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Flashcards

Capítulo 7 - A psicologia do desenvolvimento

Flávia Faria PSICOLOGIA Portuguese 5.0Average rating 5.0 out of 5 (1 rating) 52 cards

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  1. 1Uma área da PsicologiaEsta área de conhecimento da Psicologia estuda o desenvolvimento do ser humano em todos os seus aspectos: físico-motor, intelectual, afetivo-emocional e social — desde o nascimento até a idade adulta, isto é, a idade em que todos estes aspectos atingem o seu mais completo grau de maturidade e estabilidade.
  2. 2Dentre as teorias do desenvolvimento destaca-se a de Jean PiagetO desenvolvimento humano refere-se ao desenvolvimento mental e ao crescimento orgânico.
    O DESENVOLVIMENTO MENTAL é uma construção contínua, que se caracteriza pelo aparecimento gradativo de estruturas mentais. Estas são formas de organização da atividade mental que se vão aperfeiçoando e solidificando até o momento em que todas elas, estando plenamente desenvolvidas, caracterizarão um estado de equilíbrio superior quanto aos aspectos da inteligência, vida afetiva e relações sociais.
  3. 3Algumas estruturas permanecem Outras são subtituídasAlgumas dessas estruturas mentais permanecem ao longo de toda a vida. Por exemplo, a motivação está sempre presente como desencadeadora da ação, seja por necessidades fisiológicas, seja por necessidades afetivas ou intelectuais.
    Essas estruturas mentais que permanecem garantem a continuidade do desenvolvimento.
    Outras estruturas são substituídas a cada nova fase da vida do indivíduo. Por exemplo, a moral da obediência da criança pequena é substituída pela autonomia moral do adolescente.
  4. 4A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANOEstudar o desenvolvimento humano significa conhecer as características comuns de uma faixa etária, permitindo-nos reconhecer as individualidades, o que nos torna mais aptos para a observação e interpretação dos comportamentos.
    Significa descobrir que ele é determinado pela interação de vários fatores.
  5. 5OS FATORES QUE INFLUENCIAM O DESENVOLVIMENTO HUMANO ➥HereditariedadeA carga genética estabelece o potencial do indivíduo, que pode ou não desenvolver-se.
    No entanto, a inteligência pode desenvolver-se aquém ou além do seu potencial, dependendo das condições do meio que encontra.
  6. 6➥Crescimento orgânicoRefere-se ao aspecto físico.
    O aumento de altura e a estabilização do esqueleto permitem ao indivíduo
    comportamentos e um domínio do mundo que antes não existiam.
    Pense nas possibilidades de descobertas de uma criança, quando começa a engatinhar e depois a andar, em relação a quando esta criança estava no berço com alguns dias de vida.
  7. 7➥Maturação neurofisiológicaÉ o que torna possível determinado
    padrão de comportamento.
    Exemplo: a alfabetização das crianças depende dessa maturação.
  8. 8➥ MeioO conjunto de influências e estimulações ambientais altera os padrões de comportamento do indivíduo.
  9. 9ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO ✽ Aspecto físico-motorRefere-se ao crescimento orgânico, à
    maturação neurofisiológica, à capacidade de manipulação de objetos e de exercício do próprio corpo.
    Exemplo: a criança leva a Chupeta à
    boca ou consegue tomar a mamadeira sozinha, por volta dos 7 meses, porque já coordena os movimentos das mãos.
  10. 10✽ Aspecto intelectualÉ a capacidade de pensamento, raciocínio.
    Exemplo: a criança de 2 anos que usa um cabo de vassoura para puxar um brinquedo que está embaixo de um móvel ou o jovem que planeja seus gastos a partir de sua mesada ou salário.
  11. 11✽Aspecto afetivo-emocionalÉ o modo particular de o indivíduo integrar as suas experiências. É o sentir. A sexualidade faz parte desse aspecto.
    Exemplos: a vergonha que sentimos em algumas situações, o medo em outras, a alegria de rever um amigo querido.
  12. 12✽Aspecto socialÉ a maneira como o indivíduo reage diante das situações que envolvem outras pessoas.
    Exemplo: em um grupo de crianças, no parque, é possível observar algumas que
    espontaneamente buscam outras para brincar, e algumas que permanecem sozinhas.
    OBS: Não é possível encontrar um exemplo “puro”, porque todos estes aspectos relacionam-se permanentemente.
