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Flashcards

Exame do Estado Mental

Mariana Reis Psicopatologia 18/Novembro Portuguese 169 cards

Exame do Estado Mental

Cards in this deck (169)

  1. 1ciclotímico- biotipologia somatopsíquica: temperamento normal
    - extrovertido, sociável, espontâneo, ativo, emocionalmente lábil
    - corresponde o tipo somático pícnico (figura compacta, estatura e extremidades curtas, cara redonda)
    - mais propensos a Perturbação Bipolar
  2. 2esquizotímico- biotipologia somatopsíquica: temperamento normal
    - introvertido, solitário, tímido, maior dificuldade de adaptação, lógico, sério
    - corresponde ao tipo somático leptossomático (corpo magro e frágil, pouco musculado)
    - mais propensos a esquizofrenia
  3. 3tipo somático atlético- biotipologia somatopsíquica
    - tipo intermédio entre o pícnico e o leptossomático
  4. 4displástico- biotipologia somatopsíquica
    - com anomalias grosseiras devidas a anomalias glandulares, com misturas incongruente em diferentes partes do corpo
  5. 5hipoplástico- biotipologia somatopsíquica
    - com diminuição nítida das dimensões corporais
  6. 6endomorfia- formas redondas, abdómen volumoso, membros curtos
    - com um temperamento viscerotónico (extrovertidos, emotivos, apego ao conforto e alguma propensão a depender da aprovação do outro)
    - mais propensos a Perturbação Bipolar
    endomorfia
  7. 7mesomorfia- indivíduos pesados, ombros e tronco largo, membros desenvolvidos
    - com um temperamento somatotónico (ativos, energéticos, infantigáveis)
    - mais propensos para a psicose maníaco-depressiva e paranóia
    mesomorfia
  8. 8ectomorfia- estrutura linear e frágil, membros compridos e pouco fortes
    - com um temperamento cerebrotónico (inibidos, atentos, introvertidos)
    - maior propensão para a esquizofrenia
    ectomorfia
  9. 9colaboranteindivíduo que está alerta e atento, que tenta dar informação relevante ao examinador, incluindo a resposta às perguntas
  10. 10distratibilidadeincapacidade de ignorar os estímulos irrelevantes (ruídos exteriores) impedindo a focagem na entrevista
  11. 11resistênciatentativa consciente ou inconsciente do doente para reter informação ou emoções, escondendo-as do examinador
  12. 12clivagemincapacidade de uma pessoa reconhecer simultaneamente boas e más qualidades noutra pessoa (preto e branco)
  13. 13bradicinesiaexecução lenta dos movimentos
    (parkinson, esquizofrenia, depressão major)
  14. 14paresiadiminuição da força ou da sensibilidade
  15. 15paralisiaausência de movimento
  16. 16cataplexiaperda súbita e involuntária, embora temporária, do tónus muscular, podendo mesmo cair desamparado; nalguns casos apenas determinadas partes do corpo sofrem a perda do tónus muscular
  17. 17acinesiatendência para a falta de movimento, geralmente de uma parte do corpo
  18. 18hipocinesiasemelhante à acinesia mas com tendência menos marcada
  19. 19diminuição dos movimentos acessóriosdiminuição dos movimentos automáticos (ex: balançar os braços)
  20. 20fáceis amímicoreflecte bradicinesia ou acinesia dos músculos faciais responsáveis pela expressão ou pelo encerramento das pálpebras resultando uma expressão facial reduzida ou ausente (= aparência facial fixa)
  21. 21abuliadiminuição da espontaneidade, aumento do tempo de latência do discurso e do movimento, diminuição da resposta a estímulos e verbalização correcta mas sintética
  22. 22agitação psicomotoraaumento geral da atividade associada a determinadas doenças psiquiátricas (depressão agitada, delirium e mania)
  23. 23lentificação psicomotorasemelhante à bradicinesia
  24. 24movimentos automáticos- movimentos involuntários, inconscientemente iniciados, que podem ser simples ou complexos, geralmente sem finalidade e podem parecer bizarros
    - o doente não responde a estímulos ou geralmente mantém-se confuso algum tempo depois de este ter terminado
