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Fumaça em ambiente de incêndio

Julyana Souza Medicina Portuguese

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Fumaça em ambiente de incêndio

  1. Pode Causar Lesão

    • Por 3 vias diferentes
      • Dano térmico direto
        • Pode-se estabelecer o diagnóstico e elucidar a gravidade
          • A partir da
            • fibrobroncoscopia
        • Causada pelo superaquecimento do ar
          • Acometendo a Via aérea
            • Podendo causar edema, rubor, e até sangramentos
          • OBS:
            • O ar seco é um mal condutor de calor
              • Então as lesões térmicas não costumam causar causar lesões abaixo das cordas vocais
                • Além disso, a nasofaringe atua como resfriador do ar
                  • Entretanto, o vapor conduz 4000 vezes mais que o ar seco, o que o torna mais letal
      • Intoxicação por Monóxido de Carbono
        • O CO é um gás asfixiante, incolor, inodoro, insípido, não irritante
          • produzido pela combustão incompleta de hidrocarbonetos
          • Sua concentração na atmosfera é menor que 0,001%
            • Níveis de CO de 1% já podem causar lesões graves
              • Rapidamente ele é absorvido pelo epitélio pulmonar
                • Cai na corrente sanguínea
                  • Se liga à hemoglobina
                    • Devido à sua elevada afinidade pela Hb
                      • Cerca de 200-250 vezes maior que a do O2
                    • produz carboxi-hemoglobina (COHb)
                      • Um complexo extremamente estável
                        • Capaz de
                          • Causar um decréscimo na saturação de oxi-hemoglobina
                          • desviar a curva de dissociação da Hb para a esquerda
                            • Reduzindo a liberação de O2 aos tecidos
                              • Hipóxia e morte celular
                                • Dessa Maneira...
                                  • A intoxicação por CO é responsável por 80% dos óbitos relacionados à LI
              • Compete com os sistemas da citocromo oxidase
                • principalmente a do P-450
                  • Impede o uso de O2 para a geração de energia e ATP
              • Se liga à mioglobina
                • prejudicando o armazenamento de O2 nos músculos
                • Induzindo a peroxidação dos lipídios cerebrais
                  • Causando alterações no fluxo sanguíneo cerebral
                  • Causando lesão oxidativa por radicais livres
        • CO
        • Sintomas Clínicos
          • São inespecíficos
          • taquicardia e taquipneia
            • mecanismos compensatórios para a hipóxia celular
          • Cefaleia, náuseas e vômitos
            • sintomas comuns
          • Síncope, pré-síncope e convulsões
            • resultantes da vasodilatação cerebral e hipóxia celular, também podendo causar edema cerebral
          • Angina, edema agudo de pulmão e arritmias
            • podem resultar do aumento do débito cardíaco subsequente
          • lábios vermelho-cereja, cianose e hemorragias retinianas
            • ocorrem raramente
        • Pode deixar Sequelas!
          • Alterações cognitivas e de personalidade, parkinsonismo, agnosia, apraxia, incontinência, demência e psicose
            • Na tc
              • alterações características que incluem necrose bilateral do globo pálido, córtex cerebral, hipocampo ou substância negra
        • Exames a Realizar
          • co-oximetria de uma amostra do sangue
            • pode-se mensurar o nível de COHb
              • OBS
                • A gravidade dos sintomas parece correlacionar-se melhor com o tempo de exposição do que com os níveis de COHb.
            • Resultados de COHb acima de 10-15% são consistentes com intoxicação por CO
          • Eletrocardiograma
            • Pesquisa de lesões Esquêmicas
        • Tratamento
          • Suplementação de O2
            • Adiministração imediata de O2 a 100%
              • aumento da reserva de troca gasosa do paciente, revertendo o efeito da inalação do gás hipóxico, quanto na tentativa de dissociar o CO de seus sítios de ligação
              • a 100%, por 6-12 h
                • reduz a meia-vida do CO
              • terapia com oxigênio hiperbárico (OHB)
                • Ainda é controverso
                • nível de COHb é maior do que 25
          • Suporte Ventilatório
          • Monitorização Cardíaca
      • Intoxicação por Cianeto
