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Mapa mental

Tireoide

Rafael Correia Endocrinologia Português

Mapa mental sobre tireoide: anatomia, fisiologia, hipertireoidismo e hipotireoidismo

Mapa mental: Tireoide

Conteúdo do mapa

Tireoide

  1. Anatomia

    • Lobo direito, lobo esquerdo, istmo e lobo piramidal (presente no ligamento tireoglosso)
    • Irrigação: artéria tireoidea superior (ramo da carótida externa) e tireoidea inferior (ramo do tronco tireocervical)
    • Inervação: nervo laringeo superior e laringeo recorrente
      • Lesão do laringeo superior: ocorre em cirurgias com manipulação da artéria tireoidea superior e cursa com alteração da abertura/fechamento das cordas vocais, causando rouquidão e insuficiência respiratória
      • Lesão do laringeo recorrente: ocorre em cirurgias com manipulação da artéria tireoidea inferior e cursa com alteração do estiramento das cordas vocais (Antero-posterior), causando alteração do timbre vocal.
  2. Fisiologia

    • Glândula controladora do metabolismo, podendo aumentar o metabolismo basal ou diminuí-lo
      • Controle pelo eixo Hipotálamo-Hipófise
        • Hipotálamo produz e libera TRH (liberador da tireotrofina)
        • Hipófise produz e libera TSH (tireotrofina)
        • Tireotrofina estimula tireoide a produzir os hormônios tireoideanos (T3 e T4)
      • Células
        • Foliculares = formam os folículos da glândula, com o coloide no interior, sendo responsáveis pela produção de T3 e T4
        • Parafoliculares = entre os folículos, são produtoras de calcitonina, hormônio responsável por colocar o cálcio nos ossos (antagonista do PTH)
    • Produção hormonal
      • NIS = proteína de membrana que permite a entrada de iodo na célula, que é convertido em iodeto e inserido em moléculas de tireoglobulina pela enzima TPO
      • PDS = proteína de membrana que permite a entrada e saída de MIT (Tg + 1 iodo) e DIT (Tg + 2 iodo) do coloide
      • Hormônios = formados pelas junções MIT+DIT (T3) ou DIT+DIT (T4), sendo o T4 o mais produzido, porém o T3 funcionante (T4 convertido perifericamente pelas desiodases)
  3. Hipertireoidismo