    - regra geral o doente não se recorda
  25. 25tiques- movimentos ou vocalizações involuntárias
    - podem variar de simples a complexas
    - distinguem-se pela sua repetitividade e incapacidade de o doente os evitar
    - podem ser suprimidos conscientemente por curtos períodos de tempo, o que geralmente requer muito esforço e gera ansiedade que só diminui quando o tique ocorre
    - Gilles de la Tourette, perturbação obsessivo compulsiva
  26. 26palilalia- repetição compulsiva das suas próprias palavras
    - Gilles de la Tourette
  27. 27ecolalia- repetição compulsiva das palavras dos outros
    - Gilles de la Tourette
  28. 28coprolalia- vocalização de obscenidades
    - Gilles de la Tourette
  29. 29estereotipia- padrões de comportamento repetitivos
    - não-volitivos
    - mais complexos que os tiques
    - sem alteração da consciência
  30. 30maneirismos- forma consistente, característica, particular, aparentemente intencional e altamente estilizada com que os doentes fazem as coisas
    - encontra-se sob controlo voluntário
    - não se acompanham de alterações da consciência
    - ex: o doente faz uma pirueta antes de se sentar
  31. 31compulsões- ações que acompanham paralelamente as obsessões e podem ser o resultado motor de pensamentos e impulsos semelhantes às obsessões
    - indesejadas e egodistónicas
    - K repetitivo, esteriotipado, ritualizado e muitas vezes trivial
    - são frequentemente reconhecidas pelo doente como despropositadas e as tentativas para as suprimir voluntariamente são mal sucedidas
    - piromania, cleptomania, pedofilia, OCD
  32. 32perseveração- incapacidade ou dificuldade em mudar de uma tarefa para outra
    - é tipicamente verbal (verbigeração) mas pode ser motora
  33. 33verbigeraçãorepetição inapropriada de uma palavra ou frase
  34. 34fixação de posturasadoção de uma posição de não repouso, mantida e sem objetivo aparente (ex: manter um braço levantado durante minutos a dias)
  35. 35catatoniaos doentes podem manter uma posição durante horas, sem se mexerem
  36. 36ecopraxiaimitação involuntária dos movimentos e postura de outra pessoa
  37. 37catalepsia- um membro ou outra parte do corpo é mantido numa posição qualquer, mesmo ridícula, em que uma outra pessoa o colocou
    - podemos moldar a posição do doente como se fosse um boneco de cera
    - acontece numa catatonia
  38. 38catatonia agitadaquando um doente catatónico tem um episódio de hiperactividade
  39. 39humorconjunto interno de emoções predominantes numa pessoa num determinado momento
  40. 40humor eutímicofaixa normal do humor, consistente, sem grandes alterações
  41. 41humor disfórico- sentimento persistente ou estado de humor desagradável
    - perturbação depressiva major
  42. 42humor eufórico- elação do estado de humor, com eventual associação a sentimentos de grandeza
    - discurso rápido, impulsividade, hiperactividade, diminuição do juízo crítico
  43. 43humor iradoestado de humor marcado por irritabilidade e hostelidade
  44. 44humor ansioso- estado de humor marcado por sentimentos de apreensão, medo e tensão
    - perturbações da ansiedade
  45. 45apatia- ausência de estado de humor aparente
    - são incluídos estados graves de negação ou choque emocional em resposta a uma tragédia e alguns estados psicóticos
    - normalmente é transitória (dura alguns minutos ou várias semanas)
  46. 46alexitimiaincapacidade persistente e consistente de exprimir emoções e de reconhecer as alterações do seu estado de humor
  47. 47amplitude total de emoções- amplitude: variedade de tipos de emoções que o doente é capaz de exprimir durante a entrevista; a limitação da amplitude das emoções é cpnsiderado patológico
    - são apresentadas múltiplas emoções normais durante a entrevista
  48. 48amplitude restringida das emoções- amplitude incompleta das emoções
