem beneficiar esses pacientes. Quando a função
    pancreática é diminuída em cerca de 90%, a produção e a secreção da enzima são
    insuficientes; a má digestão e a absorção de proteína e de gordura tornam-se, assim, um
    problema. Refeições pesadas com alimentos ricos em gordura e álcool devem ser evitadas. O paciente pode apresentar perda de peso, apesar da ingestão energética adequada e irá
    queixar-se de fezes ..
  112. 112Terapia nutricional na Pancreatite Crônica continuação 2volumosas e gordurosas. A reposição de enzimas pancreáticas é
    obrigatória nesse momento. As substituições de enzimas pancreáticas são administradas
    por via oral, com as refeições, a dose deve ser de pelo menos 30 mil unidades de lipase a
    cada refeição. Para promover o ganho de peso, o teor da gordura na dieta deve ser o
    máximo que um paciente pode tolerar sem esteatorreia aumentada ou dor. Terapias
    adicionais que possam ser experimentadas para manter o estado de nutrição e minimizar
    os sintomas em pacientes com a suplementação de enzima máxima incluem uma dieta
    pobre em gorduras (40 a 60 g/dia) ou a substituição de alguma gordura dietética com óleo
    de TCM para melhorar a absorção de gordura e o ganho de peso. As refeições devem ser
    pequenas e frequentes. A dieta deve ter baixo teor de gordura, principalmente a partir de óleos à base de
    vegetais, tais como o óleo de oliva. Reduzir significativamente ou eliminar os ácidos
    graxos trans, encontrados em alimentos comercialmente cozidos. A substituição de
    lipídios dietéticos com óleo de TCM pode aliviar a esteatorreia e levar ao ganho de
  113. 113Terapia nutricional na Pancreatite Crônica continuação 3de massa
    corporal. A má absorção de vitaminas lipossolúveis pode ocorrer em pacientes com
    esteatorreia significativa. Somado a isso, a deficiência de protease pancreática, necessária
    para clivar a ligação entre a vitamina B12 e sua proteína carreadora, pode potencialmente
    levar à deficiência de vitamina B12. Com a terapia enzimática suplementar apropriada, a
    absorção da vitamina deve ser melhorada; entretanto, o paciente deve ainda ser
    monitorado periodicamente para deficiências de vitaminas. Formas hidrossolúveis das
    vitaminas lipossolúveis ou a administração parenteral de vitamina B12 pode ser necessária. Existe certa evidência de que o aumento da ingestão de antioxidantes
    (encontrados em frutas e legumes) pode ajudar a proteger contra a pancreatite ou aliviar os
    seus sintomas.
    Como a secreção de bicarbonato pancreático é frequentemente defeituosa, o tratamento
    clínico pode também incluir a manutenção de pH intestinal ótimo para facilitar a ativação
    da enzima. Antiácidos, antagonistas do receptor de H2 ou inibidores da bomba de próton
    que reduzem a secreção gástrica podem ser usado
  114. 114Terapia nutricional na Pancreatite Crônica continuação 4para alcançar esse efeito.
    Nos casos crônicos com destruição pancreática extensa, a capacidade do pâncreas de
    secretar insulina diminui, e a intolerância à glicose se desenvolve. O tratamento com
    insulina e a terapia nutricional são então necessários (consulte o Cap. 31). O tratamento é
    delicado e deve enfocar o controle dos sintomas, em vez da normoglicemia.
    Um esforço deve ser feito para se atender às tolerâncias e às preferências do paciente
    para o tratamento nutricional; entretanto, o álcool é proibido, em função da possibilidade
    de exacerbar a doença pancreática. Existe evidência de que a destruição progressiva do
    pâncreas poderá ser mais lenta no paciente alcoólico que se abstém do álcool.
  115. 115Cirurgia PancreáticaUm procedimento cirúrgico frequentemente usado para o carcinoma pancreático é a
    pancreaticoduodenectomia (procedimento de Whipple). Colecistectomia, vagotomia ou
    gastrectomia parcial podem também ser feitas durante a cirurgia. O ducto pancreático é
    reanastomosado ao jejuno. A insuficiência pancreática completa ou parcial pode ocorrer,
    dependendo da extensão da ressecção pancreática. Muitos pacientes que são submetidos à
    ressecção pancreática estão sob risco de deficiências de vitaminas e minerais, e serão
    beneficiados com suplementação de vitaminas e minerais. O cuidado nutricional é similar
    àquele para PC.

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Concursos Públicos Nutrição Flashcards on Krause cap 30, created by Bruna c on 27/02/2019.
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