    • Classificação
      • Primário = defeito na glândula, cursando com aumento de T4 e redução de TSH
        • Doença de Graves
          • Perfil do paciente
            • Bócio = aumento do volume tireoidiano
            • Mulheres
            • Exofaltmia = oftalmopatia de graves
            • Hiperextimulação do metabolismo
            • Fáscies Basedowiana
          • Patogenese = acredita-se que seja autoimune pela presença do autoanticorpo anti-TRAb (específico do receptor de TSH), causando hiperextimulação, causando aumento da estimulação do SNC, aceleração do metabolismo e aumento expressão de beta e alfa receptores (adrenérgico)
          • Quadro clínico
            • Bócio difuso
            • Tireotoxicose (excesso de sintomas), com aceleração do metabolismo = insônia, agitação, polifagia, pele quente, sudorese contínua, pressão arterial divergente, taquicardia, fibrilação atrial
              • Receptor beta-1 (coração) = aumento de FC e DC, aumentando a PAS
              • Receptor beta-2 (periferia e vias respiratórias) = vasodilatação, reduzindo RVP, reduzindo PAD
            • Oftalmopatia = aumento da inflamação local prioritária (acúmulo de linfocitário com destruição da órbita), hiperemia de esclera e projeção do globo ocular
              • Sinal de "lid lag" = fibrose no músculo elevador da pálpebra, fazendo com que ela atrase para acompar a esclera ao olhar para baixo
            • Mixedema pré-tibial (presença de receptores de TSH) = infiltrado linfocítico com deposição de proteoglicanos e destruição
            • Baqueteamento digital
          • Diagnóstico = clínica + laboratório de hipertireoidismo, imagem pode reforçar a investigação
            • Clínica = tireotoxicose + bócio E/OU oftalmopatia
            • Laboratório
              • TSH reduzido
                • T4L reduzido = hipertireoidismo clássico
                • T4L normal = pesquisar T3, se aumentado - T3-toxicose
                • T4 e T3 normais = pode ser subclínico
                  • Só tratar se > 65 anos e TSH < 0,1 (MZ/PTU)
              • Anti-TRAb
                • Se negativo = Plummer, BMT, tireoidite
            • Imagem = USG de tireoide
              • Sem nódulo = Doença de Graves
              • Com nódulo = pode ser tóxico ou não (achado de exame)
                • RAIU = avalia captação de iodo pela glândula (normal de 5-20% de captação)
                  • < 5% = aumento de liberação, sem aumento de produção (tireoidite)
                    • Tireoidite
                      • RAIU < 5% + aumento de VHS + aumento de Tg (inflamação)
                      • ≠ Factícia = RAIU < 5% + redução de VHS e Tg
                  • > 20% = aumento da produção (hipertireoidismo)
                • Cintilografia = imagem da captação de iodo
                  • Hipertireoidismo = aumento difuso
                  • Nódulo tóxico (Doença de Plummer) = aumento localizado
                    • Tireoidectomia parcial ou ablação do nódulo
                  • BMT = várias hipercaptações localizada
                    • Não necessita de tratamento medicamentoso, sempre sendo realizada tireoidectomia (subtotal/total)
          • Tratamento
            • Medicamentoso
              • Drogas antitireoidianas = 1-2 anos
                • Metimazol = inibe TPO
                • Propiltiouracil = inibe TPO e desiodase tipo 1
                  • Crise tireotoxica (tempestade tireoidiano), gestante no 1º trimestre
                    • Crise tireotóxica = paciente com hipertireoidismo e fator precipitaste para piora e liberação dos hormônios armazenados - mortalidade de 30% com tratamento
                      • Fatores precipitastes = infecção, cirurgias, trauma, radiodoablação, tratamento inadequado do hipertireoidismo, amiodarona e factícia
                      • Clinica = tireotoxicose intensa, com delirium, agitação, psicose, coma, febre alta (41ºC), ICC de alto débito, PA divergente, fibrilação atrial e icterícia
                      • Diagnóstico = Escala de Burch-Wartofsky - febre + disfunção do SNC + disfunção cardíaca + disfunção gastrointestinal
                      • Tratamento = UTI + tratar precipitante + PTU VO + lugol após 1h (Wolff-Chaikoff) + propranolol IV + dexametasona IV
              • Beta-bloqueadores = tratamento da hiperprodução de receptores beta
                • Propranolol = bloqueio de receptores beta e desiodase tipo 1
            • Radiodoablação
              • Insucesso terapêutico, má adesão, efeitos colaterais E/OU alergia às drgoas
              • Contra-indicações = gravidez/amamentação, oftalmopatia moderada/grave (costuma piorar), questões culturais, bócio volumoso (> 50 mL)
            • Cirurgia
              • Insucesso terapêutico + contraindicações à radioablação OU opção do paciente
              • Preparo = para manipular a glândula sem que ela dispare seus hormônios
                • Medicamentos por 6 semanas
                • Lugol por 10 dias = excesso de iodo com a glândula suprimida - bloqueio da glândula (efeito Wolff-Chaikoff), com vasoconstrição da glândula
                  • ≠ Efeito Jod-Basedon = glândula pronta para produzir HT, mas com baixa reserva de iodo, quando recebe iodo cursa com hipertireoidismo e atinge seu ponto máximo de produção, bloqueando e entrando no efeito de Wolff-Chaikoff
      • Secundário = defeito no eixo, cursando com aumento de T4 e de TSH
        • Tumor secretor de TSH - Adenoma de hipófise é o mais comum
          • O bócio do hipertireoidismo secundário é localizado
          • RNM de sela turca
  4. Cirurgias

    • Nodulectomia = não mais realizada
    • Tireoidectomias
      • Parcial (nódulo unilateral) = lobo + istmo
      • Total = menos recorrência, porém mais complicações
      • Subtotal = mantidos 1-2g, bilateral (poupa nervo laríngeo recorrente
      • Near-Total = mantidos 1-2g, contralateral
    • Complicações
      • Mais temida = hematoma cervical (comprime e infiltra cordas vocais, com edema de glote)
      • Mais grave = lesão bilateral do laringeo recorrente (causa insuficiência respiratória)
      • Mais comum = hipoparatireoidismo transitório (pela ligadura das artérias tireoidianas, com isquemia transitória das glândulas - neoangiogênse), devendo ser investigado hipocalcemia no pós-operatório (sinal de Chvostek e sinal de Trousseau)
  5. Hipotireoidismo