    - doentes com depressão grave estão caracteristicamente tristes e não desenvolvem os sorrisos sociais
    - o estado emocional encontra-se restringido ao tipo disfórico e é não reactivo
  49. 49reactividade- capacidade de ajustar apropriadamente as emoções em resposta a factores externos
    - se o doente não responde a estímulos normalmente evocativos, o estado emocional é não reactivo
  50. 50aumento da intensidade afetiva- intensidade: força da expressão afetiva durante a entrevista
    - mania e perturbação estado-limite
  51. 51embotamento afetivo- diminuição da intensidade e da reactividade da expressão afetiva
    - esquizofrenia, depressão
  52. 52estado emocional apagado- ausência completa de expressão afetiva ou reatividade
    - esquizofrenia, depressão
  53. 53estado emocional lábil- mudanças excessivamente rápidas e não provocadas de emoções
    - perturbação da personalidade
  54. 54emoções fixas ou imóveisausência total de mobilidade das emoções, manifestada por uma expressão não variável de uma emoção particular (doentes apagados - diminuição da mobilidade e ausência de um tipo particular de emoções)
  55. 55estado emocional incongruente- quando a emoção expressa não se adequa à situação ou tema de conversa
    - doentes psicóticos
  56. 56belle indifférenceaunsência de preocupação, normal e esperada, perante uma situação aparentemente grave
  57. 57afasia- perda ou deterioração da capacidade de compreender e exprimir ideias através da linguagem, incluindo a escrita, a leitura, a fala e a compreensão
    - perturbação do sistema nervoso central e não se deve a lesões do aparelho vocal
    - associam-se a alterações do humor e do comportamento
  58. 58afasia de broca- compreensão permanece, mas a capacidade para falar encontra-se prejudicada (articulação deficitária e ritmo irregular)
    - não-fluente; compreensão normal; repetição alterada; nomeação +/- alterada; semântica com significado
  59. 59afasia de wernicke- perda da capacidade para compreender o significado das palavras; a fala é fluída mas incoerente e sem sentido
    - fluente; compreensão alterada; repetição alterada; nomeação alterada; semântica sem significado
    - onde ocorrem os 2 tipos de parafasias
    - afecta a prosódia
  60. 60linguagem e discurso não-fluente- discurso sincopado: hesitação antes de iniciar as frases e pausas inapropriadas
    - gaguez: repetição múltipla de letras, prolongamentos das pausas e dificuldade em iniciar frases e palavras; existe consciência das alterações
    - titubear
  61. 61titubear- a prosódia das frases é alterada e estas adoptam ritmos desadequados, alterando o significado da comunicação
    - há explosões de palavras e pausas anormais nas frases, e o discurso é rápido, resultando, nos casos mais graves, numa comunicação ininteligível
    - não existe consciência das alterações
  62. 62parafasia- substituição de fonemas, palavras ou letras incorrectas
    - parafasia semântica: substituição de uma palavra correcta por outra da mesma categoria (gato por cão)
    - parafasia literal: substituição de letra(s) incorrecta(s) em palavras de resto correctas (doelho por coelho)
  63. 63anomia/disnomiadificuldade em encontrar palavras para rotular pessoas ou objetos
  64. 64prosódiavariações na velocidade, ritmo e acentuação da frase
    - musicalidade, entoação
    - a alteração desta pode afectar quer a expressão do discurso quer a compreensão do significado do discurso de outra pessoa
    - aprosódia: perda do discurso prosódico
  65. 65alexitimiadificuldade em exprimir as suas próprias emoções e em interpretar as emoções dos outros
  66. 66pressão do discurso- grande quantidade de discurso a uma velocidade aumentada, muitas vezes acompanhada de um aumento da altura e intensidade
    - pode ser acompanhada de fuga de ideias (doentes maníacos)
  67. 67psicose- ruptura do pensamento com a realidade
    - sintomas mais clássicos: alucinações, delírios, afrouxamento das associações)
