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Contratos em Espécie

Ana Beatriz Moraes Direito Civil Analista Judiciário Portugiesisch 5,0Durchschnittliche Bewertung 5,0 von 5 (1 Bewertung)

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Contratos em Espécie

  1. COMPRA E VENDA (Arts. 481 a 532 CC)

    • Contrato pelo qual uma pessoa se obriga a transferir a propriedade de um certo objeto a outra, mediante recebimento de soma em dinheiro, denominada preço
      • A transmissão de propriedade se dá com a tradição manual quando for bem móvel, e pela transcrição no registro imobiliário quando for imóvel
        • A tradição deve ocorrer no lugar que a coisa se achava a época da venda, salvo estipulação em contrário
        • A compra e venda de imóveis pode se dar AD MENSURAM e AD CORPUS
          • AD CORPUS - corpo individualizado, sendo a metragem secundária
          • AD MENSURAM - quando as dimensões do imóvel forem essenciais
            • Se não conferirem exatamente pode pedir complementação pro ação ex empto ou ex vendito ou abatimento do preço ou resolução
        • O efeito da compra e venda é pessoal e não real. O efeito real será dado pela tradição
      • ELEMENTOS: Objeto, Preço (em princípio em dinheiro, mas admite dação em pagamento) e Consentimento
      • Consensual (exceto se imóvel de valor superior a mais de 30 salários mínimos). Art. 108 CC
    • RETROVENDA
      • Cláusula pela qual o vendedor se reserva o direito de readquirir a coisa do comprador, restituindo-lhe o preço mais despesas. Só é válida para IMÓVEIS
        • Se o comprador se recusar a revender, o vendedor poderá depositar a quantia judicialmente
          • O vendedor poderá ceder seu direito de retrato a terceiros e transmiti-lo via hereditária a herdeiros e legatários
            • Se o comprador dispuser da coisa alienando-a ou transmitindo-a a terceiros poderá o vendedor agir contra esses, desde que a cláusula esteja averbado junto a matrícula do imóvel
    • VENDA A CONTENTO
      • Contrato subordinado à condição de ficar desfeito , se a coisa objeto do contrato não for do agrado do comprador. Deve ser expressa
        • O comprador que recebe a coisa, será considerado comodatário (empréstimo gratuito de coisas infungíveis) até que se manifeste aceitando-a ou não
      • VENDA SUJEITA A PROVA
        • Mais restrita que a venda a contento. A rejeição só será possível se a coisa não possuir as qualidades asseguradas pelo vendedor ou não for finalidade para que se destina.
          • # Na venda a contento basta que o produto não seja de seu agrado
    • PREEMPÇÃO OU PREFERÊNCIA
      • Cláusula pelo qual o comprador se compromete a oferecer a coisa ao vendedor se algum dia revolver vendê-la. Deve ser expressa
        • E o vendedor só terá direito se pagar o preço exigido pelo comprador 
        • Prazo Imóvel - 2 anos; Móvel - 180 dias
    • RESERVA DE DOMÍNIO
      • Cláusula que garante ao vendedor a propriedade da coisa MÓVEL já entregue ao comprador até o pagamento total do preço
        • A transferência da propriedade se dá no momento que o preço for integralmente pago. Todavia, o comprador assume o risco pela coisa a partir de quando lhe foi entregue
    • VENDA SOBRE DOCUMENTOS
      • O contrato é executado mediante a entrega de documentos que representam a coisa, ou seja, a tradição simbólica da coisa
  2. DOAÇÃO (Arts. 538 a 564 CC)