    • Classificação
      • Secundário = alteração na hipófise, com redução de TSH e T4L
      • Primário = problema na glândula, com T4L reduzido e TSH elevado (associado a bócio e hiperprolactinemia - galactorreia e amenorreia)
        • Tireoidite = inflamação da tireoide com extravasamento do coloide (rico em T3 e T4), causando tireotoxicose inicialmente
          • Aguda = rara, infecciosa (S. aureus, S. progenies) e de rápida resolução, mas pode complicar com dor + febre + flogose + supurarão (tratar com drenagem e ATB)
          • Subaguda = fase inicial com tireotoxicose, seguido de fase de hipotireoidismo e, por fim, eutireoidismo
            • Linfocítica indolor = indolor e transitória com surto de tireotoxicose, sem tratamento específico (expectante)
            • Granulomatosa dolorosa de Quervain = reativa pós-infeccao viral (1-3 semanas), com dor cervical, tireotoxicose em 50% dos casos, com aumento de VHS e tratamento com AINE e corticoide se ausência de melhora em 24/48h
          • Crônica = inflamação crônica com não-produção dos hormônios
            • Fibrosante de Riedel = idiopática
            • Tireoidite crônica de Hashimoto
              • Fisiopatologia
                • Via humoral = produção de autoanticorpos
                  • Anti-TPO = não produz os hormônios
                  • Anti-Tg
                  • Anti-TRAb = bloqueador do receptor de TSH (≠ do de Graves), pacientes com Hashimoto e sem bócio
                • Via celular = linfócitos CD8 auto-reativos, causando fibrose crônica
                  • PAAF - células de ASKANAZY (pela fibrose)
              • Quadro clínico
                • Lentificação do metabolismo = bradipsiquismo, depressão, aumento de peso, intolerância ao frio, bradicardia, constipação
                • Hashitireotoxicose = paciente com Hashimoto mas que apresenta tireotoxicose
                • Hiperprolactinemia = galactorreia e amenorréia
                • Dislipidemia = menor degradação de lipídeos
                • Bócio
                • Mixedema = edema generalizado, duro e sem cacifo, por acúmulo de glicosaminoglicanos
              • Diagnóstico = clínico + laboratório
                • Laboratório = TSH aumentado e T4L reduzido, anti-TPO +, anti-Tg + ou -, PAAF com células de ASKANAZY
              • Tratamento = reposição hormonal
                • Levotiroxina 1-2 microgramas/kg/dia pela manhã
              • Risco aumentado de linfoma (pensar quando paciente com Hashimoto apresenta aumento súbito do bócio)
        • Subclínico = TSH muito elevado com T4L normal
          • Pode apresentar sintomatologia inespecífica
          • Achado de exame, sem clínica compatível - conversão para hipotireoidismo em 5%/ano e transitório em 50% dos casos (repetir exames)
          • Tratar quando preditor para hipotireoidismo franco = anti-TPO +, TSH ≥ 10 ou achado de USG com tireoidite, intenção de gestação ou gestação em curso e dislipidemia ou doença cardiovascular
            • Sintomas inespecíficos = teste terapêutico
            • Risco de DCV = tratar até 65-80 anos (divergência de literatura)
      • Terciário = alteração hipotalâmica, com redução de TRH
  6. Nódulos de tireoide

    • Anamnese + exame físico
      • Avaliar a função do TSH (CA de tireoide não altera sua função hormonal)
        • TSH suprimido
          • Cintilografia
            • Quente/hipercaptante
              • Adenoma tóxico
            • Frio
              • Pode ser CA (TSH normal)
        • TSH normal
          • USG
            • < 1 cm
              • Seguimento com USG
            • ≤ 1 cm ou suspeito
              • PAAF
                • Bethesda
                  • I = insatisfatório
                    • Repetir
                  • II = benigno
                    • Seguimento
                  • III = atipia indeterminada
                  • IV = aumento de células foliculares
                    • Análise genética
                  • V = suspeito
                    • Cirurgia
                  • VI = maligno
              • Suspeito = história de irradiação, crescimento, rouquidão, microcalcificações, sólidos hipoecoicos e irregulares, Chammas IV e V
  7. CA de tireoide

    • Bem diferenciado
      • Mais comum, acometendo mulheres jovens e com bom prognóstico
      • Papilífero
        • Mulheres entre 20-40 anos, com disseminação linfática e com irradiação como fator de risco
        • Corpos PSAMOMATOSOS (acúmulo concêntrico de cálcio - aspecto de papila) e alterações nucleares
        • Diagnóstico = PAAF
        • Tratamento = tireoidectomia
          • < 1 cm = parcial
          • ≥ 1 cm, < 15 anos e irradiação prévia = total
      • Folicular
        • 2º mais comum, mulheres com 40-60 anos, disseminação hematogênica, bom prognóstico e carência de iodo como fator de risco
        • Diagnóstico = histopatológico
        • Tratamento = tireoidectomia
          • ≤ 2 cm = parcial - se CA, totalizar
          • > 2 cm = total
        • Carcinoma de células de HURTHLE
          • Variante menos diferenciada, mais agressivo
          • Tratamento = tireoidectomia total + linfadenectomia
      • Seguimento = supressão de TSH + USG após 6 meses
        • Dosagem de Tg (> 1-2ng/dl) ou cintilografia positiva = ablação com iodo radioativo
    • Pouco diferenciado
      • Medular
        • Se desenvolve nas células C (produtoras de calcitonina)
        • Diagnóstico = PAAF
        • Apresentações
          • Esporádico
          • Familiar = pode estar associado a NEM 2
            • NEM 2A = CMT + FEOCROMOCITOMA + HIPERPRATIREOIDISMO
            • NEM 2B = CMT + FEOCROMOCITOMA + NEUROMAS
            • Pesquisar proto-oncogene RET em parentes de 1º grau e, se positivo, indicar tireoidectomia profilática
        • Tratamento = tireoidectomia + linfadenectomia
        • Seguimento = dosagem de calcitonina
      • Anaplásico
        • Pior prognóstico, mais raro e agressivo, acomentendo idosos e relacionado à deficiência de iodo
        • Diagnóstico = PAAF
        • Tratamento = traqueostomia + QT/RT
      • Pior prognóstico

Informações

Descrição
Endocrinologia Mapa Mental sobre Tireoide, criado por Rafael Correia em 05-02-2022.
Criado por
Rafael Correia
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