  68. 68sintomas positivos (perturbação do pensamento)junção de alguns atributos ou comportamento não presente habitualmente
    (delírios, alucinações, neologismos, afrouxamento das associações, bloqueio, hostilidade)
  69. 69sintomas negativos (perturbação do pensamento)ausência de atributos ou capacidades normalmente presentes
    (embotamento afectivo ou afecto inapropriado, apatia, falta de motivação, isolamento social, negligência da aparência pessoal, pobreza do pensamento)
  70. 70pensamento tangencial- fugir ao tema
    - toca no assunto mas divaga sempre
    - por si só não constitui evidência de psicose (é normal se ocorrer por vezes mas constitui problema se ocorrer de forma excessiva)
  71. 71pensamento circunstanciado- falar à volta de um tema, atingindo uma conclusão final e voltando ao tema
    - doentes obsessivos, psicose, patologias neurológicas
  72. 72fuga de ideias- ocorrem de forma rápida muitas associações tangenciais
    - relacionam-se de forma lógica mas o tema muda constantemente
    - têm consciência da pressão dos seus pensamentos
    - observado frequentemente em maníacos
  73. 73afrouxamento de associações- não há ligação lógica entre o tema de duas afirmações consecutivas
    - um exemplo é a salada de palavras
    - doentes psicóticos agudos
  74. 74salada de palavras- forma extrema de afrouxamento das associações
    - forma mais grave e extrema de alteração de conexão
    - as palavras estão intactas mas são colocadas umas a seguir às outras sem ligação aparente na lógica e no significado
  75. 75pensamento incoerente- discurso completamente ininteligível devido a uma afrouxamento grave das associações e/ou má articulação
    - delirium, demência, afasia, psicose maníaca grave
  76. 76bloqueio do pensamento- pausa inesperada entre frases pois o pensamento perde-se a meio
    - de seguida não consegue retomar o tema
    - acontece inconscientemente
    - pode estar relacionado com o afrouxamento das associações se houver mudança de tema a seguir à pausa
  77. 77perseveração- repetição involuntária de uma atividade verbal (ideia, palavra ou frase) ou motora
    - no contexto de uma perturbação do pensamento parecem mecânicos
  78. 78associações por sonoridade- associações ilógicas feitas devido aos sons semelhantes das palavras, independentemente do seu significado
  79. 79ecolalia- repetição de frases/perguntas feitas pelo examinador, por vezes mais do que uma vez
    - as frases produzidas espontaneamente são escassas ou inexistentes
  80. 80neologismos- palavras novas, inventadas pelo doente, e idiossincráticas
    - são evidência de psicose
  81. 81egodistónicoconsciência do seu pensamento anormal
  82. 82egossintóniconão tem consciência do seu pensamento anormal
  83. 83folie-à-deuxdelírio partilhado por duas pessoas
  84. 84delírios de grandiosidadeconvicções falsas sobre a presença de talentos extraordinários, proezas ou enorme importãncia
  85. 85delírios niilistasconvicção de que se está morto ou vazio ou de qualquer calamidade (ex: o mundo está a acabar)
  86. 86delírios persecutóriosconvicção de que se é perseguido, vigiado, ridicularizado, manipulado, alvo de discriminação ou de conspiração por outro indivíduo ou grupo de indivíduos
  87. 87delírios somáticosdelírios de alteração corporal, doença ou atributo especial (ex: "tenho um braço partido" ou "tenho cobras no coração" ou "o meu cérebro desapareceu")
  88. 88delírios de ruína ou pobrezasão o inverso de alguns delírios de grandeza; os doentes insistem que estão economicamente destituídos e negam a posse de qualquer dos seus bens
  89. 89síndrome de Capgrasconvicção delirante de que um indivíduo importante para a pessoa (ex: marido/mulher) foi substituído por um estranho, um impostor
  90. 90sintomas de Schneider- sensação de estar a ser controlado por forças exteriores
    - difusão do pensamento