  13. 13Teorias do desenvolvimentoTodas as teorias do desenvolvimento humano partem do pressuposto de que esses quatro aspectos são indissociados, mas elas podem enfatizar aspectos diferentes, isto é, estudar o desenvolvimento global a partir da ênfase em um dos aspectos.
    A Psicanálise, por exemplo, estuda o desenvolvimento a partir do aspecto afetivo-emocional, isto é, do desenvolvimento da sexualidade.
    Jean Piaget enfatiza o
    desenvolvimento intelectual.
  14. 14A TEORIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO DE JEAN PIAGETSegundo Piaget, cada período é caracterizado por aquilo que de melhor o indivíduo consegue fazer nessas faixas etárias.
    Todos os indivíduos passam por todas essas fases ou períodos, nessa seqüência, porém o início e o término de cada uma delas dependem das características biológicas do indivíduo e de fatores educacionais, sociais.
    Portanto, a divisão nessas faixas etárias é UMA REFERÊNCIA, e não uma norma rígida.
  15. 15PERÍODO SENSÓRIO-MOTOR (0 a 2 anos)Neste período, a criança conquista,
    através da percepção e dos movimentos,
    todo o universo que a cerca.
    A vida mental reduz-se ao exercício dos aparelhos reflexos, de fundo hereditário, como a sucção.
    Por volta dos 5 meses, a criança consegue coordenar os movimentos das mãos e
    olhos e pegar objetos, aumentando sua
    capacidade de adquirir hábitos novos.
    No final do período, a criança é capaz de usar um instrumento como meio para atingir um objeto.
  16. 16PERÍODO SENSÓRIO-MOTOR (0 a 2 anos)O desenvolvimento físico é o suporte para o aparecimento de novas habilidades.
    Isto é, o desenvolvimento ósseo, muscular e neurológico permite a emergência de novos comportamentos, como sentar-se, andar, o que propiciará um domínio maior do ambiente.
  17. 17DiferenciaçãoAo longo deste período, irá ocorrer na criança uma diferenciação progressiva entre o seu eu e o mundo exterior. Se no início o mundo era uma continuação do próprio corpo, os progressos da inteligência levam-na a situar-se como um elemento entre outros no mundo. Isso permite que a criança, por volta de 1 ano, admita que um objeto continue a existir
    mesmo quando ela não o percebe, isto é, o objeto não está presente no seu campo visual, mas ela continua a procurar ou a pedir o brinquedo que perdeu, porque sabe que ele continua a existir.
  18. 18Diferenciação no aspecto afetivoO bebê passa das emoções primárias (os primeiros medos, quando, por exemplo, ele se enrijece ao ouvir um barulho muito forte) para uma escolha afetiva de objetos (no final do período), quando já manifesta preferências por brinquedos, objetos, pessoas etc.
  19. 19Final do períodoNo curto espaço de tempo deste período, por volta de 2 anos, a criança evolui de uma atitude passiva em relação ao ambiente e pessoas de seu mundo para uma atitude ativa e participativa. Sua integração no ambiente dá-se, também, pela imitação das regras. E, embora
    compreenda algumas palavras, mesmo no final do período só é capaz de fala imitativa.
  20. 20PERÍODO PRÉ-OPERATÓRIO (2 a 7 anos)APARECIMENTO DA LINGUAGEM.
    Consequências mais evidentes: interação e comunicação.
    Com a palavra, há possibilidade de exteriorização da vida interior e, portanto, a possibilidade de corrigir ações futuras.
    A criança já antecipa o que vai fazer .
  21. 21PERÍODO PRÉ-OPERATÓRIO (2 a 7 anos)Como decorrência do aparecimento da linguagem, o desenvolvimento do
    pensamento se acelera.
    No início do período, ele exclui toda a objetividade, a criança transforma o real em função dos seus desejos e fantasias (jogo simbólico);
    Posteriormente, utiliza-o como
    referencial para explicar o mundo real, a sua própria atividade, seu eu e
    suas leis morais;
    E, no final do período, passa a procurar a razão causal e finalista de tudo (é a fase dos famosos “porquês”).
    É um pensamento mais adaptado
    ao outro e ao real.