        • HCN
        • É um composto extremamente volátil, que, em ocasiões de incêndios, é formado através da combustão incompleta de material carbonáceo e nitrogenado — algodão, seda, madeira, papel, plásticos, esponjas, acrílicos e polímeros sintéticos em geral
        • No corpo humano...
          • habilidade de ligar-se a íons de ferro
            • carregado pela corrente sanguínea através das hemácias
              • Chega ao ambiente intracelular
                • se liga à enzima citocromo C oxidase A
                  • bloqueando por completo o ciclo respiratório e a formação de ATP
        • Concentrações séricas de HCN acima de 0,5 mg/L estão relacionadas com intoxicação aguda
          • 0,5-1mg/L são Leves
          • 2-3mg/L são moderados
          • Acima de 3 mg/L são Letais
          • O HCN rapidamente desaparece da corrente sanguínea após sua absorção, com uma meia-vida alfa que varia de 1-3 h e meia-vida beta de 44 h
        • Sinais clínicos
          • Iniciais
            • hiperventilação, cefaleia, náuseas, vômitos, palpitações e ansiedade
          • Seguidas
            • convulsões, bradicardia e hipotensão, culminando com parada ventilatória e colapso cardiovascular
        • Pode causar Sequelas!
          • lesões neurológicas permanentes
        • Tratamento
          • Oxigenoterapia
          • Hidroxicobalamina injetável
            • Antídoto
            • se liga ao HCN resultando em cianocobalamina, que é excretada na urina
            • Recomenda-se tratar empiricamente com hidroxicobalamina, ainda no ambiente pré-hospitalar
              • todas as vítimas de LI apresentando
                • depressão do nível de consciência
                  • Glagow < ou = a 13
                • insuficiência respiratória
                • Sinais de instabilidade hemodinâmica
            • Em casos de parada cardíaca atribuída ao envenenamento, pode-se administrar o dobro da dose
          • Edetato de dicobalto
          • Uso de nitratos
            • Nitrato de amila
            • Ou nitrato de sódio
          • Tiosulfato de sódio
    • Essa lesão pode ser classificada
      • De acordo com o Local e Tipo de Acometimento
        • 1. Acometimento de via aérea superior por lesão térmica de boca, orofaringe e laringe
          • Causada pelo vapor Superaquecido
        • 2. acometimento de via aérea inferior e parênquima causado por materiais químicos e particulados oriundos da fumaça
        • 3. Asfixia metabólica
          • constituintes da fumaça impedem a entrega de oxigênio aos tecidos
    • Especificações do Tratamento Geral
      • ABCDE do trauma
        • Presença de fuligem na cavidade oral
          • Necessidade de IOT
      • todas as vítimas com suspeita de inalação de fumaça deveriam ser submetidas à análise fibrobroncoscópica para se determinar se o edema de laringe é importante o suficiente e se há lesão abaixo da glote
      • IOT profilática em todos os grandes queimados, com acometimento de mais de 40% de SCQ
      • a ventilação não invasiva pode ser utilizada como tratamento inicial desses pacientes se esses estiverem conscientes e estáveis hemodinamicamente
      • devem ser extubados com a maior brevidade possível, com atenção à possibilidade de traqueostomia precoce
      • heparina e N-acetilcisteína inalatória
        • melhoras nos parâmetros de hipoxemia e de complacência pulmonar
        • Redução da mortalidade
      • Administração de menor quantidade de fluidos do que o calculado pela fórmula de Parkland, na tentativa de Proteger os Pulmões
  2. Condição que sugere inalação por fumaça

    • Incêndio em espaço confinado
    • Confusão ou agitação
    • Queimaduras no rosto ou no tórax
    • Sobrancelhas e pelos nasais chamuscados
    • Fuligem no escarro
    • Rouquidão, perda de voz ou estridor
  3. Referências

    • PHTLS Atendimento Pré-hospitalizado ao Traumatizado. 8ª ed. Jones & Bartlett Learning, 2017.
    • ANTONIO, Ana Carolina Peçanha; CASTRO, Priscylla Souza; FREIRE, Luiz Octavio. Lesão por inalação de fumaça em ambientes fechados: uma atualização. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 39, n. 3, p. 373-381, 2013.

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Medicina Mind Map on Fumaça em ambiente de incêndio, created by Julyana Souza on 11/04/2021.
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  • Created by Julyana Souza · Apr 11, 2021
  • Copied by Julyana Souza · Apr 11, 2021
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