    - inserção do pensamento
    - roubo do pensamento
    - certas vivências alucinatórias como ordens ou comentários sobre os seus actos
  91. 91difusão do pensamento- convicção de que os pensamentos deixaram de ser privados (ex: pedem descupa frequentemente como se as pessoas conseguissem ouvir o que ele está a pensar)
    - sintoma de Schneider mais comum
  92. 92inserção do pensamento- convicção de que um pensamento é alheio e que foi colocado na mente por alguma força exterior
    - sintoma de Schneider
  93. 93roubo do pensamento- sensação delirante de que os pensamentos foram perdidos ou roubados por uma força exterior
    - os doentes são frequentemente capazes de elaborar convicções delirantes sobre a fonte ou causa destes sintomas
    - sintoma de Schneider
  94. 94delírios erotomaníacos- convicção infundada de que outra pessoa está profundamente apaixonado pelo próprio
    - o objeto da erotomania é muitas vezes uma pessoa famosa
  95. 95delírios de ciúme- preocupação infundada de que o cônjuge ou amante é infiel
    - estes doentes podem ter comportamentos violentos baseados no seu delírio
  96. 96delírio de identificação- ideia delirante de que está noutro lugar (ex: em casa em vez de no hospital) ou convicção mantida de que um impostor foi substituído por uma ou mais pessoas com quem o doente mantêm relações (síndrome de Capgras)
  97. 97delírios de referência- atribuição a estímulos neutros de significados especiais referidos ao próprio
    - estes pensamentos podem ser directos ("eu sou o condutor assassino de que falaram na tv") ou idiossincráticos ("a roupa vermelha e preta do manequim +e sinal de que eu sou um pecador")
    - relacionam-me frequentemente com livros, televisão, filmes, rádio... é portanto importante perguntar ao doente se notou algo sobre ele próprio em qualquer um destes meios de comunicação social
  98. 98negação delirante- rejeição de algum aspecto da realidade, mesmo quando se é confrontado com a evidência contrária
  99. 99delírios monossintomáticosrestringem-se a um único tema e ocorrem na ausência de outros sintomas psicopatológicos manifestos como as alucinações
  100. 100delírios congruentes com o humoro conteúdo do delírio está de acordo com o estado emocional do doente
  101. 101delírios incongruentes com o humor- ex: uma pessoa deprimida pode acreditar que é extremamente rica
    - mais frequentemente o termo é usado para descrever ideias delirantes que não estão intimamente relacionadas com a depressão ou a mania, como a inserção do pensamento
  102. 102delírios estáveis/sistematizadoso doente é capaz de discutir a maioria dos assuntos no contexto do seu sistema delirante
  103. 103delírios instáveis/não sistematizados- mudam rapidamente de conteúdo
    - a organização é difícil de perceber
    - os elementos psicóticos não se relacionam entre si
  104. 104ideias sobrevalorizadas- pensamentos que não podem ser denominados delirantes
    - ideias estranhas, defendidas firmemente, mas não suficientemente absurdas, ilógicas ou inabaláveis para serem deliríos
  105. 105pensamento mágico- ilógico, muitas vezes atribuindo mais importância aos acontecimentos do que à realidade (ex: convicção de que doar dinheiro o fará receber um aumento salarial)
    - muitas superstições são exemplos de pensamentos mágicos culturalmente aceites
    - não é necessariamente um indicador de psicopatologia
  106. 106obsessões- pensamentos intrusivos, desagradáveis e indesejados, não suprimidos pela vontade da pessoa e que tipicamente são persistentes e associados com ansiedade
    - existe insight (assim se destingem dos delírios)
    - ex: um doente pode repetidamente sentir que vai assassinar mulheres (mas estes não são verdadeiros pensamentos homicidas pois estes reconhecem que os seus pensamentos são ridículos)
  107. 107obsessões ruminativas- envolve pensamentos metafísicos ou filosóficos, como o significado da vida ou do destino da humanidade
    - estes pensamentos são "moídos" continuamente sem qualquer resolução
  108. 108obsessões de dúvida- os doentes não conseguem parar de pensar sobre uma decisão que foi ou tem de ser tomada
    - todas as alternativas (e especialmente os aspectos negativos de cada potencial escolha) são pesadas ad nauseam, sem chegar a qualquer conclusão
    - são mais frequentes acerca de coisas triviais
  109. 109obsessões inibitórias- envolvem frequentemente ideias violentas (violar, envenenar)
    - não têm impulso real para cometer estes crimes, pelo contrário, têm repetidamente medo de cometer estes actos
    - geralmente reconhece que são irracionais, no entanto pode tornar-se incapacitado e isolar-se à medida que deixa de fazer o que quer que seja com medo de perder o controlo
  110. 110fobias- temor persistente e exagerado de objecto ou situação que não representa um perigo real, originando um desejo compulsivo de evitar o estímulo temido
    - não são delirantes, as pessoas reconhecem que não há razão para o seu medo
    - dividem-se em 3 grupos: agorafobia (medo de espaços abertos e de lugares públicos independentemente de serem abertos ou não); fobia social (medo de humilhação pública); fobia simples (medo excessivo mas circunscrito de uma situação ou objecto particular)
  111. 111hipocondriaa partir de uma interpretação irrealista de sensações ou sinais físicos, verifica-se uma preocupação exagerada com a própria saúde, sem que haja motivos orgânicos para tal
  112. 112percepçãoaquisição do conhecimento de dados sensoriais (concretos e manifestos) do nosso mundo, do meio ambiente e do próprio meio somático
  113. 113apercepçãocapacidade para entender percepções no seu contexto significativo, para as relacionar entre si com sentido e para as incluir no âmbito da experiência
  114. 114micropsiailusão de que tudo o que o rodeia é mais pequeno que o normal
  115. 115macropsiaos objectos parecem muito grandes
  116. 116despersonalização- sentimento de que a própria pessoa ou o seu corpo é irreal ou desconhecido
    - sensação de estar fora do próprio corpo
    - não é geralmente delirante
  117. 117desrealização- sentimento de que o mundo é irreal ou que subitamente adquiriu características irreais
    - não é geralmente delirante
  118. 118déjà-vupercepção de já ter visto ou vivido anteriormente o contexto ou a situação actual
  119. 119jamais-vua sensação de que algo familiar é estranho, como se estivesse a ser visto ou experimentado pela primeira vez
  120. 120alucinações hipnagógicasocorrem entre o estar acordado e a dormir
  121. 121alucinações hipnopômpicasocorrem durante a transição entre o sono e o estado de alerta
  122. 122alucinações auditivaspercepção de vozes ou sons
  123. 123alucinações autoscópicastipo raro de alucinação visual em que o doente vê uma visão de si próprio
  124. 124alucinações cenestésicassensações viscerais peculiares e fisiologicamente pouco prováveis (ex: sensação de queimadura no cérebro)
  125. 125alucinações cinestésicassensação de movimento numa parte do corpo que não se está a mexer (ex: membro fantasma)
  126. 126alucinações de comandoé ouvida uma voz que dá instruções sobre o comportamento a tomar
  127. 127alucinações depreciativasa voz ou vozes insultam, criticam ou ameaçam
  128. 128alucinações gustativassensação de gosto, paladar, geralmente desagradável
  129. 129alucinações olfativassensação de odor na ausência de um estímulo físico
  130. 130alucinações tactéissensação cutânea na ausência de estímulo físico
  131. 131alucinações visuaisalgo que é visto sem estímulo físico (ex: formicação - percepção táctil de insectos a andar sobre a pele)
  132. 132alucinações somáticasalucinações de sensações corporais
  133. 133pobreza do discurso- o discurso do doente contém pouca informação com significado
    - manifesta-se pela ausência total ou quase de comentários espontâneos e pelas respostas curtas