  22. 22Primazia do próprio ponto de vistaPor ainda estar centrada em si mesma, ocorre uma primazia do próprio ponto de vista, o que torna impossível o trabalho em grupo. Esta dificuldade mantém-se ao longo do período, na medida em que a criança não consegue colocar-se do ponto
    de vista do outro.
  23. 23SentimentosNo aspecto afetivo, surgem os sentimentos interindividuais, sendo que um dos mais relevantes é o respeito que a criança nutre pelos indivíduos que julga superiores a ela.
    Por exemplo, em relação aos pais, aos professores. É um misto de amor e temor. Seus sentimentos morais refletem esta relação com os adultos significativos — a moral da obediência —, em que o critério de bem e mal é a vontade dos adultos.
  24. 24Com relação às regrasCom relação às regras, mesmo nas brincadeiras, concebe-as como imutáveis e determinadas externamente. Mais tarde, adquire uma noção mais elaborada da regra, concebendo-a como necessária para organizar o brinquedo, porém não a discute.
  25. 25Completa-se a maturação neurofisiológicaSurge uma escala de valores própria da criança. E a criança passa a avaliar suas próprias ações a partir dessa escala.
    A maturação neurofisiológica completa-se, permitindo o desenvolvimento de novas habilidades, como a coordenação motora fina — pegar pequenos objetos com as pontas dos dedos, segurar o lápis corretamente e conseguir fazer os delicados movimentos exigidos pela escrita.
  26. 26PERÍODO DAS OPERAÇÕES CONCRETAS (a infância propriamente dita — 7 a 11 ou 12 anos)O desenvolvimento mental, caracterizado no período anterior pelo egocentrismo intelectual e social, é superado neste
    período pelo início da construção lógica, isto é, a capacidade da criança de estabelecer relações que permitam a coordenação de pontos de vista diferentes.
    No plano afetivo, isto significa que ela será capaz de cooperar com os outros, de
    trabalhar em grupo e, ao mesmo tempo, de ter autonomia pessoal.
  27. 27Surgimento das: OPERAÇÕESO que possibilitará isto, no plano intelectual, é o surgimento de uma nova capacidade mental da criança: as operações, isto é, ela consegue realizar uma ação física ou mental dirigida para um fim (objetivo) e revertê-la para o seu início.
    Num jogo de quebra-cabeça, próprio para a idade, ela consegue, na metade do jogo, descobrir um erro, desmanchar uma parte e recomeçar de onde corrigiu, terminando-o.
    As operações sempre se referem a objetos concretos presentes ou já experienciados.
  28. 28Outra característica desse períodoOutra característica deste período é que a criança consegue exercer suas habilidades e capacidades a partir de objetos reais,
    concretos. Portanto, mesmo a capacidade de reflexão que se inicia, isto é, pensar antes de agir, considerar os vários pontos de vista simultaneamente, recuperar o passado e antecipar o futuro, se exerce a
    partir de situações presentes ou passadas, vivenciadas pela criança.
  29. 29Em nível de pensamento, a criança consegue:• estabelecer corretamente as relações de causa e efeito e de meio e fim;
    • sequenciar idéias ou eventos;
    • trabalhar com idéias sob dois pontos de vista, simultaneamente;
    • formar o conceito de número (no início do período, sua noção de número está vinculada a uma correspondência com o objeto concreto).
  30. 30Noção de conservaçãoA noção de conservação da substância do objeto (comprimento e quantidade) surge no início do período; por volta dos 9 anos,
    surge a noção de conservação de peso; e, ao final do período, a noção de conservação do volume.
  31. 31No aspecto afetivo, surge a VONTADENo aspecto afetivo, ocorre o aparecimento da vontade como qualidade superior e que atua quando há conflitos de tendências ou intenções (entre o dever e o prazer, por exemplo).
    A criança adquire uma autonomia crescente em relação ao adulto, passando a organizar seus
    próprios valores morais.
    Os novos sentimentos morais, característicos deste período, são:
    o respeito mútuo, a honestidade, o companheirismo e a justiça, que considera a intenção na ação.
  32. 32Sentimento de pertencimentoO sentimento de pertencer ao grupo de colegas torna-se cada vez mais forte.
    As crianças escolhem seus amigos,
    indistintamente, entre meninos e meninas, sendo que, no final do período, a grupalização com o sexo oposto diminui.
    Este fortalecimento do grupo traz a seguinte implicação: a criança, que no início do período ainda considerava bastante as opiniões e idéias dos adultos, no final passa a “enfrentá-los”.