    • Contrato pelo qual uma pessoa ,por liberalidade, transfere de seu patrimônio, bens ou vantagens a outra que os aceita
      • Pode ser Unilateral ou Bilateral (se for doação com encargo)
    • ESPÉCIES:
      • PURA E SIMPLES (típica)
        • É a liberalidade plena. Não subordina sua eficácia a nenhuma condição
      • ONEROSA, MODAL, COM ENCARGO
        • Impõe dever ao donatário. Seu descumprimento em caso de mora pode ser exigido judicialmente
          • Lembrar! Encargo não suspende a aquisição e nem o exercício de direito. 
        • Pode ser imposta em benefício do doador, terceiro ou de interesse geral
      • REMUNERATÓRIA
        • Em retribuição de serviços prestados, cujo pagamento não pode ser exigido pelo donatário
    • TIPOS DE DOAÇÃO
      • CONJUNTIVA - feita a mais de uma pessoa - distribuída por igual. 551
        • INOFICIOSA - é a que excede o limite que poderia dispor em testamento
          • Ação declaratória de nulidade da parte inoficiosa -ação de redução
          • REVERSÃO - permite o retorno dos bens ao doador se este sobreviver ao donatário - não é possível em favor de terceiro
            • PROPTER NUPCIAS - feita em contemplação de casamento futuro com certa e determinada pessoa 546
      • DOAÇÃO AO CONCUBINO - pode ser anulada. 550
        • DOAÇÃO A ENTIDADE FUTURA - 554. Caducará em 2 anos se não for constituída
          • DOAÇÃO UNIVERSAL - 558. É nula quando feita sem reserva de parte ou renda suficiente para a subsistência do doador
            • DOAÇÃO FEITA POR DOADOR JÁ INSOLVENTE - fraude contra credores.Não é necessário provar o consilium fraudis
    • REVOGAÇÃO DA DOAÇÃO
      • Por descumprimento do encargo
        • Deve ser feita a prova em juízo pelo doador. O donatário precisa incorrer em mora (562)
          • Não havendo termo, começa da interpelação judicial ou extrajudicial (397,púnico)
        • Ação revocatória de doação. Força maior afasta a mora
      • Por ingratidão do donatário
        • Somente se for pura. Arts. 557 e 558 - rol taxativo
        • É de ordem pública.
  3. TROCA OU PERMUTA (Art. 533)

    • OU ESCAMBO OU CÂMBIO
    • Contrato pelo qual uma das partes se obriga a transferir a outra a propriedade de um bem mediante o recebimento de outro bem que não seja dinheiro
      • Aplicam-se as disposições da compra e venda
  4. CONTRATO ESTIMATÓRIO OU VENDA POR CONSIGNAÇÃO (Arts. 534 a 537)

    • Contrato pelo qual uma pessoa (consignante) entrega a outra (consignatário) coisa MÓVEL para vender, podendo o consignatário pagar o preço ou restituir a coisa dentro do prazo combinado
      • É um contrato aleatório, pois não se sabe se ocorrerá a venda
      • O Consignatário deve conservar a coisa como se fosse sua. E não tem direito a reembolso de despesas com conversação da coisa
        • O consignatário deverá indenizar o consignante sempre que a restituição tiver se tornado impossível, ainda que por fato não lhe imputável - RESPONSABILIDADE OBJETIVA
        • Gastos extraordinários - só terá reembolso e retenção pelas benfeitorias úteis e necessárias. Pelas voluptuárias só se autorizadas, E SEM DIREITO DE RETENÇÃO
  5. DO EMPRÉSTIMO (Arts. 579 a 592)