  134. 134atençãocapacidade de focar e direcionar os processos cognitivos durante um estado fisiológico de alerta
  135. 135concentração- capacidade de focar e manter a atenção durante um determinado período de tempo
    - mantemos a atenção pata depois podemos evocar
  136. 136registo- capacidade de evocar de imediato o que foi aprendido; dura apenas alguns segundos
    - é considerado como o componente inicial da memória a curto prazo
    - uma boa concentração e um bom registo faz a memória a curto prazo passar a longo prazo
  137. 137memória a curto prazo- precede a consolidação da memória a longo prazo e necessita da atenção e do registo
    - é temporária e dura de segundos a minutos
    - capacidade limitada e pode ficar saturada
  138. 138memória a longo prazo- não existem limites evidentes para a sua capacidade de armazenamento
    - existem dois tipos: processual e declarativa
  139. 139memória processual- envolve o recordar como se executa uma variedade de tarefas (conduzir, esquiar, andar de bicicleta)
    - depois da prática inicial destas atividades, as memórias processuais tornam-se implícitas (deixam de ser conscientes)
    - mantém-se intacta na maioria dos doentes amnésicos
  140. 140memória declarativa- informação factual acerca do mundo ou das experiências do próprio
    - memória explícita em que a informação recordada deve poder ser traduzia para a consciência ao menos que exista lesão das áreas cerebrais envolvidas no armazenamento e/ou evocação destas memórias ou um mecanismo de defesa que esteja a interferir com a evocação
    - é continuamente consolidada ao longo do tempo e pode também diminuir com o tempo (esquecimento gradual)
    - todos temos memórias declarativas diferentes pois são memórias acerca das nossas experiências
    - encontra-se afectada nos doentes amnésicos
    - pode ser semântica ou episódica
  141. 141memória semânticaenvolve a aquisição de conhecimentos específicos acerca do mundo no seu todo, incluindo o conhecimento histórico, o vocabulário e outros conhecimentos factuais aprendidos na escola ou através da leitura, bem como conceitos e regras
  142. 142memória episódicapermite que uma pessoa se lembre especificamente das suas experiências pessoais, em determinados períodos do passado
  143. 143memória prospetiva- memória a longo prazo que permite a um indivíduo recordar-se de fazer algo num tempo futuro específico
    - é importante no planeamento e organização, bem como na manutenção da orientação
  144. 144amnésia retrógadaamnésia para acontecimentos ocorridos antes de um determinado momento
  145. 145amnésia anterógrada- amnésia para acontecimentos ocorridos após um determinado momento
    - incapacidade de aprender, armazenar e evocar nova informação como parte da memória a longo termo
  146. 146amnésia de Korsakoff- incapacidade de reter ou aprender informação nova
    - existe preservação do registo e da memória a curto prazo mas não conseguem recordar a informação horas ou dias depois
    - podem ocorrer confabulações
    - relacionada com o alcoolismo
  147. 147confabulação- fabricação de ideias e circunstâncias que não são consistentes com a realidade
    - acompanhada geralmente as alterações graves da memória
    - ex: quando uma criança é raptada e esta fabrica a ideia de que o raptor a levou porque gostava dela
  148. 148amnésiaincapacidade de recordar informação aprendida recentemente ou de recordar informação do passado, apesar de a capacidade de atenção estar intacta
  149. 149paramnésia- distorção ou falsificação da memória
    - inclui: falsos reconhecimento ou desconhecimentos (síndrome de falsas memórias, déjá vu, jamais vu) e confabulações (síndrome de Korsakoff)
    - ex: uma vítima de violência doméstica diz que o seu violador tem tatuagens e era alto mas na realidade não tem tatuagens e é baixo