  33. 33CooperaçãoA cooperação é uma capacidade que vai-se desenvolvendo ao longo deste período e será um facilitador do trabalho em grupo, que se torna cada vez mais absorvente para a criança.
    Elas passam a elaborar formas próprias de organização grupal, em que as regras e normas são concebidas como válidas e verdadeiras, desde que todos as adotem e
    sejam a expressão de uma vontade de todos. Portanto, novas regras podem surgir, a partir da necessidade e de um “contrato” entre as crianças.
  34. 34PERÍODO DAS OPERAÇÕES FORMAIS (a adolescência — 11 ou 12 anos em diante➤Passagem do PENSAMENTO CONCRETO
    para o PENSAMENTO FORMAL
    O adolescente realiza as operações no plano das ideias, sem necessitar de manipulação ou referências concretas, como no período anterior.
    O adolescente domina, progressivamente, a capacidade de abstrair e generalizar,
    cria teorias sobre o mundo, principalmente sobre aspectos que gostaria de reformular. Isso é possível graças à capacidade de reflexão
    espontânea que, cada vez mais descolada do real, é capaz de tirar conclusões de pura hipóteses.
  35. 35Função da reflexãoO livre exercício da reflexão permite ao adolescente, inicialmente, “submeter” o mundo real aos sistemas e teorias que o seu pensamento é capaz de criar. Isto vai-se atenuando de forma crescente, através da reconciliação do pensamento cora a realidade, até ficar claro que a função da reflexão não é contradizer, mas se adiantar e interpretar a experiência.
  36. 36Fase de interiorizaçãoCaracterizar-se, inicialmente, por uma fase de interiorização, em que, aparentemente, é anti-social.
    Ele se afasta da família, não aceita conselhos dos adultos; mas, na realidade, o alvo de sua reflexão é a sociedade, sempre analisada como passível de ser reformada e transformada.
    Posteriormente, atinge o equilíbrio entre pensamento e realidade, quando compreende a importância da reflexão para a sua ação sobre o mundo real.
  37. 37Conflitos vividos pelo adolescenteNo aspecto afetivo, o adolescente vive conflitos. Deseja libertar-se do adulto, mas ainda depende dele.
    Deseja ser aceito pelos amigos e pelos adultos. O grupo de amigos é um importante referencial para o jovem, determinando o vocabulário, as vestimentas e outros aspectos de seu comportamento. Começa a estabelecer sua moral individual, que é referenciada à moral do grupo.
    Os interesses do adolescente são diversos e mutáveis, sendo que a estabilidade chega com a proximidade da idade adulta.
  38. 38JUVENTUDE: PROJETO DE VIDAA PERSONALIDADE: começa a se formar no final da infância, entre 8 e 12 anos, com a organização autônoma das regras, dos
    valores, a afirmação da vontade.
    Esses aspectos se exteriorizar na construção de um PROJETO DE VIDA. Esse projeto é que vai nortear o indivíduo em sua adaptação ativa à realidade, que ocorre através de sua inserção no mundo do trabalho ou na preparação para ele, quando ocorre um equilíbrio entre o real e os ideais do indivíduo, isto é, de
    revolucionário no plano das idéias, ele se torna transformador, no plano da ação.
  39. 39Na idade adultaNa idade adulta não surge nenhuma nova estrutura mental, e o indivíduo caminha então para um aumento gradual do desenvolvimento cognitivo, em profundidade, e uma maior compreensão dos problemas e das realidades significativas que o atingem. Isto influencia os conteúdos afetivo-emocionais e sua forma de estar no mundo.
  40. 40O ENFOQUE INTERACIONISTA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO: VIGOTSKIUm pressuposto básico da obra de Vigotski é que as origens das formas superiores de comportamento consciente — pensamento, memória, atenção voluntária etc. —, formas essas que diferenciam o homem dos outros animais, devem ser achadas nas relações sociais que o homem mantém.
    Mas Vigotski não via o homem como um ser passivo, conseqüência dessas relações. Entendia o homem como ser ativo, que
    age sobre o mundo, sempre em relações sociais, e transforma essas ações para que constituam o funcionamento de um plano interno.
  41. 41A VISÃO DO DESENVOLVIMENTO INFANTILO desenvolvimento infantil é visto a partir de três aspectos: instrumental, cultural e histórico.