    • COMODATO
      • Comodante - que empresta a coisa Comodatário - que toma emprestado
      • É um contrato unilateral; de execução futura ou imediata
      • É o empréstimo gratuito de bens INFUNGÍVEIS, móveis ou imóveis. É o empréstimo de uso.
        • Pode ser infungível naturalmente ou por convenção
        • O comodatário utiliza o bem do comodante e depois o restitui
        • Pode surgir obrigações para o COMODANTE (quem empresta a coisa) apenas em duas situações:
          • Reembolsar as benfeitoria necessárias e úteis, podendo o comodatário exercer o direito de retenção
          • Indenizar o comodatário de prejuízos decorrentes de vício oculto da coisa que tenha dolosamente escondido (Não é redibição)
        • Obrigações do comodatário:
          • Conservar a coisa como se fosse sua e não tem direito a reembolso de despesas com conservação normal.*
            • Se aplica a mútuo
          • Restituir a coisa comodada no prazo ajustado, ou não havendo prazo, quando lhe for requisitada, repeitado o prazo razoável para dela se utilize
          • Se for mais de um comodatário, serão solidariamente responsáveis*
            • Se aplica a mútuo
      • É um contrato REAL, que só se considera celebrado após a entrega do bem.
        • É gratuito, pois se houvesse contraprestação seria locação. Todavia, o comodato pode gerar pequenas obrigações em relação ao comodatário (como conservar a coisa...)
        • É temporário por essência (prazo determinado ou indeterminado)
          • Se fosse perpétuo seria doação
      • Não é necessário que o comodante seja proprietário da coisa, podendo ser mero possuidor. Porém, deve pedir autorização ao proprietário, no silêncio do contrato
    • MÚTUO
      • A doutrina não entende que o mútuo é contrato de alienação, como a compra e venda, pois este não é o seu fim, sua ocorrência é acidental. 
      • É o empréstimo gratuito ou oneroso de bens FUNGÍVEIS. Contrato pelo qual uma das partes empresta (mutuante) a outra (mutuário) coisa fungível, ficando esta obrigada a restituir coisa da mesma espécie, qualidade e quantidade
        • Há transferência do domínio da coisa emprestada ao mutuário, que se torna proprietário e consequentemente responde pelos riscos da coisa desde a tradição
          • O mutuário deverá restituir a coisa na mesma quantidade, espécie e qualidade. Se impossível a restituição, por causa não lhe imputável, caberá restituição em dinheiro
            • Se impossível a restituição por conduta culposa = substituição por dinheiro + perdas e danos
        • Empréstimo de consumo. Contrato REAL, translativo.
          • O mutuante deve ser dono da coisa ou ter autorização do dono
            • Pois é translatício de domínio
        • Para que seja oneroso é necessária cláusula expressa
  6. DO DEPÓSITO (Arts. 627 a 652)

    • É o contrato pelo qual uma pessoa (depositário) recebe objeto móvel para guardar até que o depositante o reclame
      • Em Roma, o contrato de depósito era intuitu personae porque era celebrado com base na confiança do depositante. Na sociedade moderna, porém, esta característica não está mais presente. 
      • Contrato Real; Gratuito (regra) ou Oneroso (por disposição expressa); Temporário
        • O contrato real é aquele que só se considera celebrado após a traditio rei, entrega da coisa. Antes da entrega efetiva da coisa, costuma se realizar um contrato promissório.
        • O depositante deve reembolsar o depositário das despesas realizadas com a coisa.
          • Jurisprudencialmente, entende-se que quando o depositante entrega o bem presume-se que aderiu ao contrato
          • O depositante deve indenizar o depositário dos prejuízos que lhe advierem do depósito, salvo quando tiver sido prevenido no momento da tradição
      • Não exige que o depositante seja proprietário da coisa depositada, basta que ele tenha capacidade para administrá-la
      • Não importa se é fungível ou infungível ou se corpóreo ou incorpóreo
        • Quanto aos bens imóveis, só podem ser objeto de depósito judicial
      • O Depósito Necessário é aquele que independe da vontade das partes. Resulta de fatos imprevistos e irremovíveis
        • Depósito Legal - instituído por lei.
          • Depósito Miserável - decorrente de calamidade pública
            • Depósito Essencial ou Inexo (essencial a certos atos) - hotel, bagagem de passageiros.
              • Depósito Voluntário - convencional
    • Tanto o depósito voluntário, como o involuntário, podem ser classificados como regular (bem infungível) como irregular (fungível)
      • O depósito irregular não se caracteriza como mútuo porque não há o acréscimo patrimonial característico do mútuo
      • O depósito é sempre presumido regular. O depósito irregular deve ter previsão expressão
    • WARRANTS - armazéns gerais - auxiliares do comércio. Depósito IRREGULAR
      • Ou seja, o armazém deve devolver não a coisa depositada individualmente, mas sim, um produto da mesma espécie, qualidadee quantidade
      • Quando o depósito é efetuado, são emitidos simultaneamente dois documentos, o conhecimento de depósito e o warrant. Ambos são títulos de crédito causais
  7. CONTRATO DE FIANÇA (Arts. 818 a 839)

    • A fiança não pode ser interpretada extensivamente
    • É o contrato por meio do qual uma pessoa se obriga para com o credor de outra a satisfazer a obrigação, caso o devedor não a pague
      • O fiador responde subsidiariamente pela dívida
      • É um contrato formal (deve ser escrito); gratuito; unilateral; de execução futura; aleatório; intuitu personae
        • São proibidos de prestar fiança: agentes fiscais, tesoureiros, leiloeiros e autarquias
    • A fiança pode ser total ou parcial
      • Se for total abrange os acessórios da dívida, aluguel + condomínio+ IPTU
    • Extingue-se a fiança:
      • Fiança por prazo INdeterminado - o fiador poderá se exonerar do pagamento, respondendo pelas prestação vencidas até o momento da liberação
        • Se o credor conceder, expressamente, moratória para o devedor, adiamento do prazo para pagar
          • Se o credor impossibilitar o direito de regresso do fiador contra o devedor, permitindo que o devedor doe seus bens, ou abrindo mão das garantias
      • Se o credor receber dação em pagamento
  8. DO MANDATO (Arts. 653 e ss)

    • Em regra, poderão ser objeto do mandato todos os atos, extrapatrimoniais, patrimoniais ou não. Porém, os atos personalíssimos exigem a intervenção pessoal do mandante 
    • Mandato é o contrato pelo qual alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar interesses.
      • É um contrato intuitu personae - celebrado com base na mútua confiança dos contratantes
      • A representação contratual ou convencional decorre de contrato de mandato. Se no consenso não estiver a representação, será locação de serviços e não representação
        • No mandato, o mandatário age em nome do mandante. Na locação de serviços o contratado age em nome próprio
        • O mandante deverá ser habilitado para os atos da vida civil. Se for absolutamente incapaz, não poderá celebrar mandato
          • Os relativamente incapazes poderão outorgar mandato, desde que devidamente assistidos pelo representante legal - procuração deve ser por instrumento público
            • O analfabeto também terá que se valer da procuração porinstrumento público, por não possuir firma 
            • O maior de 16 anos e menor de 18 não emancipado pode ser mandatário, mas o mandante não tem , em regra, ação contra ele
              • A capacidade do mandatário não importa para a execução do mandato, uma vez que quem sairá perdendo será o próprio mandante e não incapaz. Porém, o mandante não terá ação contra o mandatário
        • Não há restrição quanto aos cônjuges, para que sejam procuradores um do outro
      • O mandatário age em nome e por conta do mandante
      • Se o mandatário efetuar atos negociais fora dos poderes conferidos pelo mandato, tais atos só serão responsabilizados pelos mandante se ele os ratificar
        • O mandatário que exceder os poderes do mandato responde perante os terceiros
        • O mandato não exige forma especial.
          • O mandato escrito materializa-se no instrumento de procuração, que pode ser instrumento público ou particular
          • Será público, excepcionalmente, como no caso do mandante incapaz
          • Para que tenha validade quanto a terceiros é necessário o reconhecimento de firma do mandante
          • A aceitação pode ser expressa, tácita ou presumida
            • A aceitação tácita ocorre quando o mandatário iniciar a execução do mandato.
      • Presume-se gratuito, mas pode ser oneroso

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Analista Judiciário Direito Civil Mindmap am Contratos em Espécie, erstellt von Ana Beatriz Moraes am 07/11/2017.
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Ana Beatriz Moraes
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