  150. 150hipermnésiagrau exagerado ou intensificação da capacidade de retenção e recordação, podendo estar associada a estados febris, acidentes que põem em perigo a vida ou a consumo de drogas
  151. 151deficiência mentalQI abaixo de 70 (estas pessoas têm a tendência a, por serem "pobres", que nunca vão ser "ricos" e por isso desistem)
  152. 152demênciadeterioração global e progressiva do funcionamento intelectual (estas pessoas, antes da demência, tinham tudo, eram "ricos", e depois "empobreceram", perdendo tudo)
  153. 153cognição- capacidade de pensar, usar a inteligência, o conhecimento, a lógica, o raciocínio, a memória e todas as funções corticais superiores
    - orientação em relação à pessoa, ao outro, ao lugar e ao tempo
    - atenção e concentração (isto não acontece no alzheimer)
    - registo e memória a curto tempo (verbal e não verbal)
    - capacidade construtiva e capacidade visuo-espacial
    - abstracção e concetualização (tenho de conseguir visualizar as situações mesmo que nunca tenha passado por elas, ex: quando o stor nos dá exemplos dos pacientes)
    - a consciência pressupõe a autoconsciência (conhecimento da nossa própria consciência)
    - o autoconhecimento pressupõe autoconsciência (se eu me conheço bem, eu tenho consciência de que me conheço bem)
  154. 154pseudodemência- características clínicas semelhantes à demência, mas não provocadas por disfunção cerebral orgânica (acidente, queda...)
    - frequentemente devida a psicopatologia depressiva
    - é reversível enquanto que a demência não
  155. 155agnosiaos doentes não conseguem descrever os objectos nem para que servem
  156. 156apraxiaos doentes conseguem nomear objectos e dizer para que servem mas não conseguem mostrar como se usam
  157. 157anomiaos doentes não conseguem nomear os objectos mas são capazes de mostrar como se usam
  158. 158insight- capacidade de o individuo estar ciente de si próprio, ou seja, estar consciente dos próprios sentimentos, ideias e motivações subjacentes a um determinado tópico (ou estado psicológico próprio)
    - um bom insight implica: capacidade de abstracção; capacidade de comunicação; funções cognitivas intactas; ausência de perturbação do pensamento; humor eutímico; estabilidade emocional; pensar sobre as consequências de decisões e acções passadas e futuras
    - mesmo os doentes sem alterações destas funções podem ter insight fraco como resultado de mecanismos de defesa que distorcem as realidades internas e externas
    - quanto maior a gravidade da doença mental, maior a probabilidade de o insight e o juízo de valor estarem alterados
  159. 159juízo crítico- processo de avaliação e elaboração de um tema ou situação particular e que pode determinar uma decisão ou acção
    - capacidade de reflectir sobre as coisas, enquanto que no insight só temos consciência delas
    - quanto maior a gravidade da doença mental, maior a probabilidade de o insight e o juízo de valor estarem alterados
  160. 160dissociação da identidadea mesma pessoa aparenta estar na posse de diferentes personalidades distintas
  161. 161emoçõesmanifestação externa e dinâmica do estado afetivo interno do indivíduo
  162. 162paratimiaafetos inadequados, incongruência do humor
    (ex: criança conta que o pai morreu e de seguida ri-se)
  163. 163anedoniadificuldade em sentir prazer
  164. 164bradifasiadiscurso lentificado
  165. 165taquifasiadiscurso acelerado
  166. 166criptolalialinguagem privada e ininteligível
  167. 167criptografiaescrita privada
  168. 168logorreiacompulsão para falar
  169. 169perturbação histérica da percepçãoperda de modalidade sensorial sem lesão orgânica justificativa

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18/Novembro Psicopatologia Flashcards on Exame do Estado Mental, created by Mariana Reis on 20/10/2016.
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Mariana Reis
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