  42. 42➫Aspecto instrumentalRefere-se à natureza basicamente mediadora das funções psicológicas complexas. Não apenas respondemos aos
    estímulos apresentados no ambiente, mas os alteramos e usamos suas modificações como um instrumento de nosso comportamento.
    Exemplo disso é o costume popular de amarrar um barbante no dedo para lembrar algo. O estímulo — o laço no dedo — objetivamente significa apenas que o dedo está amarrado. Ele adquire sentido, por sua função mediadora, fazendo-nos lembrar algo importante.
  43. 43➫Aspecto culturalEnvolve os meios socialmente estruturados pelos quais a sociedade organiza os tipos de tarefa que a criança em crescimento enfrenta, e os tipos de instrumento, tanto mentais como físicos, de que a criança pequena dispõe para dominar aquelas tarefas. Um dos instrumentos básicos criados pela humanidade é a linguagem.
    Por isso, Vigotski deu ênfase, em toda sua
    obra, à linguagem e sua relação com o pensamento.
  44. 44➫Aspecto históricoFunde-se com o cultural, pois os instrumentos que o homem usa, para dominar seu ambiente e seu próprio comportamento, foram criados e modificados ao longo da história social da civilização.
    Assim, para Vigotski, a história da sociedade e o desenvolvimento do homem caminham juntos e, mais do que isso, estão de tal forma intrincados, que um não seria o que é sem o outro.
  45. 45Interação das crianças com os adultosAs crianças, desde o nascimento, estão em constante interação com os adultos, que ativamente procuram incorporá-las a suas relações e a sua cultura. No início, as respostas das crianças são dominadas por
    processos naturais, especialmente aqueles proporcionados pela herança biológica.
    É através da mediação dos adultos que os processos psicológicos mais complexos tomam forma.
  46. 46Processos inter e intrapsíquicosInicialmente, esses processos são interpsíquicos (partilhados entre pessoas), isto é, só podem funcionar durante a interação das crianças com os adultos. À
    medida que a criança cresce, os processos acabam por ser executados dentro das próprias crianças — intrapsíquicos.
  47. 47Fala e açãoFala e ação, que se desenvolvem independentes uma da outra, em
    determinado momento do desenvolvimento convergem, e esse é o
    momento de maior significado no curso do desenvolvimento intelectual, que dá origem às formas puramente humanas de inteligência.
    Forma-se, então, um amálgama entre fala e ação; inicialmente a fala acompanha as
    ações e, posteriormente, dirige, determina e domina o curso da ação, com sua função planejadora.
  48. 48Movimentos e expressões verbais da criançaTodos os movimentos e expressões verbais da criança, no início de sua vida, são importantes, pois afetam o adulto, que os interpreta e os devolve à criança cora ação e/ou com fala.
    A fala egocêntrica, por exemplo, foi vista por Vigotski como uma forma de transição entre a fala exterior e a interior.
  49. 49As funções psicológicasPara Vigotski, as funções psicológicas emergem e se consolidam no plano da ação entre pessoas e tornam-se internalizadas, isto é, transformam-se para constituir o funcionamento interno.
    O plano interno não é a reprodução do plano externo, pois ocorrem transformações ao longo do processo de internalização.
    Do plano interpsíquico, as ações passam para o plano intrapsíquico. Considera, portanto, as relações sociais como constitutivas das funções psicológicas do homem.
    Essa visão de Vigotski deu o caráter interacionista à sua teoria.
  50. 50Para VigotskiO plano interno, para Vigotski, não preexiste, mas é constituído pelo processo de internalização, fundado nas ações,
    nas interações sociais e na linguagem
  51. 51VIGOTSKI E PIAGETPiaget apresenta uma tendência hiperconstrutivista em sua teoria, com
    ênfase no papel estruturante do sujeito.
    Vigotski, por outro lado, enfatiza o aspecto interacionista, pois considera que é no plano intersubjetivo, isto é, na troca entre as pessoas, que têm origem as funções mentais superiores.
  52. 52Um desacordo entre as duas teorias"Discordamos fundamentalmente da ideia de que a fala inicial da criança não apresenta um papel importante no pensamento."

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PSICOLOGIA Flashcards on Capítulo 7 - A psicologia do desenvolvimento, created by Flávia Faria on 15/07/2018.
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Flávia